Dizem que encontrar o amor verdadeiro é como ganhar na loteria, ou seja, você precisa ter sorte. E se eu dependo da minha para encontrar meu príncipe encantado, então, estou com sérios problemas!
Alguns relacionamentos atrás...
Eu tinha apenas treze anos e estava vivendo a magia do primeiro amor. Isso é para ser uma descoberta maravilhosa, mas não para mim. Definitivamente não para mim.
Era meu aniversário e tinha recebido um bilhete do menino mais bonito da minha sala, o qual eu era a fim, muito a fim, diga-se de passagem, tão caída por ele, que resolvia todos os seus exercícios e fazia os seus trabalhos, mas não se importava nem um pouco.
Eram uma e trinta e eu o esperava no pátio da escola onde marcou comigo. Minhas mãos suavam bastante e sentia meu coração batendo a mil por hora. De repente, ele veio, mas não sozinho. Estava acompanhado de mais cinco meninos de nossa turma e atrás deles muitos outros estudantes. Eu o encarei sem entender nada, ele disse que ia presentear-me de uma forma inesquecível, então pensei que fosse me beijar, no entanto essa idéia sumiu assim que vi uma multidão se aglomerar ao redor da gente. Ele não iria fazer isso em público comigo, não é mesmo? E realmente não fez!
- Bella? E aí, tá a fim de ver o seu presente agora? – Os meninos perto dele deram várias risadinhas e pensei em dizer ‘esquece, deixa para lá’, porém ele não esperou minha resposta. E logo apontou para onde hasteavam a bandeira dos EUA e junto com ela pude ver algo rosa choque berrante preso a bandeira. Ainda não havia identificado o que era, mas ouvia muita gente rindo atrás de mim. Quando entendi do que se tratava, quase tive um enfarte, não acreditei, como ele pôde?
Era nada mais, nada menos do que o presente de minha avó Swan, que me dera uma calcinha rosa choque estilo calçola de neném com babadinhos atrás e escrito em crochê atrás ISABELLA em branco. Minha garganta ardia e sentia meus olhos arderem: claro sinal de quem iria chorar.
- Por que... – disse fungando – o que eu... fiz de mal a você, Christian?
- Bom, você é muito idiota, sabe? Isso me dá nos nervos! Achou mesmo que eu iria gostar de você?
Não consegui conter minhas lágrimas e saí correndo, como sempre muito atrapalhada, e acabei tropeçando e caindo de cara no asfalto, arrancando gargalhadas da minha platéia.
Passariam três anos para que eu deixasse outro garoto entrar na minha vida...
E ele era um dos zagueiros do time de futebol da minha escola. Chamava-se Thomas. Como eu consegui despertar o interesse de um carinha popular? Bom, tudo começou com ele de recuperação em biologia, e eu sendo escolhida pela professora para ser a monitora de nossa turma do primeiro semestre.
No início, confesso, foi meio estranho, não sabíamos direito como nos comportar, mas depois de dois meses de aulas particulares ele já se sentia mais a vontade e conversava bastante comigo. Até que certo dia me convidou pra sair, mas pedindo para guardar segredo sem que ninguém soubesse, e eu aceitei. A verdade é que havia me encantado com seus lindos olhos cor de caramelo depois de três aulas que havia dado a ele, mas não tinha nenhuma pretensão em ao menos tentar conquistá-lo.
Por isso fiquei tão surpresa com o convite. Foi nessa maravilhosa noite que dei meu primeiro beijo. Após três semanas saindo juntos, ele me pediu em namoro, eu nem acreditei. Demorou uns três minutos para que meu cérebro absorvesse a pergunta dele e respondi beijando-o ardentemente, no entanto ele continuou me dizendo que gostaria que preservássemos nossa relação dos outros e, por isso, na escola me ignorava na frente de todos. Eu achava estranho, mas procurava não pensar muito nisso.
Continuamos a manter nosso relacionamento secreto por certo tempo, só que resolvi fazer uma declaração para ele em público na decisão de um jogo importante para minha escola antes da partida. Tinha me preparado psicologicamente e tudo. Havia vestido uma blusa branca de alça e por cima vestia meu macacão jeans azul-marinho e feito um rabo-de-cavalo alto com meus cabelos. Não sei de onde tirei tanta coragem e fui até o local onde ficavam os comentaristas esportivos que narrariam o jogo. Pedi a eles para usar o microfone e eles não se opuseram, apenas ficaram surpresos com meu pedido já que eu era muito tímida.
Inspirei e expirei profundamente antes de tomar o microfone em minhas mãos e começar a falar:
-Bom, gen... - pausei novamente, pois estava tremendo de tão nervosa – gente, eu peço um minuto da atenção de vocês para homenagear uma pessoa muito especial para mim, que hoje, tenho certeza, terá uma atuação brilhante como tantas outras – nesse momento ouvi a exclamação sonora do publico que ouvia-me:
- OOOOOOOOOOOOOOHHHHHHHHHHHHH!
- É, sei, todos devem estar surpresos por saber que eu namoro um jogador da nossa escola, mas o amor não escolhe onde, quando e principalmente com quem vai acontecer, bom, continuando, mesmo que talvez meu maravilhoso namorado esteja na concentração, quero que saiba aqui na frente de toda essa platéia que eu amo você demais e gostaria que viesse até mim, por favor?
Acabei de falar isso e os refletores do pequeno campo de futebol iluminaram um casal do lado da arquibancada se agarrando com ferocidade, eram um jogador de futebol e uma cheerleader. A mão do craque levantava a saia da garota apertando sua bunda exibindo seu minúsculo fio-dental enquanto praticamente se engoliam. Não entendia muito bem o porquê de focalizarem o casal e muito menos a ausência de Thomas por não aparecer como havia pedido.
Pensando sobre isso, minhas indagações foram respondidas assim que o casal se separou, percebendo que eram observados por todos os presentes. Sorriram amarelo, e pude reconhecer o homem por quem havia acabado de me declarar.
Desci do lugar onde ficavam os narradores e me dirigi com fúria onde estava o casal pervertido. Cheguei perto e juro que pensei em me engalfinhar com aqueles dois ali mesmo. Mas em pouco tempo desisti da idéia, sabendo que a garota era bem mais alta que eu e meu namorado, ou melhor, ex-namorado, era cem vezes mais forte que eu. Por isso desviei deles dois e me dirigi ao estacionamento do local. Entrei em minha caminhonete e girei a chave, e não é a que porcaria resolveu não pegar justo quando mais precisava sair dali?
Baixei minha cabeça batendo no volante, me xingando em voz baixa:
- Idiota! Idiota é isso que sou! Não acredito que deixei me enganar, mas que droga! – e apesar de toda a situação constrangedora eu esperava fervorosamente que ele viesse atrás de mim como aconteciam nos filmes, ledo engano, ele não veio. Então esperei acalmar-me dos soluços e do choro para poder ligar para o guincho levar meu carro junto comigo, já que meus músculos não obedeciam ao meu comando nem para dar um passo. A porcaria do reboque demorou meia hora para chegar. Cara, eu tenho certeza que o universo conspira contra mim. Ai, que ódio!
Passaram-se duas semanas após o infeliz incidente. Estava em casa sozinha quando tocaram a campainha, provavelmente minha mãe que, pela milésima vez, esqueceu a chave. Fui abrir a porta sorrindo e falando:
- Ai, mãe, quando a senhora vai aprender a... – calei imediatamente quando vi quem estava frente da porta me encarando com o sorriso mais cínico do mundo na cara .– Posso saber o que você tá fazendo aqui?
- Vim ver a minha namorada, ué! Não posso? – falou o futuro cadáver, porque eu iria trucidar aquele cara-de-pau.
- ORA, SEU FILHO DA... – parei de falar, afinal de contas a mãe dele não tinha culpa do esterco que havia posto no mundo. - DESGRAÇADO DE UMA FIGA, COMO VOCÊ TEM CORAGEM DE MOSTRAR ESSE SEU FUCINHO DE CACHORRO NA FRENTE DA MINHA CASA?
- Calma, docinho, eu posso explicar – falou com a voz mais calma do mundo. Estava pedindo para morrer, né?
- NÃO ME CHAME DE DOCINHO! – explodi novamente com ele.
- Ai, Bella, para de drama! Você nunca ouviu dizer que os caras têm certas necessidades? Já que você estava fazendo jogo duro, tive que procurar em “outro lugar” – falou malicioso as duas palavras se referindo a... a... da garota a... bom, vocês entenderam! Caramba, que cara nojento! – Mas, sabe, acho que prefiro a s...
Nem deixei o idiota terminar a frase infame e bati com toda a força que tinha a porta na cara dele, escutando o sonoro:
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII! SUA DOIDA, QUER TIRAR MEU NARIZ FORA?!
- BEM FEITO! DA PRÓXIMA VEZ QUE VOCÊ APARECER NA MINHA PORTA, CORTO OUTRA COISA FORA. – Gritei de volta e, em seguida, ouvi pneus cantando saindo da minha rua. Soltei uma gargalhada amarga e prometi a mim mesma, como toda mulher faz após um término traumático, que nunca mais me apaixonaria!
Só que, infelizmente, no coração de uma mulher sempre cabe mais um palhaço! No último ano da escola me envolvi com Mike, um colega de classe muito tímido, bem diferente dos últimos rapazes com quem havia me relacionado. Eu estava imensamente feliz e até comentei com Kate, minha melhor amiga, que dessa vez tinha acertado na escolha de um namorado.
Na semana seguinte faríamos seis meses de namoro e estava determinada a entregar minha virtude a ele. Pedi ajuda a minha melhor amiga para preparar a grande noite, gastei além de minhas economias e até usei o cartão de crédito. Faltava apenas um dia para o dia “D”, e eu ainda não tinha conseguido falar com meu amor, porque era época de provas finais do primeiro semestre e estávamos perto das férias, então, nos comunicávamos mais por telefone.
- Poxa, fofuxa, não vai me dizer o que você preparou para a gente pelo nosso aniversário? – ele perguntava tristonho, mas com uma leve pontada de riso na voz.
- Ah, Mike, você já esperou quase a semana inteira, por que não pode esperar umas vinte e quatro horas a mais? – falei dengosa. Ele riu do outro lado da linha.
- Tá certo! Eu desisto! Até amanha à noite, então! – Essa eu não entendi, por que só de noite? Expressei meu pensamento para ele:
- Por que só de noite?
- É... que... bom... – Tá, agora fiquei confusa, ele parecia nervoso? Ou era apenas impressão minha? – Na verdade, tenho algumas coisas para resolver amanhã sobre a faculdade, sabe?
Toda essa hesitação só para falar isso? Decidi relevar, afinal, nada podia dar errado ou podia? Foi com esse pensamento que me despedi dele e fui tentar dormir, porque me sentia extremamente angustiada e não era pela minha decisão já tomada de dormir com ele, mas por outra coisa. Só não sabia dizer o que era e tinha muito medo de descobrir.
No dia seguinte continuava sentindo a estranha sensação e já me sentia bastante desconfortável, ele não havia ido para a aula. O que será que podia ter acontecido? Ele não me falou nada sobre faltar aula. Não que eu o ficasse cobrando para saber cada passo que ele dava, eu não era assim, mas Mike sempre teve o costume de me relatar absolutamente tudo o que se passava ou passaria no dia dele, por isso estranhei o sumiço. Resolvi, depois da aula, passar na casa dele para saber o que tinha ocorrido.
Fui andando até a residência dele, já que esta ficava apenas a um quarteirão do colégio. Parei em frente a casa dele e já me preparava para tocar a campainha quando ouço uma voz falar respirando com dificuldade:
- Já ... já vol.. to... me... espeeee... ra! – estranhei mais ainda quando o som da voz se aproximava, e a reconheci como a do meu namorado.
