Por: Rê Alves | Beta: Raphinha Cullen
Capítulo 1 - Encontros
(Bella – POV)
Mais uma manhã fria, chuvosa e desagradável. Tentei não pensar muito nisso e me concentrei em jogar meu corpo pra fora da cama quentinha e aconchegante. A verdade é que me sentia uma idiota estando em Dartmouth, fazendo um curso que eu nem sei se queria realmente fazer. Mas minha escolha em vir pra cá se deve ao fato de não querer desapontar Renée, Charlie, suas expectativas e também de simplesmente querer sair de casa, começar a ter minha própria vida. Não que meus pais fossem do tipo insuportáveis, mas eu achava que estava na hora de sair do casulo e virar borboleta. E a escolha por Dartmouth... bem, deve-se ao fato de ter sido a única universidade da Ivy League que me aceitou – ok, foi a única que eu tentei – e isso deixou meus pais radiantes.
O curso de História da Arte era legal, eu realmente sempre tinha gostado muito de História e muito de arte – não que Renée e Charlie fossem fãs, mas eu sempre me interessei por conta própria. Mas daí a ter certeza que eu queria fazer isso pro resto da minha vida, ou mesmo levar anos da minha vida estudando isso eu já não tinha certeza.
Lancei-me sob a água quente que caia do chuveiro num banho rápido para acordar. Voltando correndo pro quarto enrolada na toalha, peguei uma blusa de manga comprida azul. Coloquei a calça jeans desbotada no corpo e vesti a blusa. Enrolei a toalha no cabelo para que o excesso de água fosse retirado. Coloquei minhas meias de dedinhos e enfie logo os pés nos tênis. Tirei a toalha do cabelo, passei o pente por eles e joguei o cabelo um pouco pro lado. Hoje não teria tempo para secá-lo. Peguei minha mochila jogando-a nas costas e puxando uma pequena pasta com meu trabalho de História da Arte I desci as escadas. Antes de sair de casa, peguei o meu “História da Arte” do Gombrich, o casaco de lã e as chaves que estavam ao seu lado. Sai correndo pela porta trancando-a antes de entrar no carro.
Quando entrei, agradeci pelo aquecedor do meu carro ser tão bom. Rapidamente estava aquecida. Meu C4 tinha sido o melhor presente de aprovação na faculdade. Dirigi o mais rápido que pude até o prédio da faculdade. Na verdade, eu não morava longe, mas como havia passado boa parte da noite fazendo trabalho, estava no limite do atraso.
Estacionei meu carro e sai correndo até o prédio. Subi as escadas que davam acesso ao segundo andar e avancei pelo corredor andando rápido. Tentando conferir se estava tudo no seu devido lugar, olhei para baixo, enquanto mexia na minha mochila. Só reparei que tinha me distraído quando senti o impacto do choque com a parede que me fez cair. Balancei a cabeça confusa e constrangida, ficando vermelha. Levantei levemente os olhos e percebi que não tinha parede na nenhuma na minha frente, só um par de olhos incrivelmente dourados olhando para mim, quando uma mão – branca, mais branca do que a minha – se estendeu para me puxar do chão.
– Me desculpe! – O garoto me puxava ao mesmo tempo em que falava e me olhava com uma expressão intrigada e confusa.
Não pude deixar de perceber, mesmo dentro de todo o meu constrangimento, que sua voz era incrivelmente bonita, como deveria ser a dos anjos – se eles existissem. E que, claro, como não poderia deixar de ser – para me arrebentar ainda mais de vergonha – ele era simplesmente lindo.
– N-não... Tudo bem... – Não conseguia formar uma frase simples e coerente. Meu rosto ficava cada vez mais vermelho. – Foi culpa minha. – Afirmei. Percebi que apesar de já estar de pé, com tudo na mão, o garoto continuava a segurar minha mão. Também não passou despercebido o fato de suas mãos parecerem pedras de gelo.
– Imagina. – Ele riu, e seu sorriso era excruciante. Meu coração saltou. – Na verdade, acho que foi uma combinação de fatores.
– É, pode ser. – Balancei a cabeça me sentindo uma idiota com a minha brilhante frase sem sentindo.
Percebi o professor entrando na sala e fui obrigada a sair do meu devaneio. Puxei minha mão, tentando ser delicada e sorri, sem graça.
– Bom, eu vou entrar... – Balancei o trabalho na minha mão e comecei a me afastar. Ele ficou imóvel, parecendo uma estatua durante uns dois segundos. Então, ele passou a mão no cabelo e deu um meio sorriso torto. Eu virei de costas e segui com pressa para aula.
Concentrei-me no fato de que provavelmente não o veria mais durante um bom tempo, afinal, a universidade era imensa, e eu nunca o tinha visto ali durante as primeiras semanas de aula – e disso eu tinha certeza! Isso era bom, o acidente no corredor já tinha sido bastante constrangedor. E isso também era ruim, porque ele era divinamente lindo. Por um rápido momento pesei ambos os lados na balança e fiz certa força para acreditar que não vê-lo seria melhor. Quer dizer, menos constrangedor.
Passei pela porta com pressa, deixando meu trabalho em cima da mesa do professor, como todo mundo já havia feito. Ele me lançou um rápido olhar em tom de reprovação e eu baixei a cabeça. Subi rápido os degraus enfiando-me numa das últimas fileiras vazias. Coloquei minha mochila do lado, fechei os olhos e suspirei aliviada. Uma menina pequena, magrinha e incrivelmente bonita estava sentada na fileira da frente. Graciosamente ela se virou para trás e estendeu a mão coberta por uma luva para mim.
– Oi! Sou Alice Cullen! – Seu sorriso era incrivelmente simpático. Sorri involuntariamente enquanto pegava sua mão.
– Isabella Swan! – Soltei sua mão. Ela virou o corpo para frente novamente e eu pensei no fato de nunca tê-la visto naquela aula. Mas como ela podia estar entrando no meio do semestre?
Tentei não me concentrar muito nisso e prestar atenção na aula. Não queria dar ao professor mais um motivo para ele me lançar mais olhares.
Quando a aula terminou, Alice parou toda serelepe do meu lado.
– Qual a sua próxima aula?
– Antiga. – Respondi depois de lançar um olhar aturdido para Alice.
– Ah! Que pena... A minha é Barroco. – Ela fez uma cara triste que eu até fiquei com pena. – Eu queria tanto poder conversar mais com você. Eu tive uns problemas pessoais no inicio do semestre e esse é meu primeiro dia de aula. Gostei de você assim, logo de cara. – Mais um sorriso encantador.
– Bom, nos ainda vamos nos esbarrar por aí. – Sorri tentando parecer tão simpática quanto ela. – Mas agora eu preciso ir se não vou mais uma vez entrar atrasada na aula. – Sem qualquer pudor, ambas gargalhamos.
Saímos juntas da sala enquanto ela tagarelava mais um pouco sobre como tinha ido com a minha cara. Eu me dirigi ao segundo andar enquanto ela ia para o final do corredor.
A aula de História da Arte Antiga transcorreu calmamente, como de costume. Essa era a pior aula do semestre. A professora parecia dar aulas para essa disciplina há uns 40 anos, de tão enfadonha que a aula era. Toda aula alguém dormia, e eu sempre me perguntava quando eu teria coragem para fazer o mesmo. Talvez tenha sido a falta de atenção a aula que me fez lembrar o acidente no corredor pela manhã. Aquele rosto incrivelmente lindo, de traços bem marcados, pele de alabastro, olhos intensos de uma cor de dourado que eu nunca tinha visto na minha vida, mãos geladas, e um corpo tão rígido que parecia pedra. Passei cada momento daquele encontro na minha cabeça uma dezena de vezes, e por conta disso, quase não me toquei que a aula tinha acabado.
Sai da aula correndo para o primeiro andar, tinha aula de Arte Renascentista, uma das minhas favoritas, e definitivamente eu não queria chegar atrasada. Quando entrei na sala, imediatamente meus olhos pousaram sobre uma mão estendida no ar que balançava. Sorri ao perceber que era Alice, a menina da primeira aula, que me chamava para sentar ao seu lado.
Passamos a aula toda dividas entre conversar e prestar atenção na aula. Alice era uma criatura encantadoramente fantástica. Tudo nela era perfeito. E por incrível que pareça, ela tinha o tom de pele tão pálido quanto à do garoto que eu tinha batido pela manhã. E seus olhos, tinham uma tonalidade dourada, parecida com a dele também. O professor passou um trabalho em dupla para ser entregue na semana seguinte e prontamente Alice me intimou a ser sua dupla.
Tinha uma hora e meia para almoçar, até ir pro meu turno de trabalho na Biblioteca. Alice tinha me arrastado segurando minha mão pelo campus da faculdade para irmos almoçar. Confesso que se fosse qualquer outra pessoa a fazer isso, eu teria me irritado seriamente. Mas eu não conseguia ficar irritada com Alice, e isso era tão estranho. Sentamos na primeira mesa vazia que vimos.
– Então Bella, – Sim, ela já me chamava de Bella – Combinei de encontrar meus irmãos aqui. Você quer comer de uma vez?
– Irmãos? – Perguntei curiosa. – Quantos irmãos você tem Alice?
– Dois! Emmett e Edward! – Ela bateu as mãos e as cruzou sobre a mesa. – Eles são tão lindos. – Suspirou. Eu ri.
– Então, eu vou pegar alguma coisa pra comer, você quer algo? – Perguntei enquanto me levantava.
– Hum... Acho que não, querida! Obrigada!
Eu fui até uma cantina, peguei dois sanduíches, uma garrafa de coca e um chocolate. Quando eu virei para retornar à mesa, eu quase deixei tudo cair. Minhas pernas ficaram bambas e eu senti minhas forças fugindo do meu corpo. Ele estava lá, na minha mesa. Ele, o cara do acidente no corredor. Ele, o ser divino, o deus grego, a beleza em pessoa. Eu precisei me concentrar bastante para lembrar como se anda. “Estica uma perna pra frente, e depois a outra, Bella, com calma.”, falei mentalmente.
Coloquei-me a nadar enquanto observava a mesa. Havia quatro novas pessoas ali: um cara de cabelos escuros, bem curtinhos, forte como um touro; do lado dele estava uma garota alta, loira com os cabelos compridos e linda, daquele tipo que os caras quebram o pescoço para olhar; um outro menino, mais alto que todos os outros pelo que pude perceber, o cabelo tinha um tom de loiro diferente do cabelo da garota, ele estava sentado com os braços ao redor de Alice; e por fim ele, o cara mais perfeito do universo.
Pensei comigo mesma que não seria uma ideia ficar naquela mesa, tinha gente demais, gente bonita demais e todos olhavam para eles. Ia pegar minhas coisas, dar uma desculpa qualquer e sair dali. Quando me aproximei, Alice se levantou e veio me ajudar com a comida. Os quatro olharam para mim juntos, e eu pude sentir o calor queimando meu rosto. Sabia que estava como um pimentão.
– Bella, querida! – Alice me puxava com a mão livre em direção à mesa. – Deixe eu te apresentar a minha família. – Ela sorriu.
– Você disse que tinha dois irmãos Alice, e não quatro. – Disse idiotamente tentando parecer descontraída. O garoto grandão riu simpático.
– Sim, sim. Só Emmett e Edward são meus irmãos. Esse é Emmett. Indicou com a mão para o grandão. Ele sorriu e esticou a mão para mim.
– Prazer, Bella. Vejo que você já caiu nas garras da minha irmã. – Gargalhou e todo mundo riu com ele, menos Alice que fez uma careta.
– Prazer Emmett!
– Bem, essa é Rosalie Hale, namorada do Emmett. – apontou para a loira. Rosalie sorriu simpática e esticou a mão para mim.
– Oi Bella!
– Oi Rosalie! Nossa, você parece uma daquelas pinturas de Vênus, de tão bonita que você é. – Eu falei sem poder segurar a língua dentro da boca e na mesma hora prendi meus lábios entre os dentes e fiz uma careta me arrependendo.
– Obrigada, Bella! – Ela sorriu ainda mais simpática. – Mas você também é linda. – Ela realmente foi simpática. Como alguém poderia ser bonita perto dela. Só Alice.
– Esse é Jasper Hale, meu namorado.
– Hale? – Perguntei confusa.
– Sim, eu e Rose somos irmãos. – Ele sorriu. – Tudo bem, Bella? – Me cumprimentou.
– Ah! Oi Jasper! – Sorri meio sem graça.
– E esse é meu irmão Edward, Bella. – Ela apontou para o meu deus grego. Claro que eu já tinha deduzido isso, afinal só tinha sobrado ele. Edward sorriu para mim e eu quase desmaiei.
– Olá Bella! Não nos apresentamos no corredor. – Esticou a mão para mim.
– Vocês já se conheciam? – Alice perguntou enquanto eu cumprimentava Edward. Sua mão ainda estava gelada, assim como a do resto da família.
– Sim, Alice! Hoje eu cheguei atrasada e como estava desatenta acabei trombando com seu irmão antes de entrar na sala. – respondi com a voz firma e soltei sua mão.
– Ah! Edward e eu estávamos conversando, então ele foi me deixar na sala. – Ela sorriu par o irmão. – Agora sente-se e coma. – Foi uma ordem.
– Então Bella, me diz, você vai comer isso tudo? – Emmett perguntou enquanto eu desembrulhava o primeiro sanduíche para comer.
– Sim, por quê? Você quer? – Ofereci.
– Não, não. Mas não é muito comum ver mulheres comendo tanto assim. Me diz, pra onde vai essa comida toda? – Ele me deu uma boa olhada, como se estivesse me despindo. Meu rosto ficou vermelho.
– Emmett, cala a boca! – Todos gargalharam quando Rosalie falou. – Deixa a menina comer em paz!
– Você vem de que cidade, Bella? – Jasper perguntou. Pude perceber que Edward não tirava os olhos de mim.
– Forks, uma cidade incrivelmente pequena, verde e chuvosa. Ou seja, insuportável. – Mais uma vez todos riram.
– Muito parecido com Dartmouth. – Edward comentou.
– Pois é... Vai ver que foi por isso que vim parar aqui. Quem vai querer viver com sol e calor quando se pode ter esse clima agradável, não é?! – Fiz uma careta de deboche. Emmett explodiu numa gargalhada.
– Gostei de você, Bella!
– Todos nós gostamos, Emmett. – Rosalie cutucou Emmett.
Achei engraçado o comentário de Rosalie. Enquanto eu comia, eles conversavam animadamente e me perguntavam coisas sobre minha vida. Quando acabei meu almoço, recolhi o lixo e joguei fora. Peguei meu celular que já estava apitando desesperadamente e vi o lembrete que eu havia programado: “Pagar aluguel”. Vi que o tempo tinha passado rápido, eu tinha quinze minutos para estar na Biblioteca.
– Bom pessoal, foi um prazer conhecer vocês. – levantei pegando minha mochila.
– Você já vai? – Edward me perguntou e nossos olhos se cruzaram. Eu tinha evitado olhar para ele durante o almoço, com medo de não resistir e atacar ele.
– Sim, eu tenho que ir para a Biblioteca. – Informei, desviando nossos olhares.
– Nossa, que menina estudiosa. – Emmett brincou. – Estuda mais tarde!
– Eu não vou estudar Emmett, vou trabalhar. – Eles me olharam surpresos, então resolvi explicar. – Créditos extras, pessoal.
– Aaah! Entendi! Esperta você, hein? – Alice brincou.
– Pois é. Bem, eu vou para não chegar atrasada. Tchau! – Sorri e acenei para eles, meus olhos encontrando pela ultima vez os de Edward. Eles se despediram e eu me afastei. Podia sentir cada olhar dado na minha direção enquanto caminhava. Homens e mulheres, provavelmente por causa dos Cullens.
(Edward POV)
Dartmouth. Não sei o que era pior: começar mais uma faculdade ou a possibilidade de não terminá-la. Minha escolha dessa vez tinha sido Direito. Era a primeira vez que tentava esse curso. Já tinha feito medicina, engenharia, economia... Acho que já perdi as contas de quantos cursos eu comecei.
Já sabia tudo o que ia encontrar, por isso, não tinha expectativas. Pessoas inteligentes demais que se isolavam – e provavelmente quem olhasse de fora acharia que eu e meus irmãos éramos desses –, pessoas tentando parecer inteligentes, meninas fúteis, caras convencidos... O mesmo de sempre.
Pelo menos, era esse o meu pensamento pela manhã, antes de tudo que eu tinha certeza simplesmente desaparecer. Como poeira no ar. Tudo por causa de uma humana de pele clara, cujas bochechas faziam questão de ficar vermelhas com freqüência e cujo cheiro era simplesmente atordoante. Era absolutamente incrível como algo tão certo – como a espécie humana – pode se tornar tão duvidoso e intrigante a ponto de me interessar tanto. E desde o momento que aquela humana se chocou contra o meu corpo no corredor, eu simplesmente não sei de mais nada.
Era realmente difícil tirar o cheiro dela da minha memória. E cada vez que a lembrança aparecia minha garganta queimava. Nada nem ninguém cheirava tão bem como ela. Fiquei feliz de não tê-la conhecido antes, pois eu provavelmente não poderia me controlar como poderia fazer hoje. Hoje em dia, apesar de o seu cheiro ser incrivelmente atrativo, eu não sinto vontade de matá-la. Ainda assim, seria mais fácil falar com ela se eu soubesse o que ela pensava. Mas por algum motivo irritante, ela era a única exceção ao meu poder de ler mentes. Não bastava ela ter o melhor cheiro, ela tinha que ter essa característica única também. E simplesmente como um complemento adicional – como se precisasse – ela era incrivelmente encantadora com aquele rosto delicado, os gestos distraídos e com toda aquela emoção dentro dela. Sim, precisava.
Para alguém que estava preso a eternidade como eu, horas eram simplesmente irrelevantes. Nesse dia, os minutos se arrastavam como décadas para passar. Eu queria sair correndo pela Universidade para encontrar a garota novamente. Essa constatação me causou surpresa. Como eu podia estar tão ansioso para encontrá-la. Sorri ao lembrar o som do seu coração descompassado quando eu sorria para ela.
Minha manhã foi um tédio. Eu nem percebia o que acontecia a minha volta. Quando acabou minha última aula, fui encontrar com minha família. Fui andando até o gramado com mesas cobertas, distraído.
