Autoras: Hello, Duuh e Bells
Beta: Deh Way


Nota das autoras: Então meninas, passando aqui no inicio pra desejar Boa Leitura a todas *-*.

CAPÍTULO UM:

8D

- !
Aff, tem coisa pior do que ser acordada aos gritos pela sua amiga neurótica em pleno sábado?
- O que você está fazendo na minha casa?
- Nossa, bom dia pra você também viu? Como a vida é injusta, eu acordo cedo, venho na casa da amiga a chamar para fazer compras, pro meu aniversário, e ela me recebe com esse humor horrível.
- Ai ta bom, deixa de ser dramática, você sabe que eu odeio ser acordada, ainda mais cedo.
- Cedo ? São 11h30min.
- Ai ta bom, mas é sério esse negócio de compras pro seu aniversário?
- É sim, já chamei as meninas, a gente vai se encontrar na frente do shopping.
- Ok, só vou me arrumar, e a gente vai.
Levantei, fui procurar uma roupa descente, escovei meus dentes e desci, como sempre minha mãe não estava em casa, então fomos pro shopping. Quando chegamos as meninas já estavam lá, depois de quase me matarem por eu ter demorado, nós fomos às compras. Passamos a tarde inteira comprando, compramos até coisas desnecessárias, comemos por lá mesmo, conversamos amenidades, fofocamos um pouco (como de praxe) e enfim, quando eu cheguei em casa já eram 20:00 horas e minha mãe, por milagre de Deus, estava lá, com uma cara horrível diga-se de passagem, parecia que tinha chorado semanas seguidas.
- Mãe, o que aconteceu?
- Filha, tenho uma notícia não muito agradável pra te dar. – é, ela é bem direta assim mesmo.
- Fala mãe, você está me deixando nervosa.
- Filha... Seu pai... Morreu em um assalto.
- O quê?
Minha mãe não conseguia mais falar, as lágrimas não deixavam, eu a abracei e me juntei ao choro, o sofrimento das duas misturados.
- Mãe. - consegui emitir algum som, mesmo parecendo mais um miado do que uma palavra.
- Oi filha.
- E o Jazz? – isso fez ela mudar de feição e enxugar as lágrimas que ainda desciam.
- Era isso também que eu tinha que falar, ele vem morar conosco, porque não quer ficar sozinho na casa que tem tantas lembranças do seu pai. Tudo bem?
- Claro. Ai mãe, eu senti tanto a falta deles, pelo menos o Jazz vem morar com a gente. - como eu queria que nada disso precisasse acontecer pra gente se juntar de novo.
- Filha, eu também, seu irmão chega semana que vem, ele só vai arrumar as coisas por lá e se mudar pra cá.
Conversamos mais um pouco sobre como as coisas seriam daqui pra frente, eu fui tomar um banho ainda não querendo acreditar no que minha mãe tinha me dito, como assim assalto? Não me conformo... Fui dormir chorando, tive vários pesadelos durante a noite, sem dúvida nenhuma esse era o pior dia da minha vida.
Quando acordei no outro dia, meu rosto estava todo inchado de tanto chorar e eu ainda tinha combinado de ir à casa da pra ensaiarmos um pouco às 13:00, além de já ser 12:45, não posso ir pra lugar nenhum nessas condições, vou ter que desmarcar tudo...
- Alô?
- ?
- ? Oi amiga, tudo bem?
- Er, eu não vou poder ir pro ensaio hoje.
- Por que amiga?
Não consegui falar, comecei a chorar que nem uma desesperada de novo.
- , pelo amor de Deus, o que aconteceu? Você está chorando? dá pra me responder?
- ... Meu pai...
- , eu não consigo entender nada do que você está falando, vou chamar as meninas e a gente vai à sua casa.
Antes de poder responder, ela desligou delicadamente na minha cara. Vinte minutos depois toca a campainha e três caras preocupadas estão na minha porta, quando eu abri elas quase me sufocaram e todas perguntavam ao mesmo tempo.
- , o que aconteceu?
- Por que você está chorando?
- O que aconteceu com você depois que eu te deixei em casa?
Mandei-as entrar, quando eu sentei do lado delas elas já estavam quicando de tão impacientes.
- Fala logo menina, pelo amor, o que aconteceu? - disse impaciente.
- Meu pai morreu. – disse segurando o choro.
- O quê?
Respirei fundo e falei novamente..
- Meu pai morreu em um assalto.
- Ai , que horror!
- É, e o meu irmão vem pra cá semana que vem.
Elas estavam sem ter o que falar, apenas me abraçaram, o que já era bem reconfortante. Depois disso, como minha mãe não estava em casa elas falaram que não ia me deixar sozinha nem por decreto, passaram a tarde inteira comigo me distraindo, fazendo gracinha pra ver se eu melhorava, e esquecia só por um momento do desastre que tinha acontecido, e o ensaio, é lógico, foi pro espaço.
Quando minha mãe chegou, por volta das 19:00 hrs ela foi ligar pro meu irmão para saber como ele estava.
- Alô?
- Jasper, filho?
- Oi mãe, tudo bem?
- Tudo amor, e com você? Você já comprou a sua passagem? Arrumou as suas malas pra não esquecer nada? Já se despediu dos seus amigos?
- Mãe, uma pergunta de cada vez. Eu estou bem sim. Já comprei minha passagem. Só vou arrumar minhas malas na quinta, porque eu ainda vou ter dois dias para ver se eu não esqueci nada. E eu vou sair com os meus amigos na sexta, pra gente se despedir. Mais alguma pergunta?
- Não filho, só te liguei pra ver se estava tudo bem mesmo.
É incrível como o relacionamento da minha mãe com o meu irmão melhorou, eles não se falavam muito antes. Precisa de uma desgraça dessas pra aproximar eles, que horror. Pedi pra minha mãe mandar um beijo pra ele, porque pelo jeito a conversa ia demorar ainda, e fui pro meu quarto.
Como não tinha mais o que fazer fui entrar na Internet, entrei em um site, webrock, onde a gente conhecia novas bandas de rock, tinha um bate-papo lá que eu sempre entro, então resolvi entrar.
- OIIIIII!
- Oi . – uma menina, , me respondeu.
- Tudo bem?
- Tudo, e você?

i3

Acordei em pleno sábado as 05h30min da manhã, com nenhum pouquinho de ânimo pra enfrentar o dia pela frente, sabe aquele dia que você percebe que tudo não vai ocorrer como você espera? É assim que me ergui da cama, e confirmei de primeira, quando fui de encontro ao chão. Lençol, travesseiro, tudo veio pra cima de mim.
Taquei todo o tumulto que estava no chão em cima da cama e só então percebi a fumaça que se apoderava do meu quarto, levantei correndo e desci as escadas rapidamente. Desci a tempo de ver a cena do meu pai rodando desesperadamente com uma frigideira em chamas na cozinha, sem saber o que fazer, ele enfiou a frigideira dentro do congelador e eu me movi num flash, pra tirar e tacar na pia.
Ele estava suando de nervoso, então eu só confirmei o que já havia confirmado: meu pai não serve pra cozinhar.
Hoje é o meu aniversário de 17 anos, então ele devia estar tentando me agradar, e só de lembrar que data era, me deu um desanimo, to ficando mais velha.
Meu cabelo estava em pé, minha roupa nem um pouco adequada e meu hálito, depois de uma noite de sono, não devia ser o mais esperado, mas mesmo assim meu pai me agarrou, me beijou e me colocou no seu colo, como nos tempos de criança.
- Parabéns, princesa!
- Obrigada, pai! Mas que loucura foi essa aqui em baixo?
- Tentativa de agradar a pessoa mais preciosa da minha vida.
Hum, pai fofo né?! Mesmo ele não parando em casa, ele é o melhor pai do mundo, quando nos juntamos tudo vira alegria, festa e animação.
- Planos? – me perguntou, já animado, meu pai era o tipo de pai que saía comigo pro shopping, conhecia meus amigos, lia meu diário virtual, meu diário pessoal, sabia de tudinho mesmo. E o melhor, meus amigos e amigas o adoram.
- Nem sei pai, hoje tem reposição de aula na escola. – por causa da incessante gripe suína. – Devo ter planos só pra tarde, e nem pensei em quais planos.
Esperei que ele dissesse algo, mas ele estava pensativo demais, então pulei do seu colo, dei um beijo em sua bochecha e corri pra cima para me arrumar. Só quando olhei no espelho que reparei o reboliço que meu cabelo estava, parecia que eu havia pirado depois de um show de rock, e mudado o corte de cabelo (para um corte bem curtinho, pois ele estava totalmente pra cima.)
Peguei o pente e comecei a abaixá-lo, e a organizar os meus mais novos repicados, que logo, logo ficariam azuis! Tenho um cabelo na altura do ombro, loiro banco, mas hoje já marquei cabeleireiro com meu amigo (gay) pra pintar as pontas de azul (estilo novo).
Procurei uma roupa que prestasse pra sábado, vi uma regatinha branca jogada em cima do computador e coloquei-a (meu quarto estava um zona, mas era a “minha” zona) calça jeans normal e all star.
Minha mochila já estava organizada, então desci as escadas as 6:15 e me sentei pra lanchar com meu pai. Como a tentativa de lanche dele não dera certo, comemos cereal com leite.
- Vamos? Hoje te levo. – disse meu pai animadinho demais pra me levar a escola.
- Ah não pai, Kaio sempre vem me buscar, não vou dar o bolo nele. – disse choramingando, só em pensar que não iria com o Kaio pra escola.
- Já liguei e avisei que você vai no “meu” carro hoje. – tinha como reclamar? Não! Coloquei a mochila nas costas e me movi até o carro do meu pai, uma Mercedes McLaren, simplesmente uma peça raríssima. Aconcheguei-me no banco do carona e me preparei para os quarenta minutos de carro até a escola, para não colaborar com o tempo, meu pai dirigia calmamente, como se desejasse apreciar cada onda que se movia do lado de fora (algo nada cara do meu pai, sim, ele estava estranho).
Para piorar um pouco a situação, meu pai ligou o rádio do carro na estação de música lírica, tocava Pavarotti, e pra explodir de vez ele começou a acompanhá-lo, nas notas mais absurdas possíveis.

XX

Demorei mais do que o provável pra chegar à escola, mas cheguei.
Lá estava meu grupinho sentado em um canto do lado esquerdo do pátio, o papo corria animado, pois todos sorriam e riam descontroladamente. Alec, Jane, e Kaio, os meu amigos.
- Oi amores! – disse abrindo os braços pra receber um abraço em conjunto.
- Você está cheirosa hoje. – elogiou-me Alec (como sempre o mais fofo).
- Sempre! Não só hoje! – nem um pouco convencida, eu sei.
Jane estava parada hoje, ela estava silenciosa e ainda não havia mandado nenhuma piadinha maliciosa.
- Jane, tudo bem? – perguntei preocupada.
- Não! , não vai rola São Paulo no fim de ano. – balde de água fria total.
- Como? Por quê? O que houve?
- Ai , tudo dando errado, t-u-d-o. – fez questão de soletrar-me como se eu fosse uma analfabeta. – Minha mãe vai se mudar e me levar, ela vai se m-u-d-a-r e me l-e-v-a-r.
Não! Essa era a noticia que ela não podia me dar, logo no dia do meu aniversário, a Jane é a minha melhor amiga desde sempre, somos como irmãs (não gêmeas), mas irmãs.
- Como assim? Por que ela vai se mudar, e te levar?
- ela está apaixonada por um cara da Bahia, e quer me levar junto, eles vão se casar e vamos nos mudar pra lá. – Bahia? Meu Deus, longe, longe, longe.
- Jane, por que você não fica com o seu pai?
- ! Ele é a última pessoa que eu pensaria em ficar morando. Não é todo mundo que tem um pai como você, queridinha.
- Calma Jane. – ela não estava bem, e eu não estava pensando. – Fica lá em casa! Isso. Fica lá em casa!
Os meninos me olharam com carinhas que dizia “por que você só convida ela pra morar lá?”, ciumentos.
- , será que o tio César vai deixar? – a menina começou a se animar.
- Claro! Vocês passam o dia inteiro lá, estudam comigo lá, vocês usam as roupas dele. – isso me fez lembrar... – Ô Kaio, meu pai está querendo a chuteira de volta, ele vai jogar amanhã, e você ainda não devolveu. – voltando – Então, não vai rolar estresse, o negocio é sua mãe deixar. Aliás, isso seria injusto, queridinha, pois você vai pra Bahia, e pra faculdade em São Paulo depois?
- Já convenceu o tio César, ? – lembrou-me Alec.
- Calma! Logo, logo ele se conforma. Vou relembrá-lo hoje. Falando nisso, xô desanimo, meu aniversário galera.
Eles fizeram caras de indiferentes, não compreendi, mas fiquei meio triste com isso, poxa quando é aniversário deles, eu pulo, faço bagunça, e no meu, essas caras de enterro? Triste demais.
Dirigimo-nos pra aula de religião, após o sinal do hospício tocar, subimos as escadas e quando faltava pouco para eu entrar na sala, a moça do corredor me chamou, eu respirei fundo querendo saber o que queria, ela era outra que estava super estranha, mas tudo bem.
- Olá Inês. Tudo bem?
- Tudo sim , vem aqui comigo. – disse-me ela me puxando. A galera já havia entrado na sala, enquanto eu estava seguindo ela.
- Você quer alguma coisa Inês? Posso ajudar. – usei de toda a minha educação.
- Aqui. – disse-me ela sorridente, me entregando um embrulho lindo, lilás claro. – Não é lá essas coisas, sei que você pode comprar coisas muito melhores, mas é só pra não deixar passar. Parabéns. – fofa de mais.
- Não precisava Inês, mas obrigada. – abri o pacote que havia sido embrulhado delicadamente, dentro dele tinha uma colônia. – Ai, obrigada amada, mas deixa eu ir.
Desci as escadas correndo, tentando me segurar no corrimão, o professor de religião não iria me deixar entrar, aff. Bati na porta, e quando ele abriu...


CAPÍTULO DOIS:

i3

Quando o professor finalmente abriu a porta...
- Parabéns pra você, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida; – não agüentei, chorei – parabéns pra você, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida.
Toda a turma veio me abraçar, e meu pai também. (inacreditavelmente, ele havia faltado ao trabalho para estar ali), a sala estava simplesmente decorada, e um imenso bolo estava no centro de uma mesa, no meio da sala. Meu nome estava escrito bem grande no quadro negro, e uma música em um ritmo bem dançante tocava, se não me falhava a memória, era Firgie.
Passei a manhã sendo paparicada, recebi presentes, e meus amigos fizeram a festa. Houve de tudo, foi simplesmente perfeito. Houve Kaio dançando e rebolando em cima da mesa, meu pai dançando lambada com a professora de química (mico! Puro mico!), teve Jane cantando Perry Farrell (linda e fofa), e não podemos nos esquecer da guerra de bolo que teve no final. Quando todos já estávamos sujos, e empapados de bolo, dançamos macarena num ritmo desconhecido, só pra chocalhar o corpo mesmo. (n/a1: homenagem a uma certa pessoinha *-*).
Ao retornar 13h45min pra casa (no carro do Kaio), tive que tomar um belo de um banho, e molhar o cabelo (com isso, tive que remarcar o cabeleireiro), Kaio almoçou lá em casa, comemos pizza congelada, e meu pai foi pro trabalho, sujo mesmo (ele é o dono da empresa, então...). Não houve ensaio, pois a Jane e o Alec tinham que estudar para uma prova de sociologia que teria segunda. Então a festinha rolou entre eu e o Kaio mesmo, amanhã nós sairíamos todos juntos, pra continuar a festejar.
Na minha casa, houve guerra de pipoca, competição de quem comia mais sorvete, jogamos pôquer, dançamos sem música, e no final caímos no tapete e cochilamos, quando acordei dei um jeito na bagunça, tomei outro banho e liguei pro meu pai.
- Fala . – disse ele entediado.
- Vamos pro restaurante?
- Não vai dar, ocorreu um imprevisto e vou ficar até tarde na empresa. – como sempre.
- É, ta...
- Prometo tentar amanhã. – disse-me ele.
- Tudo bem pai, te amo, tenha uma boa noite.
Depois dele, liguei pro Kaio, mas ele também não podia vir pra cá, Jane e Alec ainda estudavam, então à noite e sozinha. Subi pro meu quarto, liguei o computador e entrei no site. O bate-papo estava paradão no webrock hoje, ninguém. Ninguém, ninguém, cri, cri, cri. Esperei por mais ou menos meia hora, e quando ia desligar uma tal de (apelido desconhecido pra mim) entrou.

8D

: OIIIIII!
: Oi – uma menina, , me respondeu - Tudo bem?
: Tudo, – respondi – e você?
: Sim! – ela me disse, sinceramente nunca tinha falado com essa tal de .
: Você é nova por aqui?
: Eu não sou nova não! E você?
: Também não, mas nunca tinha te visto aqui.
: Eu sou bem conhecida aqui, muito até.
: Sério? Eu não sou tão conhecida por aqui não.
: Hum... Minha banda pelo menos, é conhecida por aqui.
: A minha é mais ou menos (mais pra menos, diga-se de passagem).
: Qual o nome da sua banda, ?
: Evermore, e a sua?
: Você é da banda evermore? Jura?
: Sim, por que você conhece?
: Com certeza. Todos conhecem, e depois você diz que é desconhecida. Vocês estão participando do concurso, por isso.
: Sim. Nossa, não sabia que éramos tão conhecidos.
: Vocês compõem bem, por isso. Vê se conhece a minha: Maniacs.
: Conheço sim! Agente vive vendo seus vídeos pra ter inspiração...
: Pára, assim fico até vermelha haha. Mora aonde ?
: São Paulo, e você?
: Rio de Janeiro. Menina você que se dá bem, vou para aí final de ano né!
: Pois é!
: Poxa, hoje aqui ta paradão. Incrível! Nunca tinha visto assim.
: Ta mesmo, toda que vez que eu entro, tem um milhão de pessoas, hoje ta assim.
: Poxa logo no meu aniversário, que injusto.
: Sério que seu aniversário é hoje?
PARABÉEEEEEEEEEEEEENS!
: Obrigada! Acho que vou morar em São Paulo, de vez. Vamos ver né...
: Sério? Que legal, quem sabe agente se encontre por aí.
: Vamos nos encontrar, com certeza, afinal, no concurso todos estaremos lá. E que vença o melhor.
: É verdade, vamos nos ver no concurso. E que vença o melhor!
: Boa sorte desde já.
: Pra você também!
: , até qualquer dia menina. Eu entro sempre à noite, talvez nos esbarremos de novo.
: Até qualquer dia. Beijo.

Nossa, quem diria, a é do maniacs? A banda que agente tem como inspiração.
Depois que ela saiu, fiquei mais um tempinho esperando pra ver se alguma das meninas dava o ar da graça, mas ninguém entrou, então eu saí, e fui dormir.
No dia seguinte eu entrei no webrock pra ver se a estava lá, mas ela não estava.

i3

Nem precisei me esforçar pra acordar, pois a Jane fez questão de fazer isso. - Só mais um minutinho, pai. – disse zombeteira.
- Mais um minutinho? Menina, você dorme demais. – disse-me Jane tentando imitar a voz do meu pai – Vamos , acorda. – ela agora me balançava. - Pronto acordei, estou de pé. – disse, após ela insinuar que me molharia se eu não levantasse.
Arrumei-me e desci a procura do meu pai, porém em vez dele, achei um bilhete colado na geladeira, que dizia:
“Tive que fazer uma viagem de negócios a São Paulo, prometo tentar voltar o mais rápido possível, e chegar a tempo de um restaurante hoje, beijos, tenha um ótimo dia”.
Como isso já havia virado rotina entre eu e meu pai, nem me choquei tanto, Jane observava a sala que ontem tinha sido o palco de uma festinha particular, eu havia dado um jeitinho, mas era um jeitinho “estilo ” sabe.
- A noite foi longaaa ontem, hein . – zombou ela, já pensando merda. - Vai se ferrar, Jane, vamos. – peguei meus óculos escuros e saí pra fora de casa.
Planos pra hoje? Salão de cabeleireiro, algo que a Jane não tem paciência, então ela iria rodar o shopping, enquanto eu me deliciava numa sessão pintar cabelos. Quando chegamos ao shopping, Jane achou algo muito interessante pra fazer, flertar com os donos da loja de óculos, eu suspirei fundo e fui pro salão do meu amigo gay, *Florinda*.
- Oi migaaa. – gritou Florinda pulando e acenando quando eu apareci em frente à porta do salão.
- O terceiro beijinho pra casar. – disse ela, quando eu fui abraçá-la e beijá-la – Miga, tenho que te contar. – ela colocou a mão na testa e começou a fazer drama – Se lembra daquele bofe que estava no cinema vendo 2012, naquele dia? – (nota mental: não sei se vocês têm amigos gays, mas quem tem deve ser igual ao meu, ele não deixa você falar, ele continua, mesmo tendo feito uma pergunta) – então... Senta menina! Continuando... Ele malha naquela academia ali. – disse ela apontando pra uma tentativa de academia em frente – Então... Eu decidi fazer uma visita, e tu não sabe! Ele namora aquela qualquersinha da rua de baixo, sabe quem é? Então, quando eu ia falar com ele, quando eu tomei coragem, ela chegou... ah, não prestou, eu recolhi o resto da minha dignidade e fui embora, onde já se viu, homem é uma raça que não presta. – se ligaram que ela estava falando tecnicamente mal dela própria.
- Fica assim não, Flo. – diminutivo de Florinda – Amiga, você vai assistir o show em São Paulo? Vai, por favor.
- Claro que eu vou! Afinal, eu que vou te maquiar, arrumar cabelo, figurino... É, temos que ver a roupa, do coração da tia.
Depois da sessão drama, passamos a manhã falando qualquer coisa, tipo, o físico do imperador “Adriano”, a barriguinha do Kaká, falando mal do cabelo da vendedora do lado, ainda rolou um momento cantando o sete, e no final de tudo...
- Aaaaaaaaaaaaaaaaaaah – gritou ela colocando a mão no coração, como sinal de enfarte – minha obra prima! Linda, linda, linda! você é chique demais, perfeita, perfect, much perfect. – a pior coisa do mundo, é gay tentando falar inglês, garanto.
Combinamos uma hidratação para a próxima semana, depois eu e a Jane ligamos pro Kaio e pro Alec, e todos almoçamos juntos no Mcdonalds. Mais tarde todos invadiram a minha casa como de costume, e colocamos a mão na massa, pra ensaiar e compor as músicas principais pro concurso.

8D

No dia seguinte eu entrei no webrock pra ver se a estava lá, mas ela não estava.
A semana passou imperceptível, nós ensaiamos um pouco, o concurso já estava pertinho, e quando eu menos esperava já era sexta-feira e o meu irmão chegaria no dia seguinte.
Dei um pulo da cama quando ouvi a porta abrindo, era a minha mãe, saí correndo pra falar com ela.
- Mãe? É você? – Lógico, quem mais poderia ser, o papai Noel? Fada dos dentes? Até eu me impressiono com as minhas perguntas idiotas.
- Oi filha, o que aconteceu que você está toda afobada?
- Que horas o Jasper vai chegar amanhã?
- 10h00min, mas a gente vai ter que sair daqui umas 9:00 hrs, pra chegar no aeroporto a tempo.
- Isso quer dizer que eu vou ter que acordar 08:00 hrs? Eu vou ter que acordar de madrugada, mãe?
- , para de ser dramática, se não quiser acordar cedo fica em casa, e eu vou buscar seu irmão sozinha.
- Não mãe, eu acordo, e vou com você. - Ela ia me falar alguma coisa, mas o meu celular tocou, e eu fui atender, e logicamente era a , a única pessoa que me interrompe em conversas como essa.
- Oi .
- Oi , tudo bem?
- Tudo ótimo, e com você?
- Tudo bem. Ô , é amanhã que o seu irmão chega, né?
- É sim, por que o interesse?
- Interesse? Interesse nenhum amiga, só curiosidade.
- , eu te conheço, me fala a verdade logo.
- Ai credo, não falo mais nada, nem me preocupar com a minha amiga eu posso mais, que coisa.
- eu te conheço, a sua preocupação não é bem comigo, e sim com o meu irmão, mas tudo bem, pode perguntar, eu juro que não te encho mais.
- Ah , tenho que desligar, minha mãe está me mandando lavar a louça, que eu não lavei.
- É , vai lavar a louça, irresponsável. - disse rindo - Manda um beijo pra tia.
- Ta, mando sim, beijos.
Ela desligou, como sempre, antes que eu pudesse responder. Passei boa parte da noite pensando na e no Jazz juntos, até que eles formavam um casal fofo. Deixa eu parar de ficar fantasiando coisas, e tomar um banho pra dormir.
Terminei o banho e fui deitar, ia ter que acordar cedo.
Dormi que nem uma pedra, quando o meu celular infeliz fez o favor de despertar.
Ouvi minha mãe lá embaixo já, será que ela não dorme?
Arrumei-me e desci, minha mãe já tinha preparado o café da manhã, e nós pela primeira vez, depois de muito tempo, comemos juntas, conversamos, rimos, coisa que já vinha me fazendo falta, perdemos a hora e quando fomos ver já eram 08:50 hrs fui correndo terminar de me arrumar, e desci, minha mãe já estava no carro e nós fomos, demoramos mais ou menos 40 minutos, fomos ver o horário de chegada do vôo do meu irmão, a mulher avisou que era na plataforma 5 e o avião já estava pousando, saímos correndo, que nem duas loucas, mas chegamos a tempo de ver o meu irmão nos procurando, minha mãe foi correndo até ele chorando, se não fosse tão trágico, seria engraçado.
Eu fui andando calmamente até os dois, quando eu cheguei o meu irmão soltou minha mãe e veio me abraçar.
- , que saudade de você.
- Também estava morrendo de saudade, Jazz.
- Vamos pra casa, crianças? - Minha mãe e essa mania de chamar a gente de criança.
Fomos pro carro, e lá minha mãe fez umas 200 perguntas pro meu irmão, parecia interrogatório, fiquei com dó dele, mal volta pra casa e já é recebido com esse monte de perguntas, mas rapidamente chegamos em casa, e finalmente ele ficou em paz, minha mãe foi pra cozinha e nós dois subimos pro nosso quarto, deixei ele à vontade, mesmo querendo ficar mais perto dele. Teria que esperar até o horário do almoço, essa hora prometia.