- Mas o que...? – perguntei baixinho para mim mesma e resolvi averiguar melhor, já muito desconfiada daquela situação. Então, com a ajuda da frondosa árvore junto a casa e a beirada do telhado de Mike, eu consegui alcançar a janela do quarto dele, me arrependendo em seguida da atitude que havia tomado. Por quê?
A cama de Mike ficava virada de frente para a janela, o que me fez ver por um ângulo totalmente inadequado a pior cena da minha vida. Digna de um filme pornô. Era grotesco! Uma decepção! Pois via o meu namorado com duas pernas femininas apoiadas em seu ombro, ou seja, eu conseguia ver o útero da mulher enquanto via os movimentos que Mike fazia nela e quando eu pensava que essa poderia ser a pior parte... eis que surge uma cabeleira loura apoiando-se nos cotovelos na cama, gritando:
- Yeah! Yeah! Yeah! – Era nada mais, nada menos que minha melhor amiga Kate! Não agüentei mais ver, aquele negócio me repugnava o estômago e, esquecendo totalmente onde eu estava, berrei para aqueles dois animais no cio:
- MAIS QUE PUTARIA É ESSA? AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA... – não pude terminar minha frase, pois me desequilibrei e caí estatelada na frente da casa dele. Cara, a má sorte do mundo se concentrava em mim, é a única explicação que encontro.
Eu não conseguia me mexer, sentia meu pescoço muito dolorido, e meu tornozelo direito latejava de dor, na certa havia torcido na queda. Depois de três minutos, a porta da casa do panaca se abriu e ele veio até mim só de bermuda com uma Kate abafando o riso com as duas mãos sobre a boca, com um vestido todo amarrotado.
- Bella, amor? Você tá bem? – perguntou preocupado.
- TÔ ÓTIMA, IMBECIL, NÃO TÁ VENDO, NÃO? RESOLVI DESCANSAR AQUI NA GRAMA EM FRENTE A SUA CASA ESPERANDO VOCÊ ACABAR DE TRANSAR COM AQUELA VADIA ALI! – berrei ironicamente para eles.
- Vadia não! – ouvi Kate dizer com raiva. Como ela ainda tinha coragem de se dirigir a mim? Bufei de ódio e falei para o Mike ajoelhado ao meu lado, observando se estava machucada.
- Será que dá para parar de bancar o médico e chamar logo uma ambulância? – falei entre dentes.
- Ah, claro! Kate, ligue para a emergência, rápido!
Depois de duas horas, eu já estava deitada na cama do hospital com o pé engessado, com meu pescoço imobilizado e ficaria em observação por dois dias por recomendação médica, quando ouço a porta se abrindo. Virei meu rosto para o lado direito, não querendo encarar aquele par de olhos azuis com lágrimas de crocodilo escorrendo pelo rosto.
- Bella? – me chamou, tocando em minha mão esquerda.
- Não encoste suas patas em mim! – falei baixo, com ódio.
- Olha, eu posso explicar, não é o que você ta pensan... – o cortei bruscamente.
- Nem ouse terminar essa frase, Mike Newton! – disse, olhando para ele – Eu sei exatamente o que vi, não subestime a minha inteligência, por favor, posso ser ingênua, mas burra é uma coisa que não sou.
- Me perdoa?! - falou se ajoelhando ao lado da cama.
- Mike, querido, me faz um favor? – pedi docemente.
- Claro – respondeu com os olhos brilhando.
- VAI PRA CASA DO C... - não completei a frase, pois a enfermeira entrou na sala e, por respeito a educação que minha mãe me deu, fiquei calada. Olhei para ela e disse: – Esse rapaz está me incomodando, você poderia, por favor, acompanhá-lo até a saída?
Ela me olhou com dó e fez um gesto para que ele saísse do quarto; na certa, já sabia que a filha do chefe de policia Swan e da professora Renne tinha sido traída novamente. Mal de cidade pequena é esse porque todo mundo te conhece e logo todo mundo fica sabendo de tudo que se passa em sua vida. Uma coisa altamente embaraçosa, no meu caso.
Depois de alguns meses, eu fui estudar em Yale com a promessa de não me apaixonar novamente, mas aí ele apareceu com seus modos gentis, amigo, divertido, tudo de bom que uma mulher pode querer. Não havia melhor palavra para descrevê-lo senão PERFEIÇÃO!
E lá estava eu perdida de amor pelo rapaz que havia se tornado meu melhor amigo, só que tinha um agravante. Não, ele não era galinha, aliás, se mostrava indiferente a todas as mulheres e esse era o problema. Ele não gostava de mulheres!
Eu nunca teria uma chance, nunca! Mas agora eu tô aqui dentro desse táxi, tentando me lembrar do que aconteceu ontem entre a gente, talvez meu cérebro bloqueasse essas lembranças para que eu não sofresse tanto relembrando, mas eu nunca, nunca em cinco anos poderia imaginar que dormiria com ele. Com o único homem que fez meu coração bater com a velocidade das asas de um colibri. Como seria o nosso relacionamento depois dessa noite? Como eu agiria com ele? Como ele agiria comigo?
FOI UM ERRO!
1. Como tudo começou...
POV’s Ed
Cinco anos atrás...
- Ed, abre a porta, quero falar com você! – Com tantas meninas bacanas no mundo por que será que eu tinha de ser agraciado com a coisa pequena mais irritante de todo o universo?
- Alice, vai ver se eu tô em Plutão! – Eram duas horas da manhã e ela não me deixava dormir.
- Ai, Edward, deixa de ser chato e abre logo, vai? – falou a vozinha de sino do outro lado da porta. Muito contrariado, levantei, girei a chave da porta e voltei, me deitando de bruços na cama, olhando para o lado oposto da porta. Senti-a subindo em minha cama e se deitando ao meu lado. Ela sempre fizera isso comigo quando estava ansiosa com alguma coisa.
- Ed, como você acha que vai ser daqui para frente? Como será que vai ser nossa vida em Yale? Você acha que... – a interrompi do provável interrogatório que viria.
- Eu não sei nem o que eu vou comer no café da manhã, perua, portanto, se você quer saber do seu futuro, procure uma vidente! – ela ficou calada por um tempo, eu sorri vitorioso e quando estava cochilando...
- Ed, você acha que vai ter muito cara gostoso lá? – dessa vez eu me virei pra encará-la com um sorriso malicioso e falei:
- É claro, queridinha, por que você acha que escolhi essa faculdade? – perguntei, arqueando uma sobrancelha – Só tem bofe escândalo lá.
- Ai, Edward, você não presta! – ela falou, dando uma risada. De repente, minha porta se abriu e a loura mais estonteante que conheço adentrou no quarto.
- Será que eu também posso participar da convenção das irmãs Cullen? – disse, sorrindo em seu baby-doll vermelho. Essa minha irmã mais velha sempre querendo ser sexy!
Rosalie é linda, puxou mais ao meu pai, na aparência, é claro, porque o gênio é da minha mãe. Já minha adorável tampinha, diga-se de passagem que ela detesta que eu a chame assim, puxou mais a mamãe na aparência, mas a personalidade é uma mistura de inteligência e sagacidade de Carlisle Cullen e a persuasão de Esme Masen. Eu sou o único filho homem e na aparência sou uma mistura dos dois, mas na personalidade herdei o gênio de minha mãe e o jeito gentil de meu pai, fora algumas outras características que prefiro não comentar.
- Claro que sim, gostosa, vem cá - falei, levantando o cobertor para ela deitar-se do meu lado. Assim ficou Alice de um lado e ela do outro.
- E aí, sobre o que vocês tanto fofocavam? – perguntou curiosa.
- Sobre o quanto nosso querido irmão é descarado – falou Alice segurando uma gargalhada.
- Ora, sua tampinha, não fui eu que comecei com “Ed, você acha que vai ter muito cara gostoso lá?” – imitei a voz dela na pergunta. Logo, ela respondeu, também me imitando:
- “É claro, queridinha, por que você acha que escolhi essa faculdade? Só tem bofe escândalo lá.”
- Ai, vocês dois! – Rosalie falou revirando os olhos - São da mesma laia, isso sim.
- Laia essa que é a senhora também faz parte, né? – falei e nós três rimos. – Okay, okay, agora já chega, peruas, ou vocês querem que nós apareçamos na frente dos gatos com olheiras horrorosas? – desmunhequei total, elas eram as únicas da família que sabiam de minha opção sexual, com elas eu podia ser eu mesmo.
- Tem razão, maninho – Ali falou e começou a se agasalhar debaixo do edredom, sendo imitada por Rose.
- O que é isso? – perguntei, apontando com as mãos para as duas.
- Nós... vamos... dormir – a loura respondeu pausadamente como se tivesse falando com uma criança.
- Percebi, querida irmã – enfatizei a palavra ironicamente. – Quero saber o porquê de vocês estarem ainda aqui no meu quarto se enrolando no meu cobertor. O que os rapazes de Yale irão pensar se souberem que eu divido a minha cama com duas peruas seminuas? No mínimo minha reputação ficará manchada para sem... – não pude terminar minha frase porque fui atingindo pelas duas loucas com travesseiradas. Conclusão: acabamos dormindo os três espalhados pela cama cobertos de penas de gansos dos travesseiros.
POV’s Bella
Acordei com mamãe batendo à minha porta:
- Filha, você vai se atrasar! Tanya ligou dizendo que já estava vindo te buscar.
- Tudo bem, mãe, já tô levantando! – respondi, ainda enrolada no edredom. Fiquei deitada por mais alguns minutos, mas aí outra voz falou de lado de fora do quarto:
- Bella, você tá pronta? Já cheguei! – Mas que merda, não foram só alguns minutinhos que dormi, foi uma hora, constatei ao olhar o relógio em cima do criado mudo. Levantei da cama em um pulo, abrindo a porta e falando para minha prima:
- Tô quase! – falei, correndo para o banheiro. Tanya apenas balançou a cabeça em sinal de negação e riu, descendo as escadas. Tomei banho e lavei o cabelo com meu shampoo de morango preferido. Saí do banheiro e fui direto para o quarto, me meti dentro de uma calça jeans que minha prima havia me presenteado uma blusa branca com decote em U e prensada na cintura, um casaco marrom e meu tênis preto com detalhes em branco. Pronto, agora eu estava pronta! Pronta para começar uma nova etapa da minha vida e deixar todas as humilhações que passei em Forks para trás.
Desci as escadas e todos já me esperavam. Minha mãe já estava chorando e meu pai engolia a seco todo momento para evitar fazer o mesmo que ela.
- Filha, nem acredito, querida, como o tempo passa rápido, ainda me lembro do dia que segurei sua mãozinha para levá-la ao primeiro dia de aula.
- Ai, mãe, vou sentir tanto a sua falta – falei com a voz embargada, enquanto a puxava para um abraço.
- Me desculpe, querida – disse fungando. – Não consigo evitar.
- Pare com isso, meu bem, você quer que Bella saia triste daqui? – falava meu pai com uma voz trêmula.
- Ai, pai, também vou sentir saudades suas – falei, indo em direção a ele para abraçá-lo.
- É melhor nós irmos, ainda vamos pegar a estrada, Bella – tia Carmen falou. Ela é meia irmã de Renne por parte de pai, vovô se casou com minha avó depois de ter perdido sua primeira esposa num acidente de carro, deixando sua filhinha com apenas quatro anos órfã de mãe. Essa foi criada com muito amor pela minha avó.