“Edward! Tenho novidades!” Reconheci a voz que gritava na minha cabeça e imediatamente olhei para frente. Alice estava com um sorriso radiante. Levantei uma sobrancelha. Ela continuou a gritar na minha cabeça. “Ela é adorável, Edward!” Droga! É claro que Alice já sabia que eu não parava de pensar na humana. Ela tinha esse dom insuportável – às vezes – de ver o futuro.
“Edward, você a conheceu!” Ok, essa frase me surpreendeu.
– Como assim, Alice? Não entendi? – Ela fez uma careta e pensou no rosto da humana.
– Sim, eu esbarrei com ela hoje de manhã, mas e daí?
– E daí Edward, que você conheceu a Bella! – Então esse era o nome dela, Bella. Perfeito.
– Hum, não sabia o nome dela. – Comentei.
– Bom, vocês vão ter uma ótima oportunidade de se conhecerem melhor, afinal, nós agora somos amigas.
– Como? – Achei que não tinha entendido direito. Ouvi Alice dizer que ela e Bella eram amigas? Como podia ser?
– Isso mesmo. Bella também cursa História da Arte e fazemos algumas matérias juntas. – Ela sorriu tão feliz que me assustou.
– Tá bom, Alice! Mas por que você tá tão animada com isso?
– Como por quê? Edward, eu acabei de conhecer minha futura cunhada! – Se fosse possível meu corpo mudar de temperatura, eu teria gelado com certeza.
– Ficou louca, Alice? – Ela fechou a cara.
“Olhe e veja por si mesmo.”
Eram várias imagens, e eram claras. Eu beijava Bella. Bella me olhava com amor. Nós estávamos de mãos dadas. Bella estava pálida. Tão pálida quanto eu.
– Alice, o que é isso? O que você tá insinuando? – Perguntei assustado.
“Não insinuo nada, Edward. Você sabe disso.” – Ela bufou. – “Vi o que vi, pronto. Não tenho culpa se vocês vão se apaixonar”.
– Alice, você surtou? Ela é humana! Eu não...
– Você não pode fazer nada, Edward! – Ela me interrompeu.
– Alice, eu não posso ouvir os pensamentos dela, como você pode ver o seu futuro? – Perguntei curioso.
– Como? Você não pode ouvir os pensamentos dela? – Ela parecia confusa. Mas quando eu confirmei com a cabeça, Alice soltou uma risada.
– Perfeito!
– Como perfeito, Alice? Tem certeza que você está bem? – Estava começando a achar que Alice estava enlouquecendo. Vampiros enlouquecem?
– Perfeito! Bella pode até ser humana, mas não é normal. E nada mais apropriado do que você se apaixonar por alguém que você não pode ler a mente. – Ela bateu palmas.
– Alice, eu não vou me apaixonar!
– Não vai se apaixonar por quem, Edward? – Emmett me perguntava. Droga! Eles estavam chegando enquanto Alice e eu falávamos justamente isso!
– Por Bella! – Alice respondeu.
– Quem é Bella? – Rosalie perguntou.
– Ninguém! – respondi seco.
– Bella é minha mais nova amiga e colega de curso, e nossa futura cunhada! – Anunciou para a família. Emmett riu e Jasper e Rosalie olharam ainda surpresos.
– Alice está delirando. – Falei.
– Olha Edward, eu não duvidaria do que Alice fala se fosse você. – Jasper comentou rindo.
– Ah! Comportem-se pessoas. Bella está vindo! – Alice recomendou antes de levantar para ajudar a garota.
Meus olhos não conseguiam se soltar dela. Ela estava vermelha. Percebi que sua respiração estava fora de ritmo e que ela estava com as bochechas vermelhas novamente. Linda. Alice apresentou a família para Bella, e de fato, Bella tinha sido extremamente bem aceita por todos. Claro, todos nós achávamos que ela cheirava absurdamente bem, mas ela não corria o menor risco. Quando sorri para ela, ouvi seu coração disparar, e eu confesso que adorei isso.
– Olá Bella! Não nos apresentamos no corredor. – Estiquei a mão e esperei o contato da mão dela com a minha. Quando ela finalmente me cumprimentou, senti todo meu corpo receber uma descarga elétrica.
– Vocês já se conheciam? – Alice perguntou se fingindo de ingênua. Ela era terrível.
– Sim, Alice! Hoje eu cheguei atrasada e como estava desatenta acabei trombando com seu irmão antes de entrar na sala. – Bella respondeu. Percebi que ainda segurava sua mão e a soltei, lamentando.
Durante o almoço de Bella – sim, só ela comeu; e como comeu – nós conversamos animadamente. Ela era extremamente divertida, e pude ver que Emmett finalmente tinha achado alguém que não se importava com as piadas dele. Ele estava radiante com isso e eu não tirava meus olhos dela. Ela juntou seu lixo e jogou fora quando o celular começou a apitar. Ela o pegou, leu um lembrete, que Alice espiou e eu acabei vendo pela mente de Alice: “Pagar aluguel”. O que significava que ela não morava no campus. Ela levantou, pegou a mochila e olhou para nós.
– Bom pessoal, foi um prazer conhecer vocês.
– Você já vai? – Perguntei não podendo me conter. Nossos olhos se encontraram e se perderam uns dentro dos outros.
– Sim, eu tenho que ir para a Biblioteca. – Ela disse e desviou o olhar.
– Nossa, que menina estudiosa. – Emmett brincou. – Estuda mais tarde!
– Eu não vou estudar Emmett, vou trabalhar. – Ficamos surpresos com a declaração e ela percebeu. – Créditos extras, pessoal.
– Aaah! Entendi! Esperta você, hein? – Alice brincou. Enquanto isso eu tive uma idéia e sorri pra mim mesmo.
– Pois é. Bem, eu vou para não chegar atrasada. Tchau! – Ela sorriu e acenou se despedindo. Seus olhos me procuraram mais uma vez e nos olhamos por um breve instante, até ela se virar.
Enquanto Bella se afastava, eu a observava e meus irmão me observavam.
“Você não pode fugir do seu destino, Edward!”, Alice gritava mentalmente.
“Acho que tem alguém apaixonado!”, Emmett ria.
“Sabe que eu gostei dela de verdade!”, Rosalie estava surpresa com ela mesma.
“Isso significa que o último encalhado da família vai desencalhar!”, Jasper realmente estava contente e isso me surpreendeu mais do que a reação dos outros.
Capítulo 2 - Carona Especial
(Bella POV)
Quando olhei no relógio, já eram 20hs, o que explicava o meu cansaço. Tinha passado a tarde toda pensando no meu almoço com os Cullens, principalmente por causa de Edward. Arrumei os últimos livros que estavam na minha mão, joguei minha mochila nas costas e me despedi da Sra. Shipper, a bibliotecária. Fui caminhando com calma até o estacionamento onde estava meu carro. Estava com fome e cansada, e quando fico assim, eu mal olho por onde estou andando. Abri meu carro, entrei e dei partida. Percebi que meu carro mal se arrastava. Estranhei. Tentei novamente e mais uma vez meu carro se arrastava. Balancei a cabeça rezando para que não fosse o que eu estava imaginando.
Minhas esperanças foram pelo ralo quando vi meus quatro pneus furados. Um acesso de ira me consumiu. Como eu não tinha percebido? Aliás, como eu consegui a façanha de furar os quatro pneus de uma só vez. De repente, a explicação pareceu óbvia. Não fui eu quem furou, foi alguém. Dei um chute no pneu dianteiro esquerdo diante da minha constatação. Joguei minhas mãos sobre o teto do carro e abaixei a cabeça, irritada.
– Algum problema? – Reconheci a voz imediatamente. Lutando contra minha comum reação de ficar embasbacada com tudo que vinha dele, me obriguei a responder.
– Nada demais, só um pneu furado. – Não levantei minha cabeça.
– Só um? – Ele fez uma pausa. – Tem certeza?
Bufei. Ok, ele tinha vencido.
– Não. Na verdade, os quatro. – Respondi resignada.
– Uau! – A voz não era irônica, era apenas surpresa. Finalmente eu me virei, não conseguindo evitar o sorriso diante do comentário.
– Pois é. – Meus olhos encontraram imediatamente os olhos dourados incrivelmente bonitos. – Parece que alguém resolveu brincar comigo.
– Hum... Não gosto muito desse tipo de humor. Um tanto ácido, você não acha? – Ele falava me olhando enquanto esboçava um sorriso. Eu retribui.
– Com certeza.
– Bem, acredito que você não tenha quatro steps, não?
– Não, infelizmente hoje eu só trouxe três. – Nós dois rimos.
– Bem, aceita uma carona? – Ele me ofereceu enquanto se aproximava.
– Hum... Não precisa. Eu acho que vou de taxi mesmo. – Não, definitivamente não pareceu uma boa ideia. Eu não tinha certeza se ia conseguir me controlar e não atacar aquele homem lindo.
– Você tá com medo de mim? – Edward me perguntou confuso.
– Não, imagina! Eu só acho que não tem necessidade de você perder seu tempo. – Respondi com vergonha. Estava com medo de mim.
– Não vou perder meu tempo. Além disso, não me sentiria bem sabendo que deixei uma amiga da minha irmã na mão. Quando ela soubesse, provavelmente eu seria um homem morto. – Ele falou em tom de brincadeira. Eu olhei para o meu carro.
– Será que tem problema eu deixá-lo aqui por essa noite? Amanhã eu resolvo isso. – Questionei.
– Acredito que não. Afinal, ninguém saberá se você está estudando ou não.
– Você tem razão.
Edward abriu a porta do meu carro para que eu pegasse minha mochila.
Tranquei o carro e caminhamos para dentro do estacionamento. Percebi que estávamos indo em direção a um Volvo prata. “Bom gosto!”, pensei comigo.
Cavalheiramente, Edward abriu a porta do carro para que eu entrasse e depois contornou o carro para entrar do outro lado. Enquanto ele fazia esse trajeto tentei respirar calmamente para encontrar meu controle. Edward era lindo, mas era só um homem. Não é nada demais. Ele entrou e ligou o carro, enquanto olhava para mim e sorria. Ok, a quem eu estou querendo enganar com essa história de que ele é só um homem bonito e nada além disso? Edward é sexy também. Mas ele não precisava saber que eu arrastava um bonde por ele assim como as outras garotas da faculdade.
(Edward POV)
Sim, meu plano tinha dado certo. Quando eu ouvi umas garotas pensando no que tinham feito com o carro da Bella, eu fui correndo averiguar. Pensei em substituir os pneus imediatamente, mas na hora me veio essa brilhante ideia de simplesmente oferecer uma carona pra ela. Depois, eu trocaria os pneus.
Eu queria muito falar alguma coisa, mas sem poder escutar os pensamentos dela, eu simplesmente não conseguia arriscar abrir a boca e estragar o momento. Para meu alivio, Bella abriu a boca.
– Então Edward, o que você estava fazendo na faculdade até agora? – Droga! Seria tão mais fácil se eu pudesse ouvir o que ela pensava.
– Estava terminando um trabalho. Achei que seria mais fácil terminar aqui do que em casa com Alice e Emmett... – Ela riu antes mesmo de me esperar terminar a resposta. – O quê?
– Nada... Só estava pensando que deve ser engraçado morar com os dois. Eles parecem estar ligados sempre no 220. Acho que nem um apagão resolveria o problema dos dois. – Ela riu de novo e dessa vez eu a acompanhei com uma gargalhada. (n/a: qualquer semelhança com a Raphinha é mera coincidência, rsrs!)
– É verdade. Ainda bem que temos o Jasper. – Falei para mim mesmo, mas saiu alto.
– Como assim, não entendi?
– Ah, é que o Jasper acaba controlando a Alice de alguma forma... – Lancei um olhar significativo pra ela, que entendeu imediatamente ficando corada. – E quando precisa, ele “briga” com Emmett, aliviando o excesso de energia.
– Jasper então é o herói da casa. – Não foi uma pergunta. Ela olhou para fora enquanto continuava a falar. – Seus irmãos são tão diferentes de você. Você parece ser tão calmo...
– Sim. Acho que deve ser para equilibrar a energia da casa. – Rimos.
Ficamos em silêncio o resto do caminho. Bella só falava para me dar as instruções de como chegar à sua casa. Percebi que estávamos próximos quando ela começou a mexer na bolsa.
– Pode parar nessa casa meio bege aí na frente. – Eu ri.
– O que foi? – Ela me olhou confusa.
– Lembrei de Alice. Se ela visse a sua casa, ia falar que ela tem um tom “nude”. – Fiz um sinal no ar indicando as aspas e imitei a voz de Alice. Bella explodiu numa gargalhada.
– Alice é muito sem noção. – Ela disse ainda rindo. – Quero dizer, eu sei que nós mal nos conhecemos, mas parece que eu a conheço há anos. Eu gostei muito de Alice... – Ela pensou por um instante. – Mas acho que foi ela quem me escolheu como amiga. – Sorriu. Bella não tinha ideia de como estava certa sobre isso.
– É bem provável. Alice é muito persuasiva quando quer. – Disse concordando. Já estávamos parados em frente a sua casa fazia algum tempo. No entanto ela parecia não querer sair do carro, e nem eu queria que ela saísse.
– Nossa Edward, nem sei como te agradecer pela carona. Se não fosse por você eu estaria agora dentro do ônibus ainda, ou então teria pagado um taxi.
– Imagina, foi um prazer te acompanhar. Acho que sei por que Alice gostou tanto de você. – tentei prolongar o papo.
– Anh? Por quê?
– Porque a sua companhia é extremamente agradável. – “E porque você é linda e eu me sinto extremamente atraído por você.”, adicionei mentalmente.
– Obrigada! – Seu rosto ficou vermelho automaticamente. – Vocês também são maravilhosos. Incrível como toda a sua família é simpática. – Eu ri de novo.
– Na verdade, acho que eles só forma simpáticos com você. Quero dizer, Rosalie não é uma pessoa simpática, mas inacreditavelmente ela gostou de você. E Jasper, bem... Jasper não é muito de falar nem demonstrar sentimentos, mas ele conversou com você tão livremente... Acho que você é especial. – Se ela pudesse explodir de vergonha, teria explodido certamente. Eu podia sentir o calor das suas bochechas.
– Nossa, acho que estou sem graça.
– Não fique.
– Bem, obrigada mais uma vez pela carona, Edward. – Bella abriu a porta do carro. Imediatamente eu sai também e me pus ao seu lado para acompanhá-la até a porta. Ela me olhou surpresa mas não falou nada.
Ao chegarmos à sua porta, Bella se virou para me olhar. Estávamos muito próximos. Eu sentia o sangue correr rápido pelo seu corpo, bombeando seu coração de forma mais intensa. A respiração era hesitante. Desviei a atenção de seus olhos para a sua boca quando ela mordeu bem de leve. A boca levemente molhada e vermelha era um convite para fazer o que eu queria desde que nos esbarramos no corredor. Sem pensar muito, me aproximei, deixando um espaço mínimo entre nossos rostos. Ela acabou com a distância grudando nossas bocas. Antes que eu pudesse reagir, ela me puxou pelo cabelo, me trazendo para junto do seu corpo quente e acolhedor. Eu abracei sua cintura, não deixando que ela se afastasse. Meu corpo parecia estar aquecendo ao contato com o corpo dela. Sua língua se enroscava na minha, explorávamos mutuamente a boca um do outro. Uma de suas mãos desceu pelo meu pescoço, indo até meu peito. Extremamente sensual, me fazendo arrepiar. Eu puxei seu corpo para mais perto do meu, apertando de leve sua cintura com uma mão enquanto a outra deslizava levemente para dentro da sua blusa. Bella aumentou a intensidade do beijo em resposta. A excitação aumentou de forma incontrolável com esse contato e eu senti o volume entre minhas pernas aumentando. Ela também sentiu. Ao invés de se afastar, como eu temia que ela fizesse, ela pressionou ainda mais seu quadril contra o meu, ficando na ponta dos pés. Eu não contive minha excitação e gemi, ainda com nossas bocas grudadas. Bella ofegou. Antes que eu arrancasse sua roupa ali mesmo, me afastei delicadamente, quebrando o beijo em busca de ar. Apesar de vampiros não precisarem respirar, naquele momento eu precisava de ar desesperadamente.
(Bella POV)
OMG! Eu agarrei Edward a força! Que vergonha. Não que eu tenha qualquer problema em tomar a iniciativa em relação aos homens, mas dessa vez eu peguei pesado. Deixei que minha enorme atração em relação a ele falasse mais alto. Que homem é esse? Que beijo é esse? E que pegada é essa? Eu precisei de apenas um beijo para ficar completamente excitada. E o que foi aquele gemido extremamente sexy na minha boca? Por mim, eu transava com ele ali mesmo, nem lembrava dos vizinhos. Eu queria tanto sentir ele por inteiro. Enquanto retomava a minha respiração, senti os olhos de Edward em cima de mim. Ele deve estar achando que sou a garota mais oferecida da faculdade. Eu mesma estava pensando isso de mim. Mas eu não conseguia me controlar perto dele.
– Bella, acho que preciso ir embora. – E eu acho que ele ficou assustado comigo.
– Tudo bem. Eh, Edward... Me desculpe por isso... – Eu não tinha coragem para olhar para a cara dele. Ele ia me odiar por isso.
– Bella. – Edward levantou meu rosto com a ponta de seus dedos, me fazendo olhar para ele. – Não se desculpe. Eu não me desculpo por querer te beijar. – Ele me deu um selinho. – Eu sinceramente adorei fazer isso. E eu vou embora justamente por isso. – Ele respirou fundo. – Se eu continuar aqui não me responsabilizo pelos meus atos. E acho que nós não temos pressa para fazer qualquer coisa. – Sorriu.
– Tudo bem. – Eu sorri em resposta. Não poderia falar qualquer outra coisa.
Edward me deu mais um selinho e me olhou por alguns segundos. Sem falar mais nada, retornou ao carro e partiu. Eu ainda demorei um tempo para sair do transe e entrar em casa. Deixei que minhas coisas caíssem na poltrona da sala e fui direto para o banho. Meu banho foi demorado o suficiente para os meus dedos enrugarem. Eu ainda podia sentir cada parte do corpo de Edward sobre o meu. Agora, repassando todos os acontecimentos, me dei conta de uma coisa que durante o nosso amasso eu não tinha percebido. Edward estava gelado. Não só suas mãos, mas sua boca, sua língua, seu corpo inteiro. Claro que isso não fez a menor diferença para mim, mesmo porque o contato da pele dele com a minha fazia meu corpo inteiro queimar de desejo. A cada toque dele mais vontade eu tinha que ele me tocasse. Pensei na loucura que tinha sido tudo aquilo. Eu tinha acabado de conhecer ele e já estava a meio passo de ter me dado pra ele. Eu estava ficando louca, de verdade. Mesmo não sendo um anjo de garota reprimida e pudica, isso era completamente novo na minha vida. Senti minhas bochechas queimando quando eu pensei que iria vê-lo novamente. Não que eu quisesse isso, – embora quisesse de verdade – mas seria inevitável, considerando que Alice nesse momento era quase minha mais nova melhor amiga. Definitivamente eu não ia conseguir ficar normal perto dele. “Será que a gente tem alguma coisa?”, uma ponta de esperança passou pelo meu coração pensando na possibilidade de estarmos meramente ficando. Logo em seguida ela se desfez, quando eu lembrei que Edward era divino e poderia ter qualquer garota da faculdade. Decidi me manter apenas com a esperança de um novo “encontro”, já que para isso ele tinha me dado motivos quando disse que nós não tínhamos pressa.