CAPÍTULO TRÊS:

8D

Minha mãe nos chamou para almoçar, eu desci e logo depois o Jazz desceu, perguntei pra minha mãe se ela já havia posto a mesa e pra variar, ela não tinha, então fui pegar os pratos, copos e talheres. Depois de ter arrumado tudo, fomos sentar, quando eu sentei, a campainha tocou.
- Deixa que eu atendo. – disse, já me levantando.
Quando eu abri adivinha quem era? Acertou quem disse , eu já disse que ela praticamente mora aqui, certo?
Então ela já foi entrando.
- Oi .
- Oi amiga. – disse, levando ela pra sala de jantar.
- Oi tia.
- , é você? - Não mãe é a sua avó, aff, eu odeio perguntas idiotas - Vem almoçar com a gente.
Mesmo se minha mãe não a tivesse convidado, ela almoçaria.
- Ah , esse é o meu irmão, Jasper. Jasper essa é a minha amiga, quase irmã, .
- Oi , tudo bem? - Foi só eu que percebi, ou o Jazz já estava meio íntimo demais da ? E esse interesse na voz dele?
- Oi Jazz. - Jazz? Como assim Jazz? Que intimidade é essa, ela conhece meu irmão a tipo, cinco segundos e já está nessa intimidade toda? - Tudo perfeito, e com você? - Ela já estava se servindo, depois de ter pegado seu prato, e se sentando do lado do meu irmão (quando eu digo que ela praticamente mora aqui, eu não falo isso de brincadeira, ela realmente se sente em casa.)
- Melhor agora. – Tipo, meu irmão e minha melhor amiga estão flertando na minha frente?
O almoço passou assim, os dois em uma bolha conversando e eu e a minha mãe nos olhando, a gente meio que conversa por telepatia. Quando terminamos o almoço, a minha mãe perguntou se a gente queria ir ao shopping, eu aceitei prontamente, nunca recusaria um convite para o shopping, mas os dois bonitinhos não quiseram ir, então nós iríamos sem eles. E vocês acham que dona foi pra casa dela? Logicamente não, continuou lá na cozinha, com o meu irmão.
No caminho para o shopping, minha mãe estava inquieta, eu sabia que ela queria que eu falasse da e do Jazz, então toquei no assunto, me fazendo de desentendida.
- Mãezinha, você também percebeu o clima entre a e o Jazz?
- Ai filha, eu sabia que você também tinha percebido. Muito fofo os dois né? Ai que lindo, a minha norinha. Eu já considero ela minha filha mesmo, só vai oficializar. – Sim, pra quem tem alguma dúvida, minha mãe é louca, ela adora a e tudo o que ela faça, pra minha mãe, vai estar certo. Minha mãe não se importa se a praticamente mora lá em casa como qualquer mãe normal se importaria, ela ama. Às vezes eu acho que ela ia preferir que a fosse filha dela.
- É mãe, os dois ficam muito fofos juntos, mas eles se conhecem a uns 20 minutos, no máximo.
- Mas eu já percebi, , o destino dos dois é ficarem juntos pra sempre. Eu sou mais velha que você, eu sei das coisas.
- Eu também mãe, vou adorar ter a como cunhada, apesar de ela já ser quase minha irmã. Quer dizer se eles realmente forem ficar juntos.
- Ai , larga de ser pessimista. ”Se” é uma palavra que não deve constar no seu vocabulário, estamos entendidas? Vai dar certo filha, e nós seremos uma grande família feliz.
Eu que não ia discutir né? O médico já disse para não contrariar.
A conversa parou por aí porque chegamos ao shopping, a minha mãe simplesmente viaja, coitada, ela é sem noção, eu a amo, mas essa é a mais pura verdade, ela vê os dois juntos 20 minutos e já imagina os dois casados e com filhos.
Passamos a tarde inteira conversado, comprando, e brincando, parecendo mais duas amigas, do que mãe e filha, e isso foi muito bom. Quando estávamos no estacionamento, tinha uma muvuca, e como eu sou extremamente curiosa, fui ver o que era, quando chego perto eu quase ri, só não ri porque a situação era crítica, minha querida amiga , estava estatelada no chão, se fingindo de desmaiada. (Sim, vocês leram certo, se fingindo (pelo menos era o que parecia) provavelmente para ninguém rir da cara dela) (N/a2.: Em homenagem a Key e a Rapha kkkkkkk) porque um carro tinha batido nela (pelo menos foi o que me disseram, e eu logicamente acreditei, se me falassem que a tinha sido atropelada por um cachorro, eu acreditaria, a é a pessoa mais desastrada que eu conheço, já conheci, e provavelmente conhecerei em toda a minha vida), quando cheguei perto dela, o homem que estava do meu lado avisou que já tinham chamado a ambulância, eu fiquei esperando para ir com ela. Quando chegamos no hospital ela ainda estava “desmaiada”, e um médico muito gato, que atendia pelo nome Carlisle, atendeu ela, fez uns exames e disse que era só esperar ela acordar, e teria alta.
Ah meu Deus, com um médico bom desses, até eu vou virar desastrada. Enquanto estava tendo pensamentos impuros com o doutorzão, minha amiga acordou. (Eu estou achando que ela desmaiou de verdade, coitada).
- , como você conseguiu ser atropelada dentro de um estacionamento?
- , vai a merda, eu acabo de acordar e você já vem me zoar?
- Ai amiga, foi mal, mas eu não resisti, a propósito, o médico que te atendeu é totalmente gato.
Quando eu fecho minha boca, o Apolo entra, a quase desmaiou de novo.
- Senhorita? Levou um belo susto, hein?
- É, eu já estou acostumada.
- Bom, você está bem, vou te dar alta, só espere eu chegar com a autorização, certo?
- Ok!
Minutos depois, o médico chegou com a autorização, e nós fomos embora, na saída do hospital, adivinhem quem minha mãe tinha ido buscar? Tia Racqueline (a mãe da ), e a mulher estava tendo um colapso nervoso, coitada.
- , como você faz um negócio desses com a sua mãe?
- Mãe, achei que você já tivesse se acostumado.
- Isso é uma coisa que a gente não se acostuma, menina, você nunca mais vai sair sozinha, vamos para casa.
Elas foram, e eu e minha mãe também, em 15 minutos chegamos, fui para a cozinha ver se os dois estavam lá, eles não estavam, na sala também não, subi e a porta do quarto da estava entre-aberta (é, ela também tem um quarto aqui), quando entrei, estavam os dois dormindo, a fazendo o peito dele de travesseiro, saí e deixei os dois à vontade (se é que da pra eles ficarem mais à vontade), quando desci, dei de cara com a minha mãe.
- , cadê eles?
- No quarto da .
Quando eu fechei a boca, a veio descendo a escada, toda descabelada.
- Menina, o que você estava fazendo?
- , vamos para o quarto que eu te conto.
- E pra tia, , você não vai contar?
- Mãe, faça-me o favor né?
Subimos e fomos pro meu quarto, quando eu entrei ela já estava jogada na minha cama, em cima dos meus milhões de travesseiros, não deixando espaço pra eu sentar.
- Conte-me tudo, não esconda nada.
- Ai amiga, seu irmão é um sonho, eu descobri que ele gosta de Nirvana, e adivinha?! Eu amo Nirvana. Amiga, você sabia que ele tem uma banda? - Eu não tive tempo de responder – É, mas isso não vem ao caso.
- , espera, volta tudo, conta o que aconteceu desde a hora que eu e a minha mãe saímos, com calma.
- Assim que vocês saíram, nós fomos para a sala e ficamos conversando sobre música, e ele me mostrou algumas músicas que ele compôs, e tal, mas o assunto acabou, foi então que ele deu um sorriso insinuador, aquilo me incentivou, sentei do lado dele, e perguntei “Jazz, você namora?” ao invés de me responder, ele me beijou, ele tem uma pegada incrível, você sabia que seu irmão era assim? Por que não me contou antes? A propósito, seu sofá é muito pequeno, você deveria trocar, sabia? Mas continuando, nós fomos para o quarto e ele continuou me beijando, depois nós pegamos no sono, e vocês chegaram...
- , você está denegrindo o meu irmão sua louca, você está poluindo o coitado.
- Mas ele é tão bom...
- , vocês não...
- É claro que não! – ela quase gritou. – Foi só nosso primeiro encontro , não sou desse tipo...
Ela saiu, e me deixou com cara de paisagem, é assim que eu fico por ter uma amiga louca. Totalmente louca, mas será que alguém me responde, eles só se beijaram, deram um amasso, como ela disse, ou passou disso e ela está me escondendo? Vida sexual era o que pra dona ? Logo, logo eu iria tirar essa história mais a limpo, não que eu quisesse saber... Quer dizer, eu queria, é meu irmão né.

i3

Passamos a tarde de domingo trancados em um cômodo da minha casa, que foi construído especialmente para essas ocasiões de ensaio. Ensaiei, cantei, compus, sem a menor cabeça, ela se encontrava a quilômetros de distância, mais especificamente em alguma sala de escritório, em São Paulo.
Ás 17:30, a galera foi embora, e eu fiquei sozinha, tentei me comunicar com meu pai umas três vezes, mas nada. Kaio ia passar a noite com a namorada, (e ser vela, não dá.) Alec e Jane mais namorar, do que estudar, então eu não queria ir. Fui tomar um banho, e no meio dele, o meu celular tocou, estendi a mão e peguei. Não era quem eu esperava, mas era alguém interessante.
- Oi Flor. – disse sorrindo.
- Oi magnifict. – (além de falar inglês, ela inventa inglês! Aquilo ali foi uma tentativa de falar magnífica, sacou?) – How are you?
- Hey amada, estou bem, já sentiu saudades?
- Ocupada? – conversa doida? Isso não é nada.
- Tomando banho! E acho que internet depois.
- Vamos sair? – você não imagina o que é sair com a Florinda, pensei sério no caso.
- Pra onde?
- Vou sair com minhas amigas. – grupinho de gays sacou, né – Vamos beber.
- Éh... Acho que não dá. – nunca recuso convites, mas hoje não era dia para sair com ELAS. Muito menos ver ELAS, bêbadas.
- Claro que vai, se arruma, bye, me dá cinco minutos, já chego aí. – pude falar algo? Claro que não, ela desligou.
Sabia que boa coisa não ia sair disso tudo, eu devia é ficar em casa, e estudar mais um pouco para a prova, que ocorreria na próxima semana, eu dependia dela para entrar na faculdade, mas quem dera que eu tivesse ouvido a voz da razão, lá fui eu sair com Florinda, Bebel e Soraia.
- Oh – fez Bebel levando a mão ao coração –, bem que Linda tinha dito. – outro apelidinho da Florinda – Mas ta mais que perfect, mais que magnific, ta, ta ó... Arrepiei. – já estava ficando anormal, isso tudo por um cabelo.
Chegamos no bar que estava lotado, só para constar, bar de gays, devia ser alguma reunião do clube da pá virada, ou algo assim, sabe. Eu iria me sentar em um canto bem afastada de tudo, aquele tumulto de vozes grossas tentando ser finas estava me irritando, mas não rolou, Linda me puxou pra sentar bem no meio da muvuca. Na terceira taça de ice, a Bebel já estava bêbada, eu não tenho essa sorte, demorou um ano pra começar a fazer efeito.
- Tira, tira, tira, tira. – que merda era essa? Descobri no exato momento em que vi seis homens subirem no palco, e começarem a dançar, cacete estou tendo pesadelo, a Linda me levou em um clube de strip-tease gay, é isso mesmo? E pra piorar, Bebel estava em cima da mesa, gritando igual às outras.
- , eu quero o negão, e você? – meu Deus, cadê o buraco nessas horas? A Linda estava endoidando, como assim quem eu quero, ela que fique com todos. Mas acho que nesse exato momento, os drinques fizeram efeito.
- Eu? O gostoso do meio. – respondi feliz demais, e subindo na mesa.
(Nota mental: arranjar o enterro da Florinda quando eu estiver lúcida.)
- Tira, tira, tira, tira. – berrava pulando igual uma condenada, espero que esses gays não saibam usar câmera de celular. Pra piorar a minha situação, ou melhorar, o gostosão do meio me puxou pro meio.
- , , . – começou a gritar Linda, e as outras a acompanharam, não me contive, comecei a pular e a dançar junto com o lindão, começou a tocar Lady Gaga ‘Bad romance’ aí que não me contive mesmo.
Deram 1:15 e eu desci do palco pra participar do trenzinho que rolava.
- Uhuuuuuuuuuuu. – perdi a conta de quantas eu havia bebido, acho que umas doze multiplicado por três, eu estava na M*, literalmente, mas se já estava, eu ia é me sujar, agarrei o bofe que estava no canto, e me acabei de tanto beijar, depois peguei o número dele para alguma possível apresentação particular.
A Linda pulava no colo do negão, que se chamava Alfredão, acho que não deveria ter nome pior. A Bebel estava caída, acho que ela não agüenta muito bem as bebidas. E a situação só ia piorando, não sei como.
Abriu a sessão cantando o sete, todas subiram pra cantar, chegou a tal crítico que a Flor subiu no palco, pegou o microfone, todas pararam pra escutar, acho que foi o momento de mais calma que rolou.
- A música que irei cantar, vai em homenagem a todos os vagabundos que não souberam me valorizar – todas aplaudiram – a música vai para os negões que não me quiseram – cara, me tira daqui, minhas pernas não agiam, eu estava empolgadinha demais – Essa música vai pro tio César, que ainda ei de me casar – morri, claro... afinal, esse era o meu “papai”. – Afinal essa é pra vocês minhas bibaaaaaaaaaas!
“Dale a tu cuerpo alegria Macarena” – meu deus, macarena, pasmei. E as bibas piraram, todos juntos sabíamos a dancinha, e nos empolgamos.
Que tu cuerpo es pa' darle alegria y cosa buena
Dale a tu cuerpo alegria, Macarena
Hey, Macarena.
Após macarena rolou La bamba, e daí só foi ficando pior, quando saí daquela espécie de bar eram 3:15, saímos em trenzinho, elevando um braço de cada vez, como ninguém podia dirigir, saímos pra madrugada carioca, falando muita besteira.
- Um brinde a nossa mais nova integrante+ - berrou Bebel, sendo carregada pelo negão da Linda – !!!!...
- Uhuuuuuuuuuuu euuuuuuuu. – berrei. – Hey macarenaaaaa. – Certeza que quando eu acordasse, não iria nunca mais querer sair do quarto.
Cheguei em casa já passavam das 4:00 horas, encontrei meu pai mexendo no meu computador, no meu quarto. Pra piorar minha situação, além do horário, do cheiro e de eu estar bêbada, eu ainda carregava uma garrafa de uísque.
- Três dias sem escrever no seu diário virtual? – ele disse, ainda sem se virar, mas percebendo o cheiro de álcool.
- Éh, to sem tempoooo... – berrei, jogando o sapato pro alto e tomando outro grande gole.
- Foi boa a festinha? – ele perguntou bravo e com os olhos cansados.
- Éh, vou arrumar essa semana – berrei –, pensei que ficaria mais dias fora. – berrei pra vizinhança toda ouvir.
- Pensei que te encontraria dormindo.
- Pensei que fossemos jantar juntos, hoje.
- Pensei que tivesse dito que não queria você fora de casa após as dez horas.
- Chega de pensei que...
Ele suspirou e finalmente se virou para me olhar, ele estava com a aparência cansada, com as feições pra baixo, nunca tinha visto ele naquele estado.
- Hey papai, o que aconteceu? – perguntei me jogando em seus braços, totalmente bêbada.
- Ainda planejando se mudar pra são Paulo? – ele perguntou se desvencilhando da pergunta, e me surpreendendo com outra.
- Simmmmmmm. – fui sincera.
- Então vá. – ele disse assim, normal demais.
- Como é?
- Você pode ir, comprei um apartamento para você lá. – ele disse calmamente.
- Não compreendooo!
- Eu vou precisar me mudar, , para os Estados Unidos, morar lá uns dois anos, e não quero que você vá, você é bem grandinha para morar sozinha, então vá. – quem tem um pai assim levanta as mãos \o/, totalmente direto nos assuntos, e ele berrava pra ver se conseguia roubar minha atenção, mas as cenas rodavam na minha cabeça, as cenas do bar das loucas.
- Por que você vai ter que se mudar? – mesmo bebum eu estava sentindo algo queimar em meu peito, e gemi contra isso.
- A embaixada americana me quer, eu não sou nacionalizado brasileiro, todas as minhas identificações são americanas, estou no Brasil a vinte e sete anos, ilegalmente – Como é que é?
- Como? – nesse momento aquilo roubou completamente minha atenção, tentei me desvencilhar da dor de cabeça que se apossava, mas estava sendo difícil ganhar essa briga.
- Não posso explicar, mas tenho que me mudar em duas semanas, não posso mais ficar aqui. – uma lágrima rolou, fazendo minha pele pinicar.
- Vou com você. – perco tudo, mas não o pai.
- Não, você vai ficar, , eu vou enviar dinheiro pra você.
- Pai, não é só isso, me conta tudo. – ordenei quase dormindo, estirada em seus braços.
- É tudo tão complicado...
- Não importa, eu quero saber. – disse tentando ser firme.
- Quando vim pro Brasil, foi só para conhecer, não pensava em morar, mas tudo era tão atraente para um homem de 22 anos, que fui ficando, num carnaval desses, conheci sua mãe, e bum... – ele fez som de explosão, sentando-se no chão, e me puxando pra deitar no colo dele – você nasceu, a menina mais linda que eu já havia visto. Não abandonei sua mãe, montamos uma família e fiquei, mas não me casei. Não me nacionalizei, afinal, para sempre serei americano, agora a embaixada americana me quer.
- Por que só agora? – perguntei, sentindo minhas pálpebras fecharem.
- Sou um homem de riquezas, , tudo muda, consegui encobrir isso há anos, mas sabia que um dia iam sentir minha falta. – ele deu uma rida forçada e cansada.
- Por que dois anos? – tentava me concentrar, mas a bebida não deixava.
- É o tempo necessário para eu arrumar tudo, e me nacionalizar brasileiro.
Tudo aquilo era esquisito, estranho e incompreensível demais pra minha atual capacidade de raciocínio.
- Pai, você não vai ser preso né? – essa idéia me apavorava.
- O poder do dinheiro não me dá esse benefício... – ele riu forçadamente de novo – não pense que vai se livrar de mim tão fácil não, princesa, ainda vou te incomodar, mesmo à distância.
- Daqui a duas semanas? – perguntei sentindo um pouco de falta de ar.
- Sim, até seus 18 anos, você vai ficar sobre a guarda do Mario. – o 2° dono da empresa – Ele só vai tomar conta da parte burocrática, mas a vida é sua. – Não queria saber, eu odiava aquele homem.
- Parte burocrática?
- É, você é menor de idade querida, existem decisões que só seus responsáveis podem tomar.
Dormimos ali mesmo, pelo menos eu dormi, pois depois da última frase, eu não lembrava de mais nada. E o resto da semana foi dura, ensaiei como uma desgraçada, estudei como uma condenada, e arrumei tudo pra me mudar. A minha banda iria pra lá daqui a duas semanas pra ensaiarmos, e finalmente, concurso.


CAPÍTULO QUATRO:

8D

Depois do final de semana, sempre vem o inferno de segunda-feira, acordar cedo, odeio.
Se antes a quase morava aqui, agora só falta trazer as malas. Como ela dormiu na minha casa o final de semana, (devo comentar o motivo?) nós fomos para a escola juntas. Assim que entramos, demos de cara com a encostada no carro dela, com um bico do tamanho de São Paulo.
- , o que aconteceu amiga? – disse, dando um beijo nela.
- Tudo por causa de um menino novo e arrogante que chegou.
- Ai , você está assim só por causa do garoto novo? Falando nisso, ele é bem gato, ui, por que você não da uns pega nele? – disse a rindo.
- Ai , você só pensa nisso? Você não viu, o menino tem um carro melhor que o meu, isso é inaceitável. - resmungou a .
Pois é, a tem um certo problema, ninguém pode ter nada melhor que o dela.
- Você acha que eu ia estar pensando em CARROS, quando tem um gato desses na área? – soltou a , sem pensar.
E como vocês podem ver, quando ela e a se juntam soltam faísca.
- Lógico, como assim? Você é muito fútil menina. – disse a , se alterando.
- Prefiro o calor humano, ao calor de um motor. - Sem comentários, por favor.
- Ta bom, as duas podem parar de criancice? – Sim, eu pareço a mãe delas, e eu sou a mais nova. Qualquer dia paro em um manicômio por causa dessas duas.
Quando eu fechei a minha boca, o bonitão da vinha se aproximando.
- Você que é a dona desse carro?
- Huumm, senti um clima. – disse a .
- Sou, por quê? cala a boca, ok? – respondeu , e Emmett riu do comentário da .
- Nossa, esse carro é demais. É verdade que ele chega a 200km/h em 5 segundos (n/a2: Eu não entendo nada de carros, isso veio na minha cabeça). (n/a1: dá pra perceber... koaskoakoas).
- É sim. – disse , indiferente.
- , acho que agente está sobrando. – disse a em tom sarcástico.
- É... Hoje vai ter um racha, quer ir? Você pode competir. - eu estava me virando pra ir embora junto com a , porque realmente a gente estava sobrando, quando ouvi a palavra racha, me exaltei e voltei.
- Campos, você não vai.
- Fechado, que horas e aonde?
Falamos eu e ela, ao mesmo tempo.
- Ai que sexy, racha. – zombou a , lógico.
- Bem, ? Eu sou o Emmett. Nos encontramos do lado do beco, à 1:30. (n/a2: beco, entendeu hello) (n/a1: prefiro não comentar, Bells a ta pervertida hoje - koaskoaskoas). (n/a3: HMMM, Duda está mudando hein, rsss)
- Ok, estarei lá. – nem ligou para o que eu tinha dito.
Quando o Emmett se virou, eu quase pulei no pescoço da .
- , você é louca? Você não pode ir nesse racha. – berrei.
- É , se você morrer, não vai poder casar com ele. – esse era o modo da de colaborar comigo.
- você não está ajudando, ok? , se você for eu vou também, e a também, né ?
- Lógico, acha que eu ficaria de fora? – claro que não, né.
- E a também. - A nunca ficaria de fora do agito.
- Eu não estou mandando ninguém ir comigo, vocês vão por livre e espontânea vontade. – disse a .
- , cala a boca.
- Mas , você não entende que a gente se preocupa com você?
Falamos eu e a ao mesmo tempo, nem preciso falar quem falou cada frase, né? Na hora o maldito sinal tocou, e como a é mais velha que nós, tinha que ir pra aula dela.
- Olha , a gente se encontra no almoço, ok? E juízo viu?
- , posso cabular aula? Quero ver o Jazz. – vocês têm dúvida de quem foi essa pergunta?
- , NÃO.
- Chata.
- Menina, você vê o meu irmão todos os dias, o dia inteiro, por favor né? Se você virar uma vagabunda, eu saboto o namoro de vocês.
- Vagabunda nada, ok. Eu gosto só dele, só dele. Mas não sou cega, quando eu vejo algo bonito, reconheço. – tentava se defender.
Será que ela ainda não percebeu que conhece ele a mais ou menos 48 horas? Minhas amigas são assim, loucas.
- , eu sei que você não é vagabunda... Por que a gente está discutindo isso? Vamos pra aula.
- , o Jazz falou de mim? – eu mereço.
- , você dormiu na minha casa, esqueceu? Eu não falo mais com ele, você monopoliza o meu irmão. – falei enquanto a reapareceu do nada.
- Dá pra apressar? - resmungou .
- , está nervosinha por quê? Pensando no Emm?
- Ai, dá para as duas pararem? – disse, cansando das duas.
- Cala a boca, . – mandou .
- Não se pode nem falar a verdade mais... – a também não era mole.
- E você? Foi bom com o Jazz, ? – a é fogo.
- , você está de TPM, credo, está estressada. E , amiga, por favor, para de irritar ela, ok? Vamos pra sala que a gente já está atrasada.
- Com o Jazz foi muito bom, você nem sabe! – ela parou, claro que não.
- ! Vamos embora. – berrei.
- Dá pra irmos logo? – disse , rapidamente.
- Vamos. – disse, e seguimos, antes que elas se matassem.
A seguiu pra sala dela e eu e a pra nossa, esse era o único momento de paz, porque imagina se fossemos as três da mesma sala? Não ia prestar.
- Ai, deixa de ser chata. – e nesse exato momento o celular da tocou, e um sorriso foi se abrindo mais e mais naquele rosto, me deu medo – , era a minha mãe, aconteceu uns bagulhos loucos e ela vai ter que ficar fora da cidade por uma semana, e adivinha? Vou ficar na sua casa, apesar de não fazer diferença, ela nunca está, acredita que ela arranjou um namorado, e só falta levar as malas pra casa dele? – ela nem se convidou, mas ok.
- Jura? Não acredito, que novidade amiga. - usei minha melhor cara de irônica.
- Ai credo, se é assim vou ficar na casa de outra amiga, ok, alguma que me ame de verdade. – Fez drama.
- Ai , para de ser dramática. Você sabe que eu te amo.
- Ama nada, depois que o Jazz chegou, você ficou ciumentinha. – disse ela assim, do nada.
- Ai, lógico né, eu estava há cinco anos longe do meu irmão, eu sinto falta dele. Mas você pode até morar lá em casa a partir de agora, eu deixo. - Acho que falei besteira, vai que ela aceita.
- Ótimo então, adorei a idéia. – disse, com os olhos focados em algum lugar ao horizonte, segui o olhar dela e vi o carro do Jasper. – Acho que ele veio me buscar, melhor ainda. Tchauzinho. – e simplesmente saiu.
O quê? Meu irmão veio buscar ela? E tipo, nem lembrou da minha existência? Ah, eu não sou ciumenta, mas ele dá mais atenção pra ela, do que pra mim, que sou irmã dele. Tá, talvez eu seja um pouco ciumenta. Continuei indo pra sala, quem sabe lá eu encontre alguém que me ame de verdade.
As aulas passaram voando, e nada da aparecer, acho que o Jazz seqüestrou ela. Mas no intervalo ela apareceu, com um sorriso idiota na cara.
- Oi , você nem sabe, o Jazz me levou pra ver um ensaio da banda dele, cara foi o máximo, ele tocando fica tão sexy, e os outros integrantes da banda também são lindooos, nenhum como ele, claro, ai amiga você precisava ter visto, foi tudo, ele tocou uma musica pra mim, acredita? – os olhinhos brilhantes dela estavam me irritando.
- O quê? Você foi em um ensaio da banda dele?
- Fui sim, por quê? - ela foi super indiferente.
Respirei 5.980 vezes.
- Nada , só pra saber. Que fofo, ele tocou uma música em sua homenagem, é? - Alguém sabe um método pra matar uma amiga? Vou ver meu livro de história, na parte das torturas medievais.
- É... Depois fala de mim, com o Emm. – apareceu do nada.
Se ligaram que chamou pelo apelido, né.
- , de onde você apareceu, peste? - Tomei um susto.
- Eu? Você não me ama, estou aqui a um maior tempão.
- Eu, pelo menos admito que estou caidinha pelo Jasper, diferente de uns e outros... – recomeçou tudo de novo.
- Como é, dona ? Pede desculpa. – disse , indignada.
- Eu não. Não estou mentindo.
- E que intimidade é essa; Emm? – reparei.
- Cala a boca, . - disse se sentando.
- Nossa , educação mandou lembranças, hein? – disse.
- Aff, desculpa meninas, festa do pijama pra reconciliar? – quando ela quer, ela consegue ser fofa.
- SIIIIM! – gritei animada.
- Eba. – essa é a animação em pessoa, .
- acorda menina, está sonhando com o Jazz, é? – disse.
- Eu nem penso muito nele. – Nãooooo, só 48 horas por dia.
- Na sua casa, ? – perguntou.
- Pode ser, a já mora lá mesmo, só falta você.
- Você quer que eu vá embora, ?
- Não amor, eu só comentei. – disse me desculpando.
- E a ? Temos que ver se não é dia de ela ir pro hospital. – disse , se lembrando da nossa amiga desastrada.
- Ela pode ir sim, ela dá um jeito. – respondi tranqüilizando.
- Ela praticamente mora lá, depois que conheceu o tal doutor. – observou a .
- Falando do meu doutor, gato e gostoso? - disse a aparecendo do nada.
- Ai, suas problemáticas, credo, querem me matar, é? - disse colocando a mão no coração.
- , me dá um soco. - disse , do nada.
- Aí sim, hein, , agora só falta você ... Algum gatinho na mira? – quem falou? A , é claro.
- Aff, menina, pra que? E , por favor ok? Tenho mais com que me preocupar. – eu disse ameaçando dar um soco na .
- Não importa, me soca! – disse ela.
- Até parece. – a hoje tá que tá.
- Você bebeu ? - disse indignada, a .
- Não entenderam a tática ainda? Ela quer ir pro hospital, encontrar o doutor delicia. Essa é das minhas. – claro que a única que se tocou da babaquice foi a .
- , QUE COISA FEIA! - disse me exaltando.
- Ta meninas, beijinhos e me liguem, vou pro hospital. - disse a , saindo do mesmo modo que chegou, do nada.
- Credo, essa é louca, ou o que? – perguntei.
- Olha quem fala. - disse a .
- Isso é uma indireta, ? – perguntei.
- Mudando de assunto... Olha quem esta vindo pra cá. Acho que alguém esta ficando alegrinha. – zombou .
- Cala a boca, . - disse , pirando.
- Oi girls. - disse aquela voz grave.
- Oi Emmett. - disse , seca.
A quase que enfarta, né? E a rindo que não se segurava.
- Er, oi – eu disse.
Sinceramente essas meninas tem algum problema, tipo conhecem o menino há algumas horas, e já ficam toda apaixonadinhas, eu mereço, viu? – só então percebi que eu pensei meio alto.
- Pensa mais baixo, . - disse a me pegando de surpresa, e o Emmett riu, eu falei alto?
- , para de ser implicante, só porque o carro dele é MUITO melhor que o seu, você está assim? – disse a .
- Erm... Gente, vou tomar água. - disse saindo, não acredito que falei alto.
- Não fique assim, querida. - disse o Emmett, e a infartou.
- Como é que é, ? Cala a boca. – disse a .
Estava indo tomar água, mais eu vi que elas iam se matar, voltei para arrastar comigo
- Eu só falo a verdade. – puxei a , pra não rolar tapa ali.
- , fica quieta, amiga? Vamos tomar água. – disse, retornando a puxá-la.
- Ai , para de me puxar. – disse a .
- Você fala demais. – disse a , e o Emmett observava.
- , VAMOS TOMAR ÁGUA A-G-O-R-A. – disse, com a minha melhor cara de maníaca.
Quando finalmente consegui arrastar a louca, fomos indo embora, e a estranhou, a gente estava saindo da escola e a ficou lá, conversando com o Emmett, depois eu saberia o que ocorreu.

i3

A pergunta que não cala, você está bem? Sim, estou, aceitei mais fácil do que pensei, tudo isso, acho que consegui me acostumar com o tempo todo que o meu pai fica fora, nunca moramos de verdade juntos, então será como uma viagem a negócios, porém, não serão meses, e sim, anos.
Hoje já é segunda feira, cinco dias para o dia da prova, a ansiedade caiu como uma bomba sobre mim. Não sei o que fazer, não paro sentada, ando pra tudo que é lado, subi as escadas quatro vezes, e desci, comi quatro pães com queijo e presunto, fiz de tudo.
- pára, quer fazer um furo no chão? – disse já impaciente, meu pai.
- Ai pai, pai, pai, pai... E se eu não passar? Pai, vai dar tudo errado, estou sentindo. – comecei meio que a pular no lugar.
- Se você não passar, tenta próximo ano, não é o fim do mundo, . – ele estava falando como o Alec, aff.
- Não terá próximo ano, eu quero esse, eu preciso nesse. – comecei a berrar – Eu preciso fazer essa faculdade, necessito.
- Ta, , você vai passar, lógico que vai, UFSP (universidade federal de são Paulo) te espera, calma.
Me acalmei? Claro que não, continuei andando sem parar, e meu pai? Colocou o fone de ouvido no último volume possível, ele estava mexendo no notbook dele, fazendo o que, eu não sei, não conseguia pensar em nada, nada, nada, a única coisa que eu queria, era que essa adrenalina saísse de vez do meu corpo.
E meu pai, que deveria estar se preocupando comigo, estava me ignorando, aff, meus amigos também me ignoraram, estão achando que eu estou ficando paranóica, mas claro que não, se eu não passar, vou fazer o que? Claro, tem a altíssima grana do meu pai, mas eu quero fazer a faculdade. Mil pensamentos corriam simultaneamente na minha cabeça, desde a prova, ao concurso, a mudança e tudo isso estava ficando meio, quer dizer, muito cansativo, me sentei e apertei a cabeça contra o joelho, tentando me acalmar, consegui? Não, minhas pernas se moviam, mesmo paradas no lugar.
Fiquei assim, apenas mexendo as pernas por minutos... Até que...
- Dona . – meu pai disse tirando os fones e me olhando sério. – Que porra é essa?
Me ergui, fui até a tela do notbook e... Paralisei total com o que eu vi...


CAPÍTULO CINCO:

i3

- Dona – meu pai disse, tirando os fones e me olhando sério – Que porra é essa?

Me ergui, fui até a tela do notebook e... Paralisei total com o que eu vi...

Senti o chão sumir debaixo dos meus pés, que palhaçada era aquela? Pior que não era palhaçada, aquelas vadias me pagam, eu juro que vou enterrar a Florinda sem o mínimo glamour, vou tacá-la em uma dessas covas comuns. A raiva começava a explodir dentro de mim, o vídeo era o mais acessado da internet naquele momento, eu estava descabelada, dançando igual uma louca, cheia de gays a minha volta no bar da pá virada. Estou fodida... Depois daquela descoberta eu corri pro quarto, e dormi, tentando, apenas tentando, me esquecer daquilo que eu havia acabado de assistir.

8D

- , por que a gente está saindo, hein?
- Ai , sei lá, estou estressada, não agüento mais aquela escola - gente eu acho que todos esses casais estão me afetando, acho que estou me sentindo meio carente.
- , você está bem?
- Estou, , vamos embora daqui, a e o Emmett estão frescurentos demais pro meu gosto.
- , pára de ser fura olho, está todo mundo no maior clima, e você fica aí, toda insensível. – (n/a1: não seria estraga prazer autora 3? Koaskoaskoas)! (n/a3: nn faz diferença u-u rss)
- Ai, não tenho culpa se não sou enjoada como vocês. - Acho que pela primeira vez, a me veria chorando.
- , você está bem? Eu te magoei? Desculpa.
- Não , não foi nada. - meus olhos estavam cheios de lágrimas, que começaram a escorrer, primeiro lentas depois em um jorro de emoções.
- , o que foi? Não chora. Foi o que eu disse? Desculpa, eu sei que sou idiota, é que eu estou tão feliz com o Jazz, que nem penso nos outros. Me perdoa.
- Não , não se preocupa comigo não. - a cara da , coitada, estava torturada, fiquei com dó dela, mas não pude me controlar.
- , me conta o que aconteceu, você confia em mim ou não?
- Ai , é que não sei, sabe? Todo mundo tem alguém que ama, e eu fico aqui sozinha, sempre sobrando enquanto todo mundo sai... Mas não liga pra mim não, acho que estou meio sensível ainda por conta do que aconteceu com o meu pai.
- , eu sei que o que aconteceu com seu pai foi péssimo, mas você tem que seguir em frente, eu sei que você vai encontrar alguém pra você, mas vai ser na hora certa, é só você parar de dar foras em todos os caras que chegam perto de você, tudo vai dar certo. Confia em mim.
- Ai , obrigada amiga, você é a melhor amiga que existe no mundo. - Nos abraçamos e voltamos para a escola, pois nossas coisas tinham ficado lá, então, quando a aula acabou entramos escondidas e pegamos.

Depois do desabafo com a , eu fui pra casa. Meu irmão? Foi se encontrar com a mesma, a simplesmente está com o Emmett, e a foi visitar o hospital. Então fui pra casa, minha mãe também não estava, subi pro meu quarto, e liguei o computador enquanto colocava uma roupa leve. Entrei no MSN e lá tinha um convite pra eu aceitar, era de um tal de: ed_cullen@hotmail.com. Pensei mil vezes, e aceitei, ele também havia deixando um e-mail.

"Oi , tudo bem? Se lembra do Edzinho? Espero que sim, hein, saudades amada! Me aceita, tanta coisa aconteceu desde a 2ª série, quero muito te reencontrar, para sempre minha amada, beijos." (n/a1: o 1° e-mail que eu demorei menos de 1 minuto pra criar, tinha que falar, recorde meninas teens)!

Meu Deus, aquele MSN era do Edzinho, o nerd feio pra caramba que estudou comigo na 2° série! Meu amigo, mas feio. Ele se mudou há alguns anos, e nunca mais nos falamos. Apesar do aparelho, e de algumas manchas que afetavam indescritivelmente o seu rosto, ele era meu amigo. Estava ansiosa pra voltar a falar com ele, porém ainda estava mal pela conversa que houve pela manhã. Rodei a internet mais um pouco, e me joguei na cama pra dormir a tarde toda, ou até alguma das meninas lembrarem que eu existo.

i3

- Hey , não está meio cedo pra estar dormindo, não? – perguntou Alec praticamente sentando em cima de mim.
- Você é bem passadinho, senhor Alec, sai de cima. – disse, afastando minhas pernas de baixo dele. Olhei pro despertador ao meu lado e vi que eram 18:00, cacete, dormi praticamente a tarde toda.
- Como você entrou aqui? – minha pergunta é bem tola, com certeza pela porta, vou me lembrar de não dar a cópia da chave do meu apartamento para eles. Ele nem respondeu, simplesmente se sentou no meu computador, e começou a mexer, falando nisso, um computador na mão do Alec é um perigo, todas as suas informações podem ser mexidas, independente de senha.
- Cadê a Jane?
- Afinando o baixo. – respondeu-me ele, só então fui reparar que a luz do cômodo no final do corredor estava acesa, meus amigos simplesmente invadiram minha casa.
- Você está atrasada , o ensaio tinha sido marcado para as 17:00 horas.
- Eu me lembro de ter avisado que não iria ensaiar nesses dias que antecedem a prova Alec, você se esqueceu disso?
- Apenas fingi que não tinha ouvido. – respondeu-me ele, dando de ombros – Troca de roupa e vamos ensaiar, minha vocalista predileta! Tinha como reclamar? Não! Coloquei uma blusa, um short e me dirigi ao estúdio improvisado.

O Kaio estava afinando a guitarra, algo que ele não sabe fazer muito bem, então eu tinha mais esse trabalho, ele podia tocar pacas, mas odiava ter que afinar. A Jane tentava tirar um som da nova música do Coldplay, algo que daqui a alguns minutos, ela estaria fazendo perfeitamente. O Alec já havia começado a tocar a nova bateria que meu pai comprou. Eu? Não estava com saco pra cantar, topava fazer tudo, menos pegar um microfone e cantar naquele momento.

- Gente, não tem como remarcar pra depois da prova, não? – eu ia implorar se fosse preciso, eu estava como naquele dia em que você acorda e não quer ir pra escola, eu estava assim, acabei de acordar e não queria ensaiar.
- , depois da prova? Ficar quatro dias sem ensaiar? – perguntou-me Jane.
- É, não estou com cabeça pra isso agora. Estou com vontade de pegar o pote de sorvete, sentar em frente ao computador, comer e conversar, apenas. Nada de música, nada.
- Então ta, mas vai conversar conosco. – disse Jane deixando o baixo de lado – E aí , planos pra são Paulo? Como é o apartamento? Conta tudo.
- Vou pegar o sorvete. - disse sorridente pra eles, e os meninos também largaram os instrumentos e me seguiram em direção a sala, incrivelmente, meu pai estava dormindo no sofá, e ele tinha um sono de pedra, podia cair um meteoro na casa ao lado que ele não ia perceber.

Eles me olharam com uma cara e eu entendi tudo na mesma hora, eu e a Jane corremos pro meu quarto, ia começar uma festinha muito animada. Peguei meu kit maquiagem, esmaltes, enfeites de cabelo, tudo que você pode imaginar.

Iríamos simplesmente zoar com o meu pai, ele dava essa liberdade, por isso não se importaria. Kaio e Alec tiraram o sapato dele, Jane pegou o esmalte azul e rosa choque para pintar as unhas dos pés. Os meninos pegaram os esmaltes, verde e amarelo para pintar as unhas das mãos, e eu fui maquiá-lo. Passei uma sombra roxa, e um gloss vermelho, não me esqueci do blush. Linda, linda, linda, meu pai se remexeu um pouco, mas deu tempo de eles acabarem de pintar as unhas, de eu maquiar e colocar os enfeites borboleta no cabelo ralo e loiro do meu pai.

Ele se mexeu mais um pouco, e todos corremos, tacamos tudo pra trás do sofá e nos sentamos na cozinha o mais rápido possível. Ele se levantou, coçou a bunda (normal pra um homem de 47 anos). Ele nos olhou, e Kaio não agüentou, riu pra cacete, agora que ele descobre.

- Qual o motivo da piada? – ele foi até a cozinha e pegou uma colher, pra comer sorvete conosco. Kaio caiu da cadeira, se ajoelhou no chão e colocou a mão na barriga, de tanto rir. Alec não agüentou e foi na mesma, eu e Jane nos olhávamos, tentando não fitar o meu pai.
- Qual a graça, meninas? – perguntou o meu pai sem entender nada. Mas ele se tocou no exato momento que estendeu o braço na mesa, e olhou pra mão. Não prestou. Ele nos olhou e fez: há-há.

Meu pai se moveu até a pia, com certeza para lavar o rosto, mas não, ele pegou a mangueira da pia e jogou água nos meninos que estavam caídos no chão.

- Essa é a graça? Molharam-se, meninos, de tanto rir? – meu pai também ria e os garotos tentavam fugir da água, o meu sorvete tinha derretido por causa da água que tinha caído nele.

Eu ria muito do estado dos garotos, Kaio me olhou com um olhar assassino.

- É engraçado, . – ele andou na minha direção, e num movimento súbito, colocou o pote de sorvete na minha cabeça, só ouvi os risos exagerados da Jane.

Como acabamos? Cheios de gelatina, sorvete, molhados, meu pai pintado, e a geladeira vazia. Acho que não haveria modo melhor deles se despedirem do meu pai. Falando nele, ele estava estendido em frente à geladeira, ofegante.

Xx

Tomei um belo banho, tentando me recompor, e entrei na internet, exatamente as 21:58.

8D

Preciso comentar que já eram 22:00, e nenhuma das meninas tinham ligado? Muito menos minha mãe chegado? Acho que não, né. Então após acordar, entrei na internet, na esperança de falar com o Edzinho.

Entrei no MSN, mas lá estava tudo paradão, então entrei no site e a estava lá. Engraçado, quando eu entro pra falar com ela, ela não está, quando eu nem me lembro, ela está...


: !
: Oi do Tum-tum, tudo bem?
: Tudo sim, e com você?
: Pirando com tudo!
: Imagino, eu também, final de ano, banda, concurso...
: E prova pra faculdade! Nem to com tempo pra ensaiar, incrível.
: Nossa, ainda bem que faculdade só o ano que vem, você vai fazer o que?
: Veterinária.
: Sério? Nossa, não teria paciência pra cuidar de animais.
: Ai, eu amo cuidar dos pobres animais, sou praticamente um Greanpeace ambulante.
: Tem que gostar muito pra seguir essa carreira...
: E você, pensa em fazer o que?
: Ai, eu acho que vou fazer polícia científica!
: Não sei se toparia, polícia e científica não são palavras de boa combinação.
: Adoro polícia científica, acho que estou assistindo CSI demais.
: Mas deixa eu contar, vou me mudar pra São Paulo, não sei bem o lugar, mas me mudo nesse domingo, após a prova.
: Sério? Que demais! Vamos ser vizinhas.
: Não sei, meu pai comprou um apartamento aí, pois ele vai se mudar e tals, então vou morar sozinha.
: Sério? Queria morar sozinha, mas minha mãe nunca deixaria.
: Qual a sua idade?
: 16.
: Então, você é nova, depois você pensa em morar sozinha (Falei igual uma mãe, percebeu né, não sou assim normalmente, ok! acabando com a minha reputação)
: Eu também sou assim, e nem sou mais velha que minhas amigas.
: Não sei, eu acho que é falta de um romance, algo avassalador, pra eu voltar a ser adolescente, estou tão ligada em estudo, banda, que me esqueço de viver. Queria que acontecesse algo legal, que mudasse tudo. Tipo essa ida pra são Paulo.
: Ah, quem sabe aqui em São Paulo você melhore, aqui é legal...
: É, estou precisando de amigos compatíveis comigo, não loucos.
: Ah, amigos normais eu não posso te garantir, mas compatíveis com você, com certeza deve ter alguém.
: Tomara, e gatinhos também, estou precisando de um, todos os meus amigos namoram, e eu na seca!
: Ah, gatinhos tem uns aqui, te falaria meu irmão, se ele não fosse comprometido...
: Hum... Não quero papo com homem comprometido!
: Se você quisesse, minha amiga te matava! Mas tem gatos por aqui, sim.
: Ele namora com sua amiga? Mundinho está se perdendo...
: É, alguma coisa desse tipo.
: Olha, a hora se avança e amanhã tenho que estar na escola. Você tem Msn, orkut, twitter e derivados? Eu sempre estou por lá, mas quase nunca por aqui.
: Tenho sim, te envio por e-mail!
: Ok, vou te adicionar! Beijos, e vamos marcar pra nos encontrarmos em São Paulo.
: Ok, beijos.

Quando eu estava desligando o computador, o meu celular tocou, acertou quem pensou que era a , quem mais seria?

- Oi amiga, tudo bem? – atendi.
- Oi , to bem e você?
- Bem, que horas você vem aqui pra casa pra gente ir pro racha?
- Eu estava pensando em ir agora...
- Pode vir, a propósito, que horas são?
- São dez e meia. Estou indo pra sua casa, minha mãe está de folga hoje, e está bêbada. Ninguém merece mães bêbadas.

- Ta bom, estou te esperando, beijos.

E ela desligou, provavelmente antes de ouvir o “beijos”.

São nessas horas, que eu entendo o porquê da viver aqui em casa, a mãe dela mal fica em casa e quando fica não dá atenção pra ela, como hoje ela está bêbada.

Fui terminar de desligar o computador, e desci pra esperar a , peguei chocolate na cozinha, e sentei.

Fiquei passando pelos canais, todos inúteis, quando ouço a campainha, levantei correndo e fui abrir, não sei pra que a toca a campainha, se ela tem a chave.

- Oi amiga, entra.
- Aff, oi. A minha mãe é louca, vou internar ela, uma hora ela estava cantando Rolling Stones, na outra veio me falar um monte de coisas que eu não entendi. Tipo: euuuuu seiii o que você fez..........Abre uma lata de ervilha pra mim, meu bem...hahahahaha... Mães deviam ser normais.
- Realmente, mães deveriam ser normais. , sua mãe tem sérios problemas.
- Mas vamos lá, você já está pronta? Temos que passar na casa da , ainda.
- Não, vou me arrumar, vamos lá no meu quarto, em 5 minutos estou pronta.

Eu nem precisava falar pra se sentir à vontade no meu quarto, ela já foi ligando meu computador que eu tinha acabado de desligar.

Isso que dá intimidade. Separei uma roupa e tomei um banho. Peguei uma calça jeans, minha regata preta, meu all star e uma blusa de frio.

- , vou tomar banho e já volto.
- , não se preocupe, a gente nem está atrasada, só são meia noite e meia. - ela foi irônica.
- Ai credo, eu tomo banho em dois minutos.
- Imagina se fosse em duas horas, a gente ainda tem que passar na casa da , e do jeito que ela é, não duvido nada se ela tiver esquecido do racha.
- Liga pra ela. – disse entrando correndo no box. Saí depois de uns minutos.
- Ligou pra , ?
- , não acredito que você nem começou a se arrumar ainda, como assim você está em duvida entra a blusa preta ou a verde? DANE-SE A COR DA SUA BLUSA. Não importa se vai estar frio... CALA A BOCA, não quero saber, eu e a estamos indo aí, se é que ela vai conseguir se vestir em menos de meia hora. Tchau.
- Nossa , está com um mal humor hoje, hein? Já terminei de me arrumar.
- Caramba, não entendo isso de mulher levar tanto tempo pra se arrumar, eu sou mulher também, e me arrumo em 20 minutos, e fico bem mais linda que vocês haha.
- Ai, ta bom, vamos logo, espero que a esteja arrumada, senão eu vou levar ela de toalha mesmo.
- Ela ainda não tomou banho.
- Que? Ela vai ficar então.
- Ficou o tempo todo na frente do guarda roupa, decidindo entra a verde e a preta.
- Manda ela ir de roxo, e pronto. Depois você reclama de mim.
- Cala a boca . Vamos atrás dela. Aproveita que meu humor está ótimo.
- Estou vendo, vamos logo então.