Ela formou-se em Harvard em medicina e casou-se com Eleazar Denali, único herdeiro da fortuna de uma rede de hotéis. Minha tia, assim que soube de minha admissão em Yale, prontificou-se para pagar meus estudos, negando-se a aceitar qualquer reembolso de meus pais, dizendo a eles que era meu presente de dezoito anos.
Meus tios moram em Nova York e vieram passar um tempo em Forks. Então, ficou combinado que me levariam para lá junto com eles no início do ano para que eu e minha prima fôssemos para New Haven juntas.
- Sim, é melhor vocês irem logo – falava meu pai, separando-se de mim. Todos se despediram uns dos outros e pegamos a estrada para Port Angeles, onde pegaríamos um pequeno avião para Seattle e de lá iríamos para Nova York.
Já em nossa última viagem de vôo, eu olhava embasbacada para as luzes da cidade sob nós. Chegamos numa das cidades mais movimentadas do mundo de noite, foi um dia bastante cansativo e eu dormiria num dos quartos do hotel em que meu tio era dono e que eles moravam. Quando descemos da limusine que havia ido nos buscar, quase caí para trás ao ver o tamanho do hotel - era simplesmente lindo.
Logo um rapaz veio até nós para pegar as malas e nós nos encaminhamos para o hall do hotel, passando direto para o elevador. Eu admirava o local, encantada, era um sonho, tão diferente da minha vida em Forks. Subimos para o último andar e minha tia me acompanhou até o quarto onde eu ficaria. E nossa em toda minha vida nunca pensei que dormiria num lugar assim.
Eu estava tão cansada que apenas tomei um banho e me joguei na confortável cama, pois amanhã Tanya e eu iríamos para New Haven fazer nossa matrícula cinco dias antes de começarem as aulas e também seria tempo suficiente para nos instalar nos dormitórios. Foi com esses pensamentos que acabei caindo no sono.
POV’s Ed
No outro dia, após a bagunça...
- EDWARD ANTHONY, MARY ALICE E ROSALIE LILIAN MASEN CULLEN, ALGUÉM PODE ME DIZER O QUE ACONTECEU AQUI? – levantei a cabeça da cama e mamãe estava na porta do meu quarto de braços cruzados, matando a todos nós com seu olhar furioso.
Sorrimos sem graça para ela, que continuava com uma cara nada boa.
- É... nós temos uma boa explicação para isso, acredite – Alice falou.
- É, mãe... nós temos – confirmou Rose.
Minhas irmãs entreolharam-se e eu sabia que ia sobrar para mim, como sempre ser o bendito-fruto no meio das Cullen pode causar muitos problemas, então, elas falaram juntas:
- O EDWARD VAI TE EXPLICAR!
- Acontece que o Edward – mamãe mudou o tom de voz que estava usando e eu sabia que isso não significava coisa boa, pois, na certa, viria uma explosão – NÃO FARIA ESSA BAGUNÇA SOZINHO! – tive de me esforçar bastante para não soltar uma risada da expressão de medo delas.
Depois de ouvirmos o sermão de mamãe que nós não tínhamos mais quatro anos de idade pra ter esse tipo de comportamento, ela nos mandou arrumar as malas, pois finalmente iríamos para Yale. O nosso último dia em Nova Yorque passou assim: cada um arrumando o que iria levar para o nosso novo lar.
No dia seguinte acordamos cedo, tomamos café, nos despedimos de nossos pais e cada um pegou o seu respectivo carro que papai havia nos dado de presente: eu no meu volvo prata, Rose em sua BMW M3 conversível vermelha, Ali em seu Porshe amarelo, e nos dirigimos para New Haven.
Íamos pela estrada fazendo conferência através do celular, falando das expectativas que tínhamos em relação à faculdade e, claro, aos homens. Adooooooooooro!
POV’s Bella
Fui acordada por uma Tanya pulando em cima da minha cama super animada e não tive como não me contagiar e começar a pular com ela. Tomei meu banho, me arrumei e descemos para tomar café junto com meus tios no restaurante do hotel. Despedimos-nos deles e saímos para pegar a estrada com o mais novo carro da coleção de Tanya, um jaguar cinza.
- E aí, Bella, pronta para abalar as estruturas de Yale? – ela perguntou, sorrindo maliciosamente.
- Acho que sim – respondi insegura.
- Então vamos lá – ela disse, arrancando com o carro.
Chegamos lá, graças ao meu anjo protetor, vivas, por volta do começo da tarde. E como tudo que eu via desde o dia anterior a universidade onde estudaria era maravilhosa, esplendida.
- Achei a mesma coisa quando vim visitá-la com mamãe a primeira vez – Tanya falou, estacionando o carro na entrada. – Bella, não posso ficar aqui na frente muito tempo, então, enquanto procuro uma vaga pra estacionar, você entra e procura onde você deve efetuar sua matrícula, tudo bem?
- Okay.
- Qualquer coisa, me liga. – Assenti e ela saiu com o carro. Puxei minha mochila um pouco mais para cima do ombro e já me preparava para entrar. Respirei profundamente.
Entrei no campus e, como em um filme, o vi saindo de seu carro em câmera lenta. Comecei a andar distraída sem olhar pra frente. Quando o olhar dele se encontrou com o meu, o ouvi falar alto:
- CUIDADO! – não entendi o que ele quis dizer até tudo ficar escuro.
POV’s Ed
Cheguei antes das meninas e, quando ia saindo do carro, olhei para frente, tirando meus óculos escuros. Avistei uma garota vestindo uma calça de marca maravilhosa, mas uma blusa de muito mau gosto. Ela nunca ouviu falar de moda, na certa, que blusa brega era aquela? Quando levantei o olhar para fitá-la em seu rosto, vi que ela me encarava sem olhar para frente com a boca meio entreaberta como se tivesse surpresa. Mais uma deslumbrada. Eu mereço! E ela continuava andando sem prestar atenção, percebi que ia de encontro a um poste e ainda gritei:
- CUIDADO! – mas já era tarde, ela havia trombado e caindo desacordada. Fui ao encontro da desastrada, afinal de contas, eu, não intencionalmente, tinha provocado aquilo. Cheguei perto e me abaixei perto dela, tirando a sua cabeça do chão e a apoiando em minha perna. Ela era muuuuuuuuuuito pálida, mas as bochechas estavam extremamente vermelhas. Dei umas batidinhas de leve no rosto dela a fim de acordá-la e nada.
Nesse instante Rose e Ali passavam pelo portão andando até mim. Olharam assustadas a cena que viram e a baixinha questionou:
- Ed, o que houve?
- Ela estava andando distraída e bateu num poste.
- Que pateta! – a loura falou com desdém.
- Rose! – eu e Ali a repreendemos juntos.
- Que foi? Só disse a verdade – falou dando de ombros. De repente, a menina começou a remexer a cabeça em minha perna, me aproximei mais de seu rosto.
POV’s Bella
- Você tá bem? – perguntou a voz mais linda e sexy que já escutei em toda minha vida.
Sorri feito uma idiota, fiquei zarolha e tudo escureceu novamente.
2. Anjo Tentação
POV’s Ed
- Acho que você acaba de ganhar uma nova fã, Edward! – disse Rosalie, dando um sorrisinho malicioso.
- Loura, se não irá falar nada construtivo, faça a gentileza de manter a matraca fechada, sim? – falei sarcasticamente, dando um sorriso forçado para ela e provocando uma risada em Alice. – Vou levá-la até a enfermaria. – Tirei a mochila dela, entregando-a a baixinha e peguei a menina desacordada em meus braços, afinal, as horas gastas com a academia trabalhando os músculos, não serviam apenas para encantar os bofes. E ela era leve como uma pluma.
- Nossa! Quão prestativo está o nosso maninho hoje, Ali, percebeu? – Somente revirei os olhos para Rose, levantando do chão carregando a garota que, por sinal, tinha um cheiro delicioso que emanava de suas madeixas castanhas. Será que eu daria muita pinta se perguntasse qual era o shampoo que ela usava? Deixaria para pensar nisso depois, concentra, Ed!
Entramos pela porta principal do prédio e todas as atenções voltaram-se para nós. Merda! Mas que bela primeira impressão os gostosos de Yale teriam sobre minha pessoa, carregando uma perua. Começamos mal, Edward! Pensei frustrado.
Uma mulher de aparência de vinte e sete anos vestida elegante aproximou-se de mim e de minhas irmãs com um semblante preocupado:
- O que aconteceu com ela?
- Ela estava andando distraída e bateu a testa num poste - falei a verdade e a mulher me olhou desconfiada. Quê? Como assim, cara? O que ela estava pensando? Ela realmente achava que apaguei a fulana para carregá-la no colo? Faça-me o favor, né? Eu tinha cara de quê? Tarado?! Eu até aceitaria a hipótese, se fosse eu o carregado por algum Apólo de Yale e não nessa situação.
- E onde você a está levando? – questionou, suspeitando de mim. Cara, essa mocréia tá me tirando do sério, fato. Mas, dessa vez, não fui eu que respondi, Alice, com certeza, percebeu o olhar de ódio que havia lançado para a mulher, e tratou de tentar apaziguar a situação:
- Nós estávamos indo perguntar a alguém onde ficava a enfermaria, a senhora sabe nos informar? – terminou, fazendo carinha de anjo, quem vê pela primeira vez até acredita e não foi diferente com a sujeita a nossa frente que abriu um sorriso para minha irmã.
- Sim, querida, por favor, me sigam.
Nós andamos por uns três corredores virando ora a direita, ora a esquerda, até pararmos em frente a uma porta que a mocréia, digo, baranga, quer dizer, a senhorita desconhecida abriu para nós entrarmos. Era uma sala com três camas, algumas cadeiras, uma mesa com uma enfermeira sentada atrás e um armário onde eram guardados remédios e outras coisas de primeiros socorros.
Quando a enfermeira me viu, apontou para uma das camas. Coloquei a menina deitada nela e me afastei para a enfermeira examiná-la. Sentiu primeiro sua pulsação no braço e depois pegou um aparelho medindo a pressão. Virou-se para nós e falou:
- Aparentemente nada fora do normal, pegarei um pouco de éter para acordá-la. – Abriu o armário e procurou dentro dele a substância, mas não a achou. – Aqui não tem, irei até a outra enfermaria para pegar um pouco de gelo, ela vai precisar. – Saiu pela porta e ficamos eu, minhas irmãs e a dita cuja da mulher olhando um para a cara do outro. Quem rompeu o silencio foi minha irmã mais velha:
- Bom, já que está tudo bem, vou procurar onde devo efetuar minha matrícula. Depois encontro vocês. – Acenou com cabeça para mulher que havia nos ajudado e saiu da sala. Sentei numa das cadeiras acompanhado de Alice e a mulher virou-se para nós dois com uma expressão amistosa, não gostei da mudança repentina de atitude, minha intuição me avisava que aquela mulher iria me causar problemas.
- Desculpem, ainda não me apresentei, sou Charlotte Preston, coordenadora do curso de direito. – Mas que falta de sorte a minha, a bruaca era nada mais, nada menos que a pessoa responsável pelo curso que eu tinha escolhido fazer.
- Prazer, Senhora Preston, eu sou Alice Cullen e este é meu irmão Edward. A que saiu é nossa irmã Rosalie – falou a tampinha amigavelmente apontando para mim.
- Oh, Cullen? – interrogou surpresa.
- Sim, Cullen. - Confirmou Ali.
- Então vocês são filhos do renomado cirurgião Carlisle Cullen?
- Sim somos. - respondeu a baixinha.