Sai do banho e me enrolei na toalha. Fui até a cozinha e coloquei a lasanha no microondas para esquentar. Me vesti, peguei as coisas que eu tinha deixado na poltrona e arrumei tudo para o dia seguinte. Anotei o telefone do reboque para chamá-lo no dia seguinte. Uma onda de ódio me dominou quando relembrei o que tinham eito com o meu carrinho. Se eu pegasse o sujeito que fez isso, eu iria matá-lo socando sua cara. O alarme do microondas soou. Peguei minha lasanha e uma latinha de coca na geladeira e fui pra sala assistir TV enquanto comia. Quando terminei, acabei pegando no sono ali mesmo, pensando na boca de Edward grudada na minha.
(Edward POV)
Definitivamente eu sou um vampiro com uma alma muito nobre. Quer dizer, vampiros têm almas, não? Eu acho que sim, mas de toda forma, nesse caso não importa. O que importa é que eu sou um cara muito controlado. Conseguir me segurar e não possuir Bella ali mesmo foi um ato heróico da minha parte. Ela enlouquece qualquer pessoa, seja mortal ou imortal. Eu vi sua decepção quando separei nossos corpos, mas tinha sido melhor assim. Depois ela poderia acabar se arrependendo de qualquer atitude dessa noite. Melhor ir com calma. O que são alguns dias ou semanas a mais para quem tem a eternidade?
Enquanto me perdia na lembrança do seu corpo sob minhas mãos, troquei os pneus do seu carro. Se eu não fizesse isso ela mesma faria amanhã, então preferia fazer isso eu mesmo. Só lamentava o fato de que não teria mais desculpas para levá-la para casa. “Mas ela ainda não sabe que seu carro já está arrumado. Portanto, amanhã ela precisará de uma carona.”, sorri ao constatar que teria mais uma oportunidade de tê-la tão próximo.
“Edward, o que aconteceu entre você e a Bella?”.
– Alice, será que você pode pelo menos me deixar chegar em casa antes de começar seu interrogatório? – Disse enquanto saia do carro e Alice se aproximava de mim.
– Ai, eu quero saber tudo! – Ela era irritante saltitando.
– Podemos entrar? Assim, eu conto a história apenas uma vez. Além do mais, não sei se quero te contar qualquer coisa. – Ela me olhou perdida.
– Por quê?
– Porque você já foi encher o ouvido de Esme com essa bobeira. Quem deixou você fazer isso? – Isso realmente tinha me irritado. Esme estava louca para eu arranjar uma namorada. Ela torcia por Tânia ou Victoria, mas desistiu da torcida quando descobriu as duas biscates que elas eram.
– Edward, quando você vai entender que eu não preciso de autorização sua para revelar minhas visões? E eu acho que Esme merecia saber.
– Mesmo assim, Alice. Você não pensou que eu poderia querer contar?
Quando chegamos à sala, a família estava toda reunida, todos a minha espera. Parecia que eles estavam esperando que eu fizesse um discurso importante, um pronunciamento oficial. Definitivamente eu não teria como fugir. Tentei me afastar dos pensamentos de Emmett, sempre recheado de imagens. Considerando o que tinha acontecido na porta da casa de Bella, seria melhor que eu não pensar nisso no momento. Contei todos os acontecimentos do dia para Carlisle e Esme, e depois de responder à algumas perguntas, contei de forma rápida o que tina acontecido à noite. Emmett quase me bateu por eu ter interrompido o beijo de Bella. Depois de me fazer prometer que levaria Bella em casa para Esme poder conhecê-la, permitiram que eu fosse para o quarto. Liguei o som e me joguei na cama. Não percebi as horas passarem enquanto pensava em Bella.
Capítulo 3 - Fazendo Novos Amigos
(Bella POV)
Acordei caindo do sofá. “Droga!”, pensei enquanto fazia minha nota mental de nunca mais dormir no sofá. Levantei do chão esfregando o braço e esticando as costas para relaxar. Olhei pro relógio da estante. “Mais um atraso!”. Para piorar, lembrei que estava sem meu carro. Eu tinha planejado acordar cedo para resolver o problema dos pneus, mas considerando a hora, isso ia ficar para mais tarde.
Subi e tomei um banho rápido. Coloquei a primeira roupa que encontrei e desci para pegar minhas coisas. Se eu tivesse sorte e pegasse um ônibus rápido, chegaria uns cinco minutos atrasada. Quando eu saí de casa, tive que me segurar para não cair.
– Bom dia, Bella! – Sim, Edward estava ali, divino, me esperando. – Achei que você ia precisar de uma carona hoje.
– Edward... Bom dia!
– Vamos? – Ele abriu a porta do carro para que eu entrasse.
– Hum... Você não precisava ter vindo me dar carona Edward... – Disse com o rosto corando ao me lembrar da noite anterior.
– Sei que não precisava, mas eu quis. – Entrei no carro e ele deu a volta para entrar do outro lado.
– E por que você quis? – Eu estava curiosa demais para não perguntar. Ele sorriu malicioso me olhando com o canto dos olhos.
– Quem sabe eu não tenha vindo na expectativa de ganhar outro beijo como o de ontem? – Eu abaixei a cabeça, enquanto meu rosto queimava de vergonha. – Bella, foi só uma brincadeira. – Ele puxou meu rosto para olhá-lo. – Não que eu vá reclamar se acontecer novamente, mas eu vim te buscar porque eu queria a sua companhia, independente de qualquer coisa.
Eu concordei balançando a cabeça. O caminho era curto, e Edward dirigia rápido para não chegarmos atrasados. O pouco que conversamos foi sobre Alice. Assim que chegamos ao estacionamento, Edward parou seu carro ao lado de meu. Antes que eu abrisse a porta, ele segurou minha mão. Quando eu virei para olhá-lo, ele me deu um beijo. Não foi um beijo tão longo, mas foi tão intenso quanto o primeiro.
– Pronto, assim estamos empatados. – Edward sorria com o sorriso mais perfeito nos lábios.
– Ed... Edward... O que foi isso? – Perguntei ainda tonta e surpresa.
– Isso... – Ele se inclinou e me beijou novamente, dessa vez de uma forma mais suave. –... Foi um beijo. Algum problema?
– Não... Nenhum. – Respondi tentando parecer casual.
– Bem, agora você não tem mais porque se envergonhar. Eu te beijei duas vezes e você me beijou uma... Portanto... – Ele sorriu e eu sorri de volta, pensando que em breve empataria esse jogo novamente.
– Vamos? – Perguntei já saindo do carro.
Olhei para o meu carro e abaixei a cabeça para procurar o celular na bolsa. Mas percebi que os dois pneus do lado esquerdo estavam cheios. Dei a volta no meu carro e vi que os pneus do lado direito também estavam cheios.
– Foram trocados. Os quatro pneus... – Falei para mim mesma. Olhei para Edward que já estava ao meu lado. – Alguém trocou os pneus do meu carro.
– Hum... Achei que você ia gostar de ter seu carro arrumado quando chegasse à faculdade. Se bem que eu preferia que você pegasse carona comi...
– Você trocou os pneus? – Perguntei interrompendo o que ele falava.
– Sim. – Ele sorriu. OMG, assim eu ia acabar me apaixonando por esse homem perfeito, o que seria uma grande burrice.
– Mas por quê?
– Porque os pneus estavam furados. – Ele respondeu irônico.
– Por que você se deu ao trabalho de fazer isso? – Perguntei agitada.
– Porque eu quis, Bella. Simples assim.
– Edward... Mas...
– Bella, melhor irmos andando. – Edward me interrompeu dessa vez. – Ou você quer se atrasar para sua aula? Além do mais, eu só troquei os pneus, nada demais.
– Você tem razão. Eu preciso ir para a aula. – Edward me acompanhou até a entrada do meu prédio, onde encontramos com uma Alice saltitante.
– Precisamos nos adiantar para não chegarmos atrasadas. – Ela olhou para Edward antes de continuar. – Pode deixar que eu acompanho ela, Edward. Teremos a mesma aula agora. – Ela sorriu.
– Como você sabe a aula eu tenho? – Perguntei curiosa.
– Alice é bastante enxerida. – Edward fitou a irmã. – E parece que ela gostou muito de você, o suficiente para verificar todas as suas aulas.
– Bem, pelo que posso constatar, Bella agradou os Cullens como um todo, né? – Sua pergunta era irônica e voltada para Edward. Senti que minhas bochechas queimaram e que Alice sorria abertamente.
– Bem, ainda não sabemos o que Carlisle e Esme pensam sobre Bella. – Edward respondeu tranqüilo.
– Como? – Perguntei confusa. Não passou despercebido pelos meus ouvidos que Edward disse “ainda”, e isso me confundiu totalmente.
– Depois falamos sobre isso, Bella. Agora vamos para aula. – Alice me puxou pela mãe e eu mal tive tempo de me equilibrar para não cair. – Tchau Edward! Até mais tarde. – Ela falou sobre os ombros. Eu acenei para Edward e movi os lábios para formas as palavras “duzentos e vinte”. Antes de sumir pela entrada, vi ele rindo.
A aula era sobre Arte Asiática. Definitivamente, essa era a aula que eu mais odiava. Além do mais, eu não entendia uma palavra do que o professor falava. Alice dividia sua atenção entre a aula e algum desenho q ela fazia no caderno. Por um momento, deixei a curiosidade me vencer e olhei para seus desenhos. Tinham muito vestidos desenhados por toda a página. Involuntariamente, minha cabeça se aproximou mais do caderno e eu exclamei baixo.
– Deslumbrantes!
– Você gosta? – Alice sorria radiante.
– Totalmente. Você tem muito talento para isso, sabia? – Complementei.
– Que bom que você gostou. Na verdade, eu sabia que você ia gostar, afinal, foram desenhados pensando em você.
– Em mim? – Ah? Perdi alguma coisa? – Como assim?
– Sim. Bem, eu sempre desenho pensando em alguém especifico. E quando eu desenhei esses, estava pensando em você. Aliás, em você e em Edward. – Eu corei de novo perto dela. Isso tava ficando chato.
– Por quê? – Perguntei.
– Porque é óbvio que existe alguma coisa entre vocês. – Ela disse de forma blasé, revirando os olhos.
– Alice, eu acho que...
– Não venha me dizer que eu estou imaginando coisas, Bella. Eu sei das coisas. – Alice sorriu angelicalmente. Eu não toquei mais no assunto.
Quando a aula terminou, Alice seguiu para fora do prédio. Ela disse que me encontraria mais tarde, na biblioteca. Eu fui para minha aula seguinte, que passou bem rápida. Eu tentava não pensar em Edward e seu beijo, mas às vezes era simplesmente impossível. Além disso, ainda tinha o lance dele ter trocado os pneus do meu carro. Totalmente fofo isso! Assim, pensando em Edward fui para minhas duas horas de trabalho voluntário na biblioteca. Assim que cheguei, vi que havia uma nova garota na sala dos estagiários. A Sra. Russell, bibliotecária responsável por aquele horário se aproximou de mim, trazendo a garota nova consigo.
– Bella, meu anjo. – Ela sorriu. – Essa é Leah, nossa nova ajudante. Leah, essa é Bella. Ela irá te ajudar a se situar por aqui.
– Oi Bella, prazer! – Leah me cumprimentou esticando a mão para mim, com um sorriso quente nos lábios.
– Oi Leah! Seja bem vinda! – Disse com sinceridade. Leah pareceu ser uma pessoa agradável. E estranhamente, eu gostei dela logo de cara.
Assim com a Sra. Russell recomendou, eu expliquei algumas coisas básicas para minha nova companheira de trabalho. Ouvi uma música tocando e ela rapidamente desligou o celular que estava em cima da mesa, me pedindo desculpas. Cinco minutos depois, outro barulho insistente se fez ouvir, apitando de dentro da bolsa de Leah. Ela procurou o outro celular e desligou esse também, repousando-o sobre a mesa. Eu já estava me retirando para pegar uns livros a fim de organizar quando outra música invadiu o ambiente. Virei para trás e vi Leah puxar um celular – que não era nenhum dos outros dois – e silenciá-lo. Não acreditei.
– OMG! – Exclamei e ela me olhou. – Quantos celulares você tem, criatura?
– Só esses três, na verdade. – Ela respondeu inocentemente.
– Só? Você não acha muito para uma simples mortal, não? Ou será que você é alguma estrela do show business e eu não sei? – Ela gargalhou.
– Não, não sou uma estrela... – Ela respirou antes de responder. – Mas cada um é para falar com determinadas pessoas. – Ela explicou. (n/a: Alguém percebe a semelhança da Leah com a Key? rsrs)
– Hum... Então se eu quiser falar com você eu tenho que te dar um celular também? – Perguntei entre a ironia e a surpresa. Leah riu.
– Não bobinha. Você pode ligar para o meu número normal. Apenas esses dois são exclusivos. – Disse apontando para dois aparelhos. Eu olhei com a interrogação na minha testa, e ela explicou. – Esses dois são para os meus... Meus... Ficantes. Isso, vamos chamá-los de ficantes. – Ela respondeu satisfeita.
– Ok! Acho que eu não quero saber mais que isso no momento. – Disse enquanto balançava minhas mãos tentando não entender o que ela falava. – Vou organizar isso e já volto.
Leah era um tanto louca, definitivamente. Como assim? Três celulares? Dois ficantes com números exclusivos? Oh, isso era muito para minha cabeça no momento.
Já estava terminando meu horário quando vi Alice entrar na biblioteca. Ela me viu e veio toda sorridente para o meu lado. Sorri de volta. Era impossível não sorrir com ela. Alice era absolutamente encantadora, e definitivamente eu já adorava ela.
– Olá! Vamos almoçar? – Ela perguntou.
– Sim. Vou buscar minhas coisas e já te encontro aqui, ok?
– Ok! Estarei olhando aqueles livros. – Disse apontando uma estante e eu saí.
Peguei minha mochila e me despedi de Leah de da Sra. Russell. Eu só estaria na biblioteca novamente na quinta, e não sabia se Leah ainda estaria lá, depois de ter reclamado algumas vezes do trabalho.
– Pronto! Podemos ir. – Chamei Alice e saímos para almoçar.
– Então, estava pensando. Que tal irmos para a minha casa amanhã depois da aula para fazermos o trabalho? – Ela perguntou.
– Para a sua casa? – Aquilo não era exatamente agradável.
– Sim, na minha casa. Assim você aproveita e conhece o resto da família Cullen. O que acha? Meus pais querem muito conhecê-la. – Era por isso que eu não achava bom ir lá. Conhecer os pais dele. Isso me assustava. – Bella? – Alice me chamou quando eu não respondi.
– Ah... Eu não sei, Alice...
– Vamos, por favor... – Ela fez uma cara tão fofinha. Parecia até o gato de botas do Shrek. Não resisti.
– Ok. Depois da aula.
– Isso! Vai ser ótimo! – Ela bateu as mãos alegremente.
Para minha surpresa, Edward não apareceu durante o almoço. Todos os Cullens estavam lá, menos ele. Tomei cuidado para não perguntar por ele e acabar entregando o quanto eu estava desesperada para vê-lo. Emmett no entanto, pareceu perceber isso e logo soltou uma piadinha.
– Tá procurando alguém, Bella?
– Eu? Não... Quem eu estaria procurando? – Perguntei tentando disfarçar.
– Emmett! – Rosalie repreendeu.
– O quê? Ah! Qual é? Tá na cara que ela está decepcionada com a ausência dele. – Eu devo ter ficado roxa nessa hora, de tanta vergonha. Mas Emmett tinha razão. Eu realmente queria Edward ali.
– Emmett, por favor. – Alice também repreendeu. Em seguida, virou-se pra mim. – Edward precisou sair mais cedo para resolver um problema com Carlisle, nosso pai. Por isso ele não volta hoje à faculdade.
– Hum... Tá. – Disse tentando não demonstrar muito sentimento.
O resto do almoço correu tranqüilo. Emmett fazendo suas palhaças deixou o clima bem confortável. Apesar de tudo, os olhares incômodos continuavam caindo sobre a nossa mesa, e eu sabia que as pessoas estavam estranhando a minha presença no meio dos Cullens. Percebi que eles mal tocaram na comida, enquanto eu devorei o meu almoço. Depois, corri para minha última aula, que transcorreu tranqüila. Quando cheguei ao estacionamento, lembrei do beijo que Edward me deu pela manhã. Meu coração bateu mais forte. Tentei ignorar e fui até meu carro. Para minha surpresa, tinha um bilhete no vidro. Tentando não entrar em pânico, abri-o para ler.
“Bella,
Desculpe precisar ir embora sem me despedir.
Mais tarde nos falamos.
Edward.”
OMG! Ele deixou um bilhete pra mim. E ele disse “mais tarde nos falamos”. Isso significa que vamos nos ver? Ou será que ele vai me ligar? Mas ele não tem meu telefone... OMG! Eu estou ficando louca com isso. Edward Cullen está me deixando completamente louca.
Saí do campus da faculdade e fui até um mercado que tinha perto da minha casa. Comprei algumas coisas que estavam faltando na dispensa e na geladeira, comprei um jornal e fui pra casa. Tentando ocupar minha cabeça com o máximo de coisas possível para não pensar nele, guardei as compras, li o jornal, limpei a cozinha, arrumei algumas bagunças da sala e quando já tinha anoitecido fui tomar um banho. Fiquei uns quarenta minutos tomando banho e lavando meus cabelos, enquanto pensava nele. Já estava desacreditando que falaria com Edward hoje. Sai do banho e coloquei uma calça de moleton e uma regata de alcinha. A toalha estava enrolada no meu cabelo quando ouvi a campainha tocar. Foi o suficiente para o meu coração parecer bateria de escola de samba. Respirei fundo, tirando a toalha do meu cabelo e desci as escadas. Antes de abrir a porta, passei rapidamente a mão no cabelo, para arrumá-los minimamente.