Hoje eu estou com medo da , nunca a vi tão mal humorada assim, normalmente a mal humorada sou eu. Chegamos em 20 minutos na casa da e ela ainda estava em dúvida entre a verde e a preta, mas pelo menos já tinha tomado banho.

- Oi tia Rá, desculpe falar, mas sua filha é muito lerda, ela puxou você ou o pai dela?
- Caramba, ! – preciso comentar de quem foi a frase?
- Tia não liga pra não, ela está mal humorada hoje.
- Tudo bem, eu entendo. – disse a mãe da rindo da cara fechada da .
- Claro, sabe qual foi a última vez que eu vi o Jasper? Aquela hora que a gente saiu na aula. Ele me esqueceu, .
- , ele foi visitar uns amigos, logo, logo ele aparece.
- Como assim eu não fiquei sabendo? (n/a1: meninas só entre nós, cochichando ela é mais que ciumenta, ela tem obsessão).
- Sério que ele não te contou?

Nesse meio tempo desce a louca da gritando e arrastando a gente pra fora de casa.

- Vou ligar pra ele, me esperem...
- , a gente está atrasada, depois você fala com ele.
- Vou ligar no carro ok. Não me contrariem.
- Ta bom. – disse, revirando os olhos.

Entramos no carro e fomos correndo, parecia que a gente que estava disputando o racha. Enquanto isso, pegou o celular e discou o número do meu irmão.

- JASPER, COMO ASSIM VOCE NÃO ME CONT... oi bebê, eu também te amo, não. Eu que amo mais, não tente me contrariar, eu, sim, eu também estou morrendo de saudades de você, não, não vou me machucar no racha, eu prometo, não, você não vai vir me buscar e me poupar da diversão. Oin, ta bom, amo você muito ok? Beijo amorzinho.
- , amiga, você é bipolar?
- O que é isso?
- Que tem problemas com o humor, o humor oscila. (n/a1:*era teen não é só diversão, também é informação).
- Eu não, meu humor está ótimo amiga, nunca esteve melhor, acordei muito bem hoje.
- É, estou percebendo... É aqui, chegamos.

O lugar estava lotado, de longe eu avistei a , descemos e fomos encontrar a louca que causou isso.

- Oi , cadê seu Emm? – como sempre.
- Oi amiga – eu disse.
- , hoje não ok. Oi , Oi .
- Nossa, que lindo, as duas não brigaram. - ama provocar as duas.
- , pára, aproveita que elas estão bem ok?
- Desculpa. - disse a , levantando as mãos em sinal de paz.
- , com quem você vai disputar?
- Aquela loira siliconada da esquerda. Ridícula, já vi ela pegando uns seis só em meia hora, .
- Nossa, o que é isso? Você ganha dela fácil, fácil, .
- Não sei, o carro dela é... É Perfeito. Ela não merece um carro assim, .
- Não começa. Seu carro também é lindo.
- Mas o dela é melhor. Muito melhor. Você viu aquele motor? Vou ter uma conversinha séria com o meu pai.
- , preciso te lembrar que eu não entendo nada de carro, e que pra mim, aquele motor é igual a todos os outros?
- Sem cultura.

Como assim sem cultura, ela acha que está falando com quem? , respira, inspira, ela é sua amiga, você não vai brigar com ela por causa de um carro.

- Ta bom , que horas vai ser sua corrida?
- Não sei, e o Emm nem chegou ainda, mato ele.
- O que? Você me fez sair correndo de casa, e o seu namoradinho ainda nem chegou? - Me exaltei, não tenho sangue de barata né?
- Não sei de que beco ele falou, tem muitos becos aqui.
- O que? Você nem sabe se esse é o beco certo?
- Calma , muita calma. Vou pedir informação. – disse a .
- CALA A BOCA TODO MUNDO, NÃO ESTRAGUEM MEU HUMOR – berrou a
- ESTRAGAR SEU HUMOR ? A ESTRAGOU O MEU. – me irritei totalmente.
- , ME DÁ A DROGA DO SEU CELULAR, EU VOU LIGAR PRO SEU NAMORADO.

Preciso nem comentar que a já estava longe pedindo informação, né? Porém nem precisou... O Emmett fez uma entrada triunfal cantando pneus, num movimento circular. A ? Voltou com um bico enorme pro nosso lado.

- Exibido.
- ÓTIMO, ME POUPOU TRABALHO. – como sempre.
- Ai , pelo menos ele chegou, E PARA DE GRITAR. - eu amo a , mas ela estava me estressando.
- Oi meninas - disse ele, beijando o rosto de cada uma.
- Oi Emmett, vê se acalma sua leoa aí.
- Oi Emmett, dá um jeito na sua namorada. – disse.
- Vocês vão morrer. - disse a , enquanto o Emmett a puxava para um lugar, que parecia local para se fazer a inscrição.
- Nem tente encostar em mim, tenho um homem que me protege. – disse a .
- Tenho medo da , vocês viram a cara dela? - Quando eu olho pro lado, a estava voltando de um lugar que não me pergunte onde, e estava a 5 milímetros de trombar com um homem.
- , AONDE VOCÊ ESTAVA HEIN, PARECE UM FANTASMA, UMA HORA ESTÁ, E NA OUTRA NAO ESTÁ MAIS. – no seu jeito mais amigável de ser.
- É, , você é louca? Aqui está entupido, e você some? Não sai mais de perto da gente ok?
- Não sou mais um bebezinho. - disse indignada.
- , você é desastrada, se acontece alguma coisa com você, a sua mãe me mata, já que eu estou “responsável” por você! - pois é, a tia Rá me deixou responsável pela .
- Bom, como eu não tenho nada a ver com isso, faça o que quiser, . – a é uma ótima colaboradora, sabe.
- Meninas, pronto, resolvi tudo. – voltou a .
- O que tinha que resolver, não era só chegar e competir?
- , deixa de ser burra. Parece que veio da roça.
- Não! Deixa, eu explicar tudo, por favor. – disse .
- Nossa , não tenho culpa de não me interessar por coisas desse tipo. - disse emburrada, hoje a estava muito irritadinha pro meu gosto – explica, .
- São oito competidores. É mano a mano, cada um corre contra o outro. Na semi-final, sobra quatro competidores, que se enfrentam e na final os dois que ganharam, entenderam ou vão querer que eu desenhe?
- Nossa, outra que está com um humor ótimo, entendi criatura. – incrível hoje todas elas estavam de TPM, só pode.
- Eu estou muito bem humorada hoje, você viu lá no carro. Vocês que me irritaram aqui. – disse a .
- Eu não convidei nenhuma de vocês, vocês que se convidaram. – cuspiu , de uma vez.
- É lógico, eu vi lá em casa antes de a gente sair, e no telefone com a . – disse pra – Ai, ta bom , sua mal agradecida, eu vou embora. – também sou dramática, mas é lógico que eu não ia embora, e deixar elas.
- No carro eu fui super educada com você, , até demais ok. Me arrependi de ter vindo nessa droga, só não vou embora porque tem uns gatos. – como sempre a dona dessa frase.
- Licença que vou trocar de roupa, a loira me espera. – disse a .
- Boa sorte, . – disse.
- Gostaria que o Emm fosse com você? – perguntou a .
- , ou você cala a boca, ou o Jazz vai saber de umas coisinhas. – chantageou a .
- QUE COISAS? – perguntou a .
- Gente, parem de brigar, vai pra lá, tchau. – como sempre eu, tentando apaziguar.

Nem deu tempo de a responder, ela já havia entrado em um beco, bastante escuro. ( n/a2: ui beco escuro, ta bom parei) (n/a1: Bells a Duuh ta ficando pervertida). (n/a3:hmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm)

- , olha aquele moreno ali. – disse a animadinha demais - Se fosse uma semana atrás, eu iria atrás dele, mas como sou muito generosa, deixo ele pra você que está precisando de um calor masculino.
- Pois é – eu disse -, lamento lhe informar amiga, mas você espera que eu faça o que? Saia correndo atrás dele?
- Não. Mas eu posso fazer isso por você, posso te ajudar, amiga. – só ajuda pra essas coisas.
- Não amiga, você não pode me ajudar, estou feliz. – disse.
- Ah não , não vou deixar aquelas vadias nojentas ficarem com ele, já que estou comprometida, ele é seu. – gente, perceberam, né? Ela está querendo me empurrar o homem.
- Nossa , deixa o homem em paz, amiga, você nem sabe quem ele é. – tentei defender o coitado.
- Mas posso descobrir. – ela é insistente, né.
- Gente, olha que macacão ridículo. – disse , chegando do nada.
- Nossa , você está parecendo um pato. – não prestou isso que a disse, claro.
- , isso não ajuda em nada. – disse .
- , que horror, coitada da ! É, mas pensando bem, você está realmente parecendo um pato.
- , vai pra merda, amiga. – tentou xingar educadamente.
- , olha o Emm vindo pra cá. – se ligaram que sempre é a que percebe isso, antes de todos.
- Você está linda. – disse Emmett com uma voz rouca.
- Emm, seu pai não ensinou que não pode mentir? – eu disse.
- , você nunca aprendeu que o amor é cego? – disse a .
- Vocês não têm noção de moda, meninas. – disse o Emmett sem parar de olhar pra ela.
- É, pois é se não tivesse aprendido, estou vendo agora. – respondi a .

e Emmett já se dirigiam ao carro, e os alto falantes anunciavam que em cinco minutos a corrida começaria.

- , me arranja uma caneta. – pediu .
- Pra que? – disse, já tirando a caneta da bolsa
- Me dá. – educadinha, né?
- Credo, toma. – disse.

Ela pegou a caneta, nada delicada, tirou a tampa, e escreveu bem grande na testa: .

- ! VAAAMOSSS LAAAAAAAAAAA URRUUUUUUUUUUUUUUUU!
- , você não tem mais o que fazer? - disse furiosa.
- Vai a merda, , se você quiser vou lá perguntar o nome da loira peituda, e escrevo o nome dela na minha testa.
- Nem ouse. O racha já vai começar, me desejem boa sorte. – disse .
- Boa sorte. - dissemos as três juntas.
- É assim que ela me trata por torcer por ela. – resmungou .

- Fica triste não, . - disse quase morrendo de rir da cara de cachorro que acabou de cair da mudança da .

Emparceiramentos da Corrida:

Emmett – Marcelão
Julio – Kaio
Sophie – Marília
Leonia –

CAPÍTULO SEIS:

8D

Os competidores já estavam em suas posições, esperando a largada.

- Ai , isso é mesmo muito sexy, queria que o Jazz estivesse aqui.
- Sexy, ? O que você está vendo de sexy aqui?
- Essa agitação, esses gatos nervosos, tudo de bom.
- Ai , pelo amor, viu? Só você pra achar isso aqui - disse olhando a minha volta - sexy, isso me dá medo, é ilegal. – é, eu sempre sou a certinha
- Dane-se a ilegalidade. Não me importo. Agora shiu que vai começar. - eu já disse que odeio que me mandem ficar quieta quando eu não estou falando? Pois é, eu odeio.

...5...

...4...

...3...

...2...

...1...

...GO!

saiu cantando pneus, e passando a frente de Leonia, sem esquecer de dar um sorrisinho indicando o que ela estava pensando: "perdedora". Emmett estava a uns 3 metros a frente de todos, ele era incrivelmente rápido, ele incomodava , mais do que Leonia a incomodava, ela queria ultrapassá-lo, esse era o seu objetivo, não importava se ela perdesse pra Leonia, só não aceitaria perder pra ele.

Resultado: Emmett x Marcelão - vencedor: Emmett.

Julio x Kaio - vencedor: Kaio

Sophie x Marília - vencedor: Sophie

Leonia x Nadia - vencedor: .

Só restaram quatro semi-finalistas, Emmett, , Kaio, e Sophie.
Emmett x Kaio x Sophie.

Depois de os perdedores (é, eu sei que não é legal falar isso, mas quem não vence, é perdedor, né?) saíram a 2ª rodada começou. Primeiro x Sophie.
estava louca quando a largada foi dada, ela saiu cantando pneus, como da primeira vez, e olhou pelo retrovisor só para ver que estava ganhando, de longe ela pode ver o rosto de Emmett, um misto de surpresa, e orgulho. Nem preciso dizer quem ganhou, né? que saiu com um sorriso do tamanho do mundo, passou pela Sophie e lançou um olhar de desprezo pra ela, a menina não agüentou isso calada e foi pra cima dela.

- Quem você pensa que é? Sua vadia...
- Vadia? Eu sou a pessoa que ganhou de você no racha, sua PERDEDORA. - disse enfatizando cada letra.
- Pura sorte, é a primeira vez que você concorre num racha. AMADORA!
- É a primeira vez, e você que já concorreu antes, e perdeu pra amadora?
- Estou acostumada a correr, meu carro não está tão bom como no início, mas semana que vem, o meu Nissan chega da concessionária, e aí vamos ver quem vai te humilhar com essa latinha velha.
- LATINHA VELHA? OLHA AQUI SUA... - a ia voar no pescoço de Sophie se não fosse Emmett segurar ela.
- Fale mal de tudo, menos do carro dela. se acalma, não vai brigar com ela, ela está com inveja de você. Finalmente alguém apareceu para apaziguar a briga, estava vendo a hora que eu ia ter que me intrometer.
- Vai fazer o que, grandão? Me bater? Só tem você pra defender ela, em compensação tem oito pra me defender, é só eu chamar. - Essa daí é folgada, até eu estou me segurando pra não meter a mão na cara dela.
- Gente, pára, ok? , vem pra cá, respira, deixa essa loira de farmácia aí. – Sim, loira de farmácia é o meu melhor xingamento, e você deve estar achando que eu sou louca por entrar no meio da briga, certo? Mas fazer o que, é minha amiga, eu não posso deixar ela apanhar, né?
- SUA PEITUDA ESTÚPIDA, ESTÁ PENSANDO QUE É QUEM? SUA OTÁRIA, NÃO MEXE COM MINHA AMIGA NÃO, SUA VADIA, NÃO ME IMPORTO COM A COR DO SEU CABELO, VOCÊ NÃO TEM NADA DENTRO DESSA SUA CABEÇA. PASSA A VIDA TODA EM RACHAS, ATÉ A HORA QUE VOCÊ BATER ESSA DROGA DE CARRO, E PARTIR DESSA, PRA UMA MELHOR, SE LIGA ANTES DE SE METER COM OS OUTROS, VAI ESTUDAR GAROTA! E VAMOS ACABAR LOGO COM ISSO. - Adivinhem quem disse essa frase doce?

, lógico, essa daí é barraqueira de primeira, não mexe com as amigas dela que ela fica louca.

- , pára, vamos sair daqui, ok? Emmett, desculpa, mas isso aqui já deu o que tinha que dar! - Ou eu tiro elas daí, ou as três se matam, ao invés de a ajudar a acalmar, ela entrou no meio, eu mereço, viu?
- , a gente não vai embora daqui nem morta, você fique quietinha aí no seu canto e eu vou terminar esse racha, não se intromete.
- É isso aí, .

É isso que a gente recebe por tentar ajudar as amigas.

- Mostra pra essa vadia quem é que manda.

E o racha prosseguiu, Emmett correu contra Kaio, deu medo de vê-lo correndo, parecia um louco, ele estava muito a frente do outro, quando me dei conta ele já estava comemorando a vitória e, diferente da , os dois saíram bem, se cumprimentaram, e Emmett foi se preparar para a próxima corrida, que era contra . A coitada estava com uma cara apreensiva que deu dó, mas ela faria o melhor pra ganhar de Emmett, sem dúvida.

já estava com tanta raiva da loira, que não podia nem pensar na palavra perder. Ela ficava repetindo pra si mesma: vou ganhar, vou ganhar, sei que vou. é muito competitiva, e às vezes perde o controle. Eles se posicionaram, e o tiro foi dado, indicando a largada. Emmett saiu na frente, ao ultrapassar percebeu a expressão demoníaca no rosto dela. Por boa parte do trajeto foi assim, Emmett na frente. Em uma certa curva, Emmett perdeu a velocidade e o ultrapassou, ganhando espaço, ela ficou tão triunfante, que pisou no acelerador como se aquilo dependesse da sua vida. O final estava próximo, eles já podiam avistar a chegada, deu uma fechada em Emmett, impedindo sua passagem, e enfim, ganhou a corrida. Os dois saíram dos carros e Emmett foi falar com a .

- E aí gata, como é a sensação de vencer, hein? - disse sorrindo, eu e as meninas assistíamos tudo.
- Melhor que tudo, ainda mais quando se é principiante! - ela disse com uma cara de deboche.
- Ganhar de mim, quem diria... - disse, soltando uma gargalhada.
- Pois é, nunca duvide da minha capacidade, gato. - disse ela com um sorriso de orelha a orelha.
- Não vou duvidar... - disse ele com um sorriso malicioso no rosto, se aproximando cada vez mais dela.
- É... É bom mesmo - disse ela ofegando.
- Tem certeza que vai ser sua última corrida, baby? - ainda com o sorriso insinuador, se aproximou ainda mais, ela podia sentir sua respiração.
- Não tenho certeza de nada nessa minha vida, só desse momento. - disse com um sorriso cheio de segundas, terceiras, e quartas intenções.

Percebi que começou a ficar um pouco desconfortável e arriscou dar um passo pra trás, mas foi impedida por Emmett, que segurou seu braço.

- Aonde pensa que vai, querida?
- É... - ela não tinha mais força pra falar nada, estava cedendo.

Até que decidiu parar de resistir, fechou os olhos e relaxou. Emmett se aproveitou disso pra chegar mais perto ainda, seus narizes já se tocavam.

- Você é boa mesmo.
- Eu sei que eu sou boa. – disse, se gabando, nem nesse momento ela parava de se achar.
- Mas acho bom você não ir se acostumando, da próxima vez não vou deixa você ganhar. - disse acabando com o espaço entre os dois, e tentando beijá-la, sem sucesso, devo dizer, surtou.
- Você me deixou ganhar? Não sabe perder não, é?
- Sim, eu te deixei ganhar, não fiz nem um esforço. - ele disse sorrindo abertamente.
- Lógico que você fez esforço, eu vi você acelerando pra tentar me alcançar, mas não conseguiu, porque eu sou a melhor. - ela disse irritada, não suportava perder.
- Não , eu fingi fazer esforço, deixei você ganhar. Não existe esse negócio de sorte de principiante. - ele disse, acabando totalmente com o clima.
- Lógico que não existe sorte de principiante, existem pessoas capazes, e eu sou capaz. - ela disse com lágrimas nos olhos, estava muito chateada com ele.
- Calma , não precisa chorar. Prometo que na próxima deixo você ganhar pelos seus méritos. - ele tentou concertar o erro grave, e continuou a sua investida sem sucesso.
- EU NÃO ESTOU CHORANDO! - quando ela virou, nós três estávamos lá, ela veio se encontrar com a gente e a não deixou barato pro Emmett.
- SEU IMBECIL, COMO VOCÊ FAZ UMA COISA DESSAS COM ELA? IDIOTA, RETARDADO, LOGO ELA QUE... - quando ela ia falar merda eu interrompi.
- , vamos embora, vem. – saí arrastando ela, e Emmett ficou parado, estava na cara que ele estava arrependido.

seguiu o caminho inteiro em silêncio, deixamos ela em casa, um pouco mal, dessa vez eu não podia me dar ao luxo de ficar lá com ela, amanhã, quer dizer, hoje, já é muito cedo. 4:15 da manhã, daqui a 1 hora e 45 minutos eu tinha que estar de pé pra aula.

Depois que deixou em casa, levou a , e foi pra minha (logicamente ela ficou por lá mesmo), estávamos um caco, eu precisava de uma longa noite de sono, mas na verdade teria menos de 2 horas para me recompor. Fui tomar banho, depois me joguei na cama, nem ouvi a se arrumando pra dormir.

Tive um sonho meio estranho, sonhei que estava conversando com o Ed feiozinho, meu amigo, e ele não estava tão feio quanto eu me lembrava, quando ele ia falar comigo, o alarme do celular infeliz tocou, eu muito delicadamente, odiando ter sido interrompida na melhor parte do sonho, peguei o celular e joguei no chão.

- MERDA, CELULAR IDIOTA! - levantou a cabeça (é, mesmo tendo seu próprio quarto na minha casa, ela dorme no meu.) e ficou me encarando com uma cara muito engraçada, não consegui resistir, comecei a rir igual uma louca.
- O que aconteceu, ? - ela perguntou com cara de “você acabou de estragar o meu sonho.”
- O que aconteceu? Eu mal dormi essa noite, e na hora que estava tendo um sonho, esse celular maldito me acordou, e hoje pra ajudar ainda tem aula de educação física. – Eu odeio educação física, sou muito descordenada e desastrada, sempre me machuco, machuco alguém, ou os dois.
- Verdade, mas veja pelo lado bom, teremos o Jake por DOIS tempos. - ela disse sonhando acordada.
- Ai ai... O Jake! Tá, você conseguiu melhorar o meu humor. – Jake, o professor de educação física mais perfeito do mundo, na verdade, ele é bem novinho, acabou de concluir a faculdade, mas está fazendo estágio no nosso colégio, com um professor daqueles faria seis tempos de educação física, todos os dias.
- Então vamos, . - disse ela, me tacando um travesseiro - Já estamos atrasadas. Não me perguntem de onde essa menina tira tanta animação.
- Sua besta. - falei tacando outro travesseiro nela, e saí correndo pro banheiro antes que a gente se atracasse mais ainda, ela provavelmente foi pro banheiro do quarto dela.

Depois de nos arrumarmos, saímos correndo pra comer alguma coisa, engolimos o café da manhã, pegou o carro dela e saímos que nem loucas pela rua. Apesar de ela ter 17 anos, pela nova lei, adolescentes podem dirigir, desde que tenham autorização dos pais, e blábláblá, tudo complicado demais pra mim.

Assim que estacionamos o carro, deu dois minutos, e tocou o sinal. Entramos correndo e fomos direto para o ginásio, os dois primeiros tempos eram de educação física. Que triste.

- Só o Jake para me animar num momento desses...
- Sem dúvidas, mas ele podia dar uma aula melhorzinha, né?
- Ah, pode ter certeza que hoje eu vou fazer essa aula ser boa, eu não levantei exausta para ter uma aulinha de merda.
- Qualquer aula com ele é boa, , ô professor bom esse, viu?
- Vamos entrar, já estamos atrasadas.

Saímos correndo pelo corredor, até chegarmos à quadra, quando estávamos entrando, eu trombei no professor. Suspirei, tinha que ser eu a estabanada.

- Ai, professor, desculpa.
- Oi prô. - disse , passando a mão no cabelo e fazendo charminho.
- Bom dia, meninas.
- Bom dia. - disse vermelha até o último fio de cabelo. De onde a tira tanta cara-de-pau?

Fomos para o vestiário trocar de roupa.

- Cara, eu tenho vontade de agarrar ele.
- , menina se acalma, hein? Olha o fogo no rabo.
- Eu, imagina...
- Não, eu. Ele é gostoso, mas se controla, né?
- Claro, vou tentar. - disse rindo.

Quando voltamos ao ginásio, Jake estava passando uns alongamentos.

- Saca só o que eu vou fazer, !

Ela se aproximou do professor e fez uma expressão de coitadinha.

- Professor Jake... Me ajuda a fazer o alongamento? - disse piscando os olhinhos. - Eu não consigo. - sorriu inocente, e fingindo timidez.

Essa menina não presta, eu estava ficando vermelha já, tentando segurar o riso. Ele ajudou a , não do jeito que ela queria, é claro, e sim do jeito profissional. Ela voltou pro meu lado na hora de dividir os times de vôlei.

- , vê se não fica muito perto da bola, já estou com dor de cabeça do cão por causa do sono, não estou afim de levar uma bolada. - disse irritada, sim, ela joga muito melhor do que eu, e sempre entra na minha frente quando eu tento pegar a bola, desse jeito eu não vou aprender nunca!
- Vai a merda, , eu não tenho culpa de ser desastrada, tá?
- Ah, claro que não tem culpa. Agora vamos acabar logo com isso, depois vou embora, dormir.

O jogo começou, e como sempre, ao invés de eu ir ao encontro da bola, eu saía correndo dela com medo de me machucar ou machucar alguém. Uma hora estava distraída (afinal tinha um professor ótimo pra ver, bem mais interessante que uma merda de jogo) e levei uma bolada na cabeça.