- É um prazer conhecê- los. – O que o nome de peso não faz, né? Falou, apertando a mão de Alice e finalizou segurando a minha. – Podem me chamar de Charlotte – disse, piscando o olho para mim. Peraí... piscando o olho para mim? Que negócio é esse? Hum, hum não gostei. Puxei minha mão de volta empregando um pouco de força para que ela soltasse, foi, então, depois desse desagradável episódio, que ouvimos um gemido vindo da cama.
POV’s Bella
- Hum...Ai! – resmunguei sentindo minha cabeça latejar. O que aconteceu, hein? Parece que me acertaram uma tijolada na cabeça e minha teoria se firmou quando passei a mão pela testa e senti um galo enorme. Forcei minha mente a se lembrar do que ocorrera, afinal, só me lembro de estar andando até que vi... Não concluí meu pensamento, pois ouvir uma voz próxima perguntar-me:
- Oi, sente-se bem? – forcei meus olhos a se abrirem lentamente e vi duas pedras preciosas brilhantes observando-me, dentro de olhos adornado com longos cílios, um nariz esculpido reto e afilado, um maxilar em formato retangular, uma boca de linhas delineadas perfeitamente preenchida com lábios vermelhos e carnudos com dentes brancos numa fileira perfeita. Perdi-me apreciando aquela visão digna de uma escultura de Michelangelo. Se beleza fosse uma pessoa, ela, com certeza, estaria personificada ali na minha frente.
- Acordou? – perguntou uma voz feminina suave. Surgindo por trás da figura masculina ficando ao seu lado, uma garota linda, baixinha, magrinha, com cabelos curtos em um Chanel rebelde, mas que se adequava ao formato do rosto delicado oval.
- Sim. – Respondeu ele, virando a cabeça para olhá-la. Seria ela namorada dele? De repente um sentimento de tristeza me assolou. Virei meu rosto para o outro lado a fim de esconder minha expressão de decepção. O que tá acontecendo comigo? Meu pensamento dispersou-se ao olhar ao redor, eu estava, ao que parecia, numa enfermaria. Que beleza! Primeiro dia e já vindo parar em meio a curativos e remédios. Bem típico de mim.
Sentei na cama sentindo minha cabeça pesar e soltei um gemido de dor novamente:
- Ai!
- Tá doendo muito? – preocupou-se ele. Sorri bobamente, mordendo os lábios em seguida. Minha curiosidade aguçou-se e quis saber como havia ido parar ali.
- É... foi ... como... aqui... cheguei? – tava difícil formular uma frase coerente encarando os olhos verdes dele.
- Como? – perguntou confuso sorrindo. PÁRA TUDO, MEU PAI DO CÉU! QUE SORRISO ERA AQUELE?! Comecei a hiperventilar, inspirando e expirando rápido tentando, em vão, controlar minha respiração. Ouvi um risinho abafado e vi a moça ao lado dele com a mão na boca rindo, então, ela respondeu a ele:
- Acho que ela quer saber como chegou aqui, não é? – afirmei, acenando com a cabeça e ela continou: – Meu irmão te carregou até aqui. – Uma felicidade súbita encheu meu peito ao ouvi-la chamá-lo de irmão - eles não eram namorados, enfim, mas logo após a descrença me tomou.
- Como é que é?! Ele o quê? – não perguntei com raiva, apenas estava incrédula, só na possibilidade de ter estado envolta em seus braços fez meu sangue subir para as bochechas.
- Desculpe, é que você tinha se machucado, então achei melhor trazê-la para cá. – Explicou-se, culpado, com as mãos enfiadas no bolso encolhendo os ombros. Desde quando ser segurada nos braços de um anjo tentação daqueles era uma ofensa? Nunca! Eu queria mais era ser jogada na parede por ele e ser chamada de lagartixa. Senti meu sangue ferver sob minha pele com aquele pensamento. Foco, Isabella, você está se tornando uma pervertida. Minha mente me acusava como um dedo em riste para o meu nariz.
- É... obri... obrig... obrigada. – Ainda estava em choque por ter sido carregada por ele. A baixinha novamente abafou um riso ao me olhar. Olhei em volta da sala e uma outra moça se encontrava atrás dele assistindo a tudo.
- Bem, vejo que já está melhor – disse, chegando mais perto de onde eu estava sentada. – Então, o que foi que a distraiu para que batesse a cabeça em um poste? – inquiriu a mulher em roupas finas. Num átimo minha memória me trouxe a lembrança e eu corei mais ainda. Ele era o motivo da minha distração, mas não falaria isso em voz alta nem sob tortura, decidi mentir, então, e esperar com todas as forças que fosse convincente.
- Eu não me lembro direito.
- Sei. – Ela não se convenceu, mas aceitou minha resposta. – Então, diga-nos, quem é a senhorita?
- Sou Isabella Swan, mas prefiro ser chamada de Bella. – Terminei a frase com um sorriso tímido olhando para ela.
- Muito bem, senhorita Bella, sou Charlotte Preston, coordenadora do curso de direito – falou séria, me olhando com certo desdém. Perfeito! Mal cheguei e já ganhei a antipatia da coordenadora do meu curso de graça.
- Ah, eu sou Alice Cullen, para os íntimos, Ali – se apresentou animadamente e apontou para o homem mais lindo de toda a via láctea ao seu lado: –, e o cavaleiro andante que a trouxe até aqui é Edward Cullen, vulgo Ed para os mais chegados. – Concluiu, dando uma risadinha, ele apenas revirou os olhos para ela, e eu me vi novamente sorrindo idiotamente para sua atitude. Ele estendeu-me a mão, dizendo:
- Prazer, Bella. – Adorei a forma como os lábios dele pronunciaram meu nome e a voz aveludada ecoou os meus ouvidos. Fiquei tão absorta em meus pensamentos que o deixei de mão estendida, ele ia recolhendo a mão quando no ato desesperado puxei-a para apertá-la.
POV’s Ed
- O prazer é meu, Edward. – Confesso que fiquei assustado quando ela repentinamente puxou minha mão. Até me perguntei se ela era meio maluquinha. Agia de forma estranha às vezes, seus olhos pareciam perder o foco e ela sorria abertamente. Talvez Rose tivesse razão. Talvez eu tivesse conquistado sem querer mais uma perua que se arrastaria a meus pés e tentaria se jogar em cima de mim. Era extremamente desagradável quando esse tipo de coisa acontecia, será que a gente não podia mais ser gay em paz nesse mundo, sem um monte de loucas querendo nos fazer tentar na marra mudar de opinião? Ela soltou minha mão e a esticou para minha irmã.
- Prazer, Alice. – Cumprimentaram-se e depois soltaram- se. Ouvimos a porta se abrir e por ela entrou a enfermeira, que sorriu simpática e comentou:
- Vejo que já se acordou! Deve estar doendo, não é mesmo? – Bella assentiu e ela lhe entregou uma bolsa térmica com gelo, dizendo: – Ponha isso na sua testa para anestesiar um pouco a dor e depois passaremos um gel, mas, antes de tudo, tome esse analgésico. – Pôs na mão dela um comprimido e colocou um pouco de água num copo de uma jarra que havia trazido junto a bolsa térmica e o frasquinho pequeno que eu julgava ser o éter que havia ido buscar, mas que não seria mais necessário, dando-o para Bella.
Ela logo virou a água junto ao remédio que colocara na boca, devolveu o copo a enfermeira, agradecendo:
- Obrigada. – Pegou a bolsa térmica e encostou a testa. Encarou a nós sorrindo sem jeito, dizendo: – Não precisam mais ficar, eu já estou bem, obrigada por tudo.
- Está nos expulsando? – falou Alice, fingindo-se ofendida com a mão sobre o coração. Aquela anã de jardim era podre, sabia exatamente como fazer uma pessoa se sentir culpada, eu mesmo já havia caído na teia daquela aranhinha persuasiva diversas vezes até saber reconhecer suas estratégias calculistas, e ainda assim, vez ou outra, a pequena conseguia me enrolar. Sabia que ela estava brincando, mas Bella não. E, como previra, caiu na farsa da pentelha.
- Não... não... está enganada... eu só... quis dizer que... bem... é – enrolou-se toda tentando justificar-se e eu achei engraçado, tinha as bochechas coradas, olhava para qualquer lugar que não fosse os olhos de alguém e piscava rapidamente. Vendo que ela não conseguia articular de forma coesa, decidi interferir:
- Ela tá brincando, Bella! – assim que a desmascarei, o ser pequeno mais sacana de todo universo soltou uma gargalhada, fazendo Bella sorrir amarelo.
- É, bobinha, e você caiu direitinho – disse a mais nova Cullen, se divertindo. Como alguém podia pegar intimidade tão fácil com as pessoas? A resposta era óbvia. A cara-de-pau da minha irmã era grande.
- Mas, mesmo assim, ela tem razão – intrometeu-se a tal da Preston. – Vocês devem ir se matricular logo, não ficar aqui esperando, já que ela já se sente bem ou pegarão uma fila enorme, você não acha, Edward? – Okay, retiro o que disse, acabo de encontrar uma nova resposta para a pergunta anterior.
- Na verdade, eu tô sem pressa. - Olhei para ela dando meu característico sorriso irônico, é claro que minha irmã sabia que eu não havia gostado da forma “simpática demais” que a baranga adotara comigo e nem do modo antipático que havia tratado a Bella. Odeio quando as pessoas tratam mal outras de graça, sem ter nenhum motivo aparente. – Mas, se você quiser ir embora, fique a vontade.
Infelizmente minha tática de sorrir ironicamente e responder com a voz macia, mas ríspida, surtiu o efeito contrário: Charlotte me olhava abobalhada. Revirei os olhos em sinal de impaciência e fitei minha irmã. Ela, já prevendo que eu terminaria explodindo, com aquela mulher, falou:
- É, senhora Preston?
- Charlotte, querida. – Respondeu, sorrindo para minha irmã.
- Tudo bem Charlotte, você poderia me ajudar a encontrar aonde é o local que estão sendo feitas as matriculas para o curso de moda?
- Claro que sim, e você, Edward, não virá conosco? – é uma merda quando você tenta ser educado e a pessoa já leva para um outro lado.
- Não, eu ficarei aqui com Bella.
- Olha não precisa se preocu... – argumentava Bella. Vir-me-ei para ela sorrindo e falei:
- Eu faço questão! – foi cômico ver a expressão surpresa da tal mulher que antes de sair, olhou carrancuda para a Swan avisando- a:
- Tudo bem, então, nos veremos de novo, Isabella. – A frase soou para mim como uma ameaça, mas que diabos estava acontecendo aqui? Fiquei totalmente confuso com aquela situação, mas minha ficha caiu instantaneamente ao notar o olhar maléfico da mulher para a menina. Mais uma para tentar me fazer mudar de opção sexual, aff! Alice me olhou com cara de riso também, compreendendo a situação e saiu porta afora.
POV’s Bella
OMG! Como assim? Era impressão minha ou tinha acabado de ser ameaçada pela minha futura coordenadora? Tava lascada! Mas, mesmo que eu estivesse na merda, estava feliz. Não sei qual o milagre que acontecera para ele continuar ali comigo e, sinceramente falando, não me importava muito. CARACA! ELE PREFERIU FICAR! Chega, Isabella! Tá doida? Um cara desses nunca poria os olhos em você.