– Boa noite!
– Boa noite! – Respira Bella.
– Atrapalho? – Edward perguntou.
– Não. – “Nunca.”, Eu quis dizer, mas me controlei. – Entre. – Me afastei para deixá-lo entrar.
Caminhamos até a sala sem falar nada.
– Então, e vim me desculpar por ter ido embora sem me despedir. – Ele disse.
– Tudo bem, você não precisava vir me pedir desculpas.
– Hum... Talvez eu não tenha vindo só por isso...
– E veio por que então? – Perguntei, as borboletas já faziam festa na minha barriga.
– Talvez eu tenha vindo até aqui esperando que você empatasse aquele jogo comigo, o que acha? – OMG! Jura que ele falou isso? Eu queria pular no colo dele e enchê-lo de beijos. Quando Edward viu que eu demorei a responder, ele continuou. – Ou talvez não. Talvez eu tenha me enganado... – Ele se aproximou de mim, e eu juro que não tava respirando direito.
Sem conseguir controlar meus hormônios adequadamente, me joguei no seu pescoço, puxando-o para mim e dando um beijo afoito, desesperado. Edward me correspondia com a mesma intensidade, agarrado a minha cintura, me puxando cada vez mais pra ele.
Capítulo 4 - Visitas Indesejadas
(Edward POV)
Bella com certeza era bipolar. Sinceramente, eu fico perdido com ela. Não só pelo fato de conseguir ler a sua mente, mas principalmente por não conseguir ler suas atitudes. Tudo bem, eu não ia deixar de beijá-la de qualquer forma. Mas quando eu percebi que ela hesitou, fiquei confuso. Como eu disse, ela é bipolar. No segundo seguinte ela já estava me beijando. Seus dedos entravam pelo meu cabelo, me levando mais pra ela. Apertei minhas mãos em sua cintura e subi uma delas pelas suas coisas. Senti sua perna elevando-se contra a minha e rapidamente passei a outra mão pela perna dela que ainda estava no chão e subi, prendendo em volta da minha cintura. Bella soltou um gemido quando nossos corpos se juntaram, e aquilo me excitou ainda mais. Suas mãos largaram o meu cabelo e foram descendo pelas minhas costas, apertanto por cima da blusa. Ela começou a puxar minha blusa pra cima, enquanto eu beijava seu pescoço e a apertava mais contra mim. Dei dois passos para frente e nos deitei no sofá. Imediatamente ela puxou minha blusa, arrancando com uma pressa assustadora. Eu ri.
– O quê? – Ela perguntou confusa.
– Estamos com pressa? – Perguntei irônico.
– Você não faz idéia. – Não sei se foi a resposta em si ou se foi o fato dela ter vindo acompanhada de uma mordida na boca e um olhar malicioso. Fato foi que fiquei absurdamente mais excitado.
Agarrei suas coxas e puxei-a em direção à minha ereção, mostrando como eu a queria. Ela rebolou em mim, e me puxou pelo cós da calça. Mordi de leve o seu pescoço, levantando sua camiseta e deixando apenas seus seios tampados. Beijei sua barriga e subi, para beijar seu pescoço e descer lentamente. Ela se empurrou contra mim me fazendo gemer e eu desci minha boca para seus seios. Enquanto beijava um por cima da camiseta, apertava o outro com a minha mão. Minha mão livre desceu para sua calça, onde deixei minha mão escorregar por entre suas coxas. Ela gemeu mais uma vez, mas dessa vez o gemido veio acompanhado do meu nome. Sorri. Rapidamente as mãos de Bella desabotoaram minha calça. Antes que ela terminasse, levantei seus braços e subi a blusa, retirando-a e deixando seus lindos e endurecidos peitos livres e esperando por mim. Percebi que ela ruborizou enquanto eu admirava seus seios. Tomei-os em minhas mãos, deliciando-me.
– Incrivelmente lindos... – Chupei um deles com vontade. – E deliciosos.
Ela puxou minha cabeça, me fazendo apertar ainda mais o peito na minha boca. Sentia Bella se contorcendo em baixo de mim, tentanto ganhar mais contato entre nossos corpos enquanto gemia. No meio dessa perfeição, senti quando o telefone, que ainda estava no meu bolso, começou a vibrar e tocar “Supermassive Black Hole” bem alto, toque escolhido por Alice, para identificá-la.
– Merda! – Grunhi, me afastando de Bella e querendo desligar o telefone.
– Quem é? – Bella perguntou, Afastando-se um pouco mais.
– Alice. – Informei. Tudo bem que Alice era inconveniente, mas hoje ela tinha se superado.
– Melhor você atender, não?
– Não! – Definitivamente não. A última coisa que eu queria agora era Alice matracando no meu ouvido. Mas logo em seguida, o telefone tocou novamente.
– Edward... – Bella sentou-se e me afastou de vez, cruzando seus braços sobre o peito. – Atende. Ela não vai te deixar em paz.
– Será que ela não pode me dar um dia de paz? – Perguntei para Bella enquanto atendia o celular. – Inferno, Alice! É bom que alguém esteja morrendo pra você me ligar agora! – Esbravejei.
– Quase isso, Edward. – Alice disse. Sua voz estava nervos. – Desculpe atrapalhar... Você está com a Bella?
– Sim. Mas e daí? O que aconteceu? – Queria saber logo que merda tava acontecendo.
– Problemas Edward. Parece que Jane e Alec estão por aqui. – Alice segurou a respiração e eu acompanhei. – Rose sentiu o cheiro deles próximo a nossa casa, quanto estava indo caçar.
– Merda! – respondi. Sentei ao lado de Bella, que a essa altura já estava com a camiseta no corpo novamente. – Merda!
– Você já disse isso, Edward.
– Não me irrita, Alice. – Ela ficou quieta. – Carlisle já sabe?
– Sim. Estamos todos aqui, menos você.
– Ok, estou indo pra casa. Quanto mais cedo resolvermos isso, melhor. – Bella mexeu-se desconfortável do meu lado. A verdade é que eu também estava.
– Não. Emmett e Rose vão encontrar com você. – Alice disse preocupada.
– Não precisa. Eu vou ligar para os cachorros. – Informei-a para que ela se acalmasse. – Precisarei de um favor deles, de qualquer jeito.
– Bella? – Alice perguntou segurando uma risada.
– Sim. Pode ser perigoso, você sabe.
– Tá bom. – Ela riu. – Estamos te esperando. Vem logo.
– Tchau. – Me despedi.
– Tchau.
Bella me olhava ansiosa e decepcionada ao mesmo tempo. E infelizmente, eu teria que deixar o nosso assunto inacabado. Antes que eu pudesse abrir a boca para falar alguma coisa, ela me ofereceu minha camisa.
– Bella... – Peguei a camisa de sua mão. – Me desculpe. De novo. – Ela balançou a cabeça.
– Tudo bem. – Bella sorriu, mas não era um sorriso sincero. – Você precisa ir. – Não foi uma pergunta, mesmo assim, eu confirmei.
– Preciso. Infelizmente estamos com alguns problemas.
– Alguma coisa séria? Alguém doente? Algo que eu possa ajudar? – Percebi que sua preocupação era genuína. Ela realmente queria ser útil se pudesse.
– Não, nada. – Coloquei minha camisa e segurei suas mãos. – Obrigada.
– Ok. – Ela se levantou.
– Posso te pedir um favor?
– Qual? – Ela me olhou curiosa.
– Não sai de casa hoje, por favor. – Sorri. – Amanhã de manhã eu passo aqui, ok? – Seus olhos estavam confusos, mas ela concordou.
Abracei-a e beijei levemente seus lábios. Bella me levou até a porta e abriu pra mim, sorrindo.
– Sabe como é, né? Vou abrir a porta para que você possa voltar outras vezes. – Eu ri quando ouvi aquilo.
– Acredite, Bella. Não vai ser isso que vai me impedir de voltar aqui. – Respondi.
– E o que pode te impedir? – Ela perguntou me puxando para dar um beijo.
– Poucas coisas. – De fato, poucas coisas me deixariam longe. Beijamo-nos e me afastei, para que ela fechasse a porta. Assim que ouvi a chave girar, liguei para os cachorros.
– Alô? – Uma voz preguiçosa do outro lado atendeu.
– Jacob, preciso de vocês. – Disse.
– Morcego? – A voz dele agora era mais empostada, apesar de debochada. – O que aconteceu?
– Pode me encontrar ou não, vira-lata? – Retruquei.
– Onde você está?
– Indo para casa. Me encontra na última saída da Universidade em direção ao norte, ok?
– Tudo bem. Precisa de todo mundo? – Ele me perguntou.
– De preferência. – Respondi. – Jake, você pode pedir pra alguém vigiar uma amiga minha?
– Amiga? – Jacob gargalhou no meu ouvido.
– Sim. Não quero que ela corra riscos. – Informai.
– Tudo bem. Mandarei Leah ou Quill. Passa o endereço, e o nome da sua... Amiga. – Ele riu novamente e eu passei as informações.
– Sejam discretos, por favor. – Acrescentei.
– Não se preocupe. Encontrarmos você em 10 minutos. – Desligou.
Eu pisei no acelerador e deixei que o carro atingisse os 220 km/h.
(Bella POV)
Claro, o ‘timing’ de Alice não poderia ter sido mais perfeito. Sério que ela realmente precisava ligar agora pro Edward? Sério? Agora? Eu realmente sou uma infeliz. Quando eu acredito que vou poder chagar no finalmente com ele, ela interrompe. “Respira, Bella. Respira.”, disse para mim mesma. Melhor parar agora, enquanto ainda estávamos nas preliminares do que ter que para quando estivéssemos no meio do ato. Fui até a cozinha beber água para tentar abaixar a adrenalina. Não surtiu resultado nenhum. Eu ainda podia sentir o meu corpo queimar, em cada pequeno local onde ele havia me tocado. E apesar do frio anormal de seu corpo, o contado dos nossos corpos era muito quente. Subi a escada determinada a tomar um banho gelado e tentar afastar o pensamento do que poderia ter acontecido.
Quando voltei ao meu quarto, para colocar minha roupa de dormir, lembrei ligeiramente da conversa de Edward com Alice. Lembrei que ele disse alguma coisa sobre ligar para os cachorros e que isso poderia e algo sobre ser perigoso. Só agora tinha me dado conta do que ele havia falado. Ligar para os cachorros? Como assim? Será que eu tinha entendido direito? Logo em seguida fui arrebatada pela lembrança do pedido de Edward, me pedindo para não sair hoje. Claro que eu não ia sair, onde ele imaginava que eu poderia ir nesse horário? De qualquer forma, foi um pedido estranho. A única coisa de bom nessa história é que ele havia me prometido estar aqui pela manhã.
Percebi que a leve chuva que caía quando eu entrei no banho tinha aumentado e agora era praticamente um temporal. Afastei o edredom para o lado, ajeitando o travesseiro para deitar. A campainha tocou. “Será que ele voltou?”, perguntei no meu íntimo, com um fio de esperança. Desci para conferir a porta.
– Leah? – Perguntei incrédula.
– Oi Bella! – Ela me deu um sorriso amarelo. – Desculpe bater na sua porta esse horário, mas... Tava dormindo? – Ela estava nitidamente sem graça.
– Tudo bem. Eu estava me preparando para dormir, mas não tem problemas. – Leah estava encharcada. Imaginei que ela não teria vindo até a casa de alguém que ela acabou de conhecer, nesse horário principalmente, se ela tivesse opção. – Entre. – Afastei-me da porta para que ela entrasse.
– Desculpa, Bella. Estou molhando sua casa. – Ela tentava se encolher para molhar o mínimo.
– Não se preocupe com isso. Tire seu casaco, não está servindo para esquentar, como deveria. – Ela sorriu. – Venha comigo. Vou te dar uma talha para se secar e alguma roupa seca.
– Não se preocupe. Eu só queria mesmo esperar a chuva cessar um pouco. – Ela sorriu sem graça. – Eu estava voltando da casa dos meus tios quando a chuva apertou. Eu estava na entrada da rua, aí me lembrei que tinha visto que você morava aqui. Então...
– Claro. Você fez certo. Apesar de achar loucura você estar voltando sozinha essa hora da noite. – Venha, tome um banho quente enquanto eu preparo um chocolate pra nós duas. – Peguei roupas secas e uma toalha para Leah e mostrei o banheiro.
Desci para esquentar o leite e preparar um chocolate quente pra ela. Com certeza ela precisaria disso para ficar confortável durante a noite. Assim que coloquei nossas canecas na mesa e peguei uns biscoitos, Leah desceu.
– Obrigada, Bella. Você não precisava ter tido esse trabalho.
– Imagina. Não foi trabalho. – Tomamos nosso chocolate quente enquanto conversávamos besteiras. Assim que terminamos, Leah lavou a pouca louça e secou.
– Estava uma delícia.
– Obrigada. Estava pensando, Leah. Você se importaria em dividir a cama comigo? È uma cama de casal, grande. Acho que seria mais confortável que você dormir no chão ou no sofá, né? – Perguntei.
– Não quero te incomodar, Bella. – Eu sabia disso. Durante o tempo que conversamos Leah mostrou-se muito agradável.
– Não é incomodo.
– Então, por mim tudo bem. Confesso que fico feliz em dormir numa cama quentinha e só pensar nessa chuva pela manhã, sem precisar encará-la de madrugada. – Sorriu.
– Ótimo! Então vamos subir porque amanhã o dia será longo.
Subimos e após nossa higiene noturna, fomos dormir. Caí rápido no sono, sentindo o cheiro de Edward ainda no meu corpo, apesar do banho. Prometi a mim mesma que na próxima oportunidade que eu tivesse, iria me precaver desligando os telefones, trancando a casa, seja lá o que fosse para que nada nos atrapalhasse.
Capítulo 5 - Reencontros e Revelações
(Edward POV)
Dirigi como um louco tentando esquecer o que estava quase acontecendo quando Alice me ligou. Com tantos dias na eternidade para Alec e Jane aparecerem eles realmente não podiam ter escolhido um dia melhor. Bella ficou tão desapontada e frustrada quanto eu. Mas o que eu poderia fazer? Realmente precisava ir para casa resolver isso o mais rápido possível. Com os dois pela cidade, Bella se tornaria um alvo fácil para me eles me atraírem. Portanto, era melhor tirar esses dois do caminho, para ontem.
Depois de alguns minutos na estrada percebi três motos paradas com as lanternas ligadas. Encostei o carro e sai, indo de encontro ao grupo.
– E então, qual é o problema? – Jacob perguntou enquanto vinha me cumprimentar.
– Jane e Alec, lembram deles?- Respondi.
– Os irmãos simpáticos que escaparam na última reunião com os Volturi? – Ele ergueu a sobrancelha.
– Os próprios. Rose sentiu o cheio deles próximo a nossa casa quando saia para caçar. – Respondi.
– Esses são aqueles com poderes interessantes, não são? – Embry perguntou.
– É Embry. São eles, cara. – Paul respondeu e revirou os olhos. Pude ouvir o comentário sarcástico que ele não externou a respeito da capacidade de atenção do Embry.
– Então, vamos para sua casa resolver isso ou vamos continuar nesse papo de comadres aqui? – Sam perguntou sorrindo.
– É melhor irmos de uma vez. – Acenti. Antes de retornar para o carro, no entanto, me aproximei de Jake.
– Você fez o que eu te pedi? – Perguntei na dúvida.
– Claro, morcego. Quando eu quebrei alguma promessa?
– Quem você mandou? Bem, considerando que estão todos...
– Mandei a Leah. – Ele me cortou respondendo.
– Leah? Sério? Você tem certeza que foi uma boa idéia? – Perguntei incrédulo. Leah era conhecida pelo seu temperamento forte e por não gostar da nossa companhia.
– Absoluta. – Ele sorriu e colocou a mão no meu ombro. – Leah mudou muito nesses últimos tempos. Você não faz idéia. Terá uma surpresa quando pudermos conversar.
Não respondi. Apenas balancei a cabeça. Se Leah realmente tinha mudado tanto a ponto de ajudar os vampiros numa luta contra vampiros, realmente deveria ser uma mudança assustadora.
Quando chegamos em casa, a família já nos esperava.
– Bom ver que você não veio sozinho, Edward. Precisaremos de ajuda. – Carlisle nos recebeu. – Obrigado por virem.
– O prazer é nosso. – Jacob sorriu. – Destroçar vampiros é a nossa alegria. – Rosalie rosnou e Jake apressou-se em corrigir. – Quero dizer, destroçar vampiros inimigos, claro. Vocês já são quase da família.
Inevitavelmente todos nós caímos na gargalhada. Jacob e Rosalie sempre tiveram uma relação tumultuada, mas no fundo sempre se gostaram também. De toda forma, isso não impedia que eles implicassem um com o outro sempre que tinham oportunidade.
Rose contou onde sentiu o cheiro de Alec e Jane e decidimos que a matilha de Jake ia percorrer o perímetro e eu e Jasper estaríamos por perto.
– Alcatéia, cara. Quantas vezes já te falei isso? – Jake falou.
– Na verdade, no caso de vocês, matilha se encaixa melhor. São todos vira-latas. – Rose provocou. Paulrosnou em resposta.
– Ok, crianças. Vamos parar por aqui. – Esme interveio.
– Isso. Vamos logo atrás desses dois. – Sam tomou a frente.
Eles desceram e se despiram na garagem antes de se transformarem em lobos. Assim, que eles partiram, eu e Jasper os seguimos.
Rodamos a noite toda, até finalmente fecharmos um cerco contra eles. Todos sabíamos que os vampiros eram o elo mais fraco daquele cerco, afinal os lobos eram imunes aos poderes de Alec e Jane quando eles estavam na forma de lobos. Planejávamos que o resto da família chegasse antes dos dois nos encontrarem, assim, poderíamos detê-los. No entanto, os irmãos foram mais rápidos. Quando percebemos, Alec e Jane estavam em nossa frente, sorrindo. Senti imediatamente uma dor dos infernos no meu corpo. Parecia que estavam me enfiando várias facas no corpo. Eu tentava não gritar de dor, mas achei que seria impossível resistir por muito tempo. Olhei pelo canto do olho e vi Jasper ajoelhado no chão, todo encolhido. Deprimente! Mas então, eu ouvi os uivos se aproximando. E mais rápido do que o normal, Alec e Jane nos deixaram para correr em direção à cidade.