- AAAAAAAAI, DROGA! – gritei. O professor, pra minha felicidade, foi ao meu encontro
- , você está bem?
- , VOCÊ ESTÁ BEM? - , apesar de parecer preocupada, não conseguia conter o riso.
- Eu estou bem sim! - apesar de estar vendo 3 s e 4 Jakes (se tivesse 4 Jakes, todos seriam meus, ok?) - Vamos voltar a jogar. - quando levantei, caí de novo, saco.
- , eu cuido disso. - sussurrou em meu ouvido. Ela foi até o professor e disse, baixinho, só para ele ouvir.
- Prô, minha amiga não está bem, ela já acordou estranha, acho que o senhor não vai ver problema se eu levá-la pra casa, né? (n/a: essas garotas sempre saem da escola, que M* é essa? Deixa só eu ir pra São Paulo.)
- Claro, sem problemas. - ele sorriu.
- Vamos .
- , você é a melhor, virou minha diva. - disse rindo.
- Eu sempre consigo o que eu quero. - gabou-se ela. - Já vou avisando que não estou preocupada com você, só quero dormir.
- Nossa, também te amo, tá? - disse indignada, como ela pode me falar isso?
- Você sabe que eu estou brincando. - ela disse, rindo da minha cara.
- Não sei de nada. - ia ficar brava com ela pelo resto da minha vida.
- Relaxa , vai dizer que não salvei sua pátria?
-Tá ok, você me salvou. - disse derrotada, odeio ver que ela está certa.
- Não estou nem um pouquinho a fim de dirigir, posso ligar pro Jazz vir me buscar? - fez sua carinha mais fofa. - Você leva meu carro. - propôs.
- , eu estou tonta! Se eu morrer, a culpa é sua!
- Ok. - disse ela pegando o celular.
- Você vai deixar eu dirigir sozinha, mesmo assim? Bela amiga que eu fui arranjar viu. - disse revoltada, pegando a chave do carro e indo em direção ao carro.
- Ah, não faz drama, se quiser, deixa o carro aí e vem comigo e com o Jazz, mas eu vou no banco da frente.
- Não tenho cara de vela, estou indo embora, tchau. - disse me virando.
- Tchau. Cuidado com meu rádio, é novo, Japer que me deu. Beijinhos. - quando estava chegando no carro, ouço ela gritar - Você podia esperar até ele chegar, não quero ficar aqui plantada sozinha.

Respira... Inspira... Respira... Inspira, , não quebra a cara dela agora.
- Tá bom , eu te espero.
- Obrigada amiga. Sabe que eu te amo muito, né. - disse discando o número do meu irmão.
- Estou vendo.
- Oi, Jazz. Vem me buscar aqui, amor?! Não to muito bem. - ela fez aquela voz de vítima que tanto me irrita. - A educação física não fez muito bem pra mim, estou cansada. Não quero te encher, tá?! Ok, eu te espero. Te amo também. Tchau.
- Aff, , você é dramática, viu?
- Você que é insensível, espera só até você ter um namorado também.
- Eu não vou ser igual você, odeio drama, a não ser que seja algo estilo teacher Jake, aí eu penso em ser assim.
- O Jake é bom... Mas o Jazz é melhor, e você nunca vai saber como ele é, afinal, ele é seu irmão, e isso é nojento.
- , quem está falando isso é você, não quero saber como o meu irmão é! - ela vai me matar ainda.
- Que falta de sorte, hein... nascer irmã do Jazz? Deus que me livre, ele é bom demais pra ser "irmão".
- ! - minha voz saiu extremamente estridente (quando eu estou nervosa, minha voz sempre sai assim) - Por favor, me poupe, tá?
- Falando nisso, ele chegou. Tchau . - disse entrando no carro, eu pude ver pelo vidro ela se jogando em cima dele.

Saí e fui pra casa no carro da , eu mereço essa minha amiga, viu?

Cheguei em casa antes que eles, nem quero saber pra onde eles foram, fui pro computador, quem sabe algo descente acontecesse na internet, quando entrei no MSN, tive uma surpresa...

i3

- ! – berrou meu pai bem na minha orelha, por que os pais não são normais? Eles deviam ser normais, mas não são. Quando nós pensamos que eles estão ficando normais, eles vêm e fazem essas coisas.
- Pai, você bebeu? – perguntei indignada com a atitude dele.
- Você não vai pra escola, preguiçosa? Já são 08h00min da manhã, menina. – 08h00min da manhã? Meu Deus, perdi a aula.

Mesmo tendo ido dormir cedo, eu acordei tarde. Já não tendo mais como ir para escola, levantei e fui direto pro computador, até me esquecendo dos meus hábitos de higiene matinais. Meu pai saiu, nem me pergunte pra onde, depois daquele surto ali de cima.

A primeira coisa que eu fiz foi adicionar a no MSN, tinha umas seis pessoas online, mas nenhuma que fosse importante pra conversar. Chequei meu e-mail, que estava lotado, após quatro dias sem abri-lo. Postei uma mensagem nem um pouco animadora no twitter, dei o ar da vida no Orkut, e finalmente depois de vários dias, postei algo no meu diário virtual.

Após alguns minutos na internet, voltei pro meu cantinho que não estava mais quentinho, afundei a cabeça no travesseiro, e voltei a dormir, me desligando do mundo.
Sonhei mais do que devia, sonhei tanto que parecia realidade. Sonhei que estava em São Paulo, e tendo um Deus grego ao meu lado, com lábios carnudos, músculos de tirar o fôlego, e pior, parecia ser meu namorado.

Mas como sonho de pobre nunca é bom em tudo, enquanto nós andávamos em uma escola (não me pergunte qual) um monte de adolescente vieram pra cima de mim, apenas quatro meninas lindas tentavam me defender, acordei meio aturdida com aquilo.

- Vou me lembrar de escutar música da próxima vez. – falei sozinha.

Peguei meu celular, ainda meio zonza com tudo aquilo, ainda era de manhã, e eu não queria entrar no MSN, então decidi ligar pra....

- Magnifct! Como está? – nem preciso dizer pra quem eu liguei, né?
- Florinda. – disse cheia de fúria pelo vídeo.
- Vixi, amore, por acaso levou um pé na bunda?
- Florinda, que porra de vídeo é aquele?
- Vídeo?
- Não se faça de desentendido, Florêncio.
- Pacheco, nunca mais diga isso.
- Digo sim, Florêncio. Ta, presta atenção, eu quero aquele vídeo fora da internet.
- Mas logo agora que estava ficando bom?
- Florinda! – esbravejei arregalando os olhos.
- Ta, ta – ufa – assim você nunca vai ficar famosa – ouvi ela falar baixinho, fingi que não ouvi aquela asneira e desliguei o celular, pondo a cabeça em baixo do travesseiro.


CAPÍTULO SETE:

8D

Edward, o nerd feiozinho, estava online e nem deu tempo de começar uma conversa, ele foi mais rápido.

- Oi, ! Quanto tempo, que saudades.
- Oi Ed. - esse era o apelido medonho que ele tinha – Sim, faz muito tempo, também estava com saudades. - Eu nem lembrava mais dele, mas não custa ser boazinha.
- Está morando em São Paulo ainda?
- Estou sim, e você?
- Faz duas semanas que voltei pra cá.
- Sério? Você estava aonde? - será que ele quer que eu me encontre com ele, pra relembrar os velhos tempos?
- Estava numa cidadezinha no interior de Minas. Mas então, vamos nos encontrar pra relembrar os velhos tempos? – MERDA, EU DISSE!
- Vamos, quando? – credo, eu falei isso mesmo? Estou ficando muito sentimental.
- Pode ser amanhã? Naquela sorveteria perto da escola que a gente estudou. Quero ver se você continua tão bonita.
- Er... Tá, pode ser. - que fique bem claro que eu não quero mais ser amiga dele.
- Vamos poder retomar nossa amizade de antes, você era minha melhor amiga, sabia?
- Ah, que legal, você nunca tinha me falado isso antes - eu NÃO vou retomar amizade nenhuma, aff, some, e depois quer vir todo amiguinho?
- Estou ansioso pra te ver, .
- É, realmente faz tanto tempo, né?
- Faz mesmo, mas e aí, como está a sua vida? Você ainda é amiga da ? E o seu irmão? Ele nunca gostou muito de mim...
- Sou super amiga da sim, minha irmã querida. Meu irmão também voltou, faz pouco tempo. – espera aí, isso está parecendo um interrogatório policial, quer que eu passe minha ficha completa com CPF, RG, e endereço, também não?
- Você e a tem uma amizade verdadeira mesmo, né?
- Sim, muito, se eu fico um dia sem falar com ela, parece que meu mundo vai desabar, não consigo mais viver sem minha amiga. - ela que não ouça um negócio desses, senão se aproveita mais.
- Por que será que seu irmão não gostava de mim? Ciúmes de irmão?
- Ah deve ser, nunca toquei no assunto com ele... Posso perguntar pra ele se quiser.
- Ah, não, não precisa. Mas como ele está? Adaptou-se bem à cidade?
- Otimamente bem. - mal sabe ele que já tinha até uma namorada.
- Será que ele vai ficar no nosso pé, quando a gente voltar a ser amigo?
- Acho que não. – SE, a gente voltar a ser amigo, querido.
- Acho que sim, agora que você está mais crescida...
- É, pois é, já estou bem crescida.
- Bom , infelizmente vou ter que sair, uma pena, pois queria conversar mais com você. Então até amanhã, ansioso por nosso encontro! Beijos.
- Beijos, até amanhã.

E ficou offline.

Fiquei pensando na conversa, meu Deus, o que levou ele a ficar tanto tempo longe? Por certa parte também estava ansiosa pelo encontro de amanhã.

XX

- Oi , você devia trancar a porta da sua casa às vezes, sabia? - quase enfartei, ela me deu um susto, alguém avisa pra ela que existe uma coisa chamada porta, que se usa pra bater e avisar que estamos entrando?
- E você devia bater na porta da casa dos outros às vezes, sabia? - quando olhei pra ela, estava com meu irmão, tão óbvio.

- Eu estava com um dos donos da casa, ok?
- Ai, ta bom . Senta, babado.
- CONTAAA! - ela é histérica assim mesmo.
- Lembra do Edzinho? Vou me encontrar com ele amanhã.
- AH MEU DEUS! QUANDO EU DISSE PRA VOCÊ ARRANJAR UM NAMORADO, EU QUIS DIZER UM HOMEM DE VERDADE.
- Ele não é meu namorado, ele voltou pra São Paulo e quer me rever, meu Deus, que mente poluída.
- Até parece que você não conhece a mente dos homens, se convidam você pra sair, pode ter certeza que tem segundas intenções.
- , eu era a melhor amiga dele, é só isso.
- Se você nunca percebeu, você era a única amiga dele, e feio do jeito que ele é, deve estar com os hormônios a mil, voltou pra ver se consegue alguma coisa com você.
- , pára vai? Por favor, tenta parar de pensar mal das pessoas uma vez na vida.
- Não penso mal, só sou realista. Então, se você não quer ouvir conselhos da sua amiga mais velha, vou para o quarto de alguém que me ama de verdade.
- Quem será a pessoa que te ama de verdade, hein? , ta bom, então você vem comigo amanhã pra impedir que ele faça algo de ruim.
- Não sou vela. Você é boazinha demais, se ele tentar te agarrar, você vai deixar.
- Ta bom, então se eu for estuprada, a culpa é sua! E o meu irmão nunca mais vai olhar pra sua cara. – é, peguei pesado, eu sei.
- AH É? JASPEEEER, VEM AQUI A-GO-RA! - ela berrou.
- O que você vai fazer? - disse entre dentes, antes de ela me responder, o doido entrou correndo parecendo um furacão.
- O que foi, ? - eu enxergava um cachorrinho babão, ao invés do meu irmão.
- Jazz, se a fosse estuprada, você pararia de falar comigo? - disse ela, fazendo carinha triste.
- Por que eu pararia?
- OUVIU? – disse ela, me mostrando a língua.
- , você foi estuprada?
- Não quero mais falar com você. JASPER, SAI DO MEU QUARTO! - Isso não é um irmão, prefere a namorada do que a irmã.
- Não sai não.
- O QUARTO É MEU, E ELE VAI SAIR! – estava doida, como assim ele prefere a namorada à irmã? Isso não é um ataque de ciúmes.
- Se ele sai, eu saio também, O-K?
- Tchau pros dois, então.
- MAL AGRADECIDA! - gritou do corredor.

Bati a porta do quarto assim que eles saíram, e não sairia de lá até amanhã, eles estavam gritando e rindo no corredor.

- CALEM VOSSAS BOCAS, INFELIZES!
- Ô cunhadinha que eu fui arranjar hein, Jazz. - ouvi falando.
- , VAI A MERDA! – aff, cambada de folgados.
- SE FICOU IRRITADA, É PORQUE TA CAIDINHA PELO EDZINHOOO!
- , SUA... – pensei, e não ia resolver nada de cabeça quente – , vai dormir, tchau, espero que sua noite seja produtiva (não é no sentido que vocês estão pensando, que fique bem claro). (n/a1: eu não pensei nada Ok, só pra deixar claro).
- PODE TER CERTEZA QUE VAI SER MUITO MAIS PRODUTIVA QUE A SUA.

Respirei fundo e me aprontei para dormir, estava exausta e ansiosa, não sabia o que esperar da conversa amanhã com o Edward (me recuso a falar o mesmo apelido ridículo de antigamente), estava com muito medo, e muito cansada. Foi uma noite tranqüila e sem sonhos, acho que estava tão cansada que nem sonhar agüentava.

Acordei por volta das 09:00, desci e a e o Jazz estavam tomando café. Droga, tinha esquecido da discussão com eles.

- Bom dia gente! - fiz minha melhor cara.
- Nossa, seu humor mudou, hein? Sonhou com o Edzinho? - como ficar de bom humor?
- , por favor, ta? Não quero brigar com você.
- Ta. Me da pãozinho, Jazz.

Aff, vem me falar que ela não é a folga em pessoa? Peguei um pão pra comer, tomei meu café e fui me arrumar, daqui a pouco tinha algo parecido com um encontro.

- Oi . - ela disse se jogando na minha cama.
- Oi. - disse virada pro guarda-roupa, escolhendo uma roupa.
- Pensei no que você pediu ontem, quer que o Jasper e eu vá com você?
- Não precisa não, , eu só estava fazendo drama. - peguei uma calça jeans, uma camiseta e um all star (coisa que não é novidade, sempre uso isso).
- Tem certeza? Você não vai se sentir mais segura? E se você não encontrar ele, vai ficar lá sozinha com cara de paisagem?
- Não se preocupa não, amiga, vai dar tudo certo, aproveite o dia, eu vou ficar bem, ok? - Disse e fui tomar banho.
- Ok então...

Assim que eu entrei no banheiro, ela saiu, tomei um banho rápido, me troquei, arrumei meu cabelo, joguei as coisas necessárias dentro de uma bolsa e desci, quando saí, dei de cara com o Jazz.

- Olha , ao contrário do que você pensa, eu me preocupo com você sim, e se esse otário se meter a besta com você é só me avisar que eu quebro a cara dele. Agora, divirta-se, e toma cuidado, não dá muita liberdade pra ele não.
- Nossa, sua delicadeza me comove Jazz. Vou me divertir, e você acha que está falando com quem? Eu sou sua irmã, é lógico que eu não vou dar liberdade pra ele.
- Se eu não cuido de você, você reclama!
- Ta bom Jazz, desculpa, ta? Eu vou me cuidar, prometo.

Fui correndo pro meu encontro, esperei 10 minutos, nada, 20 minutos, nada, já estava desanimada, poxa, depois são as mulheres que demoram, não é? Nem sei o que eu estava fazendo aqui, ele era feio, e deve estar pior. Eu estava indo embora, mas senti algo me cutucar.

- ?! - virei assustada.
- Quem é?
- Sou eu, Edward.
- Edward? - fiquei de boca aberta. Ele estava mais do que perfeito, até um Apolo ia ficar com inveja dele.
- É, minhas expectativas estavam certas, você continua linda.
- Er... Obrigada. - ele podia ser mais discreto, né? Corei, lógico.
- Então, posso pagar um sorvete pra você? Aposto que temos muito o que conversar.
- Pode, claro. - agora eu estava interessadíssima, é, acho que eu sou meio bipolar.
- O que vai querer? - ele disse sorrindo, e me olhando nos olhos.
- Qualquer um. - estava fissurada na beleza dele.
- Vou pedir um milkshake de baunilha, pode ser?
- Pode. - ele ainda lembrava que eu amo milkshake.

Ele chamou o garçom e fez os pedidos.

- E aí, como vai? Está namorando?
- NÃO! - falei mais alto do que o necessário.
- Desculpe se fui muito direto na pergunta, é que eu estava curioso, como uma garota tão linda pode ficar solteira? Já teve algum namorado?
- Não, acho que não tenho tempo pra isso.
- Sempre é bom ter um pouco de amor na vida. Aposto que todas as suas amigas namoram.
- É, namoram sim. – pelo menos tem seus rolos, né.
- Você não se sente sozinha?
- Às vezes, mas vou fazer alguma coisa, e esqueço.
- Você não tem interesse em conhecer pessoas novas?
- Até tenho, mas acho que estou meio louca, com muita coisa na cabeça, ano que vem, faculdade, a banda... fico sem tempo, sabe?
- Você tem uma banda?
- Tenho sim.
- Sério? Vão concorrer esse ano?
- Vamos sim, mais um motivo pra estar sem tempo, entende? - a conversa está fluindo bem, ele estava very gato, e continuava legal.
- E aí, com quem você está andando ultimamente? Mesmos amigos de sempre?
- Sim, mesmas loucas de sempre. Eu estou indo bem e você, como está sua vida?
- Não estava indo muito bem, então resolvi voltar, eu não me dava muito bem com o pessoal da minha cidade.
- Por quê? Não tinha ninguém interessante lá?
- Eram todos muito diferentes de mim. E por morarem no interior tinham gostos diferentes, sonhos diferentes...
- Entendo... Eles não costumam ser ambiciosos?
- Não ambiciosos, mas com outros propósitos de vida.
- Ah sim, sei... Mas foi bom você ter voltado. - merda, falei besteira.
- Gostou mesmo da minha volta? - ele disse com os olhos brilhando.
- Gostei sim, é sempre bom ter amigos de volta. - tentei arrumar a merda que eu fiz.
- A não vai se importar se eu te roubar dela um pouco?
- Acho que não. - ela nem é louca de se importar.
- Mas vocês estão sempre juntas...
- É, ela saiu com o namorado hoje.
- Que namorado?
- Meu irmão.
- Sério? Acho que é por isso que ele largou do seu pé então. - ele riu.
- Deve ser. - ri também.
- Mas aposto que ele ainda sente ciúmes de você.
- Ah, deve sentir, né? Coisa de irmão.
- Mas agora que ele está namorando, acho que vamos ter mais liberdade pra sairmos juntos, não acha?
- Hm... Lógico, ele não implica com meus amigos.
- Quer mais um milkshake? - ele sorriu, olhando pro meu copo vazio.
- Quero sim, mas esse eu pago. – coitado, não me ia aproveitar dele.
- Não mesmo, eu convidei. Eu pago.
- Não quero me aproveitar de você.
- Imagina, eu não ofereceria se não estivesse disposto a pagar.
- Então ta... Quero mais um sim. - já que ele insiste.

Ele chamou o garçom e pediu os milkshakes, dessa vez de chocolate.

- , o que você mais gosta de fazer?
- Gosto de estar com meus amigos, amo ler, ficar sozinha, andar pelo parque, ficar na internet, e você?
- Ouvir música, e principalmente ficar com as pessoas que eu gosto. - Ele deu um olhar significativo em minha direção.

Quando eu olhei pro relógio já estava tarde, perdi a noção de tempo.

- Ah meu Deus, eu tenho que ir Edward, já são quatro horas!
- Já?
- Já sim, minha mãe me mata se eu demorar mais.
- Tudo bem então, mas vamos marcar outro dia, hein.
- Vamos, porque você não vai no concurso?
- Vou, claro, não perderia por nada.
- Que bom. - meus olhos brilharam, acho que ele percebeu.
- Quer que eu te acompanhe até em casa?
- Não precisa se incomodar. - SIIIIIM! Gritava a resposta que eu queria dar, na minha cabeça.
- Tem certeza?
- Absoluta. - Não desiste, insiste mais um pouco vai, por favor... pena quer ele não ouve meus pensamentos.
- Ok então. - ele disse me dando um beijo no rosto, e aquela sensação de frio na barriga apareceu, eu voltei a me sentir adolescente.
- Tchau, até mais.
- Tchau, linda.

Fui em nuvens pra casa, não me reconheceriam, estava parecendo uma adolescente quando se apaixona pela primeira vez, nem sei como cheguei em casa, estava toda distraída, seria possível estar apaixonada por ele? , PARA DE PENSAR BESTEIRA, VOCÊ SÓ ESTÁ ASSIM PORQUE FICOU MUITO TEMPO SEM VÊ-LO, E FICOU ABOBADA COM A BELEZA DELE. É, foi só isso.

Entrei em casa e e Jazz estavam na sala, ia passando direto, mas me dei conta da presença deles.


CAPÍTULO OITO:

Entrei em casa, e a e o Jazz estavam na sala, ia passando direto, mas me dei conta da presença deles.
- Oi gente, desculpa, tudo bem com vocês? - virei e desci a escada, sentando no chão perto deles, a me olhou com uma cara que dizia: "Te conheço, viu?"
- Oi . E aí, como foi? - disse ela, enquanto ia pra cozinha, pegava o pote de sorvete, voltava com duas colheres e sentava do lado de Jasper no sofá.
- Foi tudo bem, legal. - me segurei pra não suspirar ao lembrar.
- Por que você não conta todos os detalhes logo? Só porque o Jazz está aqui?
- Ué, que detalhes? A gente conversou um pouco sobre cada um, tomamos milkshake e eu o convidei pra ir ao concurso e ele aceitou, só isso.
- Hmmmm... - ela murmurou, enquanto dava uma colher de sorvete na boca de Jasper. - Tem certeza que foi SÓ isso?
- Tenho , por quê? Credo, odeio quando você duvida de mim.
- Quando você se faz de inocente eu duvido mais ainda. - ela disse com uma expressão de zombaria, fazendo Jasper rir. Caramba, todos estavam contra mim?
- AI, TÁ BOM BELLA, VOU TOMAR BANHO. - ela conseguiu me irritar, ok, ultimamente nem tem sido difícil me irritar.
- Caramba , relaxa, você não costumava ficar assim antes.
- Assim como, ? - 5.6.7.8, respira... Odeio ser interrogada.
- IRRITADA, CACETE!
- ISABELLA, ME DEIXA EM PAZ.
- Eu hein, é só tocar no nome do Edzinho que ela fica assim.
- , qual é o seu problema? Eu vou tomar um banho, ok? Depois a gente se fala. - levantei e fui pro meu quarto, quando cheguei lá fui tomar um banho repassando mentalmente cada segundo que eu passei junto com o Edward, foi tão bom... mas nós somos só amigos, eu gosto de ter amigos (quem sabe eu repetindo isso pra mim mesma eu acredite) terminei o banho e fui deitar, quando já estava quase dormindo, ouço alguém batendo na minha porta.
- Entra, .
- Er... Não é a , tudo bem ?
PARA O TUDO! Como assim meu irmão no meu quarto?
- Oi Jazz, tudo sim.
- , eu não confio nesse tal de Edward, você sabe né?
- Sei, mas por quê?
- Não sei, o gênio não bateu. Acho que ele tem segundas intenções.
- Imagina, Jazz. - não é só ele, eu também! Lógico que eu não falei isso - Ele só quer ser meu amigo, como antigamente.
- Ele sempre estava no seu pé, não sei, posso estar enganado. Só toma cuidado, ok?
- Pode deixar, vou tomar, ok? - ele levantou da minha cama e foi em direção à porta - Er... Jazz, espera. - ele virou – Obrigada, tá? Por se preocupar comigo.
- Por nada, maninha. Agora eu tenho duas meninas para me preocupar, não pense que me esqueci de você. Boa noite.
- Boa noite, te amo. - não sabia que meu irmão era tão fofo assim.
Enquanto Jazz estava saindo do meu quarto, estava entrando, deram um beijinho rápido ao se cruzarem na porta, e ela veio deitar na minha cama.
- Me conta.
- Contar o quê? - fiz minha melhor cara de desentendida.
- Tudo ué, lembra quando eu conheci o Jazz? Você me fez botar tudo pra fora, agora é sua vez.
- Ok... Primeiro eu achei que ele não viria mais, e já estava indo embora, quando eu viro e me deparo com um Edward totalmente gato, menina, você não tem noção, ele ta lindoooooo, aí nós tomamos milkshake, acho que ele ainda lembra que eu gosto de milkshake, e ficamos conversando um pouco, na verdade ele me perguntou mais do que eu perguntei a ele, enfim, quando me dei conta já eram 16:00 hrs, falei que tinha que vir embora e convidei ele pro concurso, fim!
- AAI QUE FOFO, MINHA AMIGA VAI DESENCALHAR! - Ela falou um pouco alto demais, e Jasper apareceu na porta.
- Como é que é?
- NADA JAZZ, BOA NOITE. - falei fuzilando a , menina escandalosa.
- Não fala assim com meu amor.
- , me poupe, ta? Jazz, irmão amado da minha vida, a fica falando besteiras, você não conhece sua namorada? Vai dormir, ok? Boa noite.
- , to te esperando. Boa noite , amanhã conversamos sobre o que eu acabei de ouvir aqui.
- Boa noite. Tchau . - eu ainda mato essa menina.
- Já vou Jazz, vou falar mais umas coisinhas com ela.
Quando meu irmão saiu eu quase matei a .
- POR QUE VOCÊ NÃO FALA BAIXO, MERDA?
- , relaxa, eu faço o Jazz esquecer rapidinho do que eu disse, pode ter certeza que ele não vai embaçar seu namoro.
- Que namoro, ? Ele é meu AMIGO, você entende o que significa essa palavra? A-M-I-G-O. – soletrei, como se ela fosse uma retardada.
- Ah, sei, claro.
- , criatura divina, ser amado, amiga querida, ache o que você quiser, ok?
- Ta então, não admite nem pra melhor amiga, aposto que vai contar pra qualquer umazinha que você conhece no webrock. Tchau, meu gato me espera.
- O que você... - antes de terminar de falar algo, ela saiu do meu quarto, odeio quando ela faz isso, quando ela saiu, fui deitar e tentar dormir (coisa que estava fazendo antes de me interromperem), peguei no sono rapidamente e tive vários sonhos, sonhos dos quais só lembrava fragmentos, eu lembro que tinha um computador, a estava comigo, e só. Acordei querendo saber o que significava. Levantei, fui me arrumar, e enquanto estava no banheiro, a entrou no meu quarto.
- Bom dia, amiga. - disse com um humor ótimo, sei lá de onde ele veio.
- BOM DIA!
- Dormiu bem?
- Muito, e você?
- Otimamente.
- Por que sua noite foi tão boa, hein?
- Porque eu dormi sem ser interrompida, você sabe que eu tenho problemas pra dormir. - eu nunca tive problemas pra dormir, mas quem sabe ela cai nessa?
- Aham...
- Por que essa desconfiança?
- Desconfiança, eu? Imagina.
- Então ta, vou dar uma volta no parque, quer vir também? Pode levar o Jazz, é lógico.
- Então quero.
- Então ta, vou comer alguma coisa, e vou me arrumar, ta?
- Ta, vou acordar o Jazz.
- ELE AINDA TA DORMINDO? Quero ver ano que vem na faculdade. Agora vai acordar o bebezinho.
- Vem comigo.
Nos fomos ver o Jazz dormindo (não me pergunte que graça isso tem, mas fomos), a com a maior cara de boba.
- Que dó de acordar.
- Vai , para de frescura, senão eu mesma acordo.
- Não!
Ela foi até a cama e sussurrou alguma coisa em seu ouvido. Se vai acordar, por que não acorda direito e dá um berro como ela faz comigo?
- Jazz... Vamos tomar café.
Ele acordou, olhou pra , sorriu, olhou pra mim, e riu.
- Que cara de animo é essa, ?
- Nem acordou e já está me zoando?
- Brincadeira, maninha. - a essa altura já estava deitada de novo. Eu mereço!
- Gente, tipo, é pra hoje, ok? Se vocês ainda forem, se apressem. Vou me trocar, se eu tiver terminado e vocês não tiverem se trocado, eu vou sem vocês.
- Tá né...
- ALELUIA! To indo me trocar, beijos, e andem logo.
Fui me trocar, quando eu voltei eles ainda não estavam prontos, disse que ia na frente e depois ele me encontravam, fui andando calmamente até que bati em alguma coisa.