Soltei um suspiro de frustração e meu braço protestou por ficar com a mão suspensa tanto tempo segurando a compressa em minha testa. Troquei de braço e continuei segurando a bolsa térmica, a verdade é que durante aquelas conversas eu já tinha feito revezamento entre as mãos e já estava com os dois doendo. Não sei se o suspiro ou o fato de ter feito uma expressão desconfortável devido a posição fez ele se aproximar de ficando de frente para mim e perguntando:
- Posso segurar para você? – Lindo, educado, gentil e a cada minuto que se passava eu achava mais e mais adjetivos para Edward Cullen. O quê? Não! Não pode ter acontecido? Não de novo. Será que eu sou tão tapada que nunca aprendo nada? Eu havia me encantado com aqueles belos olhos verdes desde a primeira vez que o vi tirando os óculos escuros saindo do carro. Droga, perigo a vista, eu tinha que ficar longe dele ou correria o sério risco de me apaixonar. Ele tirou-me dos devaneios chamando meu nome: – Bella? Posso segurar para você? – repetiu a pergunta pondo a mão sobre a minha e...
Wow! A estática do ambiente me deu um choque sinistro como se houvesse colocado a mão em uma tomada de milhões de volts. Estremeci e pedi em uma prece que ele não tivesse percebido nada. Mera ilusão! Ao levantar o olhar e fitá-lo ele encarava-me confuso com a mão ainda por cima da minha. E tive de morder a língua para segurar uma pergunta que não queria calar.
Você sentiu o mesmo?
3. Matrículas e Apresentações
POV’s Ed
Depois de a bruxa ter ido embora, eu continuei na enfermaria com a Bella, como tinha dito. Voltei minha atenção para ela quando a ouvi suspirar e fazer uma expressão estranha, na certa estava cansada de segurar a compressa na testa e me ofereci para ajudar.
- Posso segurar para você? – Ela parecia distante dali de cabeça baixa, chamei-a e repeti a pergunta: – Bella? Posso segurar para você? – pus a minha mão sobre a dela e algo estranho aconteceu.
Uma descarga elétrica fez um arrepio percorrer toda minha coluna vertebral e os pêlos da minha nuca se eriçar, vi Bella estremecer. Okay, santo protetor das purpurinadas, que coisa esquisita foi essa? Fiquei totalmente em estado de choque, olhava para minha mão sobre a dela tentando entender o que se passava ali.
Ela levantou a cabeça para me olhar e tinha as bochechas muito rosadas, mordendo fortemente o lábio inferior. Percebendo isso, eu retirei minha mão imediatamente, não queria passar a impressão errada para ela de que estava rolando alguma coisa. Afinal de contas, sou uma biba com princípios fortemente enraizados. E confesso que fui até um pouco ríspido.
- Bom, acho que já tá tudo bem por aqui, vou indo.
- Eu também – disse isso e pulou da maca, agradecendo a enfermeira. – Muito obrigada, eu passo o gel uma outra hora. – Pegou a mochila em cima de uma das cadeiras e pôs sobre o ombro. Assim, saímos juntos da sala e um silêncio constrangedor ficou no ar, então tentei quebrar aquele climinha que se instalou:
- Então... acho que você deve prestar mais atenção por onde anda.
- É, com certeza eu vou seguir seu conselho, agora eu tenho que achar onde devo fazer minha matricula.
- Qual é o curso? – perguntei, para não deixar o assunto morrer.
- Direito. – Mas a resposta dela me surpreendeu.
- Não diga?! – Por um momento me esqueci onde estava e com quem estava e desmunhequei minha mão. MERDA! Dei pinta e não sei se ela é de confiança. Será que ela percebeu?
POV’s Bella
Estranho?! O que eu vi foi o que eu vi realmente? Quer dizer a minha imaginação pode ter inventado, não é? Porque se o que eu vi aconteceu, então... okay, tá começando a ficar confuso melhor, deixar para lá... Meu celular vibrou dentro da bolsa e procurei-o para atender.
- Oi?
- Bella, onde você ta? Tô te procurando há um tempão e já até fiz minha matrícula!
- É que eu estava na enfermaria. – Respondi sem jeito.
- Mas já? – A pergunta tinha um tom de divertimento, mas logo deu lugar à preocupação: – O que houve? Você se machucou muito? Fala, Bella, tô ficando nervosa já!
- Calma, Tanya não foi nada, só ganhei um galo na minha testa, mas tá tudo bem, nada para se preocupar.
- Eu posso saber o que você fez pra conseguir esse galo na testa?
- Eu... é... te... te conto depois. – Comecei a gaguejar, lógico que eu não ia contar para ela no momento, né? Até porque o motivo de meu pequeno incidente estava ali parado a menos de um metro na minha frente, de costas dando-me privacidade para falar ao telefone.
- Tudo bem, então, já fez sua matricula?
- Tô indo fazer agora.
- Te encontro lá?
- Sim, mas ainda não sei onde é.
- Tá, você tá em qual enfermaria?
- Não sei dizer, espera aí. – Botei a mão no telefone e o chamei: – Edward?
- Sim? – ele se virou e parei de respirar um momento. Droga, quando vou me acostumar com essa visão? Já sei: nunca!
- É... que... é... bom... sabe... – Até esqueci da pergunta que ia fazer.
- Sim, Bella, pode falar. – Não sorri desse jeito, rapaz, vou enfartar, tenho certeza.
- Onde... é que... é a enfermaria onde? – ele me fitou confuso e ergueu a sobrancelha. Tá, é agora que me junto aos meus avós no céu. Ele apontou para a porta atrás de mim por onde havíamos saído e abriu mais um sorriso, beleza, ele deve me achar uma idiota. – Desculpa, eu me confundi, quero dizer, onde é que estamos agora?
- Ala norte.
- Obrigada.
POV’s Ed
Ela voltou a falar no telefone e eu me virei novamente para lhe dar privacidade, depois de um minuto ela desligou e me chamou.
- Edward?
- Oi?
- Eu vou indo, tenho de efetuar minha matricula.
- Eu vou com você. – Ela me olhou de olhos arregalados e boca aberta em um O. Ué, será que eu falei alguma besteira? Não, não falei nada demais não. Só disse que ia com ela! Hein?! Ah, não, coisa chata, ela não tá pensando que eu tô dando em cima dela, né? Acho melhor desfazer logo seja lá o que ela tá pensando nessa cuca maluquinha. – Bom, é que farei direito também.
Uma expressão de, seria... desapontamento? passou por seu rosto, mas depois ela sorriu timidamente e falou:
- Entendi, melhor irmos andando logo. – Assenti e começamos a andar lado a lado com um silêncio confortável que nos envolveu. Chegamos até onde deveríamos efetuar a matrícula e a deixei ficar em minha frente na fila. De repente uma garota loura muita bonita e vestindo-se muitíssimo bem, devo dizer, aproximou-se de nós.
- Até que enfim te achei! – ela disse abrindo os braços em direção a Bella. – Dá uma voltinha para eu ver se não quebrou nada – disse rindo e a de cabelos castanhos ficou irritada, soltando o braço que a moça segurava.
- Pára com isso, Tanya! Eu tô bem!
- Tem certeza que não quebrou nada mesmo? – Bella corou e baixou a vista para o chão. Pelo comentário da tal Tanya pude constatar que isso já devia ter acontecido outras vezes com ela e esse pensamento fez com que um riso escapasse de meus lábios chamando a atenção da loura para mim e, gzuis!, me senti um daqueles frangos rodando no espeto que os cachorros ficam admirando. Qual é o problema dessa mulherada hoje em dia, hein?
Acho que a Bella notou meu desconforto e resolveu falar:
- É... Tanya, esse é Edward, Edward, essa é minha prima.
- Muito prazer, Edward! – a loura falou, mostrando todos os dentes num sorriso intimidador. Credo, essa garota me dá medo! Quase puxei a Bella para ficar na minha frente e me esconder daquele olhar que fazia até meu último fio de cabelo se arrepiar de pavor. Com muito esforço, conseguir estender a minha mão e, relutantemente, dá-la por um milésimo de segundo aquele ser estranho.
- Prazer, Tanya. – Tive de fazer de tudo para que eu não gaguejasse, disse apenas isso e logo recolhi minha mão. Elas começaram a falar sobre qualquer coisa e eu deixei minha mente vagar, claro que também aproveitei a oportunidade para avaliar “o material de Yale”, e foi quando os vi.
Gente, que isso?! Era para matar qualquer pobre moça como eu do coração! Eles eram tê-u-dê-o! TUDO! Dois estilos completamente diferentes, um deles era grandalhão e muito forte, moreno de cabelos curtos e um sorriso que faria um iceberg derreter em segundos, usava uma camisa colada que ressaltava-lhe os músculos (será ele é do babado?) e por cima uma jaqueta de time de futebol e um jeans preto de marca deixando a mostra a cueca Calvin Klein. O outro era louro e mais baixo que o primeiro, tinha um corpo delgado com músculos, um sorriso cativante que convenceria a qualquer um a fazer o que ele quisesse, vestia uma blusa pulôver cinza e um jeans azul claro, ambos calçavam tênis de marca.
Andavam conversando e de vez em quando acenavam ou falavam com algumas pessoas, até que percebi que andavam na direção da fila onde eu estava e sorriram para a loura esquisita que tinha acabado de conhecer.
POV’s Bella
Minha prima me interrogava sobre como eu havia conhecido o Edward e tudo mais bem debaixo do nariz dele. Nossa, às vezes ela era meio sem noção, só pedia aos céus que ele não tivesse escutando nenhuma pergunta do longo questionário que ela me fazia a seu respeito.
Apesar de constrangida com a situação, me incomodava saber que Tanya havia se interessado por ele, o que era meio óbvio pelo jeito que o olhava como se fosse arrancar-lhe as roupas com os olhos a qualquer momento. Bom, pelo menos não havia notado interesse da parte dele nela, pelo menos foi o que me parecera. Mas por que eu to divagando sobre isso? Afinal de contas, ele não é nada meu e, depois, se minha prima o quisesse mesmo, era lógico que entre uma disputa pelo coração de um homem por nós duas, ela ganharia com facilidade.
Tratei de afastar aqueles pensamentos da minha cabeça, pois começava a me sentir triste e quando dei por mim dois rapazes muito bonitos chegaram perto da fila, e um deles cumprimentou Tanya com muita intimidade, devo ressaltar:
- Agora sim, Jazz, essa universidade começou a ter graça para mim, a senhorita mais gata das Denali está aqui em pessoa. – Ela sorriu para eles e falou:
- Deixa só minha prima Irina saber que você pensa assim, Emmett, e terá sérios problemas, querido.
- Jazz, eu falei alguma coisa além de oi? Eu não me lembro – falou o moreno, fazendo-se de desentendido para o outro rapaz louro ao seu lado. Minha prima rolou os olhos e então começou a apresentá-los a mim.
- Bella, esses são os garotos Mcarty, esse senhor abusadinho aqui é Emmett – ela apontou para o mais alto dos rapazes que me deu uma piscadela e depois fazendo o mesmo com o outro –, e este gentleman saído de filmes antigos é Jasper, mais conhecido como Jazz. – Ele me cumprimentou com um leve aceno de cabeça. – Gente, essa é Isabella Swan minha prima, que prefere ser chamada de Bella.
- Oi, Bella?! – disse Emmett em um tom de voz sedutor que me fez corar, apenas assenti com a cabeça e dei um sorriso pequeno. Olhei para trás e Edward observava a cena a frente dele parecendo curioso e com alguma coisa a mais que não soube identificar.
Tanya ficou conversando com os meninos quando chegou minha vez de efetivar minha matricula, eu a fiz e logo foi a vez de Edward. Como minha prima estava muito distraída conversando com os rapazes, resolvi me sentar num banco e esperá-la. O de cabelos cor de bronze saiu da sala e veio em minha direção. Eu já disse o quanto ele é lindo?! Já! Mas, mesmo assim, repito, ele é lindo.