– Cadê eles? – Sam me perguntou mentalmente com Jacob em seu encalço.
– Fugiram. – Apontei a direção com o dedo enquanto me levantava, me recuperando do golpe.
– Vamos atrás deles tentar impedi-los de chegarem até a cidade. – Ele disse.
Eu concordei com a cabeça e Jacob parou perto de mim antes de continuar.
– Você está bem?
– Sim. Agora vai. – E assim que ele correu atrás de Sam ouvi Paul, Seth e Embry seguindo o rastro deles.
Me aproximei de Jazz e vi que sua expressão era de raiva. Ele não falava nada, mas sua cabeça gritava milhões de palavrões. Retornamos para casa aguardando contato dos lobos. Algum tempo depois, eles retornaram.
– Não podemos fazer nada. Eles são espertos. Estão no meio de vários humanos. Sam e Embry ficaram vigiando eles. Nos manterão informados. – Jacob despejou quando chegou à porta de casa. – Vou descer para me vestir. Paul e Seth já vão subir.
Eu deixei a porta aberta e logo Paul e Seth apareceram.
– Preciso me trocar para encontrar Bella. – Avisei a todos quando eles chegaram.
– Vou ligar para Leah contando o que aconteceu. – Paul disse e se afastou um pouco. O suficiente para que ninguém o escutasse, exceto eu, que poderia ouvi-lo em qualquer lugar daquela casa.
Subi para tomar banho e levei um susto quando Paul disse “Oi amor!”. Sério que o Paul tava chamando a Leah de amor? Por mais que eu achasse errado ficar escutando a conversa dos outros, não resisti. Me concentrei em ouvir o que ele falava. “Não, eles fugiram. Por favor, tome cuidado. Eles estão na cidade.”. Leah respondeu a ele dizendo que estaria bem e ele logo completou. “Edward está indo encontrar a garota. Fique alerta. E volte logo, estou com saudades.”. Eu queria não desviar o foco da minha atenção, mas diante daquela troca de carinhos entre Leah e Paul, foi impossível conseguir isso. Ri, tentando afastar a imagem que se formava na minha cabeça com Paul e Leah.
E para minha surpresa, quando já estava acabando de colocar roupa, ouço Jacob falando todo meloso com Leah no telefone. “Leah, querida. Tome cuidado. Os vampiros estão na cidade.”. Ah não, ouvir Paul chamando Leah de amor já foi bastante estranho, mas ouvir Jake chamando a Leah de querida é para surtar qualquer um. “Não quero que você se machuque, Leah. Edward está indo encontrar Bella. Venha pra casa dos Cullen imediatamente.”. Sério, o que estava acontecendo ali? Paul e Jacob estavam dividindo a mesma garota? Eles sabiam disso? Desci para me despedir antes de sair.
– Então, estou indo. Vou liberar Leah assim que chegar lá. – Disse, testando as reação dos dois. Eles mantiveram-se impassíveis por fora, mas ambos despejavam pensamentos melosos em suas cabeças.
– Ok. Parece que ela e Bella se conhecem da faculdade. – Jacob disse.
– Hum... É... Vocês não acham melhor alguém ir comigo para acompanhar Leah de volta? – Eu sabia que ela seria perfeitamente capaz de vir segura, mas eu precisava tirar a limpo essa história. Apenas para saciar minha curiosidade.
Vi que Jacob, Paul e Embry se entreolharam. Ouvi as mentes de Paul e Jacob. Mas nem era preciso ler mentes. Imediatamente os dois falaram juntos.
– Eu vou. – E se olharam. Eu ri internamente. Alice me olhava confusa, ela sabia que eu estava escondendo alguma coisa.
“Se alguém vai proteger a Leah, esse alguém sou eu.” – Paul protestava em silêncio, tentando não desafiar Jake.
“Leah é a minha garota, Paul tá doido?”, Jake gritava.
“É melhor a gente assumir que está juntos logo. Detesto esconder essas coisas.”, Paul argumentava para sim mesmo.
“Droga! Não sei por que Leah insiste em manter nosso namoro em segredo!”, era a vez de Jacob.
E então, eu tinha minha resposta. Um não sabia do outro. Sorri internamente ao perceber que eu era o único além de Leah a saber disso. Antes que os dois resolvessem partir para a briga ali, decidi interferir.
– Hum... Por que Seth não vai comigo? Leah é irmã dele, portanto, melhor que ele volte com ela. – Sugeri.
– Eu? Por mim tudo bem. – Seth deu de ombros e Paul e Jacob concordaram.
Alice gritava para saber o que estava acontecendo, e eu realmente não tinha tempo para lhe contar nada naquele momento. Apenas disse que contaria depois, quando passei por ela.
(Bella POV)
Eu e Leah já estávamos tomando café quando um dos telefones dela tocou. Ela deu um salto e pegou o celular, sorrindo para mim e sentando-se novamente à mesa.
– Oi Paul! – Ela saudou. Deduzi, diante de sua animação, que aquele era um dos ficantes dela. Ela sorriu quando ouviu o que ele disse.
– E então, resolveu o problema do carro? – Ela perguntou e ouviu a resposta atenta.
Decidi me levantar e terminar de tomar o café na sala, para lhe dar mais privacidade. Instantes depois, ela sentou-se na outra poltrona sorrindo.
– Desculpe por isso, Bella.
– Por quê? Porque um dos seus ficantes acabou de te ligar? – Perguntei rindo.
– É. – Ela respondeu sem graça. – Você deve me achar uma vagabunda, né? – Percebi que ela estava vermelha.
– Leah, relaxa. Não costumo julgar as pessoas por tão poucas atitudes. Se você tem dois ficantes, problema seu. Enquanto isso envolver apenas vocês, ninguém tem nada a ver com isso. – Disse tentando acalmá-la.
Ela sorriu em agradecimento e antes dela falar o que queria, o outro telefone tocou. Eu dei uma gargalhada e Leah se levantou para atender. Mais alguns minutos e ela sentou-se novamente na poltrona.
– Posso perguntar uma coisa? – Perguntei para ela.
– Claro.
– Eles sabem da existência um do outro? – Lancei.
– Não que ambos são meus ficantes. – Ela me respondeu sincera.
– Como assim? – Estava confusa.
– Eles se conhecem, são amigos desde sempre. Na verdade, nós três nos conhecemos desde sempre. Mas aí eu me afastei por alguns anos e quando voltei... – Deixou a frase solta no ar.
– Hum... Você gosta dos dois? – Incentivei.
– Na verdade, desde pequena eu sempre fui apaixonada pelo Paul. Ele é dois anos mais velho que eu e eu acho que ele nunca tinha me notado antes. Quando eu voltei, parece que ele de repente me enxergou. – Sorriu.
– Mas... – Eu prossegui, pois sabia que nessa história tinha um “mas” embutido.
– Mas aí eu revi Jacob, que é um ano mais novo... – Ela suspirou. – E aí, acho que foi atração à primeira vista. – Ela disse.
– Bem, acho que você está encrencada. Não queria estar na sua situação. – Disse a ela com honestidade e carinho. Ela abaixou a cabeça.
– Eu sei que preciso me decidir e resolver isso logo. Mas eu não consigo me decidir ainda. Eu sei que isso é horrível, mas...
– Acalme-se Leah. Você também não precisa resolver isso da noite para o dia. – Levantei e fui abraçá-la. – Faz assim, dá uns bons amassos em cada um deles, pesa as qualidades e defeitos dos dois e depois coloca tudo na balança. Tenho certeza que você conseguirá resolver isso. – Sorri e ela sorriu comigo, levantando a cabeça.
– Amassos? – Ela olhou maliciosa.
– Sim, amassos bem intensos, entendeu?
– Gostei da sua idéia. – Ela riu e percebi que ela estava mais tranqüila.
Peguei nossas canecas e levei para a cozinha. Eu mal as tinha colocado na pia e a campainha tocou.
– Acho que seu gato chegou. – Leah anunciou na porta da cozinha.
– Você pode abrir a porta para mim? – Pedi.
Leah abriu a porta enquanto eu lavava a pouca louça. Logo depois, ela e Edward apareceram na minha frente.
– Bom dia! – Edward me cumprimentou com um sorriso lindo.
– Bom dia! – Respondi. – Hum... Essa é Leah, da faculdade...
– Já nos apresentamos na porta. – Leah informou sorrindo. – Bem, eu vou indo para não me atrasar ainda mais.
– Hum... Não quer uma carona? – Perguntei.
– Não precisa. Um amigo vai me encontrar no caminho. – Ela piscou o olho e saiu se despedindo de nós.
– Hum... Então quer dizer que a senhorita foi arranjar outra companhia para me substituir, né?! – Edward perguntou fingindo um ultraje.
– Pois é... Você me abandonou aqui... – Fiz uma carinha triste, tentando esconder o sorriso.
– Ainda bem que é uma garota. Espera, eu não preciso me preocupar, né? – Ele me olhou cerrando os olhos.
Eu gargalhei com aquela pergunta dele e ele aproveitou para me aconchegar nos seus braços. Senti sua respiração muito próxima do meu rosto e fechei os olhos, espirando pelo contato que seus lábios estavam próximos a fazer com os meus.Foi um beijo carinhoso, diferente dos outros beijos que nós trocávamos. Quando Edward afastou sua boca da minha, meus olhos permaneceram fechados, como se eu pudesse prolongar aquele momento por mais tempo.
– Acorda, Bella. – Edward falou sorrindo.
– Estou acordada... Mas se eu estivesse dormindo, te mataria por me acordar no meio do sonho. – Brinquei enquanto me afastava em direção às escadas. – Volto em um minuto. – Subi as escadas correndo.
Escovei meus dentes e peguei minha mochila com o material do dia. Desci e encontrei Edward olhando pela janela da sala, escondendo-se atrás da cortina.
– Tá brincando de pique - esconde com alguém? – Perguntei.
– Eu? – Ele perguntou confuso.
– Não, Edward. Eu. Eu que estava escondida atrás da cortina. – Respondi virando os olhos.
– Engraçadinha. – Ele me beijou na bochecha. – Estava apenas observando o tempo. – Ele sorriu. Claro que eu não tinha acreditado, mas não estendi o assunto.
– Vamos? – Perguntei abrindo a porta.
– Claro. – Ele saiu na minha frente e apressou-se em abrir a porta do carro para que eu entrasse.
Seguimos para a faculdade conversando bobeiras e ouvindo música.
Capítulo 6 - Desencontros
(Bella POV)
Eu estava achando Edward um pouco mais tenso do que o normal, mas se ele não queria comentar nada, eu é que não iria perguntar. Ainda mais hoje. Eu estava tentando manter todos os meus pensamentos afastados do que aconteceria essa tarde. Ir à casa de Edward, mesmo que não fosse a convite dele, me deixava apavorada. Não sabia como me comportar, não sabia como ele iria se comportar, como que Alice, Emmett, Jasper e Rosalie iriam se comportar. E pior, a possibilidade dos pais de Edward não gostarem de mim me assombrava. Vai ver era por isso que ele estava mais tenso. Talvez ele também não soubesse o que fazer.
Quando estávamos chegando à minha sala, Alice veio nos encontrar sorrindo.
– Bom dia, Bella! – Ela me abraçou, me puxando dos braço de Edward. Eu retribui rindo ao ouvir o rosnado dele.
– Boa dia, Alice! – Sorri.
– E então, pronta para conhecer o resto da família Cullen? – Ela perguntou.
– Como? – Edward falou, antes que eu pudesse pensar em responder.
– Bella irá lá pra casa após a aula, Edward. – Ela disse com calma.
– Alice, você está brincando, certo? – Ele perguntou sério. Se antes ele parecia tenso, agora ele parecia apavorado. Eu instintivamente encolhi meus ombros, incomodada com a reação dele.
– Não, claro que não. Nós temos um trabalho da faculdade para fazer, e ontem combinamos isso. – Ela explicou. O rosto geralmente com expressão leve de Alice assumiu um tom mais severo.
– Alice, você enlouqueceu? Isso foi ontem! – Ele exasperou-se. – Ontem a situação era diferente.
Alice ia falar alguma coisa, mas eu tomei a palavra antes que ela pudesse fazer. O papo entre os dois estava me fazendo sentir cada vez pior.
– Alice, tudo bem. Não precisamos ir para a sua casa. Podemos ir para minha casa mesmo, ou se você preferia, ficamos aqui e fazemos o trabalho. Temos opções de lugares, a sua casa não é a única. – Disse séria e com a voz dura, tentando esconder minha mágoa.
– Não Bella, não é necessário. – Ela disse e olhou para Edward.
– Alice, eu insisto. Não quero deixar ninguém desconfortável. – Claramente me referia a atitude de Edward e Alice percebeu imediatamente.
– Você não vai incomodar. – Ela me respondeu.
– De toda forma, me sentirei mais a vontade em qualquer lugar que não seja sua casa. Vou para aula. – Disse já virando as costas.
– Bella! – Edward me chamou mas eu ignorei. Senti uma mão no meu braço e percebi que era a dele. – Espere!
– Edward, me solte. Tenho aula. – Não o olhei.
– Eu sei. Mas... – Ele suspirou. – Me desculpe. Eu não queria passar a impressão errada para você.
– Você não passou. –Respondi.
– Passei sim. Você pensa que eu não quero que você vá à minha casa, não é? – Ele perguntou e eu não respondi. – Não é isso.
– Não importa. Eu realmente não quero ir. – Puxei meu braço de suas mãos e me afastei. – Com licença.
Antes que ele pudesse tentar me pegar novamente, me misturei entre alguns estudantes e fui para a sala. Uma merda! Não consegui prestar atenção em nada. Só conseguia ouvir a voz dele na minha cabeça. Mais do que eu podia imaginar, isso tinha me magoado. Não que nós tivéssemos alguma coisa, mesmo porque nos conhecíamos a pouco tempo. Mas ele não precisava agir dessa forma. Eu nem queria ir lá. Foi Alice quem insistiu. Além do mais, se ele não quisesse que eu fosse poderia ter falado comigo, ou mesmo com a irmã dele. E se ele estava preocupado que eu fosse insinuar qualquer coisa sobre nós, ele poderia ter me pedido. E o pior é que eu não tinha pensado em fazer absolutamente nada. Eu na verdade tinha planejado ser até meio indiferente em relação a ele.
Estava tão perdida em mim mesma que nem percebi quando James sentou-se ao meu lado. James era uma das poucas pessoas com quem eu conversava nessa faculdade. Ele era meu veterano e foi um anjo no dia do trote, me ajudando a fugir de toda a parte chata disso. Tinha um pouco mais de uma semana que eu não o via, ele tinha ido visitar a mãe que estava doente. Só percebi que ele estava ali quando vi seus dedos estalando na minha frente.
– Terra chamando Bella. – Ele brincou.
– Oi James. – Falei tentando parecer agradável, apesar da minha raiva.
– Oi! O que aconteceu? – Ele me perguntou.
– Aconteceu? Onde? – Retruquei. Ele sorriu.
– Ok. Vou entrar no seu jogo. – Ele me lançou um sorriso ainda maior e eu me segurei para não corresponder.
Antes de Edward Cullen aparecer na minha frente, James era o cara mais interessante da faculdade em minha opinião. E na de muitas outras meninas também.
– Me diz, o que aconteceu para você não estar prestando atenção na aula? _ Ele questionou. Eu não sabia o que dizer.
– Nada. – Optei pelo simples.
– Nada? Sei... E desde quando o “nada” cria essas rugas na sua testa? – ele perguntou passando os dedos por minha testa. Não pude evitar comparar o contraste do toque quente dele com o frio de Edward. Merda!
– Nada de mais. – Sorri. – Apenas besteiras do dia-a-dia. – Respondi.
– Hum... Algo que eu possa ajudar?
– Não, Não se preocupe. Mas me diz, e sua mãe? Como ela está? – Perguntei enquanto pegava sua mão e fazia um carinho. Ele sorriu e paertou minha mão, levando até seus lábios para beijá-la. Um gesto bobo, mas que diante da rejeição de Edward mais cedo, fez com que meu coração saltasse.
– Está bem melhor. Quase totalmente restabelecida. – Sorriu. – Senti sua falta. – Ele era sincero ao me falar isso. Senti um aperto no coração quando ele disse.
– Também senti a sua. – Falei uma meia verdade. Até Edward aparecer, eu realmente sentia falta dele. Ele abaixou a cabeça e suspirou.
– Bella, posso te perguntar algo?
– Claro. – Respondi.
– É verdade o que eu ouvi dizer? Digo... Sobre... Você está mesmo com alguém? Com esse tal Cullen? – Ele me perguntou fazendo uma meia careta. Percebi que ele sentia-se triste com aquilo.
– Hum... Na verdade, não sei o que te responder. – Suspirei. – O que posso te afirmar é que de fato eu estou fican... – Interrompi minha frase na metade para corrigi-la. – Na verdade eu fiquei com Edward sim. Mas não sei se temos alguma coisa além disso ou mesmo se ainda estamos ficando. – Respondi honestamente.
– Hum... Seu problema de hoje foi com ele? – Me perguntou?
– Sim. – Respondi resignada.
– Almoça comigo hoje? – Ele me lançou o sorriso mais perfeito que ele tinha e jogou os fios loiros que caiam sobre seus olhos pra trás. Impossível dizer não.
– Claro. Sua próxima aula é comigo ainda, né? – Brinquei.
– Graças a Deus, sim! – Ele riu.
Ao término da aula, saímos para a sala do fim do corredor. Eu ainda conversava rindo com James, que me contava sobre o quão chato tinha sido esses dias em casa, convivendo com suas tias velhas e chatas que ainda apertam a bochecha dele como se ele tivesse apenas 4 anos de idade. Levei um susto quando senti o toque frio no meu braço, me puxando com força.
– Preciso conversar com você. – Imediatamente reconheci a voz de Edward no meu ouvido, rosnando.
– Agora não posso, tenho aula. – Respondi querendo me afastar. A minha mágoa só crescia.
– Algum problema? – James se colocou ao meu lado, com o rosto fechado, travando uma batalha com Edward.
Edward me fitou com os olhos em chama. Eu suspirei.
– James, esse é Edward Cullen. Edward, esse é James Smith. – Apresentei formalmente, querendo logo sair dali. Eles não se mexeram nem um milímetro.
– Com licença, Edward. – Pedi tentando me soltar. Ele não deixou.
– Quero falar com você, Bella. – Ele disse e se aproximou mais de mim. – Sem platéia.