i3

Passei a semana monotonamente. Dormi na sexta-feira horrivelmente, nunca pensei que os dias que antecedem a uma prova importante fossem tão estressantes. Toda aquela segurança de um mês atrás, certeza de que sabia a matéria se foi. Agora um poço que tentava me engolir.
A prova estava marcada para as 8:00, e eu estava de pé e arrumada 6:15, nada poderia atrapalhar, nem que caísse um meteoro no meio da estrada, eu iria fazer essa prova.
- Tem certeza que não está esquecendo nada? Documentação, inscrição, borracha, caneta, lápis? – tentou conferir meu pai.
- Acho que sim. – disse, estalando os dedos.
- Acha? Confere de novo, .
Conferi e pelo que me consta estava tudo ali, nem mais, nem menos, exatamente o necessário. 6:30 nós saímos de casa, eu e meu pai.
Deram 7:00 horas e não estávamos nem na metade do caminho, o transito afogou. Kaio me ligou três vezes e constatei que ele estava na mesma situação que eu. Já até estava vendo o desfecho “eu voltando para casa sem ter feito a prova. Fim”.
O único meio de transporte que se movia eram as motos. Deram 7:05 e eu fiquei impaciente, e desci do carro, estava tudo parado mesmo.
- Hey , onde você pensa que vai? – perguntou meu pai.
Nem eu sabia, até que ouvi o ronco e uma buzina muito familiar, Florinda. Eu rodava desesperadamente a procura da moto-bike rosa dela, até que avistei uns 10 metros à frente ela discutindo com um motoqueiro.
- FLÔO! – gritei, vendo a luz no fim do túnel, comecei a correr me esquecendo do meu pai – Lindaa me espera, por favor, Florinda! – gritei num esforço enorme, e ela me ouviu.
Parei e coloquei as mãos nos joelhos, ela veio em minha direção.
- Hey magnífica, o que faz aqui?
- Flo, me dá uma carona? – perguntei desesperada.
- Óbvio que sim.
- Peraí, vou pegar minha bolsa no carro do meu pai.
Voltei correndo e peguei a bolsa, o que não esperava era que Linda viesse falar com ele.
- Oi tio. – Linda sempre teve uma queda, quer dizer, arriada as quatro rodas pelo meu pai.
- Oi. – disse meu pai com cara de poucos amigos, meu pai simplesmente odiava que gays dessem em cima dele, mas o que eu poderia fazer?
- Vamos Flô. – disse, puxando ela pelo braço.
- Tchau, tio. – Ela disse e me passou o capacete.
- Qual o destino? – perguntou.
- Complexo Santa Cruz.
A moto-bike da Linda não ultrapassava os 60 km/h, mas mesmo assim eu consegui chegar a tempo de fazer a prova que estava simplesmente dificílima, acho que quem não estudou se ferrou sem pena, me preocupei pois não encontrei nenhum dos meus amigos por lá. E para confirmar o meu temor, meu celular tocou.
- Oi Jane. – atendi.
- Oi. – voz de muitos inimigos.
- Como foi a prova?
- Não foi, nem eu, nem o Kaio, muito menos o Alec, conseguimos chegar a tempo, e você?
- Acabei de fazer. – dava pra sentir o clima de inveja e revolta da Jane até por celular – é... Sinto muit...
- Não sita, como foi?
- Estava difícil, mas acho que passei. – estava medindo as palavras.
- Hm, ta, mudando de assunto – alivio –, vai viajar amanhã pra São Paulo, né?
- Isso, meu pai vai comigo ajudar a me instalar lá, e segunda ele pega o vôo lá no aeroporto de congonhas para os EUA. – pelo menos eram os planos.
- Uhum... Então próxima semana nós te encontraremos lá?
- Pra ganhar. – respondi animada.
- É... E depois cada um segue sua vida.
- Nós não vamos nos separar, Jane. – como é que se anima uma pessoa que acabou de perder a prova da vida, me ensina.
- Vamos sim, você vai pra São Paulo, eu pra Bahia e os meninos provavelmente vão ficar no Rio.
- Ai amor, vamos nos ligar em São Paulo, depois pensamos no resto.
- Não tem o que pensar. – como é difícil falar com ela – Tenho que desligar, não to com muitos créditos.
Não tive tempo de dizer tchau, ela desligou na minha cara. Mas como nada estragaria a minha felicidade, não liguei e corri pra casa pra arrumar as malas, enquanto arrumava, meu pai entrou no meu quarto.
- Como foi lá?
- Acho que passei. – disse sorridente – E o que você andou fazendo?
- Estive no escritório. – ele respondeu, e se sentou no meu puff amarelo – Nós nos despedimos aqui.
Eu praticamente enfartei, me engasguei com a minha própria saliva quando ouvi aquilo.
- Não vou poder te levar em São Paulo, porém eu encontrei uma pessoa da faculdade que vai te instalar e apresentar tudo por lá.
- Eu entrei na faculdade? Já saiu a reposta? – como assim?
- Forças maiores. – prefiro não saber que “forças maiores” eram essas.
- É... então...
- Nos despedimos aqui.
Não agüentei, corri para os seus braços e chorei, não queria me separar dele, ele era a minha família, já havia perdido minha mãe, agora ele.
- Três pedidos. – ele sorriu e sussurrou no meu ouvido.
- Diga.
- 1° você vai ganhar aquele concurso. – eu senti o coração dele palpitar mais rápido – 2° a senhora vai atualizar o seu diário virtual, pois é por lá que vamos nos comunicar. E 3° - seu coração falhou – me promete que vai sempre se lembrar de mim, esse velho problemático – ele começou a chorar, e me abraçou mais forte –, promete que vai se lembrar de mim, mesmo eu não sendo o melhor pai do mund...
- Você é, não poderia pedir nada melhor.
E assim ficamos...


CAPÍTULO NOVE:

8D

Tinha que ser a rainha dos desastres, quando fui ver o que era, adivinhem, EDWARD!
- Ah Edward, desculpe, te machuquei?
- Imagina, .
- Ai, é, você está morando por aqui? – disse, olhando ao redor.
- Sim, há dois quarteirões daqui. - ele disse sorrindo. - Gostaria de conhecer minha casa?
- Acho que não vai dar. - vi ele fechar a cara - É porque eu marquei de me encontrar com o Jazz e com a no parque...
- Hmm, eles podem nos ver juntos?
- Podem, por quê? - Ele quer me acompanhar. AAAAAAAHHHHH *ataque histérico*
- Só queria saber se não tem problema.
- É... Você quer vir com a gente?
- Posso? - perguntou, sorrindo.
- Claro! - tenho que aprender a não ser tão expressiva, credo.
Quando nos viramos pra seguir o caminho, só escuto um grito, acho que até posso adivinhar quem é.
- !
- , essa é a ?
- É, Edward.
- Oi , que escândalo menina. - falei quase que ao mesmo tempo.
- Oi... Caramba. - ela disse, abaixando os óculos escuros pra olhar melhor para Edward, o encarando dos pés a cabeça. - Edward? Tem certeza? - Só vi Jasper fechar a cara, atrás dela.
- É , sou eu sim, como vai? - Essa menina é uma louca, ela ainda me mata de vergonha.
- Nossa, bem, e você?
- Também vou bem. - antes que ela pudesse me envergonhar mais, fui cortando o papo.
- É , vem cá, tenho que pegar uma coisa em casa, volta comigo?
- E o Edward? - preocupada ela, não?
- Ele fica aqui com o Jazz, né Jazz? – disse, quase implorando pro meu irmão.
- Não. - ele disse. - Fico com a . - Meu irmão de mau humor é o fim.
- Jazz, eu preciso falar com ela, por favor? - eu vou ter que beijar os pés dele?
- Ta. - disse ele de má vontade.
foi até ele e lhe deu um beijo, para acalmá-lo, até que funcionou, ele abriu um micro sorriso.
Depois seguimos para casa.
- , O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO?
- O que? Não fiz nada.
- Você quase me matou de vergonha. Precisava daquilo com o Edward?
- O que eu fiz, hein?
- Ai , você quase comeu o coitado com os olhos!
- Você acha que eu faria uma coisa dessas com o Jazz?
- Não, claro que não, mas você o secou, admite.
- Ai , deixa de ser antiga, só estava olhando.
- Ta bom , ta bom, deixa eu pegar alguma coisa em casa pra eles não desconfiarem. – disse, antes que ela percebesse meu súbito aborrecimento pelo fato de ela estar secando o Edward. Peguei uma blusa de frio (sendo que estava um calor escaldante) e voltei.
- Vamos, ?
- Vamos.
Ao avistarmos eles, falou uma coisa que me irritou um pouquinho, mas não deixou de ser verdade.
- Acho que estou vendo o paraíso.
- , se controla ta?
Assim que chegamos perto o suficiente, Jasper pegou pela cintura e ficou segurando ela com cara de assassino.
- Calma, Jazz.
- Er... Gente, vamos... Comer? - era melhor do que ficar sem fazer nada e ver essa cara de mau humor do meu irmão - Já é meio dia, que horas nós saímos de casa, Jazz? Vamos almoçar em algum lugar por aí.
- , você vai almoçar sozinha com o Jazz? - na verdade queria dizer: ", sai daqui e me deixa sozinha com o Edward!" parece que ela entendeu.
- Bom, eu não ia, mas parece que é isso que você quer, vamos amor.
Ela é sempre tão direta, e discreta, não? Não conheço ninguém mais discreta que ela...
Pela cara do Jasper, ele estava satisfeito em tirar a de perto do Edward.
não queria parecer sair de perto de mim e do Edward, acho que ela precisava que eu confirmasse.
- Ta bom , você quer ir comer, pode ir, eu não me importo. - será que eu tinha que ser mais direta?
- Quem sugeriu que a gente comesse foi você. Mas tchau. - ela disse, pegando na mão de Jasper e saindo, devo acrescentar que ele estava com um sorriso imenso no rosto ao sair dali.
- , parece que a não queria comer, né? - disse o Edward com uma cara de pena.
- Devia querer, ela foi embora. - qual é o problema dele em se afastar da , hein?
- É, você também não quer comer, já que você deu a idéia?
- Ok, vamos comer então. - fomos andando, chegamos e nos sentamos, e quando eu olho para o lado vejo que fomos no mesmo restaurante que os dois, não é possível, com tantos restaurantes tinha que ser o mesmo.
estava de frente pra nossa mesa, quando ela nos viu começou a rir, Jasper virou para trás, para ver o motivo de tanta risada, e ao nos ver revirou os olhos.
Eu acenei pra com a minha melhor cara de louca.
Ela me olhou com uma cara de ironia, e virou.
Levantei e fui me sentar em uma mesa bem afastada dela, Edward estranhou, mas não perguntou nada e me seguiu, logo veio uma garçonete, escolhemos rápido e ficamos conversando coisas banais sobre as nossas vidas. A comida chegou, comemos uma boa parte, e quando eu menos espero... aparece atrás de mim, nem preciso falar que a fuzilei com os olhos, né?
- Oi , já terminou de comer?
- Já, só vim convidar vocês pra sentar com a gente, e tomar uma sobremesa.
- Nós estamos terminando de comer.
- Nós vamos sim.
Falamos eu e o Edward ao mesmo tempo.
Olhei para a mesa dela, e vi Jasper com uma expressão nada amigável.
- Ta bom, nós estamos indo. - me dei por vencida, merda. Fomos para a mesa deles, sentei ao lado do Jazz e dei um sorriso que espero ter sido animador pra ele, a e o Edward estavam mesmo querendo relembrar o passado.
Eu, Edward, e conversamos animadamente, enquanto Jasper só comia. Até que foi bom ter ido pra mesa deles, foi divertido.
Estava ficando tarde, nos despedimos de Edward, e fomos pra casa, Jasper com a mesma cara de merda.
- Jazz, irmão amado da minha vida, o que aconteceu?
- Nada. - disse seco.
- Ai Jazz, odeio gente com cara de merda, ta? – disse, indo mais na frente, chegando em casa uns dois minutos antes deles, e indo pro meu quarto. Logo em seguida, chegaram e Jasper, só ouvi a porta do quarto dele sendo batida.
- O que? Vai ficar assim o dia inteiro? - gritou .
- Quando você estava lá rindo com esse tal de Edward não se importou em como eu estava.
- Jasper, pára de frescura.
- Não é frescura , é a verdade, você pensa que eu não percebi?
- Jasper, está na cara que ele gosta da .
- Não foi o que pareceu, vocês estavam animadinhos demais conversando.
- Você nunca foi ciumento desse jeito, meu Deus!
- Porque você nunca deu motivo.
- Ah, e isso é motivo?
- Até a ficou com ciúmes.
- Jasper, não acaba com a minha paciência, ta bom? - ela saiu batendo a porta do quarto com a maior força, e entrou no meu. Era a primeira vez que eu os ouvia brigando, foi péssimo. Quando a entrou, não perguntei nada. Esperei ela dizer alguma coisa e a única coisa que ela fez foi deitar na minha cama e ficar parada, que nem uma doente. Resolvi ver se ela estava viva.
- , o que aconteceu? - Ela soltou um palavrão bem cabeludo.
- Você ouviu tudo, não foi?
- Impossível não ouvir, né?
- , por que ele está assim comigo? Ele sabe que eu o amo, e nunca trocaria ele por ninguém. - ela choramingou.
- Ai , ciúmes, medo de ser trocado, ele te ama muito e você sabe disso.
- , você sabe como nós dois somos orgulhosos, e eu não quero ficar sem falar com ele.
- Então vai lá e pede desculpa, senão eu vou ser obrigada a me intrometer na briga, e fazer os dois se falarem.
- Eu não vou. Ele que brigou comigo, ele tem que pedir desculpas.
Eu não suporto orgulho. Levantei, saí do meu quarto, me encarou sem entender nada, fui no quarto dele, saí arrastando o Jazz (que estava prestes a me bater), entrei com ele no meu quarto, coloquei um de frente pro outro.
- Pronto, agora se resolvam, rápido. - cruzou os braços e olhou pro lado, e Jasper olhou pra mim.
- Vai, anda, vou ter que ensinar pra vocês como é que se fala também?
- O que você quer que eu faça? Ele está bravo comigo, não tenho culpa.
- Jasper, peça desculpas AGORA! - estava muito mandona mesmo, mas que coisa, brigando por qualquer besteira.
- Desculpa, .
- , sua vez.
- Desculpa, amor.
- Pronto, agora que já fizeram as pazes, vão pro quarto de vocês. E não quero saber mais de frescura hoje, estão me ouvindo?
Ao invés de saírem do meu quarto, jogou os braços em volta do pescoço de Jazz.
- Desculpa, desculpa, te amo, ta? - Ele riu e beijou a testa dela.
-Er... Ta bom gente, eu ajudei, mas não quero presenciar a reconciliação, e muito menos, beijos. – disse, enxotando os dois do meu quarto.
Eles saíram abraçados. Além de tudo, virei psicóloga de casais. Eles saíram, e eu fique pensando no concurso, estava muito ansiosa, vou chamar as meninas pra ensaiar amanhã... Enquanto estava pensando nisso, meu celular tocou, era a .

i3

Eu estava com um pouco de medo de entrar naquele avião, sem saber o que me esperava em São Paulo, mas posso dizer que fui com a cara e a coragem para o aeroporto.
- Então, termina aqui. – meu pai disse, me abraçando forte.
- Prepara as bebidas para nós darmos uma festa quando chegarmos lá. – pediu Kaio.
- Presta atenção Kaio, não vão me transformar o apartamento em uma balada, hein.
- Eu tomo conta deles. – disse Alec, me abraçando forte e sussurrando no meu ouvido – Se cuida, princesa.
A primeira lágrima rolou ao ouvir “princesa.” A próxima a vir me abraçar foi a Jane.
- Me perdoa pelo que eu disse no telefone, desculpa mesmo, não devia ter brigado com você. – ela disse chorosa e eu derramei mais lágrimas.
Logo após o Kaio veio me abraçar, e mesmo antes de ele falar algo, eu já estava chorando.
- Hey, menininha – ele sussurrava só pra eu ouvir –, presta atenção, apesar da distância, eu vou continuar te amando muito ok? Se cuida por lá.
- Magnífica. – Flô foi se despedir, claro – Oh, o que você faz comigo. – ela tentava enxugar as lágrimas – Te adoro. – ela disse, me abraçando – Aff, gay chorando é uó. – disse, secando os olhos.
- Vou sentir super sua falta, amada.
- Ain, não me diz isso, assim eu morro, amiga. – ela disse, me abraçando mais forte.
O terminal anunciou que o meu vôo iria sair, então eu dei um tchauzinho a todos, e meu pai me levou até a entrada do portal.
- Se cuida, menininha. – ele disse, me beijando – Te amo.
- Te amo, papai.

O vôo foi super tranqüilo, isso foi bom. No papel que meu pai me entregou indicava que uma tal de iria me alojar e me apresentar tudo, então vamos lá. Desci do avião com as pernas dormentes pela quantidade de horas.