- Bom, Bella, eu já vou, tenho que procurar minhas irmãs, você já se sente totalmente bem, não é? – que fofo! Ele tá preocupado com meu bem-estar! Fiquei mais uma vez sorrindo sem me dar conta, encarando-o. Droga! Tenho que parar com isso!
- Sim, claro, me sinto ótima, te agradeço novamente por ter me ajudado.
- Não foi nada – ele falou com o seu sorriso perfeito no rosto, acenou para mim uma última vez e saiu andando. Será que eu voltaria a ter a oportunidade de falar com ele outra vez?
POV’s Ed
Depois de me despedir de Bella, fui procurar Rose e Ali. Encontrei primeiro minha irmã mais velha rodeada de rapazes hiper gatos. Nascer mulher é outra coisa! Fui até minha mana chamando- a:
- Rose?!
Ela olhou por entre eles e me viu. Se levantou do banco onde estava sentada e todos reclamaram. Idiotas, ela é minha irmã! Tive vontade de gritar.
- Oi, Ed, já fez sua matricula?
- Acabei de fazer.
- E a menina?
- Que tem?
- Ficou bem?
- Sim, ah, adivinha?! Ela vai fazer direito. – Ela começou a gargalhar de uma piadinha particular e eu fiquei sem entender.
- Direito?! – ela disse ainda rindo.
- É, direito. – Respondi confuso.
- Ela não sabe nem andar direito, quanto mais fazer direito. – Rolei os olhos para ela. Rose às vezes tinha ataques de loura.
- Cadê a Ali?
- A última vez que a vi, estava conversando com aquela mulher perto da secretária do departamento do curso de moda. – Ai, não acredito! Encontrar aquela coisa que se acha sedutora de novo não, por favor? Pedia desesperado numa prece. Mas nem mal tinha formulado meu pensamento e vi minha irmã caçula e a coordenadora conversando animadamente sem ainda perceber que eu e Rose estávamos alguns metros a frente. Só pode ser castigo! Ainda tentei salvar a situação, puxando Rose pelo braço virando na direção contrária, andando rápido.
- Edward, o que tá acontecendo?
- Vira, vira, vira, não quero que ela me veja aqui. - Mas claro que a má sorte resolveu tirar o dia com a minha cara, pois assim que acabei de falar isso, escutei a voz da fulana me chamando com intimidade:
- Edward, querido?! – Eu mereço! Pensei aborrecido antes de virar e dar de cara com a entrosada e a tampinha da Alice apertando os lábios para não rir. Respondi a mulher, deixando clara minha irritação:
- Só Edward, senhora Preston, o querido é desnecessário. – Pelo canto do olho vi o corpo de Rose tremer por não soltar uma risada e Alice abafar uma com a mão sobre a boca. Finalmente a dita cuja resolveu se tocar. Soltou um sorrisinho amarelo e pediu desculpas sem parecer nem um pouco arrependida:
- Desculpe-me, não queria parecer intrometida. – Jura? Nem tinha percebido!
- Tudo bem – falei secamente, não tava com a menor vontade de ser simpático com ela, mas graças a criação de meus pais eu seria pelos menos educado.
- Bom, era só para perguntar se já tinha conseguido se matricular, porque se não eu poderia ajudá-lo a ...
- Não se preocupe, eu já cuidei disso, obrigado. – Ela abriu um sorriso de orelha a orelha. – Bom, acho que agora a gente tem que procurar os nossos dormitórios, não é, Alice? – Minha vontade era de sair correndo, mas não pude deixar de lembrar que quem estava a minha frente era a coordenadora do meu curso, eu não iria, ou bem, me esforçaria para não me indispor com ela.
- Sim, maninho. – A baixinha estava se divertindo a custa da desgraça alheia, ela ia me pagar, ah se ia. – Obrigada por tudo, Charlotte, tchauzinho.
E, para minha felicidade, aquela situação nada confortável acabou.
POV’s Bella
Assim que minha prima terminou de se despedir de seus amigos, nós fomos a procura dos nossos dormitórios - infelizmente não ficamos no mesmo.
Entrei no meu e, para minha surpresa, não era uma completa desconhecida a pessoa que seria minha companheira de quarto. Alice estava sentada em uma das camas arrumando várias coisas em cima do criado mudo de costas para a porta por onde eu entrara. Eu andei até a outra cama e larguei minha mala e mochila em cima dela, sentando na ponta da cama. Quando ela finalmente se virou para mim, se surpreendeu e falou:
- Bella?! Que surpresa boa! Eu pensei que ia ter que lidar com uma daquelas nojentinhas de Yale, sabe? – Ela era engraçada, falava como se me conhecesse há anos, mas, para falar a verdade, eu me sentia da mesma forma. – Espero que não se importe por não termos decidido juntas quem fica com que cama, mas se você quiser...
- Não, não precisa se preocupar, Alice, assim está bom.
- Bom, se você diz – falou, dando de ombros e, de repente, ela parou e ficou me analisando da cabeça aos pés. Ela murmurou:– Hum...
Não me contive e logo perguntei:
- Que foi?
- Bella, tenho uma proposta para te fazer – disse, mordendo o lábio inferior. Por que será que não gostei da forma como ela disse isso?
4. O Trote
POV’s Bella
- Proposta?! – questionei surpresa e confusa.
- É! – afirmou com um sorriso tão brilhante que sorri também, pra parar de sorrir em seguida ao ouvir a tal proposta. – Você aceita ser minha manequim?
- Ah... – pisquei algumas vezes e murmurei debilmente mais pra mim mesma do que pra ela escutar – Eu manequim?
- Exato, minha manequim! Como você deve se lembrar, eu vou fazer curso de moda e preciso de modelos pra mostrar meu trabalho no dia-a-dia sabe?
- Alice é... – eu calei antes de prosseguir, como eu falaria pra ela que não tinha a menor possibilidade de ser um modelo para os outros?
- Diz que sim Bellinha, por favor.
- Alice me perdoe, mas não dá, eu sinto muito. – a expressão dela era pra amolecer um coração feito de pedra. O lábio inferior tremia e me lembrava a um bebê prestes a chorar.
- Por quê?
- Eu não levo o menor jeito pra essas coisas acredite.
- Mas Bella...
- Alice, por favor, está bem? – eu até me assustei com a súbita mudança de atitude dela, sorrindo abertamente.
- Tudo bem. – isso era para me tranqüilizar ou me assustar mais? Porque sinceramente não sabia me decidir por qual sentimento optar, já que era para sentir alívio ao ver, ou melhor, ouvir que ela aceitara minha recusa. Só que a baixinha não parecia uma pessoa que se deixasse vencer facilmente. Minha intuição estava gritando que aquela conversa não havia terminado ali, mas eu é que não tocaria mais no assunto, pelo menos por enquanto.
POV’s Ed
Depois de ajudar minhas irmãs a levar as malas delas para seus respectivos dormitórios, fui à busca do meu. Não demorou muito para que eu o achasse e quando entrei no quarto, quase dei um gritinho de felicidade. Eu disse “quase”, lógico que não fiz isso, pois quando você escolhe uma opção diferente da que é considerada “padrão”, você tende a ser cauteloso.
Dois bofes tudo de bom estavam no mais novo recanto da beleza de Edward Cullen. Um deles estava sem camisa procurando algo no closet, o outro estava sentado de frente para uma escrivaninha mexendo em um notebook, mas tinha um pequeno “porém”. Eles não me eram totalmente desconhecidos, a não serem os exemplares mais gatos que até agora tinha visto, os amiguinhos da loura com sorriso amedrontador. Como é mesmo o nome da fulana gente? Ah! Não importa!
O gostosão sem camisa se virou e com aquela imponência toda, que gzuis! Era de tirar o fôlego, falou com aquele jeito de bofe indomável:
- E aí?! Então você vai ser meu colega de quarto? – Lindão eu quero ser o bofe dos seus sonhos, o cobertor de suas noites, e otras cositas mais. Pensei só comigo e disfarcei uma risada com uma tosse seca pondo a mão em punho perto da boca depois de ter posto minhas malas na cama que estava vazia no lado direito do quarto perto da porta. O dormitório até que não era tão mal, se bem que a companhia ali era tão boa que se fosse dormir no chão eu mal repararia.
- É o que parece. – respondi dando de ombros. O moreno bonitão vestiu uma camiseta preta e se apresentou:
- Emmett McCarty, o terror das gatas. E o ratinho de computador é meu irmão Jasper. – terminou a frase apontando pro louro gracinha, que se virando na cadeira fez um gesto obsceno com o dedo médio pro irmão. O grandão fez uma expressão séria, mas falou numa reprimenda zombeteira.
– Que feio Jazz! O que as garotas pensariam do senhor certinho se vissem você fazendo isso?
Jasper revirou os olhos e voltou à atenção para o que estava fazendo no computador, falando pra mim:
- Desejo sorte pra você se vai dormir junto com esse aí! – tive que segurar a língua pra não deixar escapar o que se passava na minha mente sobre o duplo sentido da frase dele. Ui! Edward comporte-se! Você sempre foi muito respeitador com a escolha de cada um, mas até que não seria mal abrir uma exceção no caso desses irmãos. Eu debatia em pensamento.
- Você tem nome ou prefere ser chamado de calouro, bicho, novato, essas coisas? – perguntou Emmett, me lembrando que eu ainda não havia me apresentado, também com tanta distração quem pode me culpar?!
- Edward Cullen.
- Qual o seu curso? – perguntou o louro com os dedos passeando sobre o teclado com uma habilidade espantosa.
- Direito. – respondi sentando na cama.
- Fala sério cara! Você veio pra cá pra aprender a fazer direito? – perguntou Emmett num tom incrédulo. – Eu aprendi isso desde que nasci tá sabendo?! – eu dei um sorriso amarelo e pensei que beleza nem sempre é compensa.
POV’s Bella
A semana passou voando. E no decorrer dela pude conhecer melhor minha colega de quarto. Conversamos sobre nós mesmas, nossas famílias, amigos e ex-namorados. Alice era uma ouvinte muito participativa, perguntava e vibrava a cada história que eu contava. Eu me sentia em casa com ela, e a sensação que eu tinha de conhecê-la há tempos só aumentava.
Descobri que além de Edward, Alice tinha outra irmã e quando a conheci, a garota mais bonita que eu já tinha visto que atende pelo nome de Rosalie, esta me dedicou um olhar desdenhoso que me fez sentir como um inseto. Acho que nós não seremos as melhores amigas. Em troca, quando ela conheceu minha prima Tanya, com quem ficou como companheira de quarto... As duas ficaram amigas a primeira vista.
Nós saímos juntas, retificando, as meninas me obrigaram a sair com elas. E foi o clube das garotas. Edward nunca saía conosco, aliás, eu não o vi de novo, pois sempre quando ele vinha ver a irmã, eu nunca estava.
No meu primeiro dia eu estava uma pilha de nervos. Detesto primeiros dias de aula. Levantei pensando no momento em que voltaria pro meu tranquilo dormitório. Olhei pra cama ao lado e descobri que estava sozinha no quarto. Minha colega na noite anterior disse que estava muito ansiosa, não via a hora de que começassem as aulas para fazer sua estréia no esplendoroso mundo da universidade. Essa última lembrança me fez rir.
Tomei um banho rápido e fiz a higiene matinal, quando olhei no relógio eu soltei um:
- Mais que droga! Tô atrasada. – abri o armário que havia em frente da minha cama, o qual a última semana não havia arrumado por conta de preguiça, agora era um bolo de roupas em que eu não conseguia encontrar nada. Catei uma roupa íntima e meias três quarto no meio da confusão e peguei a primeira blusa e calça jeans que consegui tirar daquele tumulto. Vesti sem pensar em me olhar no espelho, pra quê? O que é ruim não vai mudar mesmo!