– Agora não posso. – Respondi.
– No almoço, então. – Ele disse.
– Ela almoçará comigo. – James respondeu antes de mim. Vi os olhos de Edward queimar dos meus para os de James, e senti medo do que pudesse acontecer ali.
– Edward, estou atrasada. Pode me soltar. – Pedi.
Antes de me soltar Edward me olhou irritado.
– Temos que ter uma conversa séria. – Disse.
Eu concordei balançando a cabeça e me afastei. Fui para aula com James, absolutamente tensa. Passei a aula inteira tentando me distrair com ele, e de fato, não foi tão difícil assim, James era um cara extremamente agradável, que me fazia rir com facilidade.
Estávamos na cantina almoçando quando vi Edward chegando com Alice. Merda! Isso estava cheirando a merda. Tinha cara de confusão. Tentei ignorar a presença de Edward, assim como sabia que James estava fazendo. Continuamos conversando bobagens, rindo de situações ridículas que passamos na minha primeira semana na faculdade e do trote. Foi aí que James lembrou do nosso “beijo por acidente”. Foi durante a brincadeira com cartas na boca, que você passa para a pessoa do lado. Rimos ainda mais porque na verdade, ele tinha me confessado depois que ele tinha deixado a carta cair propositalmente, como medo de que a outra garota que estava do lado esquerdo dele o beijasse. Nesse momento, ouvi um baque estridente um pouco mais afastado da gente e segundos depois um baque surdo na nossa mesa.
– Atrapalho? – Edward estava sentado numa cadeira na nossa mesa, com a pior cara que eu já tinha visto.
(Edward POV)
Quando Bella se afastou com um pouco de raiva, eu ainda estava ouvindo o que Alice falava mentalmente pra mim.
“Ela acha que você não quer que ela vá lá em casa, seu idiota!”, ela berrava.
Droga! Eu sou um imbecil.
– Bella! – Chamei-a vendo que ela se afastava. Ela não me respondeu e eu a segurei. – Espere!
– Edward, me solte. Tenho aula. – Ela me respondeu sem me olhar.
– Eu sei. Mas... – Suspirei me achando um idiota ainda maior. – Me desculpe. Eu não queria passar a impressão errada para você.
– Você não passou. – Respondeu seca.
– Passei sim. Você pensa que eu não quero que você vá à minha casa, não é? – Perguntei vendo a verdade estampada no seu rosto. – Não é isso. – Afirmei.
– Não importa. Eu realmente não quero ir. – Ela puxou meu braço se afastando. – Com licença.
Antes que eu pudesse investir novamente contra ela, Bella se misturou entre outros alunos. Me irritei comigo mesmo por ter permitido esse equívoco e me afastei dali tentando me afastar dos pensamentos insuportáveis de tanta gente.
Andei até meu prédio para assistir minhas aulas. Na primeira aula sabia que não ia conseguir me concentrar. Só pensava em Bella e em me desculpar. Eu tinha outro grande problema com Jane e Alec, mas eu só conseguia pensar em Bella. “Merda!”, pensei quando percebi que eu estava realmente ferrado por ela. “Insano e imprudente!”, repeti para mim mesmo sem me convencer a me afastar dela. Na verdade, eu sabia desde aquele primeiro esbarrão nela no corredor que eu estava ferradamente encantando por ela. Quando terminou meu primeiro tempo, sai do meu prédio, a fim de esperar que a próxima aula de Bella acabasse para que eu pudesse pedir desculpas. Não ia esperar até o almoço.
Eu tava lá, parado na porta da sua sala quando ela saiu. E não me notou. Ela conversava com um cara, e imediatamente eu percebi que ele gostava dela. Todas as imagens que ele tinha de Bella era sobre como sua boca se movia quando ela falava, como seus olhos brilhavam quando ela sorria, como seus cabelos balançavam. Instantaneamente eu quis arrancar a cabeça dele. Senti uma fúria crescendo em mim quando avancei em direção a eles.
– Preciso conversar com você. – Falei segurando seu braço.
– Agora não posso, tenho aula. – Ela respondeu, levemente assustada.
– Algum problema? – O cara que a acompanhava se aproximou, me desafiando com o olhar. Mal sabia ele que eu poderia esmagá-lo com apenas uma mão.
Nos encaramos por algum tempo. Ele não fazia idéia que eu podia ouvir o seu pensamento ridículo de como ele ia me quebrar a cara.
– James, esse é Edward Cullen. Edward, esse é James Smith. – Bella nos apresentou, e eu percebi que nosso desgosto era mútuo.
– Com licença, Edward. – Ela tentou se soltar novamente, mas eu não deixei.
– Quero falar com você, Bella. – Me aproximei mais dela, tentando parecer controlado. – Sem platéia.
– Agora não posso. – Ela respondeu. E tinha razão.
– No almoço, então. – Disse.
– Ela almoçará comigo. – O tal James falou, mas sua mente gritava muito mais que isso. Ele estava praticamente me desafiando. Eu imaginei durante alguns segundo como seria sentir seus ossos esmagando na minha mão.
– Edward, estou atrasada. Pode me soltar. – Bella pediu, me tirando do devaneio.
Olhei para ela, irritado com os pensamentos de James.
– Temos que ter uma conversa séria. – Disse e a soltei.
Me afastei para não ter tempo de voltar atrás e arrebentar o cara. Esperei a hora do almoço chegar e me encaminhei junto com Alice para a mesma cantina que Bella. Alice me repreendeu de várias formas possíveis, mas eu simplesmente a ignorava. Ela rezava para Jazz chegar logo e quem sabe me acalmar.
Eu só me concentrei em ouvir a conversa dos dois. Estava irritado, com nojo e enciumada de ver como eles se davam bem. Percebi que Bella gostava da companhia dele e que ela a fazia rir de forma escancarada. E era absolutamente lindo. Fiquei ainda mais puto com isso. Queria ser eu a provocar isso nela. Estava me controlando bem até agora. Mas quando aquele desgraçado começou a falar do beijo que ele tinha roubado dela, senti algo explodir em mim, era como se o meu sangue tivesse em ebulição nas minhas veias. Eu definitivamente era o vampiro mais desequilibrado do universo. Sem medir meus atos, me levantei desvencilhando-me de Alice quando ela tentou me segurar e fui sentar-me na mesa com os dois. Bella levou um susto quando me viu.
– Atrapalho? – Perguntei irônico.
– Edward! – Bella exclamou assustada.
– Sim, atrapalha. – James falou. Eu rosnei para ele ao mesmo tempo em que Bella o olhou ligeiramente irritada.
– Pois então, sinta-se a vontade para se retirar. – Disse, dando uma chance para que ele se afastasse dela com vida.
Capítulo 7 - Disputando Território
(Bella POV)
Eu olhava incrédula para toda aquela cena. Edward e James pareciam travar uma batalha com seus olhos e eu podia quase apostar que em poucos minutos os dois sairiam no braço. E pos mais que eu estivesse chateada com Edward pelo que aconteceu de manhã, a última coisa que eu queria é que aquele rosto perfeito saísse machucado. James era bem mais forte que Edward, apaesar de nunca tê-lo tocado da forma que tocava Edward.
No momento que vi os dois estalando os dedos percebi que não podia protelar mais para interromper a guerrinha dos dois.
– Será que alguém pode me explicar o que está acontecendo? – Perguntei irritada.
– Pergunta pro seu amigo mal educado aqui. – James respondeu-me sem desviar os olhos de Edward, indicando-o com a cabeça. Percebi que El tinha frisado a palavra amigo propositalmente.
– Eu não sou amigo de Bella. – Edward respondeu e por um instante eu queria bater nele. – Somos bem mais que isso. – Sua voz era sexy, apesar de alterada. Era como se ele estivesse falando para mim e não para James. Meu coração inflou.
– Mesmo? – James perguntou incrédulo.
“Droga!”, praguejei mentalmente por ter contado toda a minha situação com Edward a James.
– Com certeza. – Edward foi firme em sua resposta. A tensão entre os dois só aumentava.
– Ok, podem responder a mim? – Perguntei.
Os dois me olharam imediatamente e meu olhar voltou-se para Edward. James era um amor, eu adorava tê-lo por perto e por vezes eu quase cedi as suas investidas. Mas sempre ficava no quase. Já Edward... Bem, eu quase perdi a cabeça na primeira oportunidade que tive. Balancei a cabeça para organizar meus pensamentos, tendo plena consciência de estar sendo observada pelos dois.
– Então, vamos por partes. – Respirei. Antes de continuar a falar senti um alívio, uma calma que não estava ali antes. – O que vocês dois pensavam que estavam fazendo?
– Hum... Digamos que por um momento nossos instintos primitivos falaram mais alto. – Edward falou. Eu fiquei confusa, então ele prosseguiu. – Disputa pela fêmea. – E deu de ombros como se fosse óbvio.
Imediatamente eu fiquei vermelha. E baixei os olhos. Eu tinha quase certeza disso, mas ouvir Edward falar com todas as letras era bem diferente. Por um momento me senti lisonjeada.
– Ok, vamos para a próxima. – Disse devagar. Olhei para Edward. – O que você veio fazer aqui? – Perguntei. James riu e eu fechei a cara para ele.
– Vim falar com você. – Edward foi direto.
– Mas você sabia que eu ia almoçar com James. – Afirmei. – Não poderia esperar?
– Na verdade não. – Seus olhos brilhavam. – Temos um assunto pendente, e pretendo resolvê-lo.
Suspirei derrotada. Aqueles malditos olhos dourados acabavam fácil comigo.
– Então diga. – Falei simplesmente.
– Sem platéia. – Ele retrucou indicando James. Eu não podia pedi-lo para sair.
– Hum... – Olhei para o relógio do celular. Faltavam quinze minutos para minha última aula começar. Levantei pegando minha mochila e jogando no ombro.
– Preciso ir. – Olhei para James. – Obrigada pelo almoço. – Eu sorri.
– Foi um prazer, apesar dos últimos minutos. – Eu não respondi, apenas olhei para Edward.
– Vou fazer o trabalho com Alice depois da aula. Não terei tempo para conversar. Mas podemos conversar mais tarde... – Sugeri.
– Eu te encontro. – Ele me disse e sorriu. Eu sorri de volta e quase me esmurrei de raiva por isso. Não queria parecer envolvida.
Eu virei de costas para ele e antes que eu pudesse me afastar senti a mão gelada de Edward me segurando. Ao virar para encará-lo, ele me puxou para um beijo. Eu nem pude pensar se queria ou não, mas quando percebi já estava retribuindo o beijo ardente de Edward. Ele nos afastou e sorriu para mim. Apenas dei as costas pra ele, com as pernas ainda bambas. Eu queria sentir raiva dele, mas era impossível.
Quando me afastei, vi Alice e Jasper nos olhando curiosos. Era um misto de diversão e apreensão. Sorri para os dois e me aproximei.
– Alice, encontre-me na biblioteca após a aula, ok?
– Tem certeza, Bella? Se você quiser...
– Tenho sim. – Interrompi. – Até mais tarde. – Sorri para os dois e caminhei em direção ao prédio. Com calma.
Minha cabeça gritava. Eu podia perceber os vários pares de olhos sobre mim. Com certeza boa parte do campus já sabia o que estava acontecendo. Dei graças a Deus por ter vindo de carona com Edward, se não quem iria sofrer as conseqüências seria o meu carro.
(Edward POV)
Assim que Bella se afastou eu e James voltamos a nos encarar. Eu tinha perdido as contas de quantos palavrões ele me xingou. Eu ainda estava sob os efeitos do poder de Jasper e eu tinha certeza de que isso era a única coisa que me fazia manter as mãos afastadas de James.
“Eu não vou perder a Bella pra esse playboyzinho. Ela gosta de estar comigo, eu sei disso. Tá... O cara até pode ser boa pinta, mas eu sou bonito. Qualquer garota aqui ia querer ficar comigo...”. Rolei os olhos para os pensamentos de James. Mesmo porque, eu sabia que qualquer garota ia me preferir a ele.
“Bella vai me escolher.”, ele disse na sua cabeça. Eu sorri antes de falar.
– Nos seus sonhos, Smith. – Disse para ele. Ele me olhou confuso por uns instantes e eu aproveitei para me divertir.
– O que você disse? – Ele perguntou finalmente.
– Só nos seus sonhos você vai ter Bella. – Me aproximei dele. – Bella é minha garota. – Grunhi para ele e antes de levantar dei meu aviso. – Não atravesse meu caminho.
Andei em direção à Alice. Ela já estava me irritando com todos os seus avisos. Ainda bem que Jasper estava ali para acalmá-la um pouco. Sentei-me com eles pronto para ouvir o sermão.
– Isso foi realmente necessário? – Ela disparou.
–Eu não fiz nada, Alice. – Repliquei.
– Não fez por muito pouco, Edward. Eu vi muito bem o que você pretendia fazer. – Balançou a cabeça negativamente. – Você enlouqueceu?
– Alice, eu pensei em fazer, mas não fiz. – Disse.
– Verdade. Você não pode condená-lo por pensar, pode? – Jasper disse em voz alta e completou em pensamento: “Eu mesmo queria arrancar a cabeça dele.”
– Jasper! – Alice exclamou indignada com o apoio dele.
– Obrigado. – E ele sabia que eu agradecia também pelo que só eu ouvi.
Logo em seguida Alice levantou-se e encaminhou-se para seu prédio. Eu e Jasper ainda ficamos alguns minutos sentados, conversando sobre Jane e Alec. Esperaríamos a madrugada para por fim à vida desses dois.
Assim que retornarmos para nossas respectivas aulas, comecei a elaborar a melhor forma de explicar a situação para Bella, sem contar totalmente a verdade. Precisava dizer que tínhamos tido “visitantes indesejáveis” e por isso achava melhor que ela não tivesse essa experiência indesejada. Mas também precisava deixar claro que eu queria levá-la à minha casa.
“Hum, ele fica tão sexy quando faz essa cara de pensativo.”, uma garota loira sentada ao meu lado pensou. Nem precisei olhar para saber que era Jéssica Stanley pensando. Ela sempre grita seus pensamentos obscenos na minha direção.
“Acho que vou aproveitar essa história dele e da tal Bella ter acabado e vou investir nele.”, ela pensou e foi se aproximando.
“Não faça isso!”. Desejei imediatamente, mas já era tarde. Ela já estava com a mão sobre meu braço. Em reação, eu puxei meu braço e a olhei sério.
– Tudo bem, Edward? – “Hum, cara de mau.” – Soube que aquela garota estava almoçando com um outro rapaz. – “James... delicioso também.”, ela completou para si mesma.
– Tudo ótimo, Stanley. – Respondi seco, tentando afastá-la ainda mais.
– Hum... Estava pensando Edward...
– Jura? Você não faz isso com freqüência... Tem certeza que fez certinho? – Não resisti a fazer a piada. Ela sorriu, mesmo tendo ficado constrangida.
– Engraçadinho... Mas voltando ao assunto, que tal nós sairmos depois da aula, hein? Assim você pode desabafar... – “E eu posso te consolar na minha cama.”
– Stanley... Acho que preciso ser claro com você. – Suspirei. Em outro dia poderia até ser simpático, mas hoje não. – De fato, você é bonita. – Ela abriu um enorme sorriso. – Mas não tenho o menor tesão em você. Sei que você queria me ter na sua cama, mas não quero você na minha, entendeu? Isso é algo que você só terá na sua cabeça, porque infelizmente não posso controlar seus pensamentos. – Calei-me por uns instantes para que ela processasse a informação. – Ah! Outra coisa... Eu e Bella estamos juntos, e o único cara que ela beija sou eu. Você consegue entender isso ou precisa que eu desenhe? – Disse irônico. Jéssica ficou imóvel por alguns minutos. Eu vi que ela empalidecia gradativamente.
Imediatamente eu pensei que deveria fazer isso mais vezes, porque a única coisa que eu podia ouvir vindo dela era a minha própria voz, como eco. A aula terminou e eu saí encaminhando-me para a aula seguinte. Quando a segunda aula terminou, fui para o estacionamento e fiquei um tempo no carro. Aproveitei para ligar pro Jake, a fim de manter-me informado e confirmar os planos para mais tarde. Depois, me encaminhei devagar para a biblioteca, indo encontrar Bella.
Assim que entrei na biblioteca, vi Bella e Alice sentadas à mesa conversando. Sorri e me aproximei. Alice logo me viu e sorriu, despedindo-se de Bella. Eu sorri para ela e falei baixo o bastante para que só ela me ouvisse.
– Não me interrompa. Irei para casa em breve. – Avisei. Alice riu.
“Entendido irmãozinho”. Alice se despediu e saiu. Olhei para Bella, que permanecia sentada. Podia ouvir seu coração ansioso. Olhei em volta e percebi que a biblioteca estava parcialmente vazia. Sentei de frente para ela, onde antes estava Alice.
(Bella POV)
Alice chegou praticamente comigo à biblioteca. Ela não tocou no assunto, o que eu agradeci. Queria me concentrar no trabalho e aquilo só ia atrapalhar. O trabalho era fácil. Tínhamos que identificar cerca de quinze imagens selecionadas pelo professor. Eu e Alice fizemos rapidamente o trabalho e logo começamos a conversar. Ela falava de Jasper, Rosalie e Emmett. Mais uma vez ela evitava Edward e eu agradecia. Pouco tempo depois, Edward apareceu e Alice se retirou. Imaginei que ela tenha esperado que ele aparecesse para ir embora. Meu coração disparou de ansiedade e Edward hesitou alguns segundos antes de sentar. Nervosa, eu puxei meus cabelos para dar um nó no alto da cabeça. Sentia o olhar de Edward sobre mim.
– Podemos conversar agora? – Sua voz era suave e quase suplicante.
– Estou aqui ouvindo. – Respondi.
– Bem... Eu não sei ao certo como começar...
– Que tal você começar dizendo por que queria tanto conversar? – Sugeri.
– Certo. – Ele respirou. – Bella, o que aconteceu hoje de manhã foi um grande mal entendido.
Eu engoli seco e desviei o olhar. Edward tocou meu queixo e me fez olhá-lo.
– Hoje de manhã você me entendeu mal, Bella. Eu demorei a perceber isso e depois não tive a chance de me explicar. – Ele se aproximou. – Quando eu disse para Alice que não concordava com você ir lá em casa hoje não significava que eu não queria que você não fosse lá. Eu disse isso porque ontem recebemos duas visitas um tanto desagradáveis.
– Visitas? – Perguntei desconfiada.
– Sim. Dois primos de Carlisle. Jane e Alec. Na verdade ninguém suporta esses dois, mas...
– É família. – Completei.
– Pois é. – Ele segurou minha mão. – Eu não queria que você fosse lá e se chateasse o que fatalmente iria acontecer. Mas eu quero que você conheça meus pais. Eles vão adorar você. – Seus olhos me fitavam sinceros. – Pode me desculpar?
Não vi nada além de sinceridade em seus olhos.
– Acho que me precipitei. – Respondi e ele riu, me dando um selinho. – Desculpe.
– Estamos resolvidos, e isso basta. – ele levantou a sobrancelha. – Mas você pode me dizer por que estava toda felizinha com aquele James? – Sua voz tinha uma ponta de ciúmes e eu ri.
– Isso é ciúmes, Edward? – Não resisti e perguntei.
– Não. – Ele desviou o olhar. – Apenas não gostei de vê-lo com você... Tão íntimo.
– James é uma amigo, mas não é íntimo. – Respondi.
Percebi os olhos de Edward brilhando quando falei isso e naquele momento acreditei que ele sentia por mim algo mais forte do que um simples desejo.
– Melhor assim. – Foi tudo o que ele disse.
Ficamos nos observando ainda por alguns instantes. Seus olhos dourados estavam mais escuros e eu não percebi quando ele me puxou para o colo dele e me arrebatou num beijo calmo, doce e apaixonante. Na verdade, eu mal conseguia lembrar onde eu estava sentindo os lábios gelados de Edward sobre os meus. Nós nos afastamos devagar e ofegantes. Ele riu.
– Vamos? Vou te levar pra casa. – Ele falou.
– Sim. – Respondi.
Saímos da biblioteca em direção ao estacionamento, o braço de Edward abraçando o meu ombro. Às vezes eu o sentia me apertando mais contra seu corpo, e eu retribuía abraçando-o. Ele abriu a porta do carro para mim e logo em seguida já estava sentado no seu banco.
– Vou deixá-la em casa e depois vou passar na minha...
– Edward, não precisa se incomodar comigo. Posso pegar um ônibus ou...
– Não me incomoda, Bella. Só vou passar em casa para ver como estão as coisas lá, mas depois... – Ele me olhou com malícia. – ...Depois eu vou para a sua casa, ok?
– Sim. – Sorri. Como eu poderia negar qualquer coisa aquele homem?
Ele me deixou em casa e se despediu com a promessa de que não demoraria. Eu aproveitei para comer alguma coisa e tomar um banho rápido. Queria estar totalmente pronta para Edward quando ele chegasse. Peguei minha lingerie nova, de renda preta e vesti. Ouvi a campainha tocar. Peguei o vestido que eu tinha separado e vesti, correndo escada abaixo para abrir a porta. Nem olhei para ver quem era, pois tinha certeza que era Edward. Ao abrir a porta, meu sorriso se desfez.
– Olá Bella!
– James... – Disse decepcionada.
Capítulo 8 - Ataque e Proteção
(Bella POV)
– Está linda! Esperando alguém? - Ele perguntou enquanto avaliava meu corpo minuciosamente.
– Na verdade sim. – Respondi seca.
– Oh! Não queria atrapalhar... Mas eu preciso de um favor seu. – Ele tentou avançar, mas eu não dei espaço para ele.
– E que favor você quer? – Perguntei já irritada.
– Hum... Eu queria pegar com você a matéria desses dias que fiquei fora. – Ele disse e eu percebi que seus olhos permaneciam sobre o meu corpo. Eu realmente não estava gostando.
– Eu levo amanhã para você.
– Já que eu estou aqui, por que você não me deixa entrar e pega a matéria para mim? – Ele avançou forte contra mim e eu cambaleei.
– James, eu disse que levo amanhã. Agora vá embora, por favor. – Vociferei.
– Quem você está esperando? Aquele cara idiota? Como é mesmo o nome dele? Ah! Edward! – Ele falava enquanto avançava um pouco mais na minha direção, os olhos escuros, um misto de desejo e raiva.
– Não é da sua conta, James. – Na verdade, eu estava com medo de James, do que ele poderia fazer comigo e do que aconteceria se Edward chegasse agora.
– Ah Bella... Sério que você está encantada com esse carinha? – Ele parou por um momento. – Não acredito. Além do mais, nós nos conhecemos faz tempo Bella, temos uma história... E eu sei que você se sente atraída por mim. – Ele deu um passo a mais e entrou na minha casa. E fiquei apavorada.
– James, sai agora! – Gritei. – Nós não temos história alguma.
– Não? Então está na hora de corrigirmos isso. – Ele sorriu e eu senti um calafrio no meu corpo.
Querendo que ele saísse logo da minha casa, tentei empurrá-lo pra fora, esmurrando minhas mãos no seu peito. Um grande erro meu. Imediatamente, ele puxou-me pela cintura, me fazendo grudar no seu corpo. Eu ainda tentava esmurrá-lo, enquanto tentava me soltar, mas era em vão. James soltou suas mãos da minha cintura para logo depois envolver meus pulsos com força. E no segundo seguinte, ele espremia seus lábios contra os meus, com tanta força que doía. Eu não correspondi. Tentava mover a cabeça, mas não adiantava. James foi me empurrando pra trás, até que as minhas costas se chocassem com a parede. Ele tentou forçar sua língua dentro da minha boca, e eu fiz todo esforço que eu podia para mantê-la fechada. Com um pouco mais de esforço dele, sua língua penetrou em minha boca. O seu corpo esfregou-se no meu, cheio de luxúria, me fazendo ter nojo. James levantou minhas mãos, prendendo-as com apenas uma de suas mãos acima da minha cabeça. A mão livre começava a descer pelo meu corpo. Enquanto ele tentava fazer algum movimento com a língua na minha boca, senti sua mão apertando meu seio. As lágrimas começaram a brotar nos meus olhos, e no instante que sua língua entrou de vez na minha boca, eu mordi com toda força que tinha.
– Ai! – James gritou se afastando um pouco, mas sem me soltar.
Seu olhar ganhou um brilho ainda mais assustador e eu quase me arrependi de ter feito isso. Seu corpo apertou o meu novamente, mas no instante seguinte senti-me sendo puxada e cai no chão. Fiquei confusa. Quando levantei os olhos, vi rapidamente James sendo jogado pra fora da minha casa. O cara que o tinha jogado era Edward? OMG! Levantei correndo, indo em direção a porta. Não podia deixar Edward ser machucado. Parei na soleira da porta ao perceber que eu não tinha porque me preocupar. Apesar de James parecer mais forte, Edward estava dando uma surra nele. James não conseguia reagir enquanto Edward esmurrava ele. Com medo do que pudesse acontecer, achei melhor intervir.
– Edward! – Chamei. Ele pareceu não me ouvir. – EDWARD! – Gritei com todo ar que tinha nos meus pulmões.
Imediatamente Edward parou o movimento, com a mão ainda no ar e me olhou. Eu estiquei minha mão em sua direção, chamando-o.
– Chega. – Disse. – Eu preciso de você.
Ele desviou rapidamente seu olhar de mim para James. Vi seus lábios se moverem, mas não pude ouvir o que ele falava. Depois, ele largou James, que bateu com as costas no chão e veio em minha direção. Percebi que suas mãos estavam cheias de sangue fiquei preocupada. Quando ele se aproximou de mim, vi que seus olhos dourados estavam pretos. Peguei sua mão ara examinar.
– Não se preocupe, o sangue não é meu. – Ele disse com a voz baixa, era quase um grunhido.
Olhei para trás e vi que James tentava se levantar com esforço. Havia de fato muito sangue nele.
– Preciso lavar minhas mãos. – Ele disse ainda sem se aproximar muito de mim.
– Claro. – Levei-o até o lavabo que havia ali em baixo.
Edward levantou as mangas de seu casaco e começou a lavar a mão. Naquele momento, eu respirei aliviada. Edward havia me salvado. Eu não quero nem pensar no que poderia ter acontecido se ele não houvesse chegado naquela hora. O sentimento que eu já nutria por ele, inflou-se ainda mais dentro de mim. Ele ficou algum tempo se limpando, e eu esperando por ele encostada na parede em frente. Quanto terminou, tirou o casaco e virou-se para mim.
– Como você está? – Ele parecia preocupado. Sua mão encostou no meu rosto e eu senti uma descarga elétrica passar pelo meu corpo.
– Bem, graças a você. – Sorri, agradecendo.
– Eu devia ter chegado antes. – Ele se repreendeu.
– Você chegou na hora certa. – Afirmei.
Segurei a mão que estava no meu rosto e puxei para mim, beijando-a. Edward deixou seu casaco cair no chão e me puxou pra ele, abraçando-me protetora e carinhosamente. Eu queria ficar ali pra sempre. Ele beijou o topo da minha cabeça e eu sorri.
– Você devia ter me deixado acabar com ele. – Eu podia sentir a raiva gritando em seu peito. Abracei-o mais forte.
– Aquilo foi o suficiente. Mais, você acabaria o matando. – Respondi.
– Era isso que ele merecia por tocar em você.
– Edward! – Recriminei. – Não fale isso! Além do mais, você iria preso, e eu ficaria sem você.
Edward me apertou mais contra ele antes de me pegar no colo. Foi tão rápido que eu nem percebi. Ele me olhou por um longo tempo antes de falar qualquer coisa. Eu confesso que estava quase derretendo ali, com ele me olhando daquela forma.
– Só em pensar na possibilidade de outro cara te tocar, eu fico louco. – Edward confessou e eu sorri.
– Não precisa enlouquecer. Se depender de mim, só você me tocará. – Sorri.
Nossos lábios se tocaram num beijo casto, cheio de sentimentos. Percebi que estávamos nos movendo, mas não me importei. Logo depois, ele me deitava na minha cama, aconhegando-se perto de mim. Me espremi contra ele, que me abraçou apertado contra seu corpo e jogou a coberta sobre nós. Apesar do frio já habitual do seu corpo, eu me sentia extremamente confortável. Edward fazia movimentos circulares carinhosos nas minhas costas e me acalmava cada vez mais. Quando ele começou a cantarolar, senti meu corpo ficar entorpecido.
– Obrigada. – Disse já sonolenta.
– Não precisa agradecer. Eu estarei sempre aqui. – Ouvi sua voz musical dizer, e logo depois dormi.
(Edward POV)
Eu corri pra casa, querendo voltar logo pra Bella. Sabia que Leah estava de olho em Bella, mas preferia eu mesma tomar conta dela.Quando cheguei, estavam todos a minha espera. Emmett e Jacob soltaram gargalhadas ao me verem.
– Onde está a Bella, Edward? – Emmett perguntou-me na clara intenção de me irritar.
– Em casa, Emmett. – Respondi seco. Se eu pudesse ficar vermelho, certamente eu ficaria.
– Então é sério o seu lance, brother? – Jacob me perguntou em voz alta. Eu estava me concentrando somente no que ele falava, e não no que estava pensando.
– Bastante. – Respondi, e ele compreendeu que eu não queria mais falar sobre esse assunto.
– Bom, vamos deixar as fofocas para depois? – Jasper novamente veio em meu auxílio. – Temos que decidir como vamos cercá-los hoje. – Disse referindo-se a Alec e Jane.
– Eu estava pensando sobre isso hoje. – Jacob começou a falar. – Estava pensando que antes de tudo, Edward está muito desligado para se concentrar nessa luta.
Eu o olhei irritado. Ele sorriu.
– Sério cara, não me leve a mal, mas eu conheço você, e sei quando você está ou não concentrado em alguma coisa. – Eu ia abria a boca pra falar, mas ele fez um sinal para eu esperar. – Além disso, eu acho que nenhum de você vampiros deveriam participar dessa luta.
Imediatamente começou um falatório, Emmett e Jasper principalmente, discordando do que foi dito.
– Pessoal! – Jacob falou mais alto, mas não funcionou.
Eu já sabia o que ele queria explicar, porque ele não parava de pensar naquilo, então intervi.
– Gente! Deixem Jacob falar. – Pedi. Todos ficaram em silêncio apenas nos olhando.
“Obrigado, sanguessuga.”, Jacob disse mentalmente.
– Então, pessoal. Eu pensei no seguinte: Uma vez que todos vocês são vulneráveis aos poderes dos dois e esses poderes nem fazem cócegas nos lobos aqui – Ele estufou o peito todo orgulhoso e eu rolei meus olhos. –, e considerando que nós estamos em número bem maior que eles, não vejo necessidade para vocês entrarem nessa luta. Vocês só vão sentir dor à toa. – Finalizou.
A sala ficou em silêncio. A verdade é que ele tinha razão, e ninguém queria concordar com isso. Emmett estava extremamente irritado por não poder arrancar a cabeça deles, e quem sofreu a conseqüência foi a parede. Esme olhou para ele.
– Desculpa mãe. – Ele abaixou a cabeça. – Eu vou concertar.
– Tenho certeza que vai. – Ela disse.
Jasper ainda lutava contra a sugestão, mas no fundo sabia que era uma boa ideia.
– Como ninguém fala nada, eu vou dizer o que penso. – Esme disse, com sua voz sempre calma. – Acho a idéia bastante racional. Além disso, fico feliz que vocês não se machuquem. – Ela olhou para Jacob. – E eu sei que eles não vão machucar vocês. Se eu imaginasse que isso poderia acontecer, seria contra.
Jacob sorriu.
– Eu sei, tia Esme. – Ele olhou para Carlisle. – Então?
– Então, eu concordo com vocês. – Carlisle sentenciou. – Quando será feito?
– Hoje. – Jacob afirmou.
Ele começou a explanar suas idéias para nós, mas parou quando Quill entrou correndo na sala. Quill olhou para Jacob e para mim, nos chamando pra fora. Sem entender, saímos.
– O que foi, Quill? – Jacob perguntou.
– É sobre a Bella.
– O que aconteceu? – Perguntei.
– Leah avisou que chegou um homem na casa dela, ele é loiro e alto. Ela disse que ele parece transtornado.
– James. – Falei. – Eu vou pra lá.
– Precisa de ajuda? – Jake ofereceu.
– Não. Sigam os planos pra hoje. – Olhei para Quill. – Avise a Leah que não faça nada.
– Aviso.
– Jake, informe o que aconteceu, por favor. – Nem esperei para ouvir sua resposta, pois no mesmo instante eu estava correndo em direção a casa de Bella.
Em pouquíssimo tempo eu estava lá. Avisei a Leah que ela poderia ir embora e agradeci. No instante seguinte, eu já estava dentro da casa. Ouvia Bella gemendo de desgosto, tentando se afastar de James. E na minha cabeça, todos os pensamentos impuros dele estavam me matando. Arranquei-o de cima dela e o joguei pra fora. Ele nem viu o que estava acontecendo. No momento seguinte eu já estava desferindo socos em seu rosto, arrebentando-o com as minhas mãos. Eu lutava para me controlar, para não colocar força demais e acabar com tudo muito rápido, mas estava realmente difícil.
Percebi que meu nome foi chamado, mas na me importei, tamanha era a minha raiva. Ouvi novamente o meu nome, e me dei conta de que era Bella me chamando. Imediatamente parei e a olhei. Ela estava com as mãos esticadas na minha direção, me chamando pra ela.
– Chega. – Ela disse. – Eu preciso de você. – Aquilo acabou comigo. Eu tenho certeza que o meu coração bateu naquele momento, mesmo que isso nunca possa acontecer.
Antes de largar James, deixei um aviso:
– Se eu cruzar novamente com você, eu vou terminar o trabalho. Desapareça, se quiser continuar vivo. – Larguei seu corpo, sem me importar.
O cheiro de sangue estava me matando. Quando Bella se aproximou mais de mim, achei mais prudente me lavar para tirar aquele cheiro. Quando estava finalmente limpo, voltei minha atenção para Bella.
Ela estava linda, apesar de ainda um pouco assustada. Percebi que ela tinha se vestido pra mim, pra terminarmos o que não tínhamos conseguido até então. E mais uma vez, não terminaríamos. Tudo bem, por mais que eu quisesse desesperadamente tê-la suspirando e gemendo em meus braços, eu tinha todo o tempo d mundo. Só me importava que ela estivesse bem, segura. E eu queria mostrar pra ela que eu estaria ali, protegendo-a.
– Como você está? – Perguntei preocupado, afagando sua bochecha com minha mão.
– Bem, graças a você. – Ela sorriu pra mim.
– Eu devia ter chegado antes. – Disse, me repreendendo, pensando que eu poderia ter tentado correr mais rápido. Não que eu achasse que isso era possível.
– Você chegou na hora certa. – Ela respondeu, puxando minha mão para beijar.
Puxei-a contra meu corpo para abraçá-la e beijei o topo de sua cabeça, demonstrando o quanto eu a queria bem.
– Você devia ter me deixado acabar com ele. – Disse com raiva controlada, para que ela não percebesse o tamanho do meu ódio. Ela me apertou.
– Aquilo foi o suficiente. Mais, você acabaria o matando. – Comentou.
– Era isso que ele merecia por tocar em você.
– Edward! – Ela me recriminou. – Não fale isso! Além do mais, você iria preso, e eu ficaria sem você.
A ideia de ficar longe dela era um tormento pra mim, principalmente deixando-a desprotegida. Peguei-a no colo e fiquei a observá-la, simplesmente deixando que todo o meu sentimento transbordasse.
– Só em pensar na possibilidade de outro cara te tocar, eu fico louco. – Comentei.
– Não precisa enlouquecer. Se depender de mim, só você me tocará. – Ela sorriu e eu senti meu corpo voltar a viver.
Beijei-a de forma delicada, apenas para que ela soubesse o que eu sentia por ela. Carreguei-a para a cama e me deitei ao seu lado, dando a ela a escolha de se aproximar ou não. Aquela era a minha Bella, que logo se espremeu contra mim. Enquanto eu fazia carinho nela, senti que seu corpo relaxava. Comecei a cantarolar uma canção, bem baixinho, e ela logo bocejou.
– Obrigada. – Disse já sonolenta.
– Não precisa agradecer. Eu estarei sempre aqui. – Afirmei, aproximando-a mais de mim.
Bella teve uma noite calma dormindo em meus braços. E eu tinha certeza que a partir desse dia, eu ia querê-la para sempre nos meus braços.
Capítulo 9 - Muitos Acontecimentos
(Bella POV)
Acordei nos braços de Edward. Eu tinha medo de que tivesse sonhado com ele ali comigo, mas era a pura verdade. Edward passara a noite toda comigo, na minha cama, me abraçando. Senti meu coração bater mais forte, uma batida quase dolorida, de alerta. Meus Deus! Eu estava me apaixonando perdidamente por esse homem. E se ele não correspondesse eu ia sofrer horrores.
Mesmo que eu não quisesse, não pude deixar de pensar em James. Eu nunca imaginei que ele fosse capaz de fazer isso. Quero dizer, tudo bem, ele sempre demonstrou que queria passar da amizade comigo, chegou a me beijar numa brincadeira, mas eu nunca pensei que ele fosse louco assim. Quando ele e Edward travaram sua briguinha particular, eu achei que aquilo era algo bobo, nunca eu ia pensar que isso ia chegar a esse ponto.
Graças a Deus Edward tinha chegado na hora. Se ele não tivesse ali, eu nem sei o que poderia ter acontecido. Edward foi o meu cavaleiro na armadura de prata, e com certeza ele tinha ganhado o coração da mocinha.
Apertei-me contra ele antes de levantar a cabeça para olhá-lo. Ele Beijou o topo da minha cabeça enquanto fazia círculos no meu braço.
– Bom dia! – Ele sussurrou no meu ouvido.
– Bom dia! – Respondi sorrindo enquanto beijava seu queixo. Ele sorriu.
– Como você está? – Ele me perguntou preocupado.
– Bem. Estou bem. – Disse sorrindo de leve. E era verdade. Apesar do susto, eu estava bem porque ele estava ali. E senti necessidade de lhe contar isso. – Com você aqui, eu estou bem.
– Então não teremos mais problemas, porque eu não pretendo te deixar mais sozinha. – Falou com seus olhos intensos grudados no meu.
No momento seguinte, nossos lábios estavam colados. Eu sentia uma vontade desesperada de ter Edward mais perto de mim, muito mais perto. Eu pressionei meu corpo contra o dele, cheia de calor e Edward deslizou suas mãos para debaixo da coberta, puxando minha coxa para cima da perna dele. Aproveitei para abrir o primeiro botão de sua camisa, enquanto nosso beijo se tornava mais intenso.
Um infernal e irritante “bip, bip” começou a tocar na mesinha. Edward me afastou com dificuldades e eu desliguei o despertador. “Merda! Da próxima vez eu vou desligar tudo: telefones, despertadores, aliás, acho que vou até desligar o disjuntor da luz!”, me prometi. Tava de saco cheio de toda hora ter algo que nos atrapalhasse.
– Acho que precisamos ir para a faculdade. – Edward disse, com um sorriso desapontado. – Melhor levantarmos antes que eu esqueça as obrigações.
Eu estava esperando que aquilo fosse uma promessa, mas infelizmente, Edward parecia levar as obrigações muito a sério. Talvez por isso ele fosse o meu cavalheiro da armadura de prata. OMG, eu estava perdendo a cabeça com esse homem. Edward levantou-se da cama e ajeitou as roupas com as mãos me lançando um sorriso. Eu pulei para fora da cama e fui andando para o banheiro. Antes de me afastar um pouco, ele me puxou para um abraço.
– Preciso ir em casa para tomar um banho e trocar de roupa, mas volto para te levar, ok? Eu não demorarei. – Ele disse no meu ouvido. – Quando você sair do banho, eu estarei aqui.
Eu sabia que seria difícil que aquilo fosse verdade, mas no fundo eu acreditava, mesmo sem saber por quê. Bem, talvez fosse pelo fato de que até agra, tudo que Edward tinha falado ele tinha cumprido, e me passava uma incrível sensação de confiança.
– Ok. Então você vai ter que ser rápido, hein?! Não quero chegar atrasada na aula. E... Não quero ir sozinha hoje. – Disse com receio.
Não acreditava que James fosse à faculdade hoje, mas não queria correr o risco.
– Não se preocupe. Eu volto logo, e tenho a sensação de que não veremos James por um longo tempo. – Sem me dar tempo para pensar, Edward me beijou e logo em seguida, saiu.
Eu me arrastei até o banheiro, tirei minhas roupas, abri o chuveiro e me joguei debaixo da água. Deixei que a água levasse com ela meus pensamentos e medos da noite anterior. Comigo, guardei apenas o que aconteceu de bom, que basicamente se resumia a presença de Edward. Tomei um banho quente, longo e relaxante. Sequei meu corpo e retornei para o quarto, a fim de me vestir. No momento que entrava no meu quarto, meu celular tocou uma vez, em sinal de mensagem. Corri para ver, curiosa.
“Coloque uma muda de roupa na sua mochila. Essa noite você não voltará para casa. Temos coisas a fazer. Estou chegando. Edward.”
Meu coração disparou. Aonde nós íamos? O que iríamos fazer? Eu comecei a pensar em mil e uma coisas e me dei conta de que se eu não me arrumasse iria estar ainda de toalha quando Edward chegasse. Coloquei uma calça jeans e joguei uma blusa de manga comprida. Calcei meias e all star e logo em seguida comecei a pentear o cabelo enquanto revirava meu armário para achar uma roupa para levar.
Peguei uma blusa de botões e joguei na mochila. Peguei uma calça jeans limpa junto com um casado e guardei também. Calcinha, sutiã e estava tudo pronto. Ouvi batidas na porta e desci com a mochila.
Encontrei Edward quando abri a porta e fui puxada para um longo beijo.
– Recebeu minha mensagem? – Ele perguntou.
– Sim. Já tá na mochila. Aonde nós vamos? – Perguntei curiosa.
– Curiosa, né? – Ele riu. – Depois da aula você saberá.
Eu fiz um bico e ele riu. Acabei rindo com ele enquanto pegava um iogurte para beber. Coloquei uns livros na mochila e subi para escovar os dentes enquanto Edward fechava as janelas do meu quarto. Saímos com tempo de sobra para chegar na faculdade. Tempo que ele aproveitou muito bem quando me puxou no carro para um beijo.
Sabendo que meu corpo clamava por mais contato, me aproximei dele e senti suas mãos me puxarem para cima dele. Acomodei minhas pernas dobradas no seu banco enquanto ele me puxava para mais perto. Puxei seu rosto pelo cabelos e senti suas mão no meu peito sobre a blusa. Era um beijo intenso, carregado de luxúria e todo o meu corpo ardia. Edward deslizou seus lábios para o meu pescoço, e foi depositando vários pequenos beijos, enquanto relaxávamos. Escorreguei de volta ao meu banco e abri a janela.
– Quente... – Cometei sorrindo.
Edward jogou a cabeça para traz e gargalhou.
– Com certeza, muito quente. – ele disse enquanto ligava o carro.
Chegamos à faculdade e logo senti braços finos e frios sobre o meu ombro. “Alice”, pensei sorrindo. Reconheci imediatamente a baixinha.
– Bella! Como você está? Ansiosa? – Perguntou disparada no seu ritimo habitual.
– Ah? Ansiosa com o quê? – Perguntei sem entender.
– Alice, não. – Edward disse sério.
Olhei para ele sem entender nada e vi que ele olhava para Alice. Olhei para ela, e ela sorria.
– O que tá acontecendo? Alguém pode me dizer?
– Nada Bella. Só queria saber se você está ansiosa para as aulas de hoje. Mas Edward não gosta que eu fique atrapalhando o tempo que ele tem com você. – Sorriu. – Sei que você não vai gostar Edward, mas vou roubar Bella agora para irmos para a sala. Nos vemos no almoço.
Antes que ela pudesse me puxar, Edward me segurou e selou nossos lábios. Foi um beijo rápido, porém carinhoso.
– Bem, não posso controlar Alice. – Sorriu. – Nos vemos mais tarde.
– Sim. Até. – Disse e logo em seguida estava sendo arrastada por Alice.
– Meu Deus! Você precisa para com essa mania de sair me arrastando, Alice. – Disse tentando mostrar que eu estava brava, mas não tendo sucesso.
– E você e meu irmão precisam se desgrudar cinco minutos. – Ela disse rindo.
– Hum... Não acho. Gosto de ficar bem grudada nele. – Disse ao acaso.
– Oh sim, imagino que sim. Mas por favor, me poupe dos detalhes picantes.
Gargalhamos juntas e seguimos para a aula. Alice tagarelava mais alegre que o de costume e eu apenas ouvia. Definitivamente nossa relação funcionava. Alice falava e eu ouvia. E eu gostava de ouvi-la falar, pois ela me fazia rir o tempo todo.
(Leah POV)
Quando Edward chegou à casa de Bella poucos minutos depois de tê-lo avisado da presença de James, eu apenas me afastei. Esperei escondida entre algumas árvores para ver o que acontecia. Edward estava transtornado, e eu tinha certeza que ele ia acabar com James, mas eu sinceramente não ia me meter. Não sou a favor da morte gratuita de ninguém, mas James tinha despertado o que há de pior em mim: a minha parte loba. Meu instinto animal gritava por fazer justiça com as próprias mãos, eu senti quando ele se aproximava que ele traria confusão, mas algo dentro de mim gritou para que eu chamasse Edward. E agora tenho certeza que fiz certo. Ele precisava saber que Bella tinha alguém que a protegia. E sei que Edward teve prazer em demonstrar.
Assim que Edward deixou James pra trás, entrando com Bella na casa, me aproximei dele. Oh! Edward tinha realmente feito um bom trabalho. O cara mal conseguia se mexer, e tinha tanto sangue e tanto inchaço nele que acho que James precisaria de uma cirurgia plástica. Coloquei-me na sua frente e abaixei até que ele pudesse me olhar sem dificuldades.
– Espero que você tenha entendido o que Edward disse. – Falei.
– Quem... Quem é você? – Ele perguntou com dificuldades.
– Isso não é importante. Mas é bom que você saiba que eu não tenho medo de você. – Estreitei meus olhos para ele. – E para que você entenda bem, vou repetir o que Edward te disse: Suma da cidade o mais rápido possível. E não volte a se aproximar da Bella. – Rosnei.
James abriu os olhos o máximo que pode – o que não era muito – de forma assustada. Eu ri internamente.
– Entendeu? – Perguntei.
Ele balançou a cabeça positivamente em resposta.
Puxei meu celular do bolso e disquei o número de um taxi, dando o endereço para que buscasse James.
– Vá para um hospital, você precisa de ajuda médica. – Falei me afastando dele imediatamente. Se eu permanecesse perto dele por mais algum tempo seria capaz de arrebentar ele definitivamente.
Bella realmente era uma menina legal, e eu tinha gostado dela logo de cara. Eu sabia que nós seríamos grandes amigas, porque a conhecendo há tão pouco tempo, eu já tinha um grande carinho por ela.
Em seguida, adentrei pela floresta e me despi para voltar a forma de loba. Corri para a casa dos Cullens, afinal tínhamos ainda uma tarefa para aquela noite: Alex e Jane. Tentei não prestar atenção nos pensamentos de parte da matilha que estavam invadindo a minha mente. Essa coisa de “telepatia lupina” às vezes me tirava a paciência! Ao chegar próximo a casa, voltei a forma humana me vestindo. Aproximei-me um pouco e logo dei de cara um largo sorriso vindo ao meu encontro. Um sorriso que fez meu coração amolecer. Paul.
– Senti saudades! – Ele disse ao se aproximar de mim.
Eu adorava esse jeito do Paul. Ele sempre tinha um sorriso pra mim, sempre uma frase carinhosa. E isso combinado com aquele corpo todo, me deixava em ebulição.
– Também. – Sorri ao me apoiar nos seus ombros para depositar um beijo na sua bochecha. Quase na boca.
Suas mãos se fecharam na minha cintura e me aproximaram mais dele. No mesmo instante, Seth apareceu na entrada da casa.
– Leah! O que aconteceu lá? – Perguntou sem se dar conta do que estava acontecendo entre eu e Paul.
Enquanto agradecia mentalmente por ter um irmão tão desligado, me afastei de Paul Sem vontade alguma. Porém na hora certa. Jake acabava de cruzar a porta vindo em minha direção.
– O que aconteceu lá? Tudo bem com você? – Pude perceber o tom de preocupação na sua voz.
– Estou bem, Bella está bem, Edward está bem. Todos estamos bem! – Disse tranqüila. – Quer dizer, todos menos o idiota do James. – Sorri.
– James? Quem é esse? – Seth perguntou.
– É um colega de faculdade da Bella. Digamos que ele não gostou de ser dispensado e resolveu tentar usar a força.
– Ele a machucou? – Jake perguntou.
– Não, Edward foi um verdadeiro gentleman e chegou na hora certa. Ele deu uma boa lição em James! Acho que não o veremos por muito tempo. – Gargalhei.
– Eu teria matado alguém que...
– Homens! Todos iguais... – Interrompi Paul para que ele não falasse demais. – Mas sabe, pensando friamente, acho uma pena James ter sido tão idiota... Ele é um pedaço de homem!
Imediatamente, os homens-lobos começaram a grunhir ao meu lado. Eu não entendia o porquê do drama.
– Ok, tenho que confessar que Edward apesar de ser um sanguessuga, é bem mais interessante que ele... Por isso é natural a escolha da Bella...
– Leah! – Paul e Jake falaram juntos e eu me calei imediatamente.
Eu ainda não entendia o problema deles. Será que eles não entendiam que eu apenas estava admirando a beleza indiscutível deles? Mas eles sabiam que eu preferia os lobos, não sabiam? Tinham que saber! E se não sabiam, problema deles. Homens!
Sam apareceu por entre as árvores, caminhando em nossa direção.
– Jacob, estamos esperando vocês. Alex e Jane estão acuados. Quill,Embry e Jared os mantém acuados. – Informou.
– Ótimo. Seth, você ficará aqui com Leah por precaução para proteger os Cullens. – Jake falou.
– Nem pensar. – Protestei. – Você não vai me deixar fora da diversão.
– Leah, isso é sério. Pode ser perigoso, prefiro que você fique com seu irmão. – Ele argumentou.
– E eu estou dizendo que justamente por ser sério que eu vou.
– Você está contestando a decisão de um Alfa? – Ele me perguntou numa demonstração clara – para mim pelo menos – de que estava irritado com minha decisão.
Eu olhei-o fixamente por uns instantes. Eu tinha certeza que ele sabia que não ia gostar do que viria.
– Não. Estou apenas sugerindo que você me deixe ir. – Disse sugestivamente, tendo consciência de que ele sabia as implicações que eu estava colocando.
Alguns segundos de um tenso silêncio. Eu sabia que todos os olhos estavam cravados em nós dois. Não queria tirar a autoridade Alfa de Jacob, mas não ia ficar fora dessa de jeito nenhum. E pra isso, eu realmente apelei para a única forma que eu tinha de suborno.
– Você tem razão. Acho que é melhor ter você lá do que Embry. Você vai e Embry volta. – Ele respondeu tentando se explicar enquanto eu saboreava a pequena vitória.
Jacob entrou para dar notícias aos Cullens e então partimos floresta adentro. Enquanto nos aproximávamos, Jake começou a dar suas ordens.
“Embry, quero que você volte imediatamente para a casa. Você e Seth vão proteger os Cullens.”
“Paul e Jared, vocês cercaram Jane. Ela é de vocês, não a deixem escapar.”
“Não se preocupe, Jake. Ela não vai durar um minuto.”, Paul afirmou seguro.
“Certo. Eu e Sam cuidaremos de Alec. Leah e Quill ficarão na retaguarda. Caso um de nós falhar, cabe a vocês não deixar que eles avancem.”
“Não acontecerá. Nada passará por mim e Leah.”, Quill disse.
“Ótimo. Agora preparem-se. Hora de matar uns sanguessugas.”, Jake falou antes de entrarmos na pequena clareira onde se encontravam Alec, Jane, Quill e Jared.
Imediatamente Quill recuou na minha direção enquanto Jacob se aproximava com Sam, cercando Alec. Jared aproximou-se de Paul e eles encurralaram Jane. Quill e eu estávamos atentos, prontos para entrar em ação caso eles Alec e Jane conseguissem o milagre de escapar. Eu pude ver nos olhos de Jane o pavor se instalando. A menina sempre confiante, arrogante e maldosa parecia agora uma garotinha indefesa. Olhei para Alec, que tentava se mostrar mais confiante. No entanto, eu podia sentir o cheiro do temor vindo dele.
Jacob era rápido e forte. Junto com Sam, Alec não teve a menor chance. Quando Sam chocou-se contra ele, Alec conseguiu o empurrar para longe, lançando Sam numa árvore distante. Imediatamente, Jacob estava agarrado ao seu braço. Sam retornou, puxando suas pernas.
Desviei meu olhar para Paul. Ele parecia se divertir enquanto laçava uma das pernas de Jane para o lado. Jared a segurava no ombro, e Paul a esquartejava. Ao me dar conta que aquilo seria mais fácil do que imaginava, fiquei aliviada.
“Leah, Quill. Façam uma fogueira, rápido!”, Jacob pediu.
Eu e Quill nos afastamos o suficiente para retornarmos a nossa forma humana. Vestimo-nos rapidamente e peguei o fósforo no meu bolso. Quill espalhava álcool sobre uma pilha de madeira, que formava uma pira. Assim que o fogo acendeu, voltamos a nossa forma de lobo e começamos a jogar as partes de Alec e Jane na pira. Em alguns minutos, estava tudo acabado.
CONTINUA...
N/A: Meninas!! Saudades daqui! Bem, antes que vocês queiram me matar, quero explicar porque esse capítulo demorou a sair. Era para ter saído três semana atrás, mas eu tive que viajar pelo estágio e acabei não concluindo esse capítulo. Voltei na semana passada, mas precisava colocar algumas coisas em dia, então não deu pra passar aqui. Como vcs repararam, nesse capítulo não teve o POV do Edward, e eu lamento muitíssimo. Mas eu não tenho tempo pra fazer o POV dele essa semana, pq tenho outra viagem. Então, entre deixar vcs sem o POV dele, ou sem a att, optei pela primeira opção. Mas prometo que vcs terão muito dele no próximo capítulo! Agora, me digam o que acharam?! Gostaram desse POV da Leah? E que surpresa o Edward está planejando para a Bella? Por favor, comentem!! Façam uma autora feliz! E assim vcs tbm me dão pistas se estão gostando da fic! Os comentários foram todos respondidos, então, podem conferir lá! Pra quem acompanha Don’t Know Why, eu sei que tbm preciso postar, não garanto, mas prometo dar o sangue pra postar até quarta-feira! Eu queria citar todas as meninas que comentaram aqui, mas o site do TB não está abrindo aqui, e estou mandando o capítulo para a Rapha postar. Prometo que faço um comentário especial agradecendo a todas, ok?