8D

- , flor, tudo bem? – disse, ao atender. - Estava pensando aqui... A gente tem que ensaiar pro concurso, né?
- É, boa idéia, aí eu posso me machucar com a baqueta, e adivinha pra onde eu vou? Hospital!
- Ai , não agüento mais isso, sabia? Faz mil anos que eu não te vejo, tudo é Carlisle, que saco, viu?
- Não enche , a já me contou que você está pegando um gato. Não adianta se fingir de santinha.
- QUEM TE CONTOU O QUE? - eu mato a , filha de uma mãe.
- A me contou que você está pegando um gato. - disse indiferente.
- , O QUE A TE FALOU EXATAMENTE, E QUANDO ELA TE FALOU ISSO? - eu sempre grito quando estou estressada, milagre ela ainda não ter reclamado.
- Isso, grita mais pra eu ficar com dor de ouvido, e ter um motivo pra fazer uma visitinha no hospital. Liguei agora pouco pra ela, e ela me contou.
- , vai á merda, e aproveita pra levar o Carlisle junto, espera aí. - ela ia falar alguma coisa, mas eu gritei.
- , VEM AQUI AGORAAAAA!
- ESTOU PINTANDO AS UNHAS, VEM VOCÊ! - ela berrou do quarto.
- , NÃO ME FAÇA TER QUE IR AI TE BUSCAR, SE EU FOR, SAIBA QUE EU VOU PRONTA PRA TE MATAR. - escutei a falando ao fundo.
- , PARA DE BRIGAR COM A , ESTOU INDO AÍ. - e desligou. Fui igual um furacão pro quarto ao lado.
- , QUE HISTÓRIA É ESSA DE FICAR FALANDO MERDA DE MIM PRA ?
- O que foi? Não falei nada.
- ELA ME DISSE QUE VOCÊ FALOU QUE EU ESTOU PEGANDO UM GATO, QUE HISTÓRIA É ESSA?
- Estou mentindo?
- ESTÁ , EU SÓ SAÍ COM ELE PRA RELEMBRAR OS VELHOS TEMPOS.
- DÁ PRA PARAR DE GRITAR? VOCÊ NÃO CONTA NADA DA SUA VIDA, NEM PRAS SUAS AMIGAS! AGORA COM SEUS AMIGUINHOS DE INTERNET, E COM O "EDZINHO" - ela fez sinal de aspas ao pronunciar o nome - VOCÊ FICA TODA FOFINHA.
- QUE AMIGUINHOS DE INTERNET, ?
- PENSA QUE EU NUNCA VI VOCÊ NO WEBROCK?
- PELO MENOS ELAS NÃO FICAM ME CALUNIANDO POR AÍ.
- O QUE EU TE FIZ PRA VOCÊ FICAR ASSIM COMIGO, HEIN?
- NASCEU!
- Nossa , calma. - até o Jasper resolveu entrar na conversa? Quem ele pensa que é?
- BOM SABER QUE VOCÊ ACHA ISSO!
Nesse meio tempo, entrou no quarto, quem a convidou para entrar?
- QUE BADERNA É ESSA?
- , VOCÊ TAMBÉM, CALA A BOCA QUE A CONVERSA NÃO CHEGOU EM VOCÊ.
- POR QUE VOCÊ ESTÁ GRITANDO COMIGO?
- PORQUE VOCÊ É UMA INTROMETIDA!
- O QUE ELA FEZ PRA VOCÊ? - gritou , defendendo .
- NASCEU, TAMBÉM!
- , para com isso! - se estressou Jasper.
- JASPER, VOCÊ TAMBÉM CALA A BOCA!
- QUER SABER, NÃO VOU FICAR DE BAIXO DO MESMO TETO DE UMA LOUCA. NÃO FIZ NADA PRA VOCÊ, NENHUM DE NÓS FIZEMOS. QUEM QUISER VIR COMIGO, QUE VENHA, VOU PRA MINHA CASA, DE ONDE EU NUNCA DEVIA TER SAIDO. - disse, pegando uma bolsa e jogando suas coisas dentro.
- REALMENTE, NUNCA DEVIA TER SAÍDO DE LÁ, VÃO EMBORA TODOS VOCÊS!
Os três saíram, me fulminando com os olhos. Inclusive meu irmão. Danem-se eles.
Quando os três saíram, eu fui dormir, estava cansada, pelo amor de Deus, bando de gente intrometida, ficam se metendo na minha vida. O que a tem a ver com o Edward? O que a e o Jasper tem a ver com a história? IDIOTAS! Ainda bem que eles foram embora, não sei ao certo em que parte dos meus pensamentos eu dormi, só sei que dormi a tarde inteira, quando acordei fiquei com um peso na consciência, não deveria ter gritado com eles...
Já que eles não estavam lá, fui fazer brigadeiro de panela. Ao terminar, comecei a comer, e vi que sem eles, não tinha graça nenhuma, fiquei lembrando da última vez que a gente comeu brigadeiro, ficamos fazendo uma zona, quando percebi meus olhos estavam cheios de lágrimas, que ódio, fui tão imbecil, não devia ter feito aquilo. A casa estava um silêncio sepulcral, horrível, a gritando faz falta, fica tão sem graça...
Larguei meu brigadeiro jogado na mesa e fui atrás deles, pelo que sei, eles estariam na casa da , ainda bem que a casa dela era perto, fui correndo, quando cheguei lá, toquei a campainha e fiquei esperando alguém ter a boa bondade de abrir. abriu, antes com um sorriso no rosto, mas a hora que me viu, fez cara de irônica.
- Olha só quem está aqui. - ela disse, voltando pra cozinha, e me deixando sozinha na entrada da casa.
Entrei de cabeça baixa, morrendo de vergonha do que eu havia feito.
- Oi gente.
- Oi. - disseram. com raiva, e Jazz, indiferente.
- Ai gente, desculpa vai, eu sei que o que eu fiz foi errado, mas eu estava nervosa...
- É, a gente percebeu que você estava nervosa. - disse Jasper.
Eles estavam tomando sorvete, e nem olhavam pra mim. Acho que os magoei de verdade.
- Ai gente, por favor, me desculpem, eu não fiz por mal.
- , a gente sempre esteve do seu lado, e quando eu conto uma coisa pra , que é nossa amiga, você se irrita desse jeito. Nem parece que você nos considera suas amigas.
- Ai , é que você falou uma coisa que eu não sei se é verdade, sabe? Eu realmente estou gostando dele... Mas eu não sei se ele... Eu não quero espalhar uma coisa que não seja verdade, foi só isso. - acho que falei demais, todo mundo estava me olhando com cara de perplexo, menos a .
- Ah, jura? Contar para as suas amigas é espalhar? Nós sempre te contamos tudo! Te contei do Jazz, sem saber se ele gostava de mim também. E não morri, porque confio em você.
- Ai , mas você é diferente, não sei, eu não quero admitir isso nem pra mim, essa é a verdade, falar para vocês é bem pior...
- Ok , faça o que quiser, a vida é sua, não posso te forçar a nada.
- , você vai ficar brava comigo? Eu estou tentando me redimir e é assim que você me trata? Estou assumindo que eu estou errada, saco.
- Pede desculpa direito, então. - disse, irritada.
- Desculpa gente, eu errei, eu sei, admito, e quero que vocês me perdoem.
- Eu sei que não tenho muito a ver com isso, mas vamos perdoá-la, meninas. - Pediu Jazz.
- Ta perdoada. - disse. Claro, se o Jazz pedisse pra ela dar um tiro no presidente, ela daria.
- É, eu também acho que posso te perdoar. - respondeu , zoando.
- AAAAAAAAAH GENTE! AMO VOCÊS! PROMETO NUNCA MAIS FAZER ISSO, TÁ. - fui correndo dar um abraço nelas. Nos abraçamos, e logo a começou a zoar, e a contar as novidades sobre seu médico particular.
- ...e aí ele me deu uma indireta, eu nem me derreti né, imaginem!
- Ai , só você mesmo, viu? Você e esse seu médico ainda me matam de rir. - estava quase tendo um refluxo de tanto rir.
- É isso aí, , não perde tempo! - disse a , levando uma bronca do Jazz.
- Vocês duas não perdem tempo mesmo. Jazz, deixa a falar, ela vai continuar sendo sua de qualquer jeito. - eu também levei uma bronca dele.
- Awn, que lindo, você fica com ciúmes. - disse ela apertando a bochecha dele.
- Ai Jazz, esse seu ciúmes é ridículo.
- Só cuidando do que me pertence. - Isso fez e rirem como duas retardadas. Eu sinceramente não vi graça nenhuma.
- Nossa, do que te pertence? Ela é objeto, é? - Aff meninas problemáticas.
- Você sabe o que eu quis dizer. - ele revirou os olhos.
- É, eu sei. – disse, pegando um pouco de sorvete, já que ninguém me oferece, eu pego.
O celular da estava perto de mim, e quando tocou olhei o identificador de chamadas, sério, depois disso eu passei uns bons cinco minutos rindo. O número que estava ligando, estava identificado como: DOUTORZÃO DA ALEGRIA. O negocio estava mais sério do que eu imaginava. Ela atendeu toda melosa e eu fingi que ia vomitar.
- Oi... Ah, claro que posso passar no hospital, a hora que você quiser. Ok então, as oito. Beijinhos!
- Oi doutorzão da alegria. - disse zoando. Ela começou a rir, como sempre. é o tipo de pessoa que vê graça em tudo, até mesmo quando ela é o motivo da piada.
e Jazz ficaram o tempo todo enroscados, Deus! Será que eles não conseguem ficar um perto do outro, sem se encostarem o tempo todo? E eu, ficava pensando no que não deveria pensar. Ou seja, o clima estava meloso demais.
Quando estava pensando no que não devia, o meu celular tocou, quase me matando do coração, não sei porque meu celular sempre me assusta, quando olhei no visor, era um número estranho.
- Er... Alô?
- Oi, . – Jesus. Era o Edward, como ele conseguiu meu celular? Olhei pra cara da , que estava rindo, tinha que ser ela.
- Jazz, acho que estamos atrapalhando...
Fuzilei ela com os olhos.
- Oi Edward, como vai?
- Bem, e você?
- Bem também. - Depois de alguns longos segundos de silêncio...
- , eu queria saber se você não queria sair hoje à noite? - fiquei sem respirar
- Claro, quero sim.
- Então ta, nos vemos às oito, pode ser?
- Pode sim, até.
- Beijos, até. – desliguei, quase morrendo.
- Que horas? - limitou-se a perguntar.
- Oito. - Olhei para ela, pra que ela quer saber?
- Às oito estamos livres dela, Jazz. - ela disse, sorrindo.
- Ta gente, eu vou voltar pra casa pra me arrumar, ta? Beijos. - disse saindo, quase quicando de ansiedade, e veio comigo.
Fomos de carro, eram só 5 minutos, desejei bom encontro pra ela, e ela fez o mesmo.
Subi correndo e fui me arrumar, quando olhei no relógio já eram 19:35, quase enfartei, peguei a bolsa e desci correndo, quando abri a porta, Edward estava lá lindo, me esperando, morri, né?
- Er... oi... - quase não consegui pronunciar isso, estava totalmente fascinada com ele.
- Olá. Como vai?
- Bem, e você?
- Bem também. Posso entrar? - disse ele, sorrindo.
- Lógico. – aff, como eu esqueço de convidar ele para entrar -Desculpa não ter convidado. – disse, morrendo de vergonha.
Ele entrou e ficou olhando em volta, eu não sabia o que fazer, então decidi oferecer alguma coisa.
- Quer água, café, refrigerante, alguma coisa?
- Não, obrigado. - ele estava me encarando. Que perfeição...
Estava sem ter o que falar, estava sem voz, sem raciocínio...
Ele riu. Acho que percebeu que eu estava sem jeito.
- Vamos?
- Sim. - a única coisa que eu consegui dizer sem me envergonhar.
- Vou te levar em um lugar que eu gosto muito, vamos jantar.
- Ok. - onde você quiser que eu vá, eu vou.
Entramos no carro, um Volvo prateado, mesmo não sendo nem um pouco parecida com a Nádia, babei no carro. A próxima vez que me encontrasse com ela, ia fazer inveja, claro. O carro por dentro era tão lindo quanto por fora, fiquei até com medo de encostar e estragar.
O caminho durou mais ou menos uns vinte minutos, fomos conversando animadamente até chegar.
- Pronto. - disse ele, saindo do carro e abrindo a porta para mim.
- NOSSA! - A única coisa que eu consegui dizer quando eu vi o restaurante, sabe aqueles, estilo hotel luxuoso que passam em filme? Exatamente igual.
- É um restaurante italiano. - disse ele ao reparar minha expressão perplexa.
- Eu adoro comida italiana.
- Ótimo.

i3

Entrei em um táxi e entreguei o endereço, cheguei no apartamento e logo vários funcionários vieram buscar minhas malas. Eu sabia que o hotel era de luxo, mas aquilo era esplêndido. Fui até a recepção e a recepcionista sorriu mais do que devia pra mim.
- Senhorita Pacheco. – disse ela sorrindo e estendendo a mão – Seja super bem-vinda.
- Muito obrigada.
- Irei lhe acompanhar até o seu apartamento.
Adentramos no elevador.
- Seu pai contratou uma equipe pra você, e você se hospedará na cobertura. – ela disse sorridente, eles deviam estar ganhando uma bolada com isso, iria tratar de reclamar com meu pai – Seu pai também providenciou alguém para te apresentar a cidade.
Ah, isso não.
- É, meu pai não ligou avisando? – fiz cara de ofendida.
- Desculpe. Avisando o que?
- Ele descontratou a pessoa para me apresentar a cidade.
- Tem certeza?
- Você acha que eu estou mentindo? – perguntei, morrendo de medo de ela descobrir tudo, mas a convenci.

Após tomar um banho, eu me dirigi ao closet e peguei uma roupa quente. Me olhei no espelho e desci.
- Vai jantar no nosso restaurante, dona ? – perguntou a mesma recepcionista.
- Não, eu vou sair.
- Há essa hora?
- São oito horas. – afirmei e fui saindo do hotel, ao chegar na calçada não tinha a mínima idéia de onde ir, acho que era super cedo pra eu arranjar confusão em boates, então fui andando pela calçada pra reconhecer os arredores do hotel e assim fiquei até tarde, vagando sem rumo.


CAPÍTULO DEZ:

Nós entramos, e a cada passo que eu dava, eu ficava mais perplexa, o lugar era incrivelmente perfeito.
- Tenho uma reserva para dois aqui. - disse Edward, ao homem que nos atendeu.
- Claro. A reserva está no nome de quem?
- Edward Cullen.
- Me acompanhem, por favor. - ele disse, nos levando para um cantinho do restaurante.
Quando o homem nos mostrou a mesa, ele saiu dando lugar ao garçom.
- O que vocês vão querer? - esperei ele falar, já que ele ia pagar, mas pelo jeito ele também estava esperando eu escolher, já que não disse nada.
- Já decidiu? - ele sorriu para mim.
- Sim, uma macarronada à bolonhesa. - ele deve me achar uma esfomeada, sorri nervosa.
- E eu quero um capeleti à siciliana. - disse, depois de olhar o cardápio.
Fiquei olhando para ele nervosa, por que ele não falava nada?
O garçom assentiu, e após anotar os pedidos, saiu.
- Então, você não me contou o que faz na banda.
- Eu sou a guitarrista, a a vocalista, a a baixista e a a baterista. - eu sei que ele só perguntou sobre mim, mas ele podia perguntar das meninas, então eu já me antecipei.
- Eu realmente estou ansioso para ver vocês tocarem. - ele não tirava os olhos dos meus. Vergonha, vergonha. Muita vergonha.
- É, eu estou uma pilha de nervos, o concurso é sábado.
- Fica calma, se vocês ganharem o concurso, vão ter que se acostumar em tocar ao vivo.
- Eu sei, quero muito ganhar, mas eu tenho tanta vergonha de fazer algo errado...
- Vai dar tudo certo. Acredito no potencial de vocês.
- Obrigada. – disse, com vergonha.
- Por que seu irmão voltou pra cá?
- Porque o meu pai morreu, e ele não queria ficar com as lembranças dele lá. – disse, os olhos enchendo de lágrimas.
- Sinto muito. Eu não sabia. - Pela primeira vez eu o vi envergonhado. - Não fique assim.
- Não, tudo bem, não se preocupe.
- Desculpe, de verdade.
- Tudo bem. – coitado, ele realmente ficou mal depois do que eu disse pra ele, mas as lágrimas foram inevitáveis.
Ele esticou o braço por sobre a mesa, e limpou uma lágrima com as costas do dedo indicador.
- Não chore. - murmurou.
- Desculpe - sussurrei.
Os pedidos chegaram, nós fomos comendo silenciosos, até que eu quebrei o silêncio.
- Me diga um pouco de você, até agora só eu falei.
- Bom, não tenho muito o que falar, você conhecia tudo sobre mim, e desde então, não mudou quase nada... Eu me mudei porque meus pais não estavam se dando bem, fui com minha mãe. Depois de um tempo, eles voltaram a se falar, e meu pai achava que o que mais contribuiu para a separação foi o estresse de São Paulo, ele foi até a cidade que nós estávamos, e eles se entenderam, meu pai se mudou de vez pra lá.
- Ah sim, sempre tive dúvidas do por que você ter ido embora.
- Na época eu não gostava de falar sobre o assunto. - Até esse momento eu tinha me esquecido que Edward era meu melhor amigo, parecia que eu tinha acabado de conhecê-lo.
- Entendo. - acho que quando a pessoa não tem mais o que falar pra ajudar, a tendência a falar “entendo” é tão grande...
- Chega de pensamentos e lembranças tristes, afinal nos reencontramos, e eu senti muito a sua falta.
- Sim, chega de coisas tristes. Também senti sua falta. - só agora eu percebia a veracidade dessas palavras.
Comemos, bebemos e conversamos, a noite foi muito agradável, mas eu comecei a ficar com sono, e ele percebeu.
- Vamos, deixe eu te levar pra casa.
- Já? – disse, mostrando que queria prolongar o momento, mas um bocejo disse o contrário.
- Você está prestes a cair, e não quero que isso aconteça. Vamos. - disse rindo, mas firme.
- Vamos então. - eu realmente estava exausta, a última coisa que eu me lembro foi de entrar no carro dele e apagar.
- ? Chegamos. Quer que eu te leve no colo? - perguntou brincalhão, mas tinha um toque de verdade no tom de voz dele.
- Não precisa – disse, acordando e mal enxergando um palmo diante do meu nariz.
Ele riu, e eu saí do carro, na hora que eu ia descer tropecei, escutei ele rindo de mim, e fui em direção da porta, tendo como meta não cair.
Consegui entrar em casa e acender a luz. Estava tudo como eu havia deixado, então provavelmente e Jazz não vieram pra cá.
Subi a escada com certa dificuldade, tomei um banho demorado e me joguei na cama, dormi como um bebê.

UMA SEMANA DEPOIS...

O concurso.

i3

Acordei no sábado, quer dizer, nem acordei, eu não dormi desde quinta, por vários motivos, por causa dos meus amigos e também por causa do super nervosismo pro concurso.
Eu estava um poço de nervosismo, e quando meu pai ligou desejando boa sorte, aí que uma corrente de adrenalina percorreu meu corpo. Saímos do hotel 7:15, porque não podíamos brincar com o transito de São Paulo.
Chegamos ao parque Ibirapuera 8:00 horas e nos dirigimos para os bastidores, havia muitos aparelhos, afiação, e um tumulto imenso, estava sinceramente ficando perdida naquilo tudo.
- Maniacs? – perguntou um homem gorducho e bigodudo.
- Isso. – respondeu Alec prontamente.
- Por aqui, por favor. – disse o gorducho, indicando uma pequena passagem, o seguimos sentindo a pressão aumentar ainda mais.
- Cadê o resto das bandas? – perguntou Alec apreensivo.
- Cada um tem seu camarim. – ele respondeu e respirou antes de continuar – Olha, vocês encontram seus instrumentos aí, se arrumem e se preparem.
Preciso nem comentar que a manhã se arrastou, né? a Flô não pôde vir, pois ela tinha conseguido uma super chance de mostrar seu trabalho, eu que não ia botar empecilhos, né? 9:40 e os meninos estavam afinando os instrumentos, eu só sei que estou pressentindo que minha voz vai falhar no meio do show. Eles estavam super calmos, confiantes no que faziam, mas eu não estava nada confiante na minha voz.
- , vou te falar isso pela última vez, nós confiamos em você, nós não te escolhemos para ser a vocalista dessa banda porque você tinha um rostinho bonito, nós te escolhemos porque acreditávamos e ainda acreditamos no seu potencial, na sua capacidade.
- Mas Alec...
- Mas nada , vamos passar a música pela ultima vez.
Respirei fundo tentando me acalmar e cantei, saiu meio forçado, como se eu fosse uma iniciante no negócio, e eu percebia isso nos olhos dos meus amigos que não queriam revelar, eu sabia que eles acreditavam em mim, por isso daria o meu melhor.
- Vamos nos arrumar , já são 11:15.
- Ok. – disse, me dirigindo para o banheiro.

Saí de lá pelo menos tendo a certeza que a roupa estava perfeita.
- Como estou? – perguntei para os meus amigos.
- Perfeita. – disse Kaio sorrindo.
- Ta tudo certo? – perguntou Jane, saindo do banheiro.
- Eu acho que a minha guitarra ta com problema na pressão das cordas. – disse Kaio meio assustado, olhando pra Jane, que andou a passos largos e foi ver, eu a olhava apreensiva.
- Merda, cacete, put...
- Jane, calma. – disse Alec, chegando mais perto e eu também – O que houve?
- Quebrou o aperto de duas cordas. – ela disse e eu senti um calafrio.
- Vocês não trouxeram outra? – perguntei, desacreditando na nossa sorte. Pra meu azar eles fizeram que não – Não dá pra tocar assim?
- Só se você quiser apresentar um concerto que pareça gatos miando. – disse Jane seca, estamos ferrados.
- E agora?
Para mais azar ainda, o gorducho apareceu na porta.
- Dez minutos, vão pra concentração, vai começar o concurso, boa sorte.
- Senhor, – chamou Jane, antes de ele fechar a porta – a guitarra quebrou com a viagem, o senhor tem como arranjar outra?
- Que sorte a sua, querida. – ele disse rindo e indo embora, to na merda de vez.
- E agora? – perguntou Kaio.
- Perdemos o concurso. – avisou Alec, se sentando no sofá e colocando a cabeça entre os joelhos.
- Que merda, Kaio. – berrou Jane – Como você foi deixar isso acontecer? Me diz?
Não pode terminar assim, não agora, o gordo apareceu de novo “cinco minutos, se concentrem com os outros” disse ele e escutamos ele se afastar a passos longos e rápidos, e pesados.
Não podemos perder, não agora.
- Kaio, vem comigo. – pedi, o puxando pelo punho.
- Aonde vocês vão?
- Confia em mim, Jane? - perguntei, sentindo uma adrenalina percorrer meu corpo.
- , o que você ta pensando? – Jane perguntou, me fitando séria.
- Não dá mais tempo , nós temos que ir pra concentração. – disse Alec.
- Vão pra concentração. – gritei, já saindo igual uma louca pelo corredor e puxando Kaio, “o desentendido” comigo.
Com a mente funcionando a mil por hora, eu esbarrei em uma menina, acho eu, que estava a Caminho da concentração, gritei um desculpa sem nem parar de correr pra ver se tinha machucado.
Quando Kaio se ligou que estávamos saindo do Ibirapuera ele me puxou me fazendo regredir e parar de correr, assim chocando meu corpo magro contra o dele, uma sensação estranha percorreu meu corpo.
- Aonde você ta me levando, ? Chega de correr. – ele disse ofegante, enquanto eu dava sinal para um moto taxi.
- Vamos arranjar uma guitarra. – eu disse super ofegante.
- Ta doida, com que dinheiro? – ele perguntou incrédulo de nós termos corrido tanto, para eu falar isso.
- O que custa tentar, hein? – perguntei, olhando firme.
- Ok, vamos tentar.
- Pra onde vocês vão? – perguntou o moto-táxi, enquanto nós subíamos na moto.
- Conhece o bruckt?
- Claro gatinha, mas o que você vai fazer lá?
- Me leva. – eu pedi e ele acelerou o máximo possível. Devíamos estar a 120 km/h ao ritmo de capital inicial e ele acelerava mais e mais. Eu sentia o vento batendo no capacete, o Kaio me segurava com muita força e eu segurava os ombros do motoqueiro.
Em mais ou menos quinze minutos nós chegamos em um dos mais pesados bares para motoqueiros, e metaleiros do estado de São Paulo.
- , é melhor nós não entrarmos aí. – disse Kaio, olhando para os cara que andavam por lá, aqueles que andam nessas motos gigantes, que usam jaqueta de couro...
- Então fica aqui, eu vou lá. – eu disse descendo da moto – Me dá quinze minutos, moço?
- Claro, gata.
Desci e me dirigi pro verdadeiro inferno em bar, a menos de dois metros de distancia eu senti o cheiro de álcool me invadir, senti um braço passar pelas minhas costas, tendo certeza que era um cara mexendo comigo, eu continuei a andar e procurar quem eu queria: John Jabu, um amigo da época rock’n’roll do papai.
- John Jabu. – disse, batendo forte minha mão contra o ombro do cara gordo de cabelo vermelho que estava de costas pra mim, ele se virou sério e me olhou fulminantemente.
- Quem é você? – ele perguntou, nem dava pra ver a boca dele, através daquela imensa barba.
- . – estendi a mão, e ele a apertou, e eu senti meus ossos se apertarem dentro da pele.
- Preciso de um favor. – ele riu jogando, seu bafo na minha cara.
- O que eu ganho em troca?
- Me disseram que você é muito bom em queda de braço. – disse, olhando fundo naqueles olhos amarelados.
- Sou o melhor.
- Te desafio. – disse, sentindo mais uma vez a adrenalina me percorrer, enquanto ele me fitava eu fitei a televisão que tinha no bar, estava passando o concurso, de repente quatro meninas entraram no palco, mas eu me desliguei daquilo e me ligue no cara a minha frente.
- Topo.
- Não vai saber o que vou querer em troca?
- Você não vai vencer mesmo. – ele disse e passou o braço na mesa, tacando todos os copos de álcool no chão. E já posicionando seu braço.
- Mas não sou eu quem vai te enfrentar. Preciso de alguém que me represente. – Falei alto, me virando para os homens do bar.
- Com prazer, gata. – Um homem muito alto e musculoso com uma bandana imunda presa na cabeça se manifestou.
- Certo John, se ele ganhar você me dá o que eu quero.
- Fechado.
Os dois se posicionaram na mesa, e quando eu contei “três” eles começaram a fazer pressão. Ele tinha que ganhar, tinha que ganhar... Eu mantinha o pensamento forte em minha mente. Após alguns segundos intermináveis de “jogo empatado” o homem que estava me representando ganhou uma certa vantagem, e com um movimento brusco, colou o braço de John na mesa. Eu sorri radiante.
Sem mais, fiz meu pedido e ele foi até os fundos do bar e logo voltou com uma guitarra me parabenizando, saí correndo pra fora, pulei na moto e me senti aliviada por sair dali.
- O mais rápido possível, moto. – disse, passando a guitarra pro Kaio.