Comecei a procurar meus sapatos e os encontrei jogados de qualquer jeito debaixo da cama, tirei-os e calcei rápido. Minha mochila estava encostada no canto da cabeceira da minha cama no chão. Conferi rapidamente se o meu material estava todo lá, pois era a única coisa que eu me ocupei de arrumar e saí porta afora, mas já no corredor lembrei que tinha esquecido de pegar um agasalho e praguejei em voz alta, voltando ao meu dormitório. Peguei o primeiro que achei e saí novamente, dessa vez correndo, só para dar um encontrão em...
- Você nunca olha por onde anda garota?! – levantei a cabeça e encontrei com um par de olhos azuis me encarando furiosamente.
- Desculpe foi sem querer. – falei, puxando minha bolsa em meu ombro que havia escorregado por conta do esbarrão. De repente, escutei a voz da minha prima risonha dizer:
- Rose pare de implicar com a Bella.
- Então diga a ela pra não ficar no meu caminho, ou eu passarei por cima. – vi Tanya revirar os olhos e me puxar pelo braço em direção das escadas dizendo:
- Não liga Bella, isso é mau humor matinal junto com a ressaca de uma ótima festa. – apesar de ela dizer isso eu continuei tensa com a presença de Rose. – E você, como se sente esta manhã com o primeiro dia de aula?
- Nervosa.
- Relaxa Bella, é só o que você fez toda sua vida, nada de pânico prima. – disse com uma piscadela. Ouvi uma risadinha atrás de nós, mas não olhei para a loura. Forcei um sorriso e continuei andando junto a ela.
POV’s Ed
Eu não dormi a noite inteira graças ao Emmett. Ele ficou tagarelando sobre quantas meninas já tinha pegado antes de começar as aulas e sobre as festas das fraternidades mais famosas, enfim, o assunto principal se resumiu á mulheres. E mesmo eu apertando o travesseiro sobre minha cabeça num sinal claro de, ”Por favor, quero dormir, dá pra calar a boca?”, ele não fez o menor caso e continuou falando como se eu estivesse super interessado em saber.
Abri um olho e enfoquei lentamente a parede do quarto. Sentia minha cabeça pesada de tanto sono que ainda faltava dormir. Abri o outro olho e voltei minha cabeça para olhar o outro lado, já que estava deitado de barriga para baixo, e vi uma cama em total desarrumação sem seu dono sobre ela.
Levantei e sentei na beirada da cama, passando a mão nos meus cabelos. Olhei a hora no meu celular, que havia posto sobre o criado-mudo, e descobri que tinha me atrasado. Não foi assim que planejei meu primeiro dia. Pensei chateado.
Peguei a toalha que tão cuidadosamente havia deixado dobrada, com todas as minhas coisas dentro do meu armário, e também a roupa que tinha escolhido para o meu primeiro dia de aula e deixei sobre a cama.
Levei meu nécessaire e a tolha para o banheiro. Coloquei minhas coisas sobre a pia e estendi minha tolha no box, quando passei meu olhar pelo espelho, não me dei conta, mas ao visualizar a imagem que se refletia ali eu quis morrer. Olhei de novo rapidamente e parei ao reparar que aquele trambolho que me olhava de volta era eu.
- Eu vou assassinar aquele grandão tagarela com requintes de crueldade. – falei, enquanto passava o indicador pelas olheiras sob meus olhos. Eu estava com um aspecto pavoroso, e a única coisa que eu pensava era como iria aparecer em público daquele jeito.
Deixei de olhar aquele sujeito ridículo, que eu recusava acreditar ser eu mesmo. Tirei a camiseta e o short com o qual tinha dormido, e com um gemido de frustração abri o chuveiro e me meti debaixo. Decidi pela água gelada para espantar o sono.
Ao terminar, me sequei um pouco, amarrei a tolha no quadril e abri meu nécessaire à procura da minha escova. Escovei os dentes, depois peguei uma base, tentando consertar mesmo que um pouco aquele caco ao qual tinha me convertido, e quando ao fim me senti satisfeito, quis dizer resignado, saí do banheiro.
Coloquei minha roupa em tempo recorde, levando em consideração o quanto sou exigente com minha imagem pessoal, peguei minha mochila e não pude dispensar os óculos escuros, já que apesar da base que passei, eu não me sentia nem um pouco feliz.
Segui em busca da minha aula, vinte minutos atrasado, mas como havia explorado a universidade na semana anterior, eu sabia exatamente onde era minha sala.
POV’s Bella
Tanya e Rose foram para uma direção ao chegarmos ao campus, e eu peguei outra. Aproximando-me da minha sala vi uma grande movimentação, ao chegar mais perto vi alunos sujos correndo para lá e para cá na entrada do prédio. Estranhei um pouco, mas, de repente a compreensão do que estava acontecendo me veio como um estalo. “Trote”.
Tentei refazer o caminho pelo qual eu vim sem chamar atenção de ninguém, mas aí ao andar de costas e me virar para fugir dali, trombei com um rapaz muito alto que sorria largamente me perguntando:
- Aonde você pensava em ir senhorita? - eu comecei a gaguejar tentando pensar num modo de escapar.
-Eu... Eu... er... Eu...
- Desculpa princesa, mas sendo caloura, você deve participar da nossa bem-vinda a vocês. - ele parou e gritou olhando atrás de mim - PESSOAL TEM MAIS UMA AQUI!!!
Eu me virei e vi mais garotos e garotas virem em minha direção munidos de várias coisas como: tinta, corda, tortas cobertas de chantilly, fita adesiva etc.
- Aaaaaah... Acho que não, muito obrigada, mas não.
- Que isso gata, recusando a bem-vinda dos veteranos? – quando pensei em responder, ele tirou minha mochila com extrema habilidade e eu consegui escapuli de perto deles, e comecei a correr como uma desesperada sabendo que não tinha escapatória.
Olhei para trás pra conferir exatamente onde estavam meus perseguidores, e o primeiro jato de tinta me chegou à cabeça e escorreu pelo meu rosto nublando minha vista. Eu pisquei, tentando enxergar alguma coisa, e em seguida senti algo sendo arremessado nas minhas costas, me virei e nesse momento outro jato de tinta me atingiu na blusa, colando ela no meu corpo. Olhei pra baixo tentando verificar o estrago e nesse momento me dei conta que havia vestido uma blusa branca. Que inferno! Exclamei mentalmente.
Sabia que estava correndo em círculos, mas não tava nem aí. Ouvia os gritinhos de outros estudantes e os vi sendo amarrados pela calça, tendo as mãos amarradas com fita adesiva, sendo obrigados a tomar umas bebidas verdes bem esquisitas e em seguida as caretas que seguiam, depois de serem obrigados a tomar aquele negócio. Comigo mesmo é que não! Ninguém vai me fazer tomar essa porcaria. Respirei profundamente com a boca aberta, tentando recuperar o fôlego e senti algo golpear minha boca, em seguida senti gosto de ovo. Que nojo! Engoli aquilo e tomei mais impulso para continuar minha fuga.
POV’s Ed
Optei por um corredor que não fosse o principal, pois estava muito atrasado. Ao chegar mais próximo do local onde ficava minha sala, ouvi muito barulho, gritos e olhei furtivamente de onde estava sem me deixar ser visto. Uma confusão de estudantes todos sujos fugiam de outros carregados de coisas nas mãos. Isso não está bom! Hum... Hum... Definitivamente não está!
Fui andando de costas com o olhar fixo à frente e depois verifiquei todos os lados, me virei decidido a ficar bem longe daquela loucura que ali se apresentava. Que idiota! Primeiro dia de aula Edward! Faculdade esqueceu?! Repreendia minha mente por minha ingenuidade. Era óbvio e claro como água, que os veteranos não nos deixariam passar em branco, literalmente falando.
Estava andando por aquele corredor, olhando de minuto em minuto para trás, por cima do ombro e atento a qualquer sinal de ameaça quando alguma coisa, ou melhor, alguém colidiu comigo. E a surpresa foi tão grande que caí pra trás levando a pessoa junto comigo aterrissando no duro chão da universidade com um baque surdo.
- Ai! – reclamei, ao sentir que o impacto havia acertado em cheio a parte baixa das minhas costas. Senti uma respiração ofegante no meu pescoço e tirando os óculos escuros que estava usando, baixei minha vista para observar o ser que continuava esparramado em cima de mim com o coração batendo acelerado que eu sentia sobre meu peito. – Você está bem?
A pessoa levantou o rosto pra me olhar e me deparei com olhos que já havia visto antes. A carinha de formato oval estava completamente suja e piscava rapidamente como se não conseguisse enxergar direito. Aquele gesto fez com que me recordasse onde eu havia visto aqueles olhos, de um castanho profundo e muito brilhante, e o nome saiu da minha boca sem poder me deter.
- Bella?!
A boca se abriu em um “O”, exatamente como da última vez que tínhamos nos encontrado, como se ela também naquele mesmo momento me reconhecesse.
- Edward?! – meu nome saiu como um sopro de hálito hortelã com algo mais que não pude identificar - Edward eu sinto muito, foi sem querer – ela falava entre arquejos - Eu estava... É correndo...
- Isso eu percebi. – disse com um sorriso. E em um pedacinho mínimo de bochecha limpo, percebi que se ruborizava e aquilo fez com que eu ampliasse meu sorriso. De repente como se desse conta de algo, ela espalmou as mãos sobre meu tórax e se ergueu sobre mim, saiu de cima de mim e se sentou ao meu lado.
- Me desculpe por...
Eu a interrompi também me levantando:
- Não por isso, você deve ter uma razão. – antes que ela pudesse se explicar, nós ouvimos um barulho muito próximo de onde estávamos e me pus de pé ligeiramente, guardando os óculos no meu casaco e estendendo uma mão pra ajudá-la a se levantar, continuei segurando sua mão e começamos a correr a procura de algum lugar que pudéssemos nos esconder. Avistei ao longe um armário de limpeza e corri naquela direção com Bella em meus calcanhares.
Fiz pressão na maçaneta, por sorte constatei que estava aberta, abri a porta e empurrei Bella dentro sem muita delicadeza e entrei depois dela, vislumbrando nossos perseguidores na esquina do corredor, fechei a porta atrás de mim e ficamos os dois no escuro escutando os barulhos de fora.
POV’s Bella
- Te machuquei? – Edward perguntou com a respiração entrecortada por conta de nossa corrida.
- Não, tudo bem. – respondi também, respirando forte – Você os viu?
- Sim, devem estar nos procurando por aqui por perto, melhor continuarmos aqui. – assenti com a cabeça, mas me lembrei que no breu que nós estávamos ele não ia ver então decidir falar:
- Sim, melhor. – meu nariz começou a coçar na ponta e me deu uma vontade de... – Atchin!
- Saúde!
- Obrigada.
- Você vai se resfriar. Percebi que sua blusa estava molhada quando caiu em cima de mim. – nessa hora agradeci profundamente que estava escuro, do contrário ele veria que corei até as raízes dos cabelos.
- É o que parece – respondi, dando uma fungada.
- Vou procurar o interruptor, deve estar aqui em algum lugar. – eu o senti se movimentar e dei um passo atrás esbarrando com alguns materiais de limpeza. – Bella?!
- Quê?
- Cuidado.
- Ok. – de repente fiquei monossilábica, talvez fosse a adrenalina do momento. Qual é Isabella? A quem você quer se enganar? A mim é que não é! Soltei um bufo, quando aquele pensamento sarcástico cruzou meu cérebro.
- Algum problema? – questionou preocupado, e pude distinguir um matiz de desconcerto em sua voz.
- Não. – limpei a garganta e me forcei a continuar a falar – Só estava pensando onde se encontra o danadinho do interruptor.
Escutei um ruído abafado como de uma risada mal contida e tive vontade de rir também.
- Acho que achei! – ouvi um estalinho e em seguida o armário se iluminou. O sorriso perfeito estava lá, o ar se engatou nos meus pulmões diante da visão e comecei a tossir.
- Cof cof cof...
- Bella, sério, acho melhor você tirar essa blusa. – com aquela afirmação dele, eu fiquei totalmente imóvel e o olhei com os olhos abertos feito pratos.
- Quero dizer... – eu não acredito! Ele começou a ficar ruborizado, que lindo! – Eu empresto meu casaco pra você vestir, se quiser claro. – ele estava todo vermelho coçando os cabelos sob a nuca. Eu mordi os lábios e considerei a sugestão, possivelmente seria melhor que parecer uma aquarela de um artista muito excêntrico que utiliza torta pra complementar seus quadros.
- Certo, de acordo. – sem olhar pra mim ele tirou o casaco. Aquela ação obviamente não tinha nenhuma intenção de ser sensual, mas foi inevitável não associá-la dessa maneira. Meu Deus que visão! Ele acabou de tirar o casaco e eu me forcei a sair daquele estado letárgico e voltei o olhar para os meus pés.
Ele me ofereceu a peça de roupa e em seguida se virou de costas para a parede ao fundo do armário. Tão cavalheiro! Não contive, e soltei um suspiro sem pensar. Lembrei que tinha que trocar de blusa e tirei a minha me aproximando mais da porta, de repente, algo se engatou no meu sutiã e eu afrouxei o casaco da minha mão, coloquei meu braço atrás tentando me soltar do que me segurava, assim o casaco caiu das minhas mãos e eu soltei um:
- Óh ou!
- Bella o que significa “Óh ou!”? – perguntou meu acompanhante ainda virado de costas.
- Significa que eu estou presa?! – respondi, sentindo que todo meu sangue se acumulava nas minhas bochechas. Eu o ouvi pigarrear e perguntar:
- Você quer ajuda? – cara, quando a sorte te abandona ela capricha pra tudo dá errado pra você. Que droga! Eu visualizei a cena dele me ajudando e um frio se concentrou no centro do meu estômago.
Não tive oportunidade de responder, pois a luz de repente se apagou.
- Edward você pode acender a luz de novo, por favor. – respondi, me mexendo incessantemente pra tentar me soltar da porta maldita que resolveu se engatar em mim.
POV’s Ed
- Claro. – respondi, erguendo a mão procurando a cordinha da lâmpada, mas ao encontrar puxei a corda e nada aconteceu e então foi minha vez de dizer: - Óh ou!
- O quê? Não Edward, nada de Óh ou! Isso é sinal de problemas.
- Eu sei e é justamente por isso que o pronunciei. A lâmpada queimou.
- A lâmpada o quê? – ela perguntou com uma voz que beirava o pânico. Agora quem não entendeu o problema fui eu. Que mal tem ficar preso no armário comigo?
- Calma Bella vai dá tudo certo ok? Por que você não usa o casaco pra se cobrir?
- Eu usaria, se ele não estivesse caído aos meus pés em algum lugar desse armário. – eu suspirei resignado e falei:
- Tudo bem, eu tiro minha blusa e te dou.
- Você é... – ela começou a respirar rápido – Você vai fazer... Vai... Vai... – eu ergui minha sobrancelha no escuro formulando um pensamento a respeito do suspeito comportamento dela. Será que seria um bom momento agora de dizer a ela que eu não gostava da fruta? Não, provavelmente não, eu não a conheço, não sei se posso confiar.
- Fique tranquila, ninguém vai saber o que aconteceu dentro desse armário. – a respiração dela acelerou a níveis realmente preocupantes e eu estendi a mão pra acalmá-la, ouvi um “oh” de surpresa e me dei conta de que por um erro de cálculo minha mão pousou em um local muito macio onde não devia e a afastei imediatamente.
- Eu sinto muito, eu sinto profundamente. – falei completamente desconcertado.
- Você sente? – cara, que horror pareceu que eu tinha falado sobre sentir... Oh minha nossa! Essa situação se achava cada vez mais insustentável.
- Não, eu não quis dizer que... Oh meu... Me desculpe... Só me desculpe. Olha só! Eu vou tirar minha camisa, você a usa para se cobrir e eu te ajudo a se soltar está bem? – Ela pronunciou um:
- Hum hum. – baixinho e eu fiz exatamente como havia dito. Tirei minha camisa de um puxão e passei às mãos dela, esperei ela se cobrir e me aproximei, pondo minhas mãos por suas costas, sentindo a respiração acelerada dela próxima a minha pele, mas mantendo uma distância respeitável. Sou biba, não pensem besteiras queridos!
Procurei a origem de toda nossa consternação e tentei soltá-la, mas ouvi que alguém mexia no trinco da porta e não tive tempo de me afastar. A pessoa que mexia no trinco abriu a porta muito rapidamente, fazendo com que Bella se desequilibrasse e fosse ao chão comigo em cima dela.
A moça sob mim estava de olhos completamente fechados, super apertados, e eu afastei minha vista dela para olhar ao meu redor. Nesse momento, percebi que não estávamos a sós e muitos estudantes estavam ao nosso redor nos olhando com caras que iam de riso ao espanto e confusão. E quando olhei pra quem ainda sustentava a porta em mãos quis morrer, não era nada mais, nada menos que...
- Charlotte! – dei um sorriso amarelo. E nesse momento percebi que Bella falava comigo baixinho:
- Estamos encrencados? – ela abriu um olho e olhou pra mim.
- O que você acha? – perguntei sarcástico. O olho aberto olhou pra cima e deu de cara com a coordenadora do nosso curso.
- Diz que eu estou tendo um pesadelo, por favor?! – me pediu com voz suplicante. Nesse momento a voz da bruxa ecoou estridente:
- Alguém pode me explicar o que exatamente significa isto? – eu virei meu rosto pra cima lentamente e respondi:
- Eu sei que parece, mas não é – engoli seco – eu posso explicar.
Em alguma outra parte do campus uns momentos antes...
POV’s Alice
Eu acordei hiper cedo, na verdade não consegui dormir nada de tão ansiosa que estava para minha estréia na faculdade. Como não tinha o Ed por perto para ficar tagarelando madrugada adentro e minha colega de quarto se virou pro outro lado e dormiu, tive que me contentar em escolher cuidadosamente meu look para o grande dia.
Pelo menos acordando cedo tive tempo de sobra pra caprichar na minha produção, não ia chegar lá como uma esfarrapadinha. Nem pensar! Um calafrio de terror percorreu minha espinha ao me imaginar menos que maravilhosa para o primeiro dia de aula, logo dispersei aquela triste visão da minha mente.
Saí do meu dormitório e fui atrás da minha irmã, aquela folgada foi pra uma festa com a Tanya e não me convidou, é ultrajante! Deixa ela comigo. Dei umas boas batidas na porta do quarto delas, pois sabia que minha irmã não suportava barulho logo de manhã e de ressaca ainda, minha pequena vingança começaria do melhor modo.
Uma Rose com cara de dragão atendeu a porta. Podia jurar que tinha visto fumaça sair de suas orelhas.
- Bom dia querida irmã! – não esperei ser convidada e fui entrando no quarto, vendo a Tanya da porta aberta do banheiro escovando os dentes só de baby-doll. – Bom dia Tanya.
Ela acenou a cabeça em modo de saudação, e eu concentrei minha atenção na loura espumando de raiva em minha frente.
- O que você quer Alice?
- Nada maninha, só vim te desejar um bom dia, não posso?! – ela estreitou os olhos e disse entredentes:
- Alice?
- Ai tá bom! Quero aquela sua bota emprestada. – dei o meu sorriso mais brilhante e inocente.
- Pode esquecer.
- Poxa Rose, você deveria me fazer feliz. E depois sabe como é, sem querer eu posso deixar escapar algo como muita festa à mamãe e o papai. – bati as pestanas inocentemente.
- Você não ousaria...
- A bota! – falei completamente sorridente.
Dez minutos mais tarde, estava eu descendo pelas escadas com a bota maravilhosa da minha irmã mais velha, com um sorriso vitorioso desenhado nos lábios.
POV’s Jasper
Acordei com Emmett socando literalmente a porta do meu quarto. Meu colega de quarto ainda não tinha aparecido então eu dormia sozinho.
- Vai tirar o pai da forca, caramba, qual é o seu problema Emm?
- Vim te buscar pra irmos juntos pra aula, branquelo, esqueceu? – revirei os olhos e voltei para a cama, cobrindo a cabeça com o edredom. O Golias do século XXI começou a puxar meu edredom e junto com ele, eu passei direto indo reto com a bunda no chão. Exclamei um palavrão e massageei o local dolorido olhando com cara de poucos amigos pro meu irmão que assobiava com a vista presa ao teto.
Levantei do chão resmungando e xingando toda geração futura da criatura em minha frente e fui para o banheiro praticamente marchando. Meu irmão tem o dom de tirar até o mais santo dos homens do sério e eu não era exceção, claro.
Terminei meu banho e a higiene matinal, e saí do banheiro pra escolher uma roupa de preferência confortável pra ir à aula. Peguei meu material e sem nem olhar pra trás falei:
- Vamos!
- Isso aí cara! – disse meu irmão exultante, dando uma palmada em minhas costas. Palmada essa, que fez com que eu jogasse meu corpo pra frente. Emmett não sabe medir a força que tem, ou se sabe faz pra me irritar, o que é bem mais o jeito dele fazer as coisas.
Ao entrarmos no campus fui deixar o Emm na sala, com medo de que ele se perdesse o que era bem possível. Eu sou o mais novo dos irmãos, com o jeito de mais velho. Peguei o caminho de volta e dirigi-me a minha aula, mas chegando próximo ao prédio vi uma grande agitação. Eu parei onde estava e comecei a perguntar pra mim mesmo:
- Mas o quê... – não pude terminar minha pergunta, pois algo voando na velocidade da luz atingiu meu rosto. Eu passei a mão no meu rosto e fazendo isso, um pouquinho do negócio branco espumoso entrou na minha boca e eu senti gosto de chantilly.
Alguém as minhas costas gritou:
- NOVO ALVO GALERA!!! – levou menos de dois segundos pra eu entender que o alvo em questão era eu. Então comecei a correr pra longe do conflito, e por um momento vislumbrei uma moça muito linda, em minha visão periférica ela olhava a tudo com curiosidade com uma expressão clara de confusão. Eu mudei a direção e corri para alertá-la, foi quando vi um rapaz andando em surdina atrás dela com uma garrafa de uma tinta rosa, foi quando eu gritei:
- NÃÃÃÃÃÃÃÃÃO!!!!!!!!!!!!!!!!!
Cotinua...
N/A: Eu sei, eu sei andei sumidinha, mas voltei. Antes tarde que nunca rsrsrsrs assim dizia minha avó.
Quero agradecer a todas que comentaram e continuam votando etambem um agradecimento especial a maninha que teve a dificil tarefa de betar rsrsrsr. Valeu Caty!
Mais uma vez eu digo lindas:
EU NÃO PRETENDO ABANDONAR NENHUMA DE MINHAS FICS!
Então tranquila meninas eu demoro, mas sempre volto e isso é um fato.
Como sempre meninas do meu core eu peço gentilmente a sua opinião criticas, idéias, elogios (claro amores ninguém é de ferro) todos serão muito bem-vindos.
Bjux e até o próximo capitulo!
Comentem...