8D

Acordei cedinho, com gritando no meu ouvido. Achei que estávamos atrasadas, mas ainda eram 05h30min, e nós nem morávamos tão longe do Ibirapuera.
- Pra que essa gritaria toda?
- Não sei, estou com medo, e se eu travar, não conseguir cantar? O que eu faço?
- , relaxa, vai dar tudo certo, respira fundo, pensa na letra da música, e entra no clima, fecha os olhos se for preciso, mas tenho certeza que você vai se sair bem, quando você solta a voz, parece que fica mais relaxada.
- É, pra cantar pra umas seis pessoas, mas pra uma multidão...
- Finge que não tem ninguém lá, .
- Você fala isso porque você só toca, pode ficar rouca, chorar, e ninguém vai perceber.
- Mas sem mim, a música não sai, agora já que me acordou, licença que eu vou me arrumar, e você devia fazer o mesmo.
Fui pro banheiro, e ela foi pro outro, eu não sabia que roupa usar, nunca havia feito um show desse porte, acabei com uma calça de couro, all star, e camiseta do Kurt Cobain. Era o melhor que eu podia fazer. Já a , estava de short, meia arrastão e camiseta branca com uns desenhos coloridos.
Quando desci pra tomar café, já estava uma pilha de nervos, e isso estava me afetando, eu odeio ficar nervosa, sempre me atrapalha, fiquei cantarolando uma música até me acalmar e esquecer que o dia do concurso era hoje. Graças aos céus meu irmão desceu logo e se ocupou da , subi e fui ver como estavam as coisas pro concurso, a gente teria que sair mais ou menos 11:30 por causa do trânsito, e também pra arrumar tudo.
Ainda eram 09h30min quando eu fui olhar no relógio, resolvi ligar para as meninas pra ver se estava tudo certo, elas me confirmaram e falaram que se eu ligasse de novo iam desistir de tocar (isso porque era a primeira vez que eu ligava no dia). estava com meu irmão, então fui ouvir música e tentar relaxar.
Assim que eu apertei "Play" no rádio, entrou no meu quarto.
- Quer passar as músicas a última vez comigo? - teria ficado irritada, se não visse que ela estava mesmo nervosa, só de pensar em cantar pra uma multidão eu já me arrepiava toda.
- Ok, . - Peguei minha guitarra, pluguei no amplificador, deixei o som baixinho, e toquei pra cantar.
Ficamos ensaiando e nos perdemos na hora, quando eu fui ver já eram 11 hrs.
- BELLA, VAMOS LOGO, TEMOS QUE PASSAR PRA PEGAR AS MENINAS AINDA. - comecei a ficar histérica, isso sempre acontece, na hora H eu me estresso.
- Ok, vamos. Os instrumentos já estão no carro, só falta sua guitarra. JAZZ! - ela saiu do meu quarto gritando, nem quando está nervosa essa menina deixa de ser escandalosa.
Desci com a minha guitarra, e a ainda estava gritando.
- JASPER VEM CÁ, ARRUMA ISSO, VOCÊ VAI QUEBRAR OS INSTRUMENTOS.
- Jazz, o que eu faço? Você está acostumado a cantar, me diz o que eu faço ou vou enlouquecer!
- , o que você pensa quando compõe as músicas? Pensa nessas coisas, pensa nos motivos que te levaram a escrevê-la, não deixe nada a atrapalhar o seu momento, é entre você e a sua voz.
Ela resmungou, mas concordou.
- ! Só falta você, vem logo!
Credo, já estou indo, entreguei a guitarra pro Jazz por no porta-malas e fui pro carro.
- Jazz, toma cuidado com o meu bebê, viu?
- Que bebê?
- Minha guitarra, criatura. - revirei os olhos.
Ele entrou, deu partida no carro e seguimos para a casa da , quando chegamos ela gritava de nervoso, tenho minhas dúvidas sobre a sanidade mental das minhas amigas.
- Cacete! Acho que meu baixo está desafinado. - Ela gritou.
- , você afina lá, entra logo antes que a gente se atrase.
Ela entrou de bico no carro e foi reclamando o caminho todo até a casa da .
Até que a louca da chega agitando tudo.
estava linda, sua pele branca contrastada com a maquiagem bem pesada, de saia preta, e regata branca. estava de short, e uma camiseta vermelha do Green Day.
Ela entrou falando do Carlisle, que ele sairia do hospital para ver ela tocando, o que a deixava mais nervosa e me estressava.
era a única que não falava nada, só ficava olhando pro Jasper de vez em quando, e ele a olhava com um olhar reconfortante, nunca a vi tão nervosa assim, devíamos ter dado suco de maracujá a ela.
Ao chegarmos no parque Ibirapuera, aquilo já estava uma loucura de gente, descemos do carro, e uma equipe toda veio nos receber, e nos ajudar a levar nossos instrumentos pra dentro.
- Cada banda tem um camarim, na porta do camarim de vocês está o nome da banda. Não tem erro. - Uma moça muito simpática, com um crachá escrito: equipe evermore, nos informou.
- Obrigada. - eu disse, porque todos pareciam estar tensos demais para serem educados.
Seguimos por onde a mulher indicou, e logo avistamos a porta do nosso camarim.
Era simples, por ser improvisado, mas era muito legal, tinha um banheiro, muita maquiagem, toalhas, um frigobar cheio, e uma gaveta cheia de calmantes, o que com certeza iríamos precisar. foi a primeira a pegar um punhado de comprimidos e enfiar goela a baixo.
- , desse jeito você vai ter uma overdose! - gritei.
Ela nem se deu ao trabalho de responder, pelo jeito a coisa estava feia mesmo.
Ficamos dentro do camarim, e ninguém falava nada, todos tensos, trocando só palavras necessárias, após algum tempo, Jazz suspirou e levantou.
- Agora eu tenho que ir, não sou da banda, não posso ficar aqui. Vou pra platéia.
Ele foi até a cadeira que estava sentada, e abaixou em frente a ela.
- , agora respira fundo, se acalma, eu confio em você, e sei que vai dar tudo certo. Eu te amo.
- Obrigada, também te amo.
Ele deu um beijo em sua bochecha, e se virou pra nós.
- Boa sorte, gente. Vou estar lá torcendo por vocês.
- Obrigada. - murmuramos, e ele saiu.
Logo em seguida a moça da equipe entrou no camarim.
- O concurso já vai começar, vocês precisam ir pra concentração.
- Concentração? - perguntei.
- Sim, todas as bandas vão se encontrar lá, para uma espécie de concentração, o show será transmitido lá, por uma tv.
- Ok, já estamos indo. - a moça saiu, e todos já estavam de pé pra sair.
- Gente, vão indo, me dêem um minuto com a , vamos em seguida.
Logo que eles saíram, fui até onde estava.
- Agora só depende de você. Está nas suas mãos.
Acho que depois disso a deixei mais nervosa, mas foi pra ela abrir os olhos, e não deixar o nervosismo dominá-la.
Saímos do camarim e fomos até a tal sala de concentração, no caminho, duas pessoas, pelo que me parecia, eram de alguma banda, passaram correndo por nós e esbarraram com toda a força em , que acabou cambaleando, e me empurrando também.
- CACETE, PASSA POR CIMA! - gritou, mas era tarde para eles ouvirem, já estavam longe.
Chegamos na salinha, e ali o clima estava bem pior, mais gente tensa, e preocupada. Mas pelo menos estavam servindo bebidas.
Nos sentamos junto a e , elas estavam tão anestesiadas pelo momento, que nem perceberam a nossa aproximação, pegou uma garrafa de água e começou a beber, olhando para os rostos dos componentes das outras bandas, eu fiquei super nervosa. Sabia que não seria fácil, passei a analisar os rostos, talvez procurando algum conhecido, mas nada.
Uma garota feia pra caramba, de cabelos pink, olhou para com desprezo, dos pés a cabeça.
- Vai se f... – começou, mas eu a calei.
- , pára, ela só quer te deixar pior do que já está, não dá atenção pra essa gente.
Uma mulher que aparentava ter uns cinqüenta anos, entrou na sala, e chamou a atenção de todos.
- Agora é com vocês, o concurso já vai começar, não vamos ficar chamando pelo nome de ninguém, ali no mural está a ordem que vocês irão entrar, assim que a banda terminar, os próximos já tem que estar preparados para o anuncio, e então, entrarem. Pessoal da banda Refuse, venham comigo, vocês são os primeiros.
Após a mulher sair, fui até o mural ver nossa posição.
- Somos os terceiros. – eu disse.
respirou fundo, e fechou os olhos.
Percebi que no cantinho da sala, tinha uma garota e um garoto, branquinhos, e loiríssimos, estavam com uma expressão arrasada, me perguntei o que aconteceu para que eles ficassem assim...
A primeira banda, Refuse, foi muito bem na música que escolheram, mas a música que compuseram não foi muito boa.
Logo, a segunda banda, Meteoro, estava se preparando para entrar no palco. A banda da garota de cabelos pink, que encarou .
Pela TV, vimos eles entrando no palco, e sendo aplaudidos.
Eles foram incríveis, cantaram uma música internacional, e uma nacional, a garota cantava realmente bem, fiquei com muito mais medo depois da apresentação deles, e também.
Quando eles estavam quase no fim da música, a equipe veio nos entregar nossos instrumentos, só a bateria que seria a mesma para todas as bandas. Nos preparamos, e fomos para a pequena abertura que dava para o palco, o homem que estava apresentando, nos anunciou. “Próxima banda, Evermore!” Entramos, e fomos muito aplaudidos, todos os nossos amigos do colégio estavam na primeira fila ao lado de Jazz.
Nos posicionamos, e antes de começar, me lançou um olhar cheio de coragem e determinação.
bateu uma baqueta com a outra três vezes, e começamos a tocar, primeiro a música de composição nossa, soltou a voz, e foi perfeito, muito melhor que nos ensaios, não sei se era aquele monte de gente, e expectativa, que fizeram soar melhor, mas foi incrível, no primeiro refrão da música ela já estava relaxada e interagindo com a platéia, que vibrou.
Acabamos a primeira música e começamos a tocar a segunda, que por regra do concurso, teria de ser uma música famosa.
Escolhemos “Todos estão mudos – Pitty”.
E essa foi ainda melhor do que a primeira, até arrisquei uns passos a frente na hora do meu solo.
Ao terminarmos, fomos muito aplaudidos, saímos do palco com sensação de dever cumprido.


CAPÍTULO ONZE:

i3

- Dá pra ir mais rápido? – pedi, sentindo a adrenalina me percorrer, o rádio do mp4 anunciava que a penúltima banda estava entrando no palco, sem a menor dúvida a Jane e o Alec deviam estar quase morrendo, e eu também.
- 23,00 reais. – disse o moto-táxi, eu olhei pro Kaio que fez um leve sinal, anunciando que estava sem grana, e eu gelei, olhei com um olhar cheio de significados pro Kaio, que entendeu, e então saímos correndo, ouvimos o moto-táxi gritar atrás de nós. Sem muito pensar, adentrei no Ibirapuera.
- Onde nós estamos? – perguntou Kaio, olhando em volta, a última vez que entrei aqui, foi a mais de cinco anos atrás, merda. O rádio do mp4 anunciava que a banda Rock-Star estava cantando uma música da Fresno, mas não havia se saído muito bem com a música que compuseram. O locutor dizia que as melhores da tarde haviam sido Evermore e Meteoro, e que era pouquíssimo provável que a última banda os superasse. Tirei os fones de ouvido, porque aquilo estava me deixando super nervosa, mais do que eu já estava.
- Hey, o que os dois estão fazendo aí? – perguntou um negão – Essa área é restrita.
- Mil perdões, mas nós nos perdemos, somos componentes da próxima banda a se apresentar.
- Por ali – ele indicou um corredor –, vão até o final e virem a esquerda. – ele berrou, mas nós já estávamos correndo, chegamos no final do corredor e...
- Ele disse direita, ou esquerda? – perguntei, confusa.
- Direita. – afirmou Kaio, e então fomos pela direita, dava pra ouvir a voz do homem que apresentava as bandas, “e a próxima é... Maniacs”. Ele gritou no microfone e só então eu e Kaio reparamos que o caminho era errado, tinha uma multidão entre nós e o palco.
Vimos Jane e Alec entrar no palco e cochichar algo no ouvido do apresentador, que olhou pra platéia se preparando para anunciar que a Maniacs estava desclassificada.

8D

Eu olhava pra TV sem acreditar que a Maniacs tinha dado esse furo, pelo que me consta, aquela lá era a Jane e o outro era o Alec, o que houve com a ? Ela estava tão animada.
O clima estava super tenso, e a platéia super desentendida.

i3

Como pegamos o caminho errado, acabamos atrás da platéia, e lá de trás vimos Alec e Jane com uma expressão arrasada, eu não podia dar essa mancada com eles, não agora que estávamos tão perto.
Fomos correndo aos bastidores, peguei um microfone sem fio, e pluguei a guitarra de Kaio na caixa de som.
- Me dá cinco segundos, e começa a tocar, assim que me ouvir cantando, vai pro palco.
- O que você pretende fazer?
- Faça isso, não temos tempo.
Saí correndo de volta a platéia, assim que cheguei naquela multidão de gente, olhando com expectativa pro palco, Kaio começou a tocar, ótimo, pluguei a guitarra na caixa de som certa, todo aquele murmurinho parou ao ouvirem a guitarra, inclusive Alec e Jane, que reconheceram a música, quando deu minha parte na música, comecei a cantar, e as pessoas olharam para trás, para ver de onde vinha o som, ao me verem começaram abrir espaço e me dar passagem, Alec e Jane sorriram, triunfantes, e começaram a tocar também, quando cheguei no palco, Kaio já estava lá, dei a volta, e subi no palco também, a galera pirou, alguns até sabiam a letra da música, pois nossos vídeos eram muito famosos no youtube.
Depois que terminamos nossa música, tocamos I will be, da Avril Lavigne, a platéia amou, foi demais, nunca havíamos tocado pra tanta gente, e fomos tão bem recebidos, demais mesmo, só não sei como as outras bandas foram recebidas, já que eu não estava aqui pra ver ao vivo, por isso fiquei meio insegura, mas continuei com esperança, afinal a galera estava mesmo gostando. Terminamos nosso pequeno show e voltamos para os bastidores, daqui poucos minutos sairia o resultado de nossas vidas, e se nós ganhássemos, seguir carreira veterinária, ou musical? Mas vou me preocupar com essas coisas mais tarde; nunca, nem por decreto, irei abandonar a faculdade que eu nem comecei.
Nem fui até a concentração, fomos rapidamente nos bastidores refazer a maquiagem e arrumar o cabelo, Jane estava super anestesiada e eu sentia minhas pernas tremerem.
- Como foram as outras bandas? Temos chance? - perguntou Kaio, apreensivo também.
- Olha, a Meteoro e a Evermore foram muito boas - disse Alec - Não sei se superamos elas.
Claro que eu queria ganhar, mas ter tocado já havia sido muito bom. Mas eu estava mesmo é de olho na grana que o 1° lugar iria ganhar. Estávamos prontos quando os auto falantes anunciaram que sairia o resultado, nos dirigimos ao palco apreensivos.
- Evermore. - cochichou Jane, fazendo um leve movimento de cabeça para quatro meninas, super estilosas, e lindas, na platéia tinha um grupinho de meninos que gritavam o nome da banda, talvez namorados, quem sabe.
O apresentador subiu no palco e se posicionou a frente das bandas, eu dei um leve sorriso direcionado ao Evermore, que foi mal, e bem recebido, ao mesmo tempo.
- Chegou o momento tão esperado. - ele anunciou – Primeiro, parabéns pela coragem de todos que vieram participar. Não vou fazer muito suspense, porque sei que vocês já estão nervosos o suficiente. Em terceiro lugar...
Eu olhei para os meninos e pra Jane, que abraçou o próprio corpo.
- Meteoro. – Anunciou, os integrantes da banda levaram um choque no inicio, sem dúvida esperavam um lugar mais elevado, mas depois se abraçaram e foram receber seu prêmio, sendo bem aplaudidos - Parabéns.
Vi Alec abraçar Jane por trás, eu tava meio que submersa a tudo, anestesiada, literalmente.
- Segundo lugar... - ele disse e fez uma pausa angustiante, pô, ele não havia dito que ia ser reto e sucinto, cara – Evermore. - ele gritou e só uma menina abriu um imenso sorriso, as outras demoraram um pouco pra cair a ficha, mas quando caiu, se abraçaram e sorriram muito. Os meninos da platéia aplaudiram de pé, e eu também.
- E agora, o mais esperado, e que leva uma bolada de dez mil reais... - ele anunciou, e pegou o troféu na mão, eu senti o abraço de Kaio, e o aperto na mão da Jane. Fechei meus olhos e minha cabeça flutuou para os Estados Unidos, parei de respirar por um instante, sentindo uma corrente elétrica passar por mim.
- MANIACS! - ele berrou, e eu não tive reação, senti Jane me abraçar, mas eu não tive a capacidade necessária de fazer isso. Alec e Kaio me balançaram um pouco, e então eu abri meus olhos, e vi tudo com uma cortina de lágrimas. O que eu podia falar?
- Parabéns. - disse o apresentador e eu continuei sem reação, mas quando ela chegou, ela explodiu dentro de mim, me fazendo chocar meu corpo contra o de Kaio, Jane e Alec me abraçaram por trás.
- Vamos, . - disse Alec, me guiando pro centro do palco, Kaio pegou o troféu, e Alec o cheque, posamos pra uma foto e meu sorriso apareceu instantaneamente.
Pulamos e fomos parabenizados por todos, e aplaudidos de pé. Nós ganhamos, meu Deus! Após um enorme tumulto, a anestesia já passando, nós fomos pros bastidores, onde tinham taças de vinho para brindar.

8D

Eu estava num misto de felicidade e tristeza, feliz, pois a banda da ganhou, e triste porque não conseguimos o tão almejado primeiro lugar. Com o tumulto que virou o palco, nem consegui parabenizá-la, então esperei chegarmos nos bastidores, pois haveria uma recepção para nos receber. Os Maniacs foram para os camarins, talvez arrumar algo, e eu fui direto pra um tipo de recepção com as meninas meio emburradas, na recepção tinha uma mesa com comes e bebes.
- , você não está sorridente demais, não? - perguntou-me , meio emburrada, meio não, totalmente.
- Por quê? – perguntei, não entendendo.
- Por quê? , isso tudo é por que "eles" ganharam? - perguntou , apontando pro Maniacs, que acabavam de entrar na recepção, e logo um tumulto se formou, com muito esforço eles foram pra um canto afastado de tudo, beber e comer.
- , por favor, né. – disse, deixando meu copo na mesa - Vou parabenizá-los, já volto.
Fui em direção ao canto que eles estavam, sorrindo.
- Oi. – disse, estendendo a mão, que foi prontamente apertada pela Jane, estava meio submersa, conversando com Kaio.
- Vim parabenizá-los. - disse sorrindo e fazendo a atenção da se voltar pra mim, e sorrir.
- Agradecemos. - disse ela sorridente, talvez ela ainda estivesse em dúvida que eu era a .
- , sou eu, a , se lembra? – perguntei, meio indecisa.
- Ah, oi . – ela sorriu, se levantando e me abraçando - Muito prazer, esses são Kaio, Alec e Jane. - apresentou.
- Prazer. - disse, agora sendo abraçada por todos.
- Senta aí. - disse Alec, indicando uma cadeira, e eu me sentei, para bater um pouco de papo.



- Olha lá a . - apontei falando com os meninos e as meninas - Ela devia estar aqui, vocês vieram torcer, e ela fica lá no mundinho dela.
- Calma, amor. - disse Jazz, me abraçando por trás, e eu me desvencilhei.
- E você, Jazz? Todo animadinho por eles terem ganhado. - repreendi.
- , calma amor, vocês foram ótimas também.
- Ótimas, mas não o suficiente pra ganhar, eu sou um desastre, não sei cantar droga nenhuma.
- , o primeiro lugar era de vocês, já estava decidido, mas quando descobriram todo o rolo com a guitarra deles, e mesmo assim eles não desistiram, e conseguiram tocar, fazendo aquela entrada incrível, os jurados não pensaram duas vezes em dar o prêmio a eles.
- Esse é só o primeiro show deles, e já tiveram esses problemas, imagina nos próximos, não vai ser sempre que vão conseguir instrumentos de mão beijada. Poxa, nós tínhamos tudo perfeito... Vocês deviam ter dito que eu não sabia cantar.
- Amor, você sabe cantar, bem até demais, tanto é que ficou com o segundo lugar. E minha banda nunca ganhou prêmio nenhum.
- Mas eu queria ganhar.
- Claro que queria...
- Posso saber o motivo dessa animação toda?
- Que animação, ? - perguntou, inocente.
- Eu te conheço, Jasper.
- Na verdade, eu e o Kaio tocamos juntos na temporada que eu passei no Rio. Estou feliz por eles.
- Ótimo, vá se juntar a eles.
- ...
Eu me acalmei? Lógico que não, ainda tinha aquela tal de que ficava toda sorridente, e tinha sido a própria que esbarrou em mim e nem pediu desculpa, menina mal educada.
- Gente, sinceramente... - disse - nós merecíamos levar esse prêmio. - para tirar nossa atenção, o celular da tocou, e apareceu na tela “doutorzão da alegria”
- Oi. - disse ela, toda derretida - Tudo bem... Ah, obrigada... É, mas no próximo ganharemos... Onde?... Que horas?... Claro... Tá... Tá... Ok... Não, tá, pra comemorar... Ok, podemos falar sobre as novas novidades da medicina... Beijos, até...
- Onde você pensa que vai, ? – perguntei, super incrédula.
- Eu? Encontrar com o Carlisle, por quê?
- Por quê? O combinado era comemorarmos todas juntas. – disse, brava com ela.
- E ele pode ir? - ela perguntou.
- Pode , pode. – disse, sem paciência.
ligou pra ele o convidando, e ele topou. Pedi pra chamar a para irmos comemorar, quando ela voltou, estava com uma cara estranha.
- O que foi, ? - perguntei.
- Sabe , promete que vai ficar calma?
- Prometo. - disse. A recepção já estava bem vazia, a maioria das pessoas já haviam ido comemorar por conta própria.
- A convidou a galera do Maniacs pra ir conosco, mas só que os loiros e o Kaio não podem, disseram que vão arrumar as malas porque pegam o vôo da noite, e a topou.
Meu sangue ferveu, fui até eles explodindo.
- . - disse alto o bastante pra fazer todos me olharem.
Ao ouvir seu nome, se virou, e me olhou.
- O que foi, ?
- Que história é essa de convidar essa daí para a NOSSA comemoração? - dei ênfase na palavra "nossa".
- Pelo que sei, a comemoração não é sua, e o lugar é público, eu convido quem eu quiser.
- Era pra ser uma comemoração da nossa banda, não da banda deles.
- Mas a é da banda e é minha amiga.
- Grande coisa, não conheço nenhuma , e nem pretendo conhecer.
- Ela vai com agente, , não adianta se estressar.
- , deixa ela vir, não tem mal nenhum. - Jasper se intrometeu. Eu amo muito meu namorado, mas eu tive vontade de dar um tiro nele nesse momento.
- Jasper, faz o seguinte, vai a merda!
- , calma, eu também não quero que essa tal de vá. - disse.
- Tudo bem, já que todos preferem... Eu não vou. - disse, desconfortável.
- , você vai, a tem que aprender que as coisas não são só do jeito que ela quer.
- Então comemore sozinha, eu quero comemorar com as minhas amigas, e você, Jasper, se preferir ficar com ELA, fique a vontade. Danem-se todos. - perdi o controle. e me seguiram quando eu virei as costas e saí.

i3

Fiquei super desconfortável com aquilo, eu precisava me redimir, falemos assim.
- Vou falar com ela.
- Não precisa, . - disse a .
- Mas eu quero. – disse, e fui atrás da .
- , espera. - ela se virou, me fuzilando com os olhos – Olha, eu não vou ok, mas não fica assim com a , ela gosta muito de você, hoje é dia de comemoração, cara, vão curtir vocês.
- Não é você que vai me dizer o que fazer, e não estou a fim de ver a cara emburrada da a noite inteira, porque a amiguinha dela não foi junto!
- Calma menina, poxa, o que eu fiz de errado? Caramba. – disse, sentindo um pouquinho de raiva.
- Não fez nada de errado, o certo era você estar comemorando com os SEUS amigos, e não vir roubar os meus, e o meu namorado também!
- O seu o que? Enlouqueceu, foi?
- É, não sei porque ele está tão interessadinho que você vá, mas quer saber? Não me importo mais. Vou sair e fazer qualquer merda.
- Pode ir parando. – disse, segurando seu braço. - Olha aqui menina, quer saber, cansei, isso tudo é por que minha banda ganhou? Poupe-me, o mundo não gira em torno do seu pedestal.
- Não me importo se a droga da sua banda ganhou, só queria uma noite de comemoração com meus amigos, o que pelo jeito você não pode respeitar.
- Olha, quer saber, vai com seus amigos, me enchi de vez. – disse, indo em direção a porta, que merda de mundo, acabei de me mudar e vem essazinha me esculachar, haja paciência.
Faltava pouco para eu alcançar a porta, quando senti uma mão quente segurar meu braço, me virei em fúria pensando ser ela, mas era o namoradinho dela.
- O que você quer? – perguntei, sentindo um aperto no peito.
- Você não precisa ir.
- Preciso. – disse, sentindo pena do modo que falei.
- Eu toquei um tempo com o Kaio, gosto muito dele, e não quero que ele fique virado comigo por causa disso, fique, por favor, preciso disso pra sentir que agi certo.
- Olha, eu vou ficar, sabe por quê? Porque não vou deixar os MEUS amigos por causa da sua namorada.
- A fala sem pensar.
- É, deu pra ver.
- Quando ela está nervosa... Ela fica assim, mas peço desculpas.
- Ok. Desculpado. – disse, me dirigindo a e falando com ela.
- , vai curtir com eles, eu estou com uma vontade insana de me acabar em um bar, sozinha. – disse, rindo comigo mesma pela idéia.
- Ah, nem vem , sua banda ganhou, você não vai passar a noite sozinha, vai vir com a gente!
- , não fica assim, estou acostumada, e olha, vamos ter várias oportunidades de sairmos juntas.
- É sério, , nós esperamos tanto por esse dia, se você não for, vou me sentir mal.
- Mas e a ? Vai ficar esse clima super chato.
- Dane-se, se ela está de mau humor, a culpa não é minha, o namorado dela que se preocupe.
- Hm... Então ta. - me despedi dos meninos e de Jane, eles iriam pro hotel arrumar as malas. Eu fiquei com o troféu, e uma parte da grana seria depositada na minha conta, então fomos eu, a e o troféu ao encontro dos amigos dela, eu, muito sem jeito.
- Er, gente, a vai conosco. - disse.
- Éh, oi gente. – disse, fitando , que estava com uma cara incrédula.
- Eu não vou. - Ela concluiu, me encarando.
- ... - disseram e Jazz exatamente juntos. - Eu vou. - afirmou Jasper, olhando suplicante para .
- Faça o que você quiser. Eu não vou.
- E nem nós. - disse , se referindo a ela e . – Se não for, nós não vamos, estamos com ela.
- Caramba... - disse um menino, que estava com o braço no ombro da - poxa, dá pra parar, hoje é dia de comemorar, , não estamos pedindo para que você e virem amigas, estamos pedindo para que vocês comemorem, afinal, vai perder a comemoração por causa dela?
- ... - Jazz disse, ao perceber que ela não se comoveu nem um pouco com o sermãozinho - Por mim. Não vai ter graça sem você.
- Como você mesmo diz, eu falo se pensar. Eu vou, mas não pense que esqueci o que aconteceu hoje, Jasper.


Continua...

Bella: aaaaaaaaaaaaa, ciúmes total do Jazz ):
EdGirl’s preparem-se. E a pedidos da Nádia (a nossa team emmett) logo logo, partes bem hot pra vocês. bjs bjs

Duuh :Essas Jazzgirl's são ciumentas ein? Logo logo teremos partes hots com as emmgirl's a pedido da Naah (quem nós usamos para ser nossa emmgirl na fic e essas partes não serão escritas por mim, isso já fica claro pra depois eu não levar bronca de duas pessoinhas né Key e Rê? ). Bjs